Diários

25 Capítulo 25 - Morte Subita


25º Dia, 20h07min

Acordei hoje com cola na maçaneta

“Nem desconfio quem foi...”

Escovei os dentes e acabei com eles azuis

Encontrei o Kyle no corredor, ele estava com os cabelos roxos, nos olhamos e falamos juntos

- DWEN!

Tive de escovar os dentes de novo até conseguir tirar aquela tinta dos deles, felizmente não me atrasei para ir à escola. Tranquei o quarto, me despedi de todos e sai.

No caminho achei o Thew, ele pulou nas minhas costas, quase me derrubando:

- BOM DIA CLOE!

- Boa Thew, agora todo mundo da rua sabe meu nome.

Ele riu

- Então como anda sua apresentação com Binho?

Na terça a professora havia passado uma apresentação de slides em duplas. Thew ficou com a Nick, o que deve ter sido um sonho para ela.

- Uma droga, ele só fala daquele amor platônico ridículo!

Todo mundo sabe que Binho é apaixonado por Carol, uma menina da escola, e todos sabem também que ela não está nem aí para ele. Ele havia se tornado uma pessoa muita chata, só falava nela. Tudo lembrava ela para ele, ele fazia piadinhas sem graça, batia na testa ou nas costas dos outros do nada e dizia coisas estúpidas.

Amor é uma coisa, mas daí a ficar um chato completo e tagarela é outra coisa.

Ryan nos acompanhou enquanto subíamos

- O amor o deixou idiota! – Thew refletiu

- Idiota e insano, se ele bater na minha testa mais uma vez vou mandá-lo...

- Calma Cloe!

- Quê que ela tem? – Ryan interferiu, só ai que eu notei a presença dele

- Está querendo matar alguém

- Quem é o sortudo Cloe?

- Sortudo?

- É! Normalmente ela o mandaria para o inferno, esperaria ele retornar, mataria de novo, cremaria e enterrava as cinzas no Gran Canyon!

Ryan já tinha ouvido minhas ameaças para com Dominique

- Não exagera Ry.

Tomei a liberdade de chamar o Ryan assim, além do fato dele me permitir acho que já éramos amigos tempo suficiente para nos permitirmos isso, pena eu nem ter como ser chamada por um apelido.

Despedimo-nos, na escola dei de cara com uma equação monstruosa, que com certeza me privou de uma boa nota no exame de matemática.

Nem tente responder... Com o pensamento eu havia me fud&¨* legal na prova, voltei para casa cabisbaixa, mas sem antes ser acompanhada pelo Ryan.

- Então, como foi seu dia?

- Um pesadelo. Eu me ferrei num exame de matemática

- Você é boa em química?

- Acho que sim, por quê?

- Preciso de ajuda... O que me diz?

- Você é bom em matemática?

- Sou

“Nem se acha...”

- Então temos um acordo

Apertamos as mãos.

Ele não virou na esquina onde costumávamos nos despedir

- Você mudou de casa?

- Não. É que hoje vamos almoçar num restaurante japonês, minha mãe estava prometendo isso faz tempo. Além disso, quero te pedir uma coisa

- O que?

- Empresta seu Mp4?

- Hã?!

Ryan sabia que não desgrudava do meu Mp4 nem com furacões, mas na minha atual situação com o monstro Dwen em casa, ele estaria bem mais seguro com o Ry.

Paramos na frente da minha casa, Kyle estava sentado na frente da porta, parecia muito triste, pedi licença ao Ry e fui perguntar o que havia acontecido:

- O Dwen te pendurou de cabeça para baixo na arvore de novo?

Ele não respondeu apenas, balançou a cabeça dizendo que não.

- Que foi Kyle?

- O nono morreu Cloe... – ele soltou a bomba

O chão se abriu para mim, entrei em choque e cai no chão de joelhos

Ryan correu até mim.

- Cloe que foi? Você está bem?

Ele abraçou e eu comecei a chorar. Nunca tinha chorado na frente de ninguém, mas só porque eu não tinha motivos. Agora havia um motivo forte o bastante para eu me despejar em lagrimas e o Ryan seria meu ponto de apoio, afinal eu precisava me apoiar em algo para não cair em profundo desespero.

- Cloe... – ele falou de forma amável, acho que queria fazer de tudo para que eu não sofresse.

Pelo que eu conhecia do Ryan, ele é daquele tipo que luta até depois dos próprios limites, e luta também pelos outros, nunca quer ver ninguém sofrer, e pareci ter um sentimento fraternal, protetor e fiel por mim, ou seja, o tipo de amigo que qualquer um quer ter.

Chorei e gritei demais e o Ryan não me soltou um minuto, depois de um tempo, abriram a porta e o Kyle caiu para dentro de casa, ele também estava chorando.

Para minha surpresa era um médico acompanhado sabe de quem? Não! Não era o Dwen, era meu nono!

Ênfase no “meu nono”

Corri e quase tropecei no Kyle, dei um abraço bem forte nele.

- O que foi? Eu estou bem juro!

- Como pode...

- Não pensaram que iriam se livrar de mim tão cedo não é?

- Nunca – minha voz quase não saia

Daí o médico começou a explicar, enquanto eu enxugava as lagrimas:

- O seu avô tem epilepsia. Acontece uma falsa morte

Eu nem estava prestando atenção, apenas abraçava meu avô como se ele pudesse se esvair em fumaça a qualquer momento, logo Kyle e meu pai se juntaram no nosso abraço, Emilly, minha mãe e o Dwen, só não fizeram o mesmo porque não estavam em casa.

Depois de todo este choque emocional me lembrei do Ryan

“Quanta consideração ein Cloe!” me autocensurei

Ele estava sentado na mureta na frente da minha casa, fui até ele meio sem jeito e me sentei ao seu lado.

- Ele está bem?

Eu abanei a cabeça:

- Foi só um susto

- Foi um susto muito grande pelo visto

- Alias obrigada.

- Foi bom ajudar... Agora o Mp4, por favor.

Remexi minha mochila e peguei o aparelhinho preto.

- Se eu quiser posso pôr umas músicas para você?

- Se eu dissesse que não você passaria do mesmo jeito não é?

- É... Mas acho que você vai gostar, alias tenho uma coisa para te pedir e você tem de prometer ser amável, raciocinar bem e se for a pior das opções me dizer com sinceridade e os motivos.

- O que é?

- Calma... Antes me dá o Mp4

- Cuidado com minhas 390 músicas viu! É bom estarem todas aí...

- Sim Coronel! – ele sorriu, alias o sorriso do Ryan é lindo!

Bem eu tenho de listar alguns defeitos dele também, não é? Afinal fica parecendo que ele é O Cara, só com qualidades!

Os defeitos dele é que às vezes ele se acha, também quer ser o poderoso chefão, é quase um Dom Corleone, mas não consigo achar mais nenhum defeito no Ry.

Bom o fato é que ele já ia saindo, quando eu lembrei:

- O que você ia me pedir?

- Ah é!

Ele se ajoelhou que se estivesse prestes a receber um titulo de cavaleiro, na era medieval, mas não era nada disso, ele apenas me entregou um cartão onde havia uma rosa negra pregada, se lia:

“’Never means never?¹

This the other side that you can’t see²

It’s safe to say I’m stuck again

Trapped between this life and the light

I just can’t figure out, how to make it right...³’

Quer ir ao baile de máscaras comigo?”

Estou em choque! Ryan tinha mesmo me convidado, quase um sonho.

Óbvio que eu não ia recusar, mas antes de aceitar:

- Como você ficou sabendo?

- Dominique me convidou e eu recusei, mas agora... Sua resposta? – ele levantou

- Bem... Não vejo motivos para recusar...

Ele sorriu

- Então... Até o GT4 ou o MSN...

- Não vai dar

- Por quê?

- Meu primo mandou meu computador para o técnico...

- Meus pêsames.

- Não fique triste, ele deve voltar logo... – eu sorri, mas não ri.

- Acho que perdi o almoço...

- Sinto muito.

- Como você diria: Eu supero...

- Esse bordão é meu! Vai ter de pagar os direitos autorais — brinquei

- Pode ser em cheque – ele riu

Despedimo-nos e eu entrei toda alegrinha para casa, apesar de tudo tinha sido um dia bom.

Eu estava feliz não só pelo fato do Ryan ter me convidado, mas pelo fato de alguém ter me convidado e por ter sido de livre e espontânea vontade! Isso era quase um milagre!

Depois disso eu assisti o Dwen pendurar o Kyle de cabeça para baixo na arvore do vizinho e a Nick veio na minha casa, conversamos sobre a festa e eu contei que o Ryan tinha me convidado depois de chutar a Dominique e eu escrevi pelo notebook dela...

Notas finais
Notas da autora:
¹ - é um trecho de uma música do Fall Out Boy chamada Alpha Dog
²- é um trecho de uma música do The Used chamada Blood on my Hands
³- é uma estrofe de uma música do Creed chamada Rain
4- é o Google Talk, sistema de conversas rápidas usado no Orkut e no IGoogle