Dia Z

1 Um dia incomum!


Bip, Bip, Bip!

- Ãh? Que... Que horas são?
Acordo logo cedo, são 6 horas da manhã, aquele friozinho da madrugada bate na espinha enquanto me levantando da cama ainda sonolento em direção ao banheiro.
Após um belo banho, procuro algo para encher o estômago vazio, que já a alguns minutos ronca insistentemente.
Afinal, o que um rapaz de 18 anos morando em um pequeno apartamento na periferia de Bagé teria para comer em uma manhã de outono?
Visto-me rapidamente, coloco uma blusa de frio e saio do apartamento ainda com aquela cara de sono e que preguiça, de descer, de escada os 4 andares do prédio.
Ao término da descida da escada, estranho que na recepção do prédio não haja ninguém, porém estou atrasado para o trabalho e preciso ir, ao sair pela porta percebo ao meu lado aquela figura medonha... É o sr. Dante, vestindo um shortinho que mais parecia uma sunga, e blusa de frio como se estivesse em um inverno severo, com sua vassoura varria a calçada de seu barzinho, onde infelizmente teria eu de tomar meu café da manhã.
Peço o de sempre, omelete e um copo grande de café, o bar estava vazio, apenas eu ali sentado aguardando meu café...
A pequena televisão do bar, com uma imagem embaçada parecia estar passando alguma reportagem sobre alguma nova tragédia, carros pegando fogo, casas incendiadas, como a imagem estava ruim e o som quase que inaudível não pude perceber ao certo o que estava acontecendo, "deve ser alguma guerra na faixa de Gaza", pensei afinal as cenas mostravam o exército, tanques de guerra, aviões explodindoedifícios, e tudo mais.
- Que frio hoje ein? Me indaga o sr. Dante tentando puxar assunto.
- Sim, parece que o frio chegou mais cedo esse ano. Respondi meio sem graça.
Após comer minha omelete e tomar o copo de café, me dirijo a saída do barzinho, ainda sem coragem, me deparo com um ser do outro lado da rua, me viro e percebo que o sr. Dante está em uma pia a lavar o copo em que eu havia tomado meu café, olho de novo para aquela criatura. Seria ela humana?
A criatura andava meio que desconcertada, na verdade mais se arrastava do que andava, dava penavê-la naquela situação, de início penso "deve ser um mendigo vagando por ai", porém quando fixo meu olhar no espécime percebo algo estranho.
- Droga, aquele homem tem um rombo imenso na cabeça!
Seu Dante me olha assustado enquanto corre em minha direção.
- Minha nossa! Veja só aquele rombo, temos que ajudar aquele homem! Seu Dante exclama enquanto se dirige ao pobre infeliz.
Seu Dante ainda começava a travessia da rua quando ao seu lado surge outro esquisitão, esse com um braço aparentemente quebrado e pendurado por um pequeno pedaço de pele, o rosto deformado e com os dentes sujos de sangue tenta abocanhar seu Dante.
- Cuidado seu Dante, olhe pro lado! Grito desesperadamente na tentativa de alertar seu Dante, que de imediato olha para o lado e tropeça nas próprias pernas caindo no chão como um saco de batatas.
Corro na direção de seu Dante e quando o ser aparentava tentar abocanhar a perna de seu Dante o acerto com um chute bem no meio da costela, jogando a criatura a uns 2 metros de distância.
- Mas que diabos é isso? Pergunta seu Dante ainda meio zonzo da queda.
- Não sei, mas essa pessoa não aparenta estar bem, veja os olhos dela... Digo isso sem notar que a criatura do outro lado da rua se aproxima vagarosamente de nós dois.
- Cuidado! Grita seu Dante olhando para trás de mim, quando me viro lá está outro daqueles esquisitões, esse porém parecia uma... uma criança.
Um pequeno ser, de aproximadamente 10 anos de idade, tinha o mesmo olhar do outro que começava a se levantar do chão, ainda vestido com o uniforme escolar tinha marcas de mordida pelo pequeno corpo, não deu tempo de reparar muito e a criatura já estava sobre mim, tentando me morder de qualquer forma, a força era desproporcional para uma criança de 10 anos, por isso lhe empurrei para trás, me abaixei e ajudei seu Dante a se levantar, corremos de pressa para o bar novamente porém não deu tempo de fechá-lo antes de pelo menos 5 daqueles seres horrendos se enfiarem porta a dentro.
- Seu Dante acho que as coisas estão meio feias aqui!
- Corre garoto, vamos para os fundos!
Corremos desesperadamente, a única coisa que me veio a mente foi jogar mesas e cadeiras na frente dos seres que nos perseguiam. Suas expressões eram ferozes, como animais frente a sua presa.
Nos fundos do salão onde era o bar havia uma porta, seu Dante pega as chaves do bolso e com as mãos tremendo tenta abri-la, enquanto as criaturas continuavam a se aproximar, finalmente a porta foi aberta, e entramos por ela rapidamente.
- Cara, que diabos está acontecendo aqui? Pergunta seu Dante com uma expressão de horror.
- Sinceramente? Eu não faço a menor idéia do que esteja acontecendo...
Os arranhões e batidas na porta eram ouvidos com facilidade do outro lado da porta, uma escada apertada nos levava para o andar de cima do bar, um quartinho pequeno e todo bagunçado, e uma cozinha imunda naquele que era o abrigo do velho seu Dante.
- Está aqui em algum lugar... Sussurava seu Dante enquanto procurava algo dentro de algumas gavetas.
- Achei! Tome filho pegue isso, pode lhe ser útil, disse o velho com uma barra de ferro na mão.
- Eu o usava para expulsar os bêbados que não queriam pagar a conta, justificou.
- Mas e o senhor, o que irá usar para se defender?
- Tenho algo especial aqui. Dizia ele enquanto subia sobre um banquinho e pegava uma caixa de papelão sobre o armário.
- Isso me será muito útil. Dizia o velho enquanto empunhava um revólver 38.
- Puxa seu Dante, o senhor tem um revólver em casa? Pergunto meio atônito.
- Pois é garoto, nunca se sabe quando será preciso usar um desses. Ele dizia enquanto carregava o revólver com alguns cartuchos.
- Não sei que diabos são aquelas coisas, mas uma coisa é certa, não são humanos, exclamou seu Dante.
- Me pareceram bem humanos... Mas parecem estranhos, como se estivessem... sei lá, mortos.
Um momento de silêncio toma conta do ambiente, quando o mesmo é quebrado por seu Dante.
- Venha garoto, precisamos sair daqui!
- Espere! Digo eu ainda meio sem confiança. Pego meu celular do bolso, e verifico que ele está sem sinal.
- Que merda, isso é hora de ficar sem sinal?
Seu Dante me puxa pelo braço até uma janela, que dava acesso a uma pequena laje sobre o bar, pulamos a janela e rapidamente e silenciosamente nos colocamos a sua beira para ver como estava a rua.
- Minha nossa, garoto, veja não são apenas aqueles esquisitões lá em baixo, na esquina ali em baixo existem mais alguns deles no chão, e parecem estar... comendo algo.
- Merda! Veja ali alguém correndo seu Dante! Gritei ao ver um rapaz franzino correndo desesperadamente enquanto fugia de cerca de 8 daquelas criaturas esquisitas.
- Droga precisamos ajudá-lo, gritei.
O rapaz porém foi pego de surpresa por outro ser que estava escondido atrás de uma lixeira, a criatura o atacou se lançando contra ele, o derrubando no chão, a cena era horrível, em segundos vários esquisitões se amontoaram sobre o rapaz que ainda desesperado tentava escapar das garras daqueles monstros, ele foi devorado ainda vivo em questão de segundos por aqueles criaturas, enquanto eu e seu Dante observavamos tudo, sem poder fazer nada.
Um momento de silêncio se passou pelo ambiente, apenas o grunhido causado por aquelas "coisas" quebrava o silêncio.
- Minha nossa... o que...o que são aquelas coisas? Perguntava seu Dante, com uma lágrima rolando no rosto.
Eu ainda sem uma palavra sequer na boca, atemorizado pela cena do rapaz sendo dilacerado por aqueles seres tenebrosos ainda vivo fiquei imóvel.
- São monstros... Desgraçados... DESGRAÇADOS!!! Gritei inconformado com aquela situação.
- Fique quieto garoto, ou quer ter o mesmo destino daquele pobre infeliz?
Eu ainda meio fora de mim me abaixei, tentando tomar coragem olhei novamente para o local onde estava aquele rapaz, as criaturas haviam deixado o lugar, aparentemente atraídas por outra presa, e lá estava o corpo do rapaz, completamente dilacerado, as entranhas para fora, seus dois braços haviam sido devorados, uma de suas pernas já não existia mais.
- Precisamos chamar a polícia, esses desgraçados precisam ser presos, comentei cheio de raiva...
- Garoto. Ei garoto olhe! Sussurava seu Dante.
- O que houve? Perguntei.
- Logo ali, há um carro, aparentemente foi abandonado as pressas, pois dá para ver a fumaça do carburador, ele provavelmente foi deixado ligado, ali com as chaves na ignição, podemos usá-lo para fugir daqui, e procurarmos ajuda.
- Mas ele está longe, e você viu o que essas coisas fizeram com aquele infe... Ah não, não... que diabos é isso? Digo atonito enquanto vejo os restos mortais do pobre infeliz, que a poucos minutos atrás havia sido morto, se moverem, o infeliz se arrastava pelo chão, e grunhia como os demais esquisitões do bar.
- Mas que merda é essa? nós vimos aquele rapaz ser estraçalhado vivo por aquelas criaturas, como ele pode ainda estar vivo?
- Seu Dante... Ele não está vivo, e esse parece ser o real problema, digo ainda sem acreditar no que eu mesmo falava.

Notas finais
Espero que tenham gostado....
Novos capitulos todos os dias....
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!