Notas iniciais
Uma pequena declaraçãozinha para vocês no segundo parágrafo, boa leitura.

Meu despertador tocou como de costume, mas em vez de andar de skate, fiquei em casa e terminei mais um capítulo da minha fic.

Escrever era mais uma de minhas várias paixões, eu me sentia muito amiga das pessoas que me acompanhavam, elas me inspiram e me ajudam sempre que preciso, nunca me deixam desanimar, sempre me dando apoio em todas as decisões e eu simplesmente não tenho palavras para descrever o meu amor por elas.

Acabo de escrever, posto e quando olho às horas vejo que são exatamente cinco da tarde.

Tomo um banho, saio do banheiro somente de roupas íntimas enquanto seco meus cabelos com a toalha.

O que eu vou vestir?

Lembrei-me de quê o cinema é frio, então pus uma calça jeans que continha alguns rasgos e partes desfiadas, uma blusa cinza, que não tinha muitos detalhes, somente um bolsinho sobre meu seio direito e alguns botões que eram somente enfeites, por cima pus uma jaqueta quadriculada vermelha e cinza, que sobrepôs a blusa, e pego meu par de all star vermelho e o calço.

All Star vermelho... como sou clichê — penso.

Fico de frente para meu armário, que é todo espelhado, me analiso... confortável porém bonita.

– Agora só falta o cabelo e talvez uma maquiagem de leve... — falo para mim mesma.

Pego o secador e retiro qualquer vestígio de umidade que ainda pudesse existir em meus cabelos, prendo-o tão perfeitamente que não lhe restara nenhum fio fora do lugar, ajeito minha franja, que me cai ao lado do rosto, e faço pequenas ondulações nos fios que caem-me às costas.

Passo meu lápis de olho, meu rímel e por último meu gloss, dando uma caprichada extra.

Olho a hora em meu computador e vejo que falta dez minutos para o horário marcado. Pego minha bolsa, que contém meu celular, meus fones, minhas chaves, meu gloss e o livro "Prova de Fogo", e desço às escadas.

– Tchau mãe, beijos — digo enquanto lhe dou um beijo e um abraço.

– Beijo, se divirta! — ela responde.

– Obrigada! Fique bem! Não se preocupe, estou levando minhas chaves! — grito já do lado de fora.

Sento no sofá-balanço que tem em meu quintal e fico esperando ansiosamente os dois chegarem. Avisto Natalie se aproximando com um vestido amarelo, extravagante, porém, bonito.

– Oi! Meu deus! Você está linda! Como consegue combinar conforto e beleza? — pergunta Natalie.

– Anos de prática — respondo e nós duas rimos. — Obrigada. Você também está maravilhosa!

– Por quê ele sempre se atrasa? — ela pergunta.

– Eu faço a mesma pergunta a você, que é prima dele e o conhece melhor que eu!

– Eu também não faço a menor idéia.

Nesse momento um Range Rover branco com alguns detalhes pretos estaciona em frente ao meu portão, olho intrigada. Ninguém aqui tem esse tipo de carro, ele é caro para o padrão de nosso bairro.

– Não acredito nisso... — Natalie começa.

– Não acredita em quê? — pergunto.

Mas antes que ela pudesse responder, a porta do lado do motorista se abre, me surpreendo ao ver Ethan sair do carro.

Ele estava lindo, vestia uma calça jeans, uma camisa Polo vermelha e um tênis também vermelho que eu reconheci como Vans, simples, porém, bonito.

– Sério? Nós íamos chamar um táxi! Precisava mesmo disso? — Natalie pergunta à Ethan.

– Boa noite para você também. E eu não ia deixar vocês pagarem um táxi — ele retruca.

– Nós podíamos dividir! — diz ela com raiva. Por que ela está com tanta raiva?

– Oi Ethan — falo antes que eles comecem a brigar.

– Boa noite, Anjo. Você está linda — diz ele e me abraça, que cheiro maravilhoso.

– Obrigada, você também — respondo.

– Vamos? — ele pergunta enquanto pega minha mão, lutei contra o suor que ameaçava molha-las.

Ele passa seu outro braço ao redor do ombro de Natalie e nos leva até seu carro, abre a porta do banco de trás e Natalie entra, quando tento entrar ele me puxa de leve e fecha a porta, caminha comigo até o outro lado do carro e abre a porta do carona para mim, eu entro, ele dá a volta e entra no carro.

– Você trouxe? — Natalie pergunta.

– Uhum.... — ele responde.

– Trouxe o que? — pergunto.

– Ah... É... O celular dele, por que estou sem créditos e vou precisar ligar para minha mãe — Natalie responde, sinto que ela está mentindo.

Ethan dirigiu até o shopping, pairava um silêncio incomodo no ar, um silêncio de expectativa, achei estranho, mas deve ser ansiedade para o filme.

Estacionamos o carro e seguimos para o cinema, Natalie foi comprar as entradas e eu e Ethan ficamos encarregados de comprar o lanche.

Eu tinha pedido três pipocas extra grandes, dois refrigerantes, um suco, uma barra de chocolate, uma bala Fini e uma bandeja de nachos — sim, eu gosto de comer.

– Toma, eu pago — Ethan fala abrindo sua carteira.

– Não, e pare de ser babaca — respondo.

–Ta okay, eu estou sendo muito babaca, mas vamos dividir o valor, topa? É pegar ou largar — ele me lança um sorriso chantagista.

– Ta bom — bufei. Pagamos o lanche e paramos no balcão ao lado.

– Ah, quase me esqueço, me dê seu telefone — ele fala. Nesse momento Natalie para ao meu lado.

– Eu já te dei meu telefone — respondo.

– Não quero o número, quero o aparelho.

– Pra quê?

– Dê logo a droga do telefone para ele! — Natalie grita, me assusto e acabo dando meu celular para ele. Ela sorri — Agradeço sua compreensão.

Ethan abre meu celular, tira meu chip e meu cartão de memória.

– Mais alguma coisa importante aqui? — ele pergunta.

– Não — respondo.

– Tem certeza?

– Absoluta, mas por que... — começo.

Me calo quando Ethan joga meu celular no chão com todas as suas forças, ele se parte em alguns pedaços e estilhaços voam pelo chão. Meu queixo caiu, o olhei, totalmente descrente. Ele se abaixou pegou o celular, ou o que sobrou dele, e jogou no lixo. Um sentimento de raiva atravessou meu corpo.

– Você está louco? Como você fez isso? Como pôde? Como... Como... Não cara... — abaixo minha cabeça e respiro fundo.

Quando olho para Ethan ele ainda está me olhando, com as mãos atrás das costas. Vejo Natalie sorrir, como ela podia estar sorrindo?

Ethan se aproxima de mim e bota um embrulho em minhas mãos. Revezo o olhar entre os dois e o objeto.

– Abra! — Natalie praticamente dá pulinhos de alegria.

Retiro a fitinha que lacrava o embrulho, olhando de relance para os dois, e puxo a caixa que estava dentro do papel de presentes. Observo-a.

– Vocês podem me explicar por que eu estou segurando a caixa de um iphone? — pergunto.

– Porque ele é seu — Natalie responde.

– Não é não... — me oponho.

– É sim e ponto final — Ethan fala, acabando com a última gota de teimosia que me restava.

Um sorriso de canto enorme se forma nos lábios de Ethan, que sorriso lindo, avanço sem pensar e vou ao encontro de Ethan, agarro seu pescoço e fico na ponta dos pés, dou-lhe um abraço muito apertado e sincero, puxo Natalie para perto de mim e abraço os dois ao mesmo tempo.

– Obrigada... — uma lágrima escorre-me o rosto — Não precisava. Não precisava mesmo.

– Claro que precisava, nos conhecemos a doze anos, e nesses doze anos você sempre foi uma amiga leal, maravilhosa, que sempre me apoiou e nunca me trocou ou me traiu, te amo — ela falou. — Mas... a ideia foi mais de Ethan do que minha...

Olho para Ethan que sorri para mim.

– Não lhe conheço a muito tempo, mas, vi que você é legal, inteligente, bonita e a menina mais teimosa que eu já conheci — ele disse, arrancando-me uma risada. — E mesmo lhe conhecendo tão pouco já te considero muito mais que amiga.

Eu abraço os dois novamente. Ethan me aperta de uma maneira estranha, como se não quisesse me soltar, como se a qualquer momento eu fosse evaporar de seus braços. Me afasto deles.

– Gente isso é muito caro. Não precisava mesmo — falo.

– Quando é para ver alguém que você ama feliz, nada é caro — Ethan fala.

Refleti sobre aquela frase. Ele falou que me ama? Como assim? Deve ter se expressado erradamente.

– Eu não paguei nem a metade, ele não deixou — Natalie fala e cruza os braços. — Você não vai abrir?

Começo a abrir a caixa e retiro o aparelho.

– Me permite? — Ethan faz um gesto na direção do celular e eu o entrego.

Ele abre a parte de trás, bota o chip e o cartão de memória. Me entrega e eu aperto o botão de ligar o celular.

– Ele já tem todos os aplicativos que você precisa ou que irá gostar, está carregado e logado em todas as suas contas, incluindo o social spirit. Não se preocupe, quem logou foi a Natalie, não eu, não sei sua senha de nada. — Ethan acrescenta me fazendo corar: — Ah! Dei uma olhada no seu perfil pelo meu celular, você escreve muito bem.

– Obrigada novamente — repito.

– Sabe o que você vai fazer agora? — Natalie pergunta.

– Não — respondo.

– Vai tirar uma foto conosco — ela diz.

Reparo novamente no aparelho, agora ligado, deslizo meus dedos pela tela, apreciando-o, e o desbloqueio.

Clico no ícone da câmera, eu sabia mexer no aparelho pois eu mexia todos os dias no da Natalie, nós nos posicionamos e tiramos uma foto.

– Agora uma com cada — Natalie fala animada, ela adora tirar fotos.

Ethan tira uma foto de nós duas. Natalie vai até ele e pega o celular, Ethan caminha até onde eu estava, se posiciona atrás de mim e envolve seus braços em minha cintura, sinto meu rosto ferver.

Quando pego o celular e vejo as fotos, reparo que na foto com Ethan eu fiquei toda vermelha.

– Gente, nós vamos perder o filme — falo olhando as horas.

– Vamos entrando — Ethan fala.

Fico mexendo em meu celular até acabarem os comercias, depois o bloqueio e começo a prestar atenção no filme.

Vimos o filme e saímos da sala de cinema.

– Caramba... — começo.

– O que foi isso...? — Ethan fala.

– Cara, eles modificaram muito, não está igual ao livro, mas, fizeram um ótimo trabalho! — continuo.

Papo nerd ativado– Natalie fala.

– É, eu nunca vi isso acontecer! Ficou bom, mesmo não sendo tão fiel ao livro! — Ethan ignora Natalie.

– E aqueles estilhaços voando na nossa cara! — comecei a rir, nós tínhamos visto em 3D.

– Foi muito bom cara! — Ele começa a rir, me acompanhando. — Ah! Quase me esqueço, também é para você.

Ele tira algo do bolso e bota em minhas mãos, reparo que é uma capa para meu celular, no centro tinha gravado o símbolo da banda Red Hot Chili Peppers e em volta o símbolo de algumas sagas, livros e bandas.

– Valeu cara! — falo e o abraço.

– De nada — ele sussurra em meu ouvido.

O resto do caminho de volta fiquei analisando meu novo celular e falando sobre o filme com Ethan e Natalie.

Me despeço deles e entro em casa, grito para minha mãe que eu cheguei e rapidamente ela aparece na porta da sala.

– Como foi filha? — ela pergunta.

– O filme foi maravilhoso! E eu ganhei um presente — respondo.

– Um presente?

– Sim, um celular — mostro-a o aparelho.

– Mas isso deve ter sido muito caro.

– A Natalie pagou um terço do valor, o Ethan pagou o resto.

– Esse garoto parece gostar bastante de você.

– Acho que sim... Boa noite mãe, vou tomar banho e dormir, beijos.

– Boa noite filha.

Subo para meu quarto, tomo um banho e me jogo em minha cama, vestida com um pijama. Pego meu celular e fico mexendo em coisas aleatórias, até que eu esbarro com as fotos que nós tiramos hoje, passo as fotos até chegar a que eu estou com Ethan, observo-a, ele tem um sorriso tão lindo, ele é tão lindo...

Mas eu só posso estar louca, né? Depois daquele maldito jogo, todas as meninas do colégio devem estar loucas por ele, ele pode escolher quem ele quiser, nunca escolheria a nerd da sala! E mesmo se escolhesse eu não gosto dele...

Adormeci refletindo sobre a veridicidade da minha última frase.

● ● ●

Acordo com um barulho cujo a fonte eu identifiquei como sendo a campainha, desbloqueio meu celular e vejo as horas. Meio dia!? A escola! Perdi a escola! Meu deus!

Me lembro que esse telefone é novo e não tem meus alarmes, programo um novo alarme antes de eu me esquecer e aperto meu travesseiro contra meu rosto, tampando minha visão.

– Oi... — ouço alguém falar.

Tiro meu travesseiro do rosto e vejo Ethan em pé dentro do meu quarto e minha mãe na porta.

– Mas o que... — começo, me sento e rapidamente posiciono meu travesseiro em frente ao meu corpo. — Mãe, por que não me acordou?

– Vi que você estava cansada e deixei você dormir, tchau — ela fala e se adianta escada abaixo.

– E você...? — pergunto a Ethan.

– Bom dia, anjo! Natalie me disse que você nunca falta, achei estranho e vim ver se você estava bem — ele fala e se senta em minha cama.

– Estou sim, é que eu esqueci de pôr alarme no celular novo — me deito novamente, passo a mão no meu rosto e esfrego meus olhos tentando afastar a preguiça.

– Então parte dessa culpa é minha também, já que eu fui uma das pessoas responsáveis pelo telefone — ele ri e se aproxima de mim. — Eu trouxe a matéria para você.

– Teve matéria nova?!

– Uhum.

– Estou perdida — respiro fundo.

– Posso vir a tarde te ajudar, se você quiser.

– Valeu Ethan, você me salvou.

– Qualquer coisa para lhe ajudar, anjo — ele se inclina e beija minha testa. — Até mais.

Ele se vira e sai, me deixando confusa com meus pensamentos.

Notas finais
Aposto que vocês tiveram um mini ataque cardíaco quando a Kaly abraçou o Ethan. Acharam que ela ia beija-lo?