Dia dos namorados à Romione
2 Casaco
O que Hermione mais desejava era poder passar o resto do dia em seu quarto. Apesar de não conseguir pregar os olhos, queria permanecer ali deitada, pelo menos se sentindo aconchegada fisicamente enquanto seus sentimentos estavam vazios e sem animo após a briga de ontem.
Porém, nada parecia pré-disposto a colaborar com seus desejos e incompreensivelmente contrariava seu sossego.
– Vai brincar lá fora Bichento. – grunhiu Hermione sem mover-se aos barulhos que vinham da sacada de seu quarto.
Apesar da porta de vidro entre a parede de seu quarto e a sacada, Hermione ainda ouvia as estranhas batidas e barulhos vindos de fora.
– Eu não vou abrir seu gato sem vergonha. – disse irritada.
Gato sem vergonha, quando foi que começou a chamar seu gatinho assim? Na verdade, nunca começara a chama-lo assim, era Rony que sempre implicava com o animal e o chamava assim, mesmo isso a irritando. Pronto, Rony estava novamente em seu pensamento.
– Bichento, eu já disse para parar! – gritou com irritação, mais pelo fato de lembrar-se novamente do namorado, da carta e da briga.
Levantou-se com brutalidade para abrir a porta a Bichento.
– O que você está fazen... – e o restante da frase morreu em sua boca ao chegar a porta e descobrir o causador dos barulhos – Rony?!
– Oi. – disse sem graça assim que a namorada abriu a porta, a voz trêmula saindo pesadamente dentre o meio sorriso encabulado, frente a frente com ela – Er... seu casaco... – disse estendo o objeto que segurava como desculpa para estar ali – Você o esqueceu naquela noite.
– Obrigada. – disse com frieza, evitando o olhar de Rony ao aceitar o objeto, mas antes que pudesse se afastar, Rony segurou seu braço.
– Já esperei tempo de mais Hermione, perdi o dia dos namorados com você, não vou suportar mais uma noite como a de ontem. – disparou imediatamente quase em desespero – Será que podemos conversar agora?
Hermione tentou suportar, mas precisou desviar o olhar quando sentiu os olhos arderem, odiava a ideia de ter Lilá como assunto mais uma vez. Se concentrou no casaco em suas mãos, sentindo o olhar pesaroso de Rony seguir seus passos até o guarda-roupa e observá-la guarda-lo sem ânimo.
– Eu sei que errei Hermione, entendo que ainda esteja magoada, deveria ter te contado. – tentava Rony – Mas você também deveria entender que não contei porque tive medo, sabia que ficaria chateada, eu só quis te proteger.
– E o que mais você esconde para me proteger? – disse Hermione finalmente o encarando – Seja sincero e tente ao menos confiar um pouco mais em mim.
– O que? – disse incrédulo – Hermione, você é minha namorada, é claro que confio em você.
– Então me diz o que mais além daquela carta ridícula você esconde para me proteger. – insistiu.
– Eu te amo Hermione e confio minha vida a você mesmo antes de namorarmos, eu apenas tentei evitar tudo isso que está acontecendo, mas jamais esconderia de você se aquilo não fosse tão insignificante para mim.
– Só esqueceu-se de pensar que poderia ser significante para mim.
– Você não vai levar aquelas baboseiras a sério, não é?!
– E se eu quiser levar? – devolveu Hermione – Ela também já foi sua namorada, como eu.
– Ela nunca foi como você. – respondeu convicto – Eu nunca sonhei gostar dela como já gostava de você enquanto estava com ela e com esse ciúme você me ofende duvidando dos meus sentimentos por você.
– Não estou com ciúme. – contestou elevando a voz involuntariamente.
– Então para que continuar com essa discussão idiota? – perguntou no mesmo tom.
– Eu não vou ceder até você ser totalmente sincero comigo. – persistiu irritada.
– Mas eu estou sendo sincero, o quer que eu diga mais? – rebateu ainda mais alto que Hermione.
– Qualquer coisa, mas diga algo Ronald! – gritou exasperada. A respiração forte dava tonturas, Hermione mal entendia o que si própria queria de Rony, mas ela queria algo e estava desesperada para isso.
O olhar fixo durante alguns segundos pareceram uma eternidade até que ambos recuperassem o fôlego e Rony voltasse a falar.
– Tudo bem então, eu digo. – disse voltando ao controle, a voz calma e segura – Hermione Jean Granger, mesmo com meus defeitos e essas brigas incessantes, quer se casar comigo?
Seu coração parou imediatamente no mesmo instante em que todo o ar a sua volta parecia ter desvanecido.
– O.. o... que? – balbuciou confusa.
– Não vou tentar esconder mais nada de você, Mione, e... bem, tecnicamente eu estava escondendo isso também a algum tempo. – com as mãos trêmulas, Rony buscou uma caixinha vermelha e aveludada em seu bolso.
– Rony...
– Você aceita um ruivo que só faz besteira como seu marido? – perguntou estendendo a caixinha, revelando um anel caprichosamente escolhido e bem guardado.
– Ronald Weasley, você é um idiota. – disse deixando-se jogar nos braços de Rony – É claro que aceito.
E finalmente seus lábios se tocaram sedentos, cheios de amor e desejo. Não era um beijo como aqueles trocados após todas as brigas, era muito mais que um simples beijo. Indescritível, quase insaciável.
– Desde quando estava planejando isso? – perguntou Hermione quebrando o silêncio, quando já estavam deitados, apreciando os raios que invadiam o quarto de Hermione, mas não alcançavam a cama onde se mantinham abraçados há algum tempo.
– Desde sempre. – respondeu depositando um beijo em sua testa sem cessar o afago em seus cabelos.
– Você entendeu o que quis dizer. – devolveu Hermione sorrindo – Quando tocávamos nesse assunto, nunca chegávamos a uma conclusão da melhor época para acontecer.
– É que as melhores coisas acontecem quando menos esperamos. – disse Rony.
– Espera você não é um impostor, não é? Ron, amor, está ai dentro? – brincou Hermione fingindo procurar algo entre os cabelos ruivos de Rony.
– Engraçadinha você. – devolveu Rony em meio às risadas da namorada – Na verdade, te contaria ontem, durante o jantar do dia dos namorados, mas... bem, não aconteceu como planejei.
– Acho que com agente, nada acontece como o planejado.
– Nada mesmo. – concordou depositando mais um beijo nos lábios de Hermione – Quero você para sempre Mione e para isso, nunca mais vou deixar uma carta atrapalhar nosso presente.
– E nunca mais vai tentar esconder algo de mim, porque já comprovamos que não funciona. – completou.
– Exatamente. – finalizou antes de Hermione puxa-lo para um beijo.
– Sabe o tanto que te amo, não é? – disse Hermione encarando aquele mar azul intenso.
– Se for o mesmo tanto que eu, acho que sei. – respondeu antes de novamente se envolverem em beijos à moda Ramione.
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