Notas iniciais
Criei essa história após fazer a prova do Enem :)
No dia que sai da prova, a história pipocou na minha mente e não consegui parar de pensar nela.
Só depois de muito tempo eu resolvi colocá-la na internet
Espero que gostem :)

É meio dia agora e já há vários jovens em frente aos portões de uma das maiores universidades da cidade, apesar de ser sábado. Hoje é o dia em que a primeira de duas provas do ENEM será aplicada no Brasil inteiro.

O ENEM é uma prova de iniciativa do governo a fim de avaliar a qualidade do ensino médio brasileiro, consistindo em uma prova de cento e oitenta questões e uma redação, divididas em dois dias.

O teste só começa quando o relógio marcar uma hora da tarde, ou treze horas, porém os portões do prédio onde a prova será realizada também se fecha nesse horário; ninguém quer ficar para fora, por isso o movimento que até impede os carros de trafegarem na rua em frente à faculdade.
Como é típico desse tipo de evento, vendedores ambulantes vendendo lanches, garrafas de água e até canetas para os mais esquecidos, estão amontoados na calçada anunciando seus produtos, juntos deles, vários grupos de jovens conversando e matando o tempo até que precisem adentrar no prédio.

Para muitos, é a primeira vez e para outros é a ultima chance, independente das circunstâncias, a maioria aparenta estar nervosa e apreensiva para obter uma grande nota. Eu estou desacompanhado, encostado às grades da faculdade onde a prova será aplicada com as mãos nos meus bolsos e observando o movimento.

Como sou um pouco mais velho que a média das pessoas que estão aqui hoje, não encontro muitos conhecidos pela multidão e apenas tenho conhecimento de que há um amigo que foi escalado para fazer a prova no mesmo campus que eu, Fabrício, mas não o vejo em canto algum.

Faltando meia hora para uma da tarde, resolvo seguir caminho, fui escalado para fazer o Enem na sala trezentos e trinta, no terceiro andar, então sou obrigado a subir dois lances de escada enquanto observo as salas do primeiro e do segundo andar serem preenchidas.

A sala trezentos e trinta é a ultima de todas e ao me aproximar dela, deparo-me com uma fila de outros jovens que compartilharão da sala comigo hoje e amanhã. Coloco-me na fila e não demora muito para que uma fiscal da prova, vestida de camisa branca com crachá e munida de embalagens plásticas me aborde.

Primeiro ela confere meu documento de identificação; “Marco Almeida. Tudo certo.”, então me devolve a carteira e me entrega uma embalagem plástica com um lacre adesivo. “Coloque seu celular e qualquer objeto eletrônico dentro da embalagem,” ela explica, “pois portar aparelhos eletrônicos fora do lacre durante a aplicação da prova resulta em desclassificação.”.

É agora que tudo começa.

Caço, nos largos bolsos de minha calça de abrigo, o celular: um modelo antigo, se comparado com a tendência atual; o meu não tem funções “touch screen” e nem conexão à internet, muito menos câmera. Eu desligo o aparelho e abro-o prontamente para retirar a bateria e me certificar que nenhum despertador brincalhão acionará o celular, mesmo desligado, durante a prova. Fecho o lacre e mostro meus resultados para a fiscal. Nessa hora minhas pernas tremem ligeiramente de nervosismo; se ela fizer uma vistoria em meus bolsos, é o fim.
“Não se esqueça de preencher seu nome nos campos indicados” é tudo que diz. Nesse momento, a fila já andou o suficiente para que o fiscal que controla a entrada da sala esteja cara-a-cara comigo, ele pede minha identidade e permite que eu entre, sem maiores problemas.

Antes que eu me sente, sou obrigado a juntar-me a outra fila. Na mesa de professor, a terceira fiscal da sala está pedindo para que todos assinem uma espécie de ficha de presença antes que se sentem nas carteiras já munidas das provas.

Dois garotos assinam e então é minha vez, essa terceira fiscal parece um pouco mais jovem que os outros dois e traja uma divertida camisa branca com a imagem de um cachorro “pug” vestindo óculos escuros e com o texto “Pug Life”. Ela encontra meu nome na enorme lista de presença e eu assino.

“Pode se sentar”, ela diz.

“Qualquer lugar?”, pergunto.

“Sim, qualquer lugar”.

Para evitar trapaças, o prova do Enem é distribuída em quatro versões diferentes: Uma de capa rosa, uma azul, uma amarela e uma cinza. As provas possuem as mesmas questões, porém elas estão disponibilizadas em ordens diferentes. Os cadernos de questões coloridos são distribuídos pelas carteiras de maneira que sempre que um participante tentasse olhar ou para frente, ou para trás, ou para os lados, estaria olhando alguém que trabalha com uma prova de cor diferente da sua.

Como foi combinado com Fabrício e com o meu primo, que não está prestando a prova esse ano, eu devo fazer a prova cor de rosa, observo a sala e parte das carteiras já está preenchida, mas consigo encontrar uma prova rosada na ultima carteira da primeira fileira no sentido das janelas para a entrada. Encostado na parede e o mais longe possível da porta.

Quando me sento, sinto um desconforto imenso e reparo que estou mais nervoso do que imaginava e que estou suando um pouco, porém os potentes ventiladores da sala mantêm meu rosto seco. A prova rosada está jogada em minha mesa junto de um gabarito. A prova não tem nenhum valor na verdade e a única coisa que define a nota de um concorrente é o gabarito preenchido corretamente, a prova só serve para indicar quais são os enunciados das questões no gabarito.

A fiscal com a camisa de Pug se levanta e nos orienta com algumas instruções: É obrigatória a permanência na sala até que se completem duas horas de prova, é proibido fotografar os testes, só pode levar o caderno de questões para casa quem sair faltando apenas uma hora para o término, entre outras coisas que todos já sabem de cór.

Deixo minha mochila à minha esquerda, entre eu e a parede e a abro para pegar minhas canetas de cor preta, a única cor permitida pelo Enem, e faço questão de deixar o zíper aberto, coloco as duas canetas pretas em cima de minha mesa, ao lado de meu documento e de um bombom para quando sentir forme (além do bombom, tenho um pacote de salgadinho que decidi deixar dentro da mochila.)

A fiscal dá a largada, permitindo agora que os alunos comecem a solucionar as noventa questões do primeiro dia de prova. Abro meu caderno de questões e dou uma olhada básica nas questões, só por cima, depois observo os três fiscais: A garota do pug que fica o tempo inteiro sentada à mesa do professor, o homem de cabeça raspada que estava a porta antes, fica agora o tempo inteiro andando entre todos os alunos da sala (eram aproximadamente oitenta jovens) e a terceira fiscal é uma mulher de cabelos dourados e curtos que fica vezes na porta da sala, vezes rondando como o homem.

Depois de analisar brevemente as questões e os fiscais, coloco em minha cabeça que meus verdadeiros inimigos não são as questões e sim os fiscais, se não fosse por eles, eu conseguiria resolver a prova facilmente consultando livros ou conteúdos da internet, porém eles asseguram que isso não ocorra, por outro lado, se não fosse por eles, não teria sentido fazer essa prova, pelo menos não para mim.

Corro para as perguntas de química, que é minha matéria favorita, e começo a resolver algumas, as mais complicadas eu deixo para trás, quando fico muito entediado, faço um desenho no verso da prova e depois volto para as questões de química.

Fico nessa enrolação durante um tempo e depois de aproximadamente meia hora, noto uma menina pedindo permissão para ir ao banheiro, a fiscal de cabelos dourados e camisa branca a busca em sua carteira e a leva até a porta da sala, onde chama uma fiscal de corredor que acompanha a garota até o banheiro e entra lá com ela, porém os fiscais não podem entrar nas cabines individuais com o concorrente.

A menina volta e agora irei pedir para ir ao banheiro, mas antes disso, preciso de uma coisa comigo. Gasto uns vinte minutos observando o fiscal careca andar roboticamente pelas fileiras de carteiras e tento aprender os padrões dele, espero um momento em que nenhum dos três fiscais estão dando atenção a mim e esgueiro minha mão esquerda para dentro da mochila, puxo rapidamente um punhado de trinta folhas grampeadas: é o caderno de questões do Enem que foi aplicado ano passado, com a mesma capa cor de rosa, porém outras questões, junto rapidamente o novo caderno com o antigo para que pareçam um só, nesse momento eu congelo.

É esse o momento em que começo a trapacear no Enem. A partir de agora, os fiscais têm motivos para me expulsar, eles só não sabem, e a partir de agora, cada movimento meu me arriscará ainda mais. Será que alguém que trapaceia no Enem é só desclassificado e pronto? Ou será que é punido de alguma outra maneira, até porque essa prova é do Estado? Será que posso ir preso por isso?

Sinto uma enorme força impedindo que eu saia da confortável posição de “escondendo uma prova na outra”, essa força é o medo, medo de que tudo de errado, medo de ser descoberto pelos fiscais, ser expulso da sala, medo da vergonha que eu posso passar.

Gasto alguns valiosos segundos tentando vencer meu medo e não consigo, mas decido prosseguir mesmo morrendo de medo, pois compreendo que agora ficar parado só trás piores chances de eu sair ileso daqui.

Em mais uma das oportunidades em que tenho -quase- certeza que nenhum fiscal da sala me observa, deixo a prova do ano passado sobre minha mesa e deslizo a desse ano para o compartimento embaixo da mesa.

Por sorte, na verdade, não por sorte, mas por que eu quis assim, os bolsos da minha calça de abrigo são bem espaçosos. Com muito cuidado, dobro a prova embaixo da mesa de maneira que ela se torne um cilindro e em seguida dobro esse cilindro, reduzindo-o a metade de seu tamanho original. Em seguida, enfio a prova no me bolso esquerdo, que está escondido no imperceptível espaço entre a parede e eu.

Agora tenho que ir ao banheiro, mas só posso fazer isso se levantar minha mão e pedir permissão. Não é tão simples quanto parece, estou trazendo as evidências do crime que estou cometendo em meu bolso, é difícil levantar a mão, é difícil olhar os fiscais nos olhos... E se algum deles já me sacou?

Com os dedos tremendo, levanto minha mão vagarosamente. A mulher de cabelos dourados olha na minha direção e eu sinalizo em direção à porta de saída da sala, ela entende que quero ir ao banheiro e caminha em minha direção para me buscar.

Meu corpo todo está tremendo à medida que ela se aproxima. Enquanto caminha, ela não tira os olhos de mim em nenhum momento, a adrenalina corre solta no meu corpo inteiro, mas não posso demonstrar isso, tenho que me conter.

Ela me alcança e sinaliza para eu levantar, fico imóvel por alguns segundos e então levanto. Tudo pode dar errado, se ela reparar que a prova na minha mesa é a do ano passado (eu a deixei virada para baixo de propósito) ou se ela inspecionar meus bolsos. Eu nunca fiz algo do tipo antes.

Esse sentimento. O sentimento que tenho enquanto a fiscal me acompanha até a saída da sala, é incrível. Meu coração bate tão rápido nesse momento. Recordo-me do motivo pelo qual decidi trapacear no Enem: esse tipo de emoção não é algo que consigo sentir em situações cotidianas.

Na saída da sala há um fiscal de corredor me esperando, ele me conduz até o banheiro, que é um lugar amplo no qual existem várias cabines de tolete e várias pias postadas a um espelho. Ando no lado dele e adentramos o banheiro juntos, ele se encosta a um canto e eu entro em uma das cabines.

Dentro da cabine, arranco a prova amassada de meu bolso, tentando não fazer muito barulho e remexo-a até encontrar a página quinze. Aberta a página quinze, busco em meu outro bolso meu celular. Meu verdadeiro celular, não o que eu coloquei na embalagem lacrada; aquele celular nem funciona mais.

Meu celular é um modelo moderno, possui câmera fotográfica e conexão com a internet. Ativo a câmera do aparelho, que já estava programado para estar no modo silêncio e começo a tirar fotos da página quinze até a página vinte.

Bato as fotos silenciosas enquanto meu fiscal está do outro lado dessa porta sem nem desconfiar de mim. Sempre achei que “suar frio” fosse apenas um tipo de expressão, nunca achei que aconteceria comigo do jeito que está acontecendo agora.

Imagino que meu amigo Fabrício, que sei que está nesse prédio, deva estar fazendo a mesma coisa com as páginas de cinco a dez.

Salvas as fotos, envio-as rapidamente para o endereço de e-mail de meu primo, Roberto, que está aguardando por isso durante a tarde inteira.

Enfio meu celular e prova nos meus bolsos largos e dou descarga duas vezes, tentando justificar, de alguma maneira, minha demora.

O fiscal me conduz de volta e aparentemente não percebeu nada. Ainda bem.

Sentado no meu lugar, abro minha prova do ano passado em qualquer página e coloco o papel rascunho oficial do Enem desse ano em cima dela, para que ninguém perceba que estou com uma prova errada, agora é só questão de esperar.

Cada vez que o fiscal passa rondando ao meu lado, meu coração acelera, mas acelera tanto que chego a pensar que o barulho dos batimentos deste atrapalham quem está concentrado nas questões. Meus dedos não param de tremer e não consigo nem ser capaz de manter meus dentes rentes uns aos outros.

Em um momento, a fiscal olha diretamente para mim e minha tremedeira aumenta, mas não o suficiente para que ele perceba. Ela caminha na minha direção e joga seu olhar em cima de minha mesa.

Acho que ela descobriu.

Ela mantém o olhar em meu material por um tempo e sou obrigado a cerrar meus olhos com força para conter-me. Essa sensação que estou sentindo no momento é algo quase sexual, de uma forma estranha. Estou tendo um orgasmo mental, tento fingir escrever alguma coisa no rascunho, mas não consigo controlar os movimentos de minha mão, a adrenalina percorre minha corrente sanguínea de forma dominadora e vigorosa.

A fiscal desvia seu olhar de minha mesa e prossegue, escolhendo outro para ser observado. Solto meu fôlego tendo cuidado para não emitir nenhum som, agora que ele foi embora, parece que estou finalmente podendo respirar depois de alguns minutos submerso na água, agora que ele foi embora, sinto-me naquele momento em que orgasmo já acabou e só quero dormir.

Passo mais de duas horas fingindo estar fazendo alguma conta no rascunho da prova e cada vez que um fiscal direciona seu olhar para mim, penso ter sido descoberto, mas não acontece nada.

Se eu tivesse que ficar duas horas rabiscando em qualquer outra situação, morreria de tédio, mas na condição em que me encontro, cada minuto dessas duas horas parece ser duas horas.

Meu celular vibra em meu bolso. Era o que eu estava esperando até agora.

O fato de meu celular ter vibrado, significa que eu passei para o próximo estágio da minha trapaça e não posso mais ficar apenas esperando, terei que agir novamente.

É hora de passar as respostas para o gabarito, decido. Puxo a folha de gabarito e anoto meu nome nela. Na prova do Enem, o gabarito é o mais importante, as folhas de questões são descartadas e o gabarito é o único documento importante para gerar a nota do concorrente.

Antes de começar a preencher meu gabarito, eu puxo, de dentro de minha mochila, um pacote de salgadinhos para comer, levo o pacote ao meu colo e abro a embalagem com cuidado para que o barulho não incomode os outros concorrentes.

Eu percebi que boa parte da fiscalização do Enem acontece baseada no medo; ninguém trapaceia por medo de ser descoberto e desclassificado; porque é simplesmente impossível que todos concorrentes sejam inspecionados durante todo o tempo do teste, descartando o medo, consegue-se colar tranquilamente. Eu não consegui eliminar o medo que estou sentindo, e é por isso que o Enem está sendo tão emocionante quanto um voo de asa delta para mim.

Quando os fiscais não estão por perto, rapidamente pego meu celular de meu bolso e coloco dentro do pacote de salgadinhos que acabei de abrir, em seguida, coloco o pacote na mesa, deixando-o de boca para mim, de uma maneira que sou capaz de enxergar o conteúdo de seu interior, como não tem ninguém sentado atrás de mim, sou o único capaz de olhar para dentro de meu pacote de salgadinhos.

Enfio minha mão no pacote e ajeito meu celular posicionando a tela de frente para mim (usei os salgadinhos de apoio para que o celular não fique deitado) e pressiono o botão para que a mensagem de meu primo se abra, puxo um salgadinho cuidadosamente para fora do pacote e enfio na boca.

No momento em que fui ao banheiro, fotografei uma parcela da prova, meu amigo Fabrício fez o mesmo, porém uma parcela diferente da minha, alguns outros garotos fizeram o mesmo, completando assim a prova inteira, todos nós enviamos as fotografias para meu primo Roberto que, com ajuda de alguns colegas e da consulta da internet, resolveram a prova inteira e nos enviaram de volta a resposta das perguntas.

Na tela do meu celular está aparecendo qual a letra (de A a E) é a resposta certa correspondente a cada questão. Começo a preencher meu gabarito ligeiramente, sempre contando com a ajuda do celular oculto no pacote.

O fiscal masculino caminha na minha direção e penso que seria suspeito eu parar de responder enquanto ele está perto, mas, ao mesmo tempo, seria incomum uma pessoa preencher o gabarito sem olhar para a própria prova, e eu não poderia olhar para minha prova, pois ela era a prova desatualizada, enquanto a original descansava em meu bolso, então voltei a fazer algumas contas, enfiando o gabarito de baixo da papelada espalhada pela mesa. Fingi estar preso em uma conta complicada.

O fiscal ficou parado ao meu lado, observando-me, se ele olhar para meu salgadinho, já era. Se ele observar-me por outro ângulo, já era. Meu estômago faz barulhos de nervosismo e o fato de eu saber que esses barulhos são de nervosismo me deixa mais eufórico ainda, eu estou suando, mas o suor não está escorrendo, apenas deixando meu rosto úmido e, ao mesmo tempo, quente. Ninguém é capaz de observar os próprios olhos sem o auxílio de um espelho, mas se eu tivesse que dizer, diria que minhas pupilas estão girando descontroladamente, apesar de saber que isso é impossível.

O homem prossegue para assombrar outro, deixando-me em paz e meu corpo rígido relaxa, quase desmontando, eu solto o ar de meus pulmões, fazendo um barulho alto o suficiente para chamar a atenção das pessoas, mas ninguém liga para isso.

Termino de completar o gabarito até a questão 90 e a primeira coisa que faço é agarrar o saco de salgadinho, torcê-lo e jogá-lo no fundo de minha mochila, depois guardo minha caneta e vou até a mesa de professor.

“A prova já pode ir comigo, né?” pergunto e a fiscal com a camisa de pug me responde positivamente. Soco meus papéis na mochila antes que ela tenha chance de olhar e entrego meu gabarito, ela arquiva-o e me libera.

Saio da minha sala sem olhar para os lados ou para trás, desço a escadaria do prédio mantendo um passo firme e rápido, enquanto eu não sair desse prédio, não me sentirei seguro. No momento em que passo pelos portões e estou na rua, sento-me no chão e respiro fundo.

Chegando à minha casa, vou direto pra cama por mais que ainda esteja bem cedo, pois no dia seguinte é a segunda parte da prova.

No domingo, faço a mesma coisa e respondo a prova inteira da mesma forma, com auxílio de meu primo Roberto e faço a redação de autoria própria (redação é um dos meus pontos fortes.).

Depois de alguns meses, a nota do ENEM é divulgada. Minha média total foi 994, valendo 1000, inscrevi-me para a melhor faculdade de medicina que pude e fui selecionado como terceiro melhor classificado, porém não compareci no dia da matrícula, não quero ser médico. Não quero entrar para nenhuma faculdade, tudo que eu queria era sentir as sensações de medo e alívio em magnitudes gigantescas, e depois ver os frutos de meu trabalho, e eu consegui.

Agora estou de olho em um concurso público.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!