Diários

34 Capítulo 34 - Aflição


Notas iniciais
Então como prometido... Vou continuar o que comecei ontem

....

Montei no quadro da bicicleta e o Ryan foi guiando

- Ry que aconteceu?

- Eu... Não sei como contar...

- Fala!

Nesta hora meu celular tocou, com dificuldade atendi, sem olhar o numero

- Alô

- Alô, Cloe Saviour?

- Sim, sou eu. O que é?

- A sua mãe e seu irmão sofreram um acidente e está internada no Hospital Regional Londrino

- Quando foi isso?

- Há meia hora. Obrigada pela atenção.

E desligou

Fiquei sem palavras.

Paramos num sinal e encarei o Ryan, praticamente chorando.

- Era isso?

- Sim

- Por que você também está chorando?

- Porque minha mãe também estava no carro — ele recomeçou a pedalar

Notei que minha visão começou a embaçar por causa das lagrimas

Chegamos ao maldito hospital, parece que passo mais tempo lá do que na escola ou em casa.

Entramos desesperados perguntando por nossas mães

O mesmo médico que havia me atendido veio falar conosco

- E a minha mãe? — perguntei

- O quadro dela não é muito bom, mas está estável

- E a minha?

- O mesmo

- E o Kyle?

- Seu irmão estava no banco de trás e não sofreu muito, mas está desfalecido

“Quadro estável? O que isso quer dizer para alguém que já está ruim?”

10horas e nenhuma notícia.

Deitei no divã da sala de espera, não sabia por que nenhum dos meus parentes não tinha chegado lá

Ryan trouxe dois copos com café para nós

- Eu não tomo café

- Af!

O médico saiu de novo

- E agora? — Ryan estava num desespero maior que o meu

- A sua mãe, infelizmente piorou, e a sua Cloe, continua do mesmo jeito

- E o Kyle?

- Sedado

Ryan não se conteve e me abraçou aos prantos, a mãe dele devia ser a pessoa mais importante do mundo, depois da perda do pai dele

- Eu não quero perder ela, Cloe, eu não quero ficar sozinho!

- Você não vai ficar! Nós não vamos ficar!

- Se perder ela eu perco tudo! – ele soluçava, eu nunca vi e, provavelmente, nunca mais verei o Ryan tão desesperado e aflito.

Ele chorou até adormecer no divã.

Pedi ao corpo medico um cobertor e o cobri, ele parecia muito abatido mesmo dormindo.

11 e meia, deitei do lado oposto do divã e me cobri, os pés do Ry estavam frios, ninguém havia chegado.

Ainda tive um leve fio de esperança que o medico passasse pelo corredor e dissesse que estava tudo bem e podíamos ir para casa, mas isso não aconteceu

Pensei só por um momento como seria a vida sem minha mãe ou sem o Kyle, mas logo quis não ter pensado.

Adormeci.

Na manhã seguinte só vi o Ryan conversando com o medico e depois entrando por um corredor, levantei e fui atrás dele.

Ele tinha ido para o telhado e estava sentado num canto olhando o nascer do sol

Fiquei de pé atrás dele, esperando uma reação

Ele notou minha presença

- O médico disse que ela piorou e sua mãe também

Desde a noite passada eu não tinha chorado mais, apenas me contentei em saber que as lagrimas não fariam a menor diferença, mas isso não se aplicava ao Ryan, por se ele sentia raiva ou dor, expressava isso não importando a ocasião.

- Cloe... Eu não quero que você perca as esperanças, mas... Se o pior acontecer quero que você esteja preparada para isso.

Eu encarava o chão

- ISSO NÃO VAI ACONTECER! – desmoronei em lagrimas de novo, se apenas a ameaça da morte da minha mãe já me fazia ficar assim, imagina se ela morresse ou se o Ky morresse?

- Melhor a gente descer – ele falou

Apenas abanei com a cabeça enquanto recomeçava a andar.

Eu não sou de rezar, não creio muito nisso, mas naquela hora eu sentia que meu coração fazia um apelo desesperado até por aquilo que eu não acreditava existir...

Sentamos de novo no divã e esperamos, o médico veio logo em seguida.

- Ryan! A sua está tendo um progresso muito bom, se continuar assim logo deve sair daqui.

- E a minha?

- Sinto muito Cloe, mas sem melhoras – e saiu

Eu me encolhi no sofá da sala de espera, a imagem de um funeral me passava pela cabeça e dentro o caixão, minha mãe jazendo e eu sem poder fazer nada!

Um apito soou alto e uma voz eletrônica avisou:

“Atenção Senhor Telo, pressão baixando rapidamente no quarto 401, paciente Tarja Saviour”

- Minha mãe!

Sai correndo pelo corredor, mas antes que pudesse entrar o Ryan me segurou pela cintura

- Não pode entrar!

Médicos entravam e saião depressa, eu ouvi as conversar e via através do vidro na porta

- Pressão baixando

- Meçam o pulso

- Tragam o oxigênio

- Sem pulso

- Nós vamos perdê-la

“Não ousem deixar minha mãe morrer!”

Comecei a me debater nos braços do Ryan e ele me abraçou com força. Não era possível fazer nada

Trouxeram uma máquina, eu não sei o nome, aquela que dá choque para tentar recobrar os impulsos nervosos do paciente.

Tentaram duas vezes e por ultimo veio a noticia

- Sua mãe ainda vive

Que alivio!

Passei o resto do dia no hospital vendo o Kyle e minha mãe. Meus parentes chegaram logo.

Ryan não saiu do quarto da mãe desde que ela acordou, eu entendo, ele já perdeu o pai, deve ser horrível não ter ninguém.

Não desejo um susto desses a ninguém! Tanto que hoje não fui à escola, por isso...

Até amanhã e tomara que mamãe não tenha nenhuma recaída!