Diários de uma Loira

2 Chá Versus Café


Notas iniciais
Espero que gostem ;)

O chá é para as meninas delicadas, cultas, cheias de charme e bom humor. Meninas educadas para serem madames e grandes apreciadoras de chá. Chá é para as meninas que sofrem de nervos. Chá foi feito para alimentar as esperanças das meninas mais gordinhas que, se beberem litros de chá, ficarão magrinhas, poderão comprar todos os vestidos que sempre sonharam e viverem felizes como as modelos das revistas vivem por quinze minutos com o sexy do modelo masculino que provavelmente é gay ou pior, casado com uma modelo muito, mas mesmo muito mais bonita que a bem dita que lê essas revistas.

Vejo-me então a envergar no grupo das meninas (ou mulheres) que preferem o amargo sabor do café. Que vêem nos grãos castanhos e moídos o mesmo que as meninas do chá vêem nas saquetas de pano enchidas de folhas esmigalhadas e secas. Mulheres do café, são amantes do trabalho, da inspiração madrugadora. Boémias, extrovertidas e muito, mas mesmo muito mal dispostas quando acordam pela manhã. Assim como as meninas do chá, estas mulheres vêem no líquido preto uma espécie de inspiração ou medicação para a sua alma torturada pela sociedade. Seja porque são gordas, magras, feias ou demasiado bonitas. Ou porque não conseguem completar o brilhante texto sem uma ajuda. Mais vale o café a outra droga mais corrosiva.

Igualmente viciadas, como as meninas cultas, as meninas do mau humor são donas de uma personalidade forte, na maioria solteiras – devido ao seu mau humor constante –, vêem nos relacionamentos uma perca de tempo – há quem lhes chame recalque, outros (em Portugal) dor de cotovelo, cá para mim é mesmo isso – e não desejam filhos antes dos quarenta anos (haja festa e borga para toda a santa vida, até o relógio biológico der as suas ultimas badaladas).

Sonhadoras por igual, lutadoras e cheias de valores. Sonham tanto como uma menina de chá. Com príncipes, princesas (se forem lésbicas) ou outras coisas mais esquisitas que ninguém se digna a pensar.

O café ajuda-me nas manhãs de mau humor, ou bom humor, é café! Tem um sabor estranho, grosso e delicado e uma cor que me inspira a brincar com tintas escuras e retratar paisagens Africanas e do Brasil. Acompanha-me na vida de estudante, quando tenho que fazer num tempo recorde quase seiscentas páginas sobre uma coisa qualquer – sim o trabalho é para entregar amanhã e sim, tivemos mais de dois meses para o concluir.

É um bom amigo para noites de insónia, uma chávena de descafeinado, um comando da TV ou uma Internet rápida. Um romance qualquer idiota e uma barra de chocolate e passo feliz uma noite inteira que era supostamente para ser um tormento.

Sabiam que o café faz bem à pele? Pois é, uma cura quase imediata para olheiras e pele cansada. O corpo ama tanto o café que já fazem produtos de limpeza com as suas características refrescantes.


Ora e é por estas e por outras que aqui me sento, numa pequena pastelaria. Um abatanado gigante na frente, um delicioso folhado de chocolate e uma cadeira livre à minha frente. Deixo curtos apontamentos no meu pequenos caderno laranja e volto a página para mais uma dose de inspiração. O meu companheiro ainda não apareceu e acredito que não apareça. Deve ter chegado, visto o meu sorriso lunático de quem foi possuído por um demónio; Os cabelos loiros bangunçados como é costumo em dias ventosos, e fugido a sete pés. Não o repreendo. Se fosse um homem faria o mesmo. Quem quer sair com uma mulher de vinte anos com humor de sessenta? Pois, ninguém.

–- Posso? – uma voz masculina pergunta. Levanto a cabeça para o observar melhor e ver se merece ou não a minha atenção – Era consigo que deveria encontrar-me estou certo? – os cabelos ruivos caem rebeldes para cima do rosto. Exibe um sorriso de cortar a respiração e dá em mim, Mulher do café, uma súbita vontade de gostar de chá.