Diários de um Vampiro: A Ressurreição
1 Capítulo Um
Notas iniciais
Sorrio para meu reflexo no espelho, ao desviar o olhar dos meus, vejo minha mãe atrás, seu sorriso é contagiante, mas ao mesmo tempo, é emocionante. Meu pai esta próximo a porta, com seu terno ridiculamente antigo, e é claro, ele também exibe um sorriso fino nos lábios.
Nosd descrevendo assim pode até pensar que somos uma família de comercial de margarina, mas estamos longe disso. Meus pais, Elena e Damon possuem história suficiente para colocar em um livro... Em uma série de livros possivelmente.
Meu vestido, azul escuro entra em contraste com meu olhar castanho, puxados de minha mãe. Meu pai costuma dizer que eu sou uma cópia dela, só que mais bonita. É engraçado, pensando pelo lado de Elena Gilbert já ter tido cópias andando pelo mundo.
— Você está tão linda, Stefanie. – Minha mãe disse, enquanto discretamente limpava algumas lágrimas que tentavam escorrer de seus olhos. – Olhe para ela Damon... Disse que meu vestido cairia como luva.
Sorrio enquanto me viro para eles... Coloco uma mão sobre o ombro de minha mãe, mas não digo nada. De visão periférica, vejo papai se aproximando, com ambas as mãos no bolso.
— Está linda... Não acredito que já está fazendo dezoito anos... – O tom em sua voz... Era uma mistura amarga entre orgulho e decepção. Reviro os olhos e volto a olhar para o espelho, onde pego um batom claro e começo a passar.
— Nossa... Até parece que eu vou sair de casa. – Sorrio olhando para seu reflexo. Eu iria, logo... Depois da formatura, me veria em um novo mundo, onde mais professores chatos me mandariam fazer trabalhos enormes... Para onde eu iria? Faculdade.
Meu aniversário, seria em dois meses, mas tanto minha mãe quanto meu pai, adoram sofrer com antecedência... Chegou um momento que eu apenas ignoro o fato... Eles sofreriam de qualquer forma. O vestido de recordação azul, o terno velho de papai, e o vestido justo de minha mãe, eram pelo fato de estarmos indo para a tão aguardada Festa dos Fundadores de Mystic Falls, e pelo meu sobrenome ser Salvatore, minha presença era decidida antes mesmo da minha opinião sobre o assunto.
Desço as escadas e me deparo com Ethan jogando seu jogo idiota, ele também usava um terno, mas definitivamente não era do século passado como o de Damon Salvatore. Tiro seu pé do sofá e me sento ao seu lado. A quinze anos está peste nascia para fazer minha vida ser o grande inferno.
— Tá bonita maninha. – Ele disse sem nem tirar os olhos do aparelho. – Vai rolar uma festa, depois que sairmos dos Fundadores... Você foi chamada?
Lhe encaro e depois nego com a cabeça, talvez tivesse sido, mas não me dou o trabalho de ir para festas idiotas. Pego meu celular e confiro se algum ser na face da terra tentou contato, mas nada.
— Achei que não fosse... – Ele disse largando o aparelho ao seu lado e sorrindo para mim. – Jimmy que está organizando, e desde que você...
Parei de ouvir, quando ele disse o nome de James. Não me daria o trabalho de ouvir sobre um caso que tive no verão passado, e depois de tudo, ele ainda achar que lhe devo satisfações.
Bom, enquanto meus pais se arrumam, vou lhes contar um pouco sobre a história deles... Aos 25 anos, Damon Salvatore foi transformado em vampiro, sim eles existem, e não... Não brilham no sol como em livros dos anos 2000. Damon foi transformado aos 25 anos, pelo grande amor de sua vida, Katherine Petrova ou Pierce, se você preferir, juntamente com seu irmão... Stefan.
Damon e Stefan Salvatore, viveram muitos anos em guerra, até que Stefan se apaixonou por Elena Gilbert, uma cópia perfeita de Katherine Petrova. Comumente são citadas como Duplicatas, ou também Dopplergangers.
Bom, não é difícil imaginar o que aconteceu... Meu pai conquistou minha mãe, e meu Tio? Ele se sacrificou por nossa cidade. Por fim, Damon Salvatore e Elena Gilbert, beberam a cura para o vampirismo, se casaram e viveram felizes para sempre... Comercial de Margarina.
Em meio aos meus devaneios, continuo a ouvir um som irritante que as palavras de Ethan provocam em minha mente... Me viro para ele pegando o celular de suas mãos, e ele me encara com sangue nos olhos.
— Diga a James, que ficamos uma vez, no verão passado. Ele não tem que ter ciúmes de mim, ou qualquer coisa idiota do tipo... Mande ele crescer, que garotas não gostam de meninos mimados e chorões. – Antes que Ethan pudesse me retrucar, defendendo seu então amigo, vejo por visão periférica, mamãe e papai descendo também, ambos com sorrisos nos rostos. Sorrio para eles, e entredentes, digo a Ethan. – E cresça também, maninho... Garotas não gostam de bobões como você. Nunca vai namorar assim.
Digo me afastando dele e indo até papai, lhe dando um abraço e colocando meu braço entre o seu.
— Você também não irá namorar. – Ethan diz, alto o bastante para que nos três o olhemos. – É chata, e os garotos da escola tem medo de você.
Isso não era uma surpresa para mim, mas não me afetava de forma alguma, eu só pensava em sair da cidade, e garotos idiotas do colegial não era o que eu queria para meu futuro. Porém antes que eu pudesse retrucar dizendo que eu não me importava com garotos idiotas do colegial, meu pai interviu.
— E não vai mesmo. Minha garotinha vai morrer virgem. Eu mato qualquer desgraçado que se aproximar dela... – Sinto seu beijo no alto de minha testa e não consigo segurar uma risada ao ver a cara de minha mãe pelo comentário de meu pai.
Não demora muito e estamos indo em direção a Mansão Salvatore, mais conhecida atualmente como Internato para Jovens e Crianças Especiais Salvatore, seria ali a festa este ano, Senhor Saltzman havia dito a papai, que é o presidente do conselho, que só tem ele no final das contas, que iria arcar com a festa este ano, por ser a última que as Gêmeas participariam. Prestes a completarem 22, algo que meu pai ou qualquer outra pessoa não quis me contar aconteceria... Até mesmo elas, me tiraram desta.
O único pedido de minha mãe, que entrega nossas máscaras na porta, é que nós comportemos e que não ingeríssemos álcool nesta noite... Conheço Ethan o suficiente, para saber que essa cara que ele está fazendo, a de “bom moço” significa que ele tem planos para sair bêbado desta ou da festa seguinte que irá... Eu me contento com os champanhes que meus pais deixaram na mesa, entre uma dança e outra.
A Escola Salvatore, como eh mais chamada na cidade, é uma faixada para que Bruxas, Lobisomens, e Vampiros possam aprender o sobrenatural, a alguns anos, minha mãe achou que seria mais seguro se eu e Ethan fossemos para a escola, mas meu pai disse que jamais deixaria, pois ali, correríamos ainda mais perigo.
Por que a Escola Salvatore, era uma opção para Ethan e eu?
Meio complexo essa resposta, se lembra que eu disse que meus pais tomaram a cura para o vampirismo? Bom, meu pai, ainda está com a cura em seu corpo, e quando ele deve descendentes... Basicamente descobrimos isso, quando fui atacada por um vampiro, e este amanheceu como humano. Sem explicações de como os alienígenas me pegaram numa nave e fizeram testes em mim... Apenas fui mordida e descobri meu super poder. A mortalidade. Pois é... É uma droga.
Sentada a mesa, vejo meus pais dançando uma lenta música, eles conversam sobre algo, e dão risadas do que dizem, do outro lado do salão, vejo Ethan, ele conversa com alguns idiotas que chama de amigos... Nego com a cabeça e volto a olhar a dança de meus pais, meu maior desejo é ter isso. Um amor completamente épico, claro que sem os vilões que mamãe descrevia em seu diário, mas épico o bastante para me lembrar o por que quero estar viva.
Viro meu corpo para a mesa, e esticando meu braço, alcanço o copo de champanhe que minha mãe bebia. Viro de uma vez, e enquanto minha cabeça gira, sinto o quanto essa maldita máscara machuca meu rosto. Quando abro os olhos, já sem a mascara, me deparo com um rapaz a minha frente, ele se sentou ali, sem nem ao menos perguntar se havia alguém. A pessoa misteriosa, usava uma máscara que tampava seus olhos, mas seu sorriso era encantador. Seu terno, era elegante, e usava uma gravata borboleta.
— Desculpa... Mas este lugar está ocupado. – Disse sorrindo e olhando para onde meus pais estavam, completamente entreditos em suas conversas e seus passos de dança.
— Não vejo ninguém com você. – Ele disse retirando a máscara... Bonito... Muito bonito. – Você irá me acompanhar até o lado de fora... Vamos nos divertir um pouco.
O que ele disse, por mais que não quisesse, me vi obedecendo, logo estávamos ali, com o ar gélido de Mystic Falls... Ele levou sua mão, a meu rosto, meu coração estava acelerado... Senti seu toque acompanhado de seu frio anel, ele sorria.
— Está com medo? – Ele perguntou, em meio ao seu sorriso. Sentia meu coração na boca, engoli em seco e neguei. – No que está pensando?
— Que você quer me morder... Mas que não seria uma boa ideia, já que eu tenho a cura no organismo. – Disse de uma só vez... Eu não queria entregar este fato, não assim, poderia colocar meu pai em perigo, muitos vampiros desejavam o que ele conquistou. – Você é um vampiro... Não é?
Seja lá quem o homem misterioso fosse, começou a se afastar de nossa recém adquirida proximidade... Respirei fundo, pelo menos isso o afastou de meu pescoço.
— Você conhece o mundo sobrenatural? – Seu tom de voz era de curiosidade, dei de ombros e sorri.
— Conheço algumas histórias da cidade... – Meu corpo arrepiou, me auto abracei, procurando o calor humano que sabia que meus braços me dariam. – Quem é você?
— Kol Mikaelson. – Ele disse tirando seu paletó e me entregando, por mais estranho que parecesse, aceitei com um sorriso. Não conhecia seu nome, mas o sobrenome não me era estranho. – Estou na cidade visitando minha sobrinha, encontrei está festa e achei que pudesse me divertir. – Ele disse junto com um sorriso divertido.
— Queria se divertir mordendo pessoas? – Pergunto enquanto visto o paletó, quando ergo o olhar novamente, ele reconstruiu nossa proximidade, e meu coração parou por meio segundo.
— Você não me conhece... – Ele recolocou sua mão em meu rosto, olhando para o anel, percebo ser um anel de lápis lazulli. – Mas saiba, que não sou um herói.
Abaixo de seus olhos, o que parecia ser veias se saltaram, e logo dentes caninos se mostraram em sua boca. Respiro fundo e fecho os olhos, talvez ele quisesse a cura, e estando ali, em meu organismo, ele a tinha.
— O que você é então? – Meus olhos ainda estavam fechado, sua boca estava perto demais, e eu sentia um assustador hálito de sangue humano.
— Sou um Mikaelson. – Ele se afasta e eu abro meus olhos. – O primeiro vampiro da terra... Se você contar que meus irmãos estão mortos. Sou um dos dois Originais restantes. Kol Mikaelson, ao seu dispor. – Ele fez uma referência, e depois sorriu. – Qual é seu nome? Minha jovem?
— Stefanie Salvatore... – Antes que eu pudesse continuar minha apresentação, ele riu, bateu algumas palmas e tampou sua boca, sua expressão era de surpresa.
— Salvatore... Filha de Damon Salvatore e Elena Gilbert. – Minha mãe usava o nome de meu pai a muitos anos já, mas isso não importava, como ele conhecia meus pais? Acho que minha feição me entregou, já que ele logo respondeu minha pergunta. – Somos velhos amigos... Eles tentaram me matar uma porção de vez... E conseguiram uma... – Droga, ele deve ser um dos muitos vilões que meus pais enfrentaram. – Stefanie Salvatore... – Seu rosto fica triste por um segundo... – Sinto muito pelo seu Tio... Seu nome é uma homenagem, claramente... Não ia com a cara dele também, mas vamos dizer... Que superamos nossas desavenças.
Obviamente. Dei um pequeno sorriso... Não conheci Stefan, mas pelas histórias que li, já tinha um apelo emocional por ele, e por vezes, pedi para que pudesse o conhecer... Mas somente para minha mãe, e ela respondia com um sorriso amigável, que quem sabe um dia ele seria o responsável por cuidar de mim, não entendia isso muito bem, mas não via a hora de o conhecer.
Meu pai? Ele nunca cita meu tio. Em qualquer tipo de hipótese... Tentamos apenas, não incomodá-lo com este assunto, mamãe disse para mim e Ethan, que este assunto é extremamente sensível para papai.
— Obrigada... Mikaelson. – Sorrio, enquanto me afasto da parede, não queria ele me encurralando novamente.
O ar estava gélido demais para minha opinião, e nem mesmo seu paletó estava fazendo com que eu ficasse com menos frio. Depois de me afastar dele, comecei a observar a noite, e me questionar o por que continuava ali. Olhei para a lua e sorri ao perceber que ele me encarava em silêncio. Viro meu corpo para ele e me auto abracei novamente.
— Que foi? – Ele pergunta e vejo um sorriso descontraído aparecer em seu rosto.
— Você tá ai, me encarando.
— Não posso te encarar?
— Apenas não gosto que fiquem me olhando... Mentalmente um turbilhão de coisas se passam pela minha mente. – Dou de ombros. – Se tiver algo a dizer... Apenas diga, sem rodeios, Mikaelson.
— Está bem... Por que não usa verbena? Sabe do mundo sobrenatural e vive numa cidade que tem um Instituto cheio de vampiros adolescentes sem qualquer controle. – Sorrio com seu questionamento.
— Não gosto do sabor. – Digo de forma simples, como se estivesse falando que não gosto de sorvete de baunilha.
— Ouvi dizer que verbena é uma erva sem sabor. – Ele diz de forma confusa e eu rio com sua reação. – Você está brincando comigo Stefanie?
Ele disse de forma descontraída... E depois ri também. Ele não parecia um vilão, mas ele mesmo havia dito não ser herói.
— Bom eu e meu irmão usamos em objetos, minha mãe não deixou que meu pai colocasse em cada alimento ou bebida que ingerimos. – Toco em meu colo, onde o colar costuma ficar. – Não é como se ele fosse combinar com meu vestido, o deixei em casa.
Potreando este ato por meio segundo, percebo que foi uma péssima ideia. Estava literalmente rodeada de vampiros adolescentes sem o menor controle, como ele mesmo disse. Talvez eu devesse ter ingerido um pouco nesta noite...
Volto a encarar a lua, eu queria entrar mas apenas não conseguia, era como se meus pés não fossem controlados por mim. E não são. Ele me compeliu a vir para o lado de fora, e aqui estou eu. Sou uma bonequinha de porcelana nas mãos de um possível vilão, prestes a quebrar em mil pedacinhos.
— Stefanie! – Ouço o grito de meu irmão, e instantaneamente olho para a direção do grito. – Mamãe mandou entrar, começará a cerimônia.
Eu não queria entrar, queria continuar ali, com aquele ser misterioso, que ria do fato de eu ser uma Salvatore, e que me encarava como se eu fosse o último biscoito do pacote... Sei que era perigoso, mas não era como se eu me importasse com isso. Queria estar ali, mesmo no frio que eu sentia.
Porém, ao voltar meu olhar para onde o Mikaelson estava, apenas a imensidão negra foi o que eu vi. Ele havia sumido... Suspirei e entrei para dentro da Escola, onde já começa um discurso feito em sincronia pelas gêmeas. Sorri para mamãe que me encontrou em meio a multidão.
Ali, quando me auto-abracei novamente senti o tecido do paletó do Mikaelson. Neste exato momento, percebi que a compilação de Kol Mikaelson não estava me impedindo de ir para um lugar seguro. Afinal eu estava ali, segura... Eu apenas não... Queria, o deixar?
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