Diários de Verônica

10 12 de Janeiro de 1989


Notas iniciais
Não! A verônica não morreu!! Desculpem da Demora, ela tava meio que numa crise existencial...
12 de Janeiro de 1989

Nota mental: ir ao cinema com sua melhor amiga e o namorado cretino dela só não é pior que assistir filme de terror sozinha.

Falando sério, qual é a graça desses filmes? Eu vejo fantasmas todos os dias, não é por que eles estão em uma tela de cinema que eu vou me assustar. Eu até admito que fiquei impressionada com O Exorcista, afinal ali é um demônio e não um fantasma, mas Poltergeists? Não obrigada, já vi piores. E Zumbis? Eles não são assustadores, são nojentos!

Quer saber como foi que eu acabei perdendo minha tarde segurando vela para a minha melhor amiga e assistindo esse filme porcaria? Tudo começou quando Lílian veio me visitar hoje à tarde. Bom, na maioria das vezes ela não vem exatamente me visitar, o Evandro sempre adivinha magicamente quando ela está aqui e eu sempre acabo sozinha enquanto eles namoram lá fora.

Só para explicar o fato de o Evandro sempre saber quando ela está aqui: aquele traste é meu vizinho. Minha avó e a avó dele são muitíssimo amigas. Ele é a sensação da rua com seus 16 anos recém completados e uma semelhança incrível com aquele pai alemão dele. Todas as garotas suspiram por ele, mas Lílian foi a grande escolhida, o que não o impede de se divertir por aí com outras garotas. E sinceramente, eu não sei o que ele quer com ela. Eu não estou menosprezando a Lílian, eu só acho que ela é... Muito ingênua para ele. Caso contrário ela já teria percebido o que ele faz com ela. Talvez ele só esteja com ela por causa disso, qualquer garota normal já teria terminado tudo.

Mas como eu estava falando, ele apareceu aqui magicamente aqui em casa alguns minutos depois que Lílian chegou (Às vezes eu tenho a impressão que a Lílian está me usando só para conseguir namorar direito, já que os pais dela são muito rígidos em relação a isso), e ele estava muito animado falando sobre esse filme de terror que estava em cartaz no cinema e que queria muito assistir com ela. E então no minuto seguinte, Lílian estava ligando para os pais dela pedindo permissão para ir. Foi difícil conseguir permissão, mas eles deixaram, contanto que eu fosse junto. Teoricamente eu teria que sentar junto com eles, mas claro que eu não fiz isso, eles sentaram lá no fundo, sozinhos, e eu sentei o mais longe possível deles.

E foi assim que eu cheguei lá. Foi uma tarde longa e chata, mas eu sobrevivi, mesmo por que depois do cinema o Evandro foi para casa e deu um tempo para que eu pudesse conversar com Lílian. Só que Lílian, como minha mãe, decidiu tirar o dia para falar do meu aniversário. A primeira coisa que ela disse quando entramos no meu quarto foi:

-Eu ainda não recebi o meu convite.

-Mas que convite?

-Como assim que convite? O do seu aniversário, oras! Quanto tempo falta? Dez, doze dias?

-Sério? – eu respondi com descaso – minha mãe ainda não te chamou pra minha “festa surpresa”?

-E você vai fazer só isso? – ela falou indignada.

-Você sabe que por mim eu não faria nada.

-Pelo amor de Deus, Verônica! – Lílian estava praticamente gritando comigo – Você vai fazer 15 anos! Não pode fazer só uma festinha dessas.

-Mas não faz diferença quantos anos eu estou completando, continua sendo um dia completamente...

-Mas de jeito nenhum! – Ela me interrompeu – 15 anos é uma idade linda! Todas as garotas sonham com essa festa, menos você! Como pode isso? Você não lembra da minha festa, como foi linda?

-Você não lembra como deu trabalho, como você ficou estressada e como sua mãe quase arrancou os cabelos?

-Ora, isso são apenas detalhes irrelevantes. Eu tenho ótimas lembranças dessa festa, e muitas coisas boas saíram dela – os olhos dela quase brilhavam enquanto ela falava dessa festa. Lílian adora festas, ela não se conforma com o fato de eu não gostar de comemorar meu aniversário.

-Como o seu namorado perfeito? – eu perguntei com uma voz de desprezo.

-Lógico, a melhor coisa! Quatro meses de pura felicidade, e vem muito mais por aí. E não ouse abrir a boca pra falar mal dele! – ela vociferou quando percebeu que eu ia falar alguma coisa sobre ele.

-Não interessa, não vou fazer festa nenhuma! A gente pode mudar de assunto agora?

Ainda demorou um pouco antes que ela finalmente parasse de falar da festa, mas ela parou. Nós ainda falamos sobre muitas coisas banais até a hora dela ir embora, ela ainda tentou me convencer novamente sobre a festa quando estava se despedindo, mas isso para mim é caso encerrado.

E agora aqui estou eu. Já é tarde, mas eu não estou com um pingo de sono, acho que vou deitar e contar carneirinhos, ou então assaltar a minha despensa, qualquer coisa do tipo.

Notas finais
Bom, então é isso...
E fiquei um tempo sem postar, mas é a Verônica estava em uma crisa existencial terrível! ela não sabia o que fazer da vidadela, quer dizer, EU não sabia u.ú... Mas acho que tou dando um jeitinho na vida pessoal dela.
Mas eu ainda aceito dicas, pitacos, sugestões, idéias e intromissões para me ajudar nas aventuras dela.

Até mais
beijos