Diários de Verônica

8 09 de Janeiro de 1989


Notas iniciais
OEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!
Eu não morriiii!!

Eu estou devendo um milhão de desculpa pra vcs, mas é pq eu tava em fim de semestre e minha mente simplesmente bloqueia e eu não consigo escrever nada nessa época,sorry x.x"
Mas aí está, eu trouxe de presente de natal pra vcs mais um dia da vida de Verônica. Aproveitem e felix natal!!

09 de Janeiro de 1989



Hoje o dia foi totalmente estressante!


Pra começar vovó acordou passando mal de novo. Vovó está deixando todo mundo aqui em casa preocupado, primeiro tem essas dores de cabeça, que já fazem praticamente parte dela, e agora ela está enjoada, com náuseas, acho até que já botou todo o café-da-manhã pra fora. Papai esta à beira de um ataque de nervos, ele falou que tinha certeza que alguma coisa estava errada quando o médico olhou a radiografia da vovó e disse que não via nada de errado. Saiu de casa bufando dizendo que ia pedir outra radiografia.


Já vovó ficou o resto do dia no quarto e não quis comer mais nada. Falando nisso, faz um tempo que ela não tem se alimentado direito. Mas também, coitada, com aquelas dores de cabeça a gente esquece até que sente fome. Eu acho que sei como é... Um dia eu tive um dor de cabeça daquelas, não agüentava nem sentir cheiro de comida que me dava náuseas! Eu estou ficando cada vez mais preocupada com ela... Não sei se é por que ela não tem se alimentado bem esses dias, mas ela também tem andado com um humor péssimo.


Sabe o que mais aconteceu hoje? Minha começou a encher minha paciência falando sobre meu aniversário. De novo. Mas será que ela não desiste? Todo ano é a mesma coisa: ela me pergunta o que eu quero fazer, eu sempre respondo que não quero nada, ela sempre insiste e nós sempre acabamos brigando no final. E ela tinha que falar disso logo hoje, que eu não estava com um pingo de paciência pra isso...


Mas brigas à parte, todo ano a discussão termina em uma festa surpresa que não é mais surpresa nenhuma para mim. Sinceramente, mamãe deveria poupar os nervos dela e fazer logo essa festa sem me consultar, minha opinião não vai mudar. Até o fim da minha vida eu vou responder que não quero festas, o dia do meu aniversário é um dia tão comum quanto os outros trezentos e sessenta e quatro dias do ano e eu não acho que o fato de eu estar ficando mais velha é motivo para comemorações.


Bom, depois de um almoço totalmente chato onde eu e mamãe discutimos o tempo todo, eu fui tentar encontrar o velho Jorge de novo. Eu sabia que era inútil, mas não custava nada tentar, a esperança é a última que morre.


Como era de se esperar, eu não o encontrei.


Fiquei a tarde toda trancada no meu quarto, praguejando por não ter nada de interessante pra fazer e falando com as paredes. Na verdade, eu estava falando para o Velho Jorge, aquele cretino que sempre some quando a gente precisa, e eu sei que ele ouviu tudo o que eu disse, apesar de não estar lá na hora. Depois desse desabafo com as paredes e fui tentar assistir televisão, talvez estivesse passando alguma coisa que prestasse.


Depois de meia hora mudando os canais sem encontrar nada que me interessasse, eu decidi parar em qualquer um. E estava passando um programa bem sensacionalista, qualquer coisa de suspense ou terror. Já era noite, mas eu ainda achava cedo demais para a transmissão de um programa desse gênero,não que aquilo me assustasse, eu já vi coisas piores.


A estória daquele programa me pareceu bem familiar, era um homem que estava sendo assombrado por qualquer coisa maligna, e essa coisa fazia com que ele agisse diferente e ele tinha dores de cabeças horríveis e ficava muito doente... Aquilo me fez lembrar de Tânia, já que a suposta depressão dela havia sido só por causa de um fantasma também.


E foi naquele momento que algo desesperador passou pela minha cabeça. Quando coisas como dores de cabeça e falta de apetite me vieram à mente, eu automaticamente lembrei de vovó e a idéia de que ela pudesse estar sendo perseguida por um espírito me pareceu totalmente plausível. Eu disse que parecia plausível, não que parecia uma coisa boa, mesmo por que da última vez que eu tentei enfrentar um espírito enfurecido eu quase morri. Muitas coisas passavam pela minha mente e nenhuma delas conseguia tirar essa idéia de mim, pelo contrário, ela ficava cada vez mais forte em mim.


Eu comecei a pensar que se fosse realmente isso eu já deveria ter percebido, mas logo em seguida pensei que talvez não percebesse, eu já vi alguns fantasmas por aqui, um a mais um a menos não faria diferença, eles pareciam tão inofensivos... Então comecei a lembrar que na casa de Tânia eu senti um clima pesado logo que entrei na casa, apesar de a energia ruim estar concentrada toda no quarto dela. O quarto... Será possível que tenha alguma coisa no quarto da vovó e que eu não tenha percebido? Talvez eu devesse ir lá agora...


Da sala, onde eu estava, fiquei olhando para o topo da escada por um tempo indeterminado, que me pareceu uma eternidade. Estava pensando em vovó e no que poderia acontecer se realmente o que eu estava pensando fosse verdade. Então fiquei com medo de entrar no quarto de encontrar alguma coisa lá. Pela primeira vez eu estava com medo de ver um espírito. Estava com medo do que poderia acontecer se eu não conseguisse derrotá-lo, com medo de enfurecê-lo ainda mais a ponto dele tentar matar vovó de vez e com medo de acontecer algo mais com outras pessoas na casa.


Subi as escadas devagar, quase parando, a verdade é que eu não sabia se queria chegar até aquele quarto. Continuei andando lentamente, sentindo algumas tábuas velhas do piso de madeira ranger sob meus pés, e parei em frente à porta. Naquele momento eu me concentrei e tentei sentir alguma coisa, mas não sentia nada. Ou será que sentia? Àquela altura eu não estava mais conseguindo pensar direito.


Levei a mão até a maçaneta da porta, mas antes que eu pudesse girá-la ouvi a voz de mamãe me chamando.


-Verônica, o que você está fazendo?


-Bom... Eu... Eu só estava... – “eu só estava tentando salvar a vida da sua sogra”. Era isso que eu deveria dizer, mas ela não ia acreditar de qualquer jeito.


-Você estava...?


E de repente eu estava nervosa, como se estivesse sido pega fazendo algo que não deveria estar fazendo, e eu não sei por que comecei a me sentir assim.


-Eu só queria ver como vovó estava, oras! – falei no tom mais natural que consegui – ela passou mal o dia inteiro, eu estava preocupada.


-Você poderia ter vindo antes. Agora ela finalmente melhorou e dormiu um pouco, seu pai pediu pra ninguém incomodá-la.


-Mas eu não vou incomodar, eu só quero...


-Verônica, por favor. Você pode acordá-la e seu pai pediu tanto...


-Mas eu só queria... – eu tentei falar de novo, num tom mais nervoso.


-É realmente algo tão importante que não possa esperar até amanhã?


“CLARO QUE É! EU ESTOU TENTANDO VER SE NÃO TEM UM FANTASMA TENTANDO MATAR ELA!!!”


Será que mamãe teria compreendido se eu tivesse dito isso em voz alta?


Provavelmente não.


Me limitei a suspirar e responder que não era nada tão importante assim.


Então mamãe me mandou para o quarto, e aqui estou eu, esperando todo mundo dormir para poder me esgueirar até o quarto de vovó e encarar o que quer que seja.

Notas finais
.

e aí, e aí, e aí?? Gostaram?
Eu sei que ás vezes aparecem uns dias chatos por aí, mas nem tudo na vida se resume a ver espíritos, né? ;]

FELIZ NATAL PRA TODO MUNDO!!

E eu já tenho um capítulo pronto e editado que eu vou tentar postar antes do ano novo pra compensar.
**Se é que tem alguém aqui pra ler agora, deve ter todo mundo viajado... u.ú**