Diários

14 Capítulo 14 - Fogo e Guitar Hero!


Notas iniciais

Odeio reuniões de familia! Tem de dar abraço em quem a gente nem conhece, tem gente que nem é do nosso país e é parente, tem gente que nem é parente e está lá! Af! Infortúnio"

- AH! Eu não vou sair!

Assim começou meu dia hoje, aos berros da minha irmã, acordei com este som, logo levantei e fui pro corredor do banheiro onde tinha se formado uma filinha

- Que está havendo? — perguntei sonolenta para o meu irmão

- Você sabia que a costa da Antártica...

- Flenme Ky! (Flenme = Fala logo e não me enche!)

- Emilly tá ‘chilicando’ de novo.

- Que foi desta vez?

- Ela não quer tomar banho.

- De novo! Ai, ódio! EU já tive de ficar de castigo durante estes dias agora quero um banho!

- Fala isso para ela...

Minha mãe havia descoberto que eu não tinha trabalho nenhum. Felizmente ela não juntou os fatos com as ocorrências, então ela não faz idéia que no dia que as viaturas estão no cemitério eu também estava no cemitério. (Essa é mais uma daquelas horas que gostam de esfregar na nossa cara que as mentiras não servem para nada, mas ainda assim tem pessoas na presidência que tocam o país com mentiras...). Daí ela me deixou sem computador por três dias, TRÊS dias inteirinhos! E sem TV também, mas e daí? Eu não assisto mesmo!

Ela passou umas duas ou três horas a mesma coisa, dai sim, me pôs de castigo! E agora a Reneger da minha irmã estava dando uma crise de existência dentro do banheiro!

Com muita conversa muito esforço e alguns xingamentos e ameaças também, eles conseguiram fazer a fila andar.

Domingo é dia de missa, dia de churrasco e... Dia de reunião de família.

Não gosto muito porque no fim das contas sempre acaba tendo uma pessoa que você nunca ouviu falar na vida, mas que ainda assim é seu primo.

Minha mãe não me poupou de fazer uma sobremesa, felizmente para isso eu presto, na última vez que tentei fazer um prato simples queimei metade da cozinha.

Primeiro passo: Veja se tudo está limpo

Segundo passo: Separe os materiais

Terceiro passo: FAÇA!

Pediram que eu fizesse pudim! Adoro pudim!Meu irmão já ficou na porta da cozinha me zuando:

- Pai chama os bombeiros que a Cloe vai cozinhar.

- Para, Kyle!

- Tira a Emilly de casa mãe! Daqui a pouco a Cloe queima o assoalho de novo!

- Sai Kyle! – o expulsei da cozinha.

Ok, tudo pronto! Comecei fazendo a cauda e adivinhem... A cauda deve ir ao fogo, mas NÂO, desta vez eu não queimei a cozinha, não até àquela hora.

Certo fiz tudo até a hora em que tive de misturar a massa no liquidificador, imagina que a capacidade daquilo é pequena e eu.... Exagerei, o bagulho deu um curto-circuito e acabou incendiando a toalha da mesa, a mesa, uns panos de prato, estava chegando ao fogão, quando meu pai, conseguiu tira-lo da tomada com umas luvas de plástico, daí começou a chover dentro de casa. Bah! Era o sistema de prevenção de incêndios, meu pai tinha mandado instalar desde meu último incidente na cozinha.

Depois de toda família sair para o quintal (meu irmão de toalha, ele ainda estava tomando banho, e minha irmã com a boca lambuzada de mingau) meu pai me olhou com raiva, mas antes dele começar a falar sobre os estragos na cozinha:

- Pai, eu juro que não fui eu.

- Ah, não? Quem foi então?

- Deu um curto-circuito, eu não tinha feito nada juro só liguei.

- Cloe...

- Eu JURO!

- Está de castigo!

“Por*&, de novo!” aí vi certa esperança nisso tudo

- Isso significa que eu posso faltar na reunião de família?

- NÃO! Você vem conosco e vai se comportar lá e nem pense em chegar perto de algum eletrodoméstico!

“Ai, ódio! Maldito liquidificador! Mer¨&* de vida!”

Fui pro quarto “P” da vida, me sequei, deitei e fiquei olhando para o teto. Daí meu irmão entrou no quarto, felizmente já devidamente vestido.

- Tá bem?

- Estou viva, portanto, estou mal!

- Ah, Cloe, eu falei! Mamãe acha que papai talvez tenha sido injusto com você te pondo de castigo.

- Agora ela acha isso...

- Mas você mereceu.

- EU não disse que não, disse?

- Foi mesmo por acidente?

- Você acha que coloco fogo nas coisas porque quero?

- E as caixas de livros na quarta série?

- Certo, talvez aquelas tenham sido de propósito, mas as outras não!

- Tem certeza?

- Tenho Kyle!

- Papai vai chamar o técnico para ver o que aconteceu, até lá você está de castigo.

- Nossa, você me confortou tanto sabia...

- Para de ser irônica! E vai se aprontar para a tal reunião.

- Eu não quero ir...

- Nem eu, mas você sabe maninha, são as...

- Regras – completei

Comecei a me vestir, nada formal, não vou me vestir só para meus parentes me verem. A reunião seria na casa do meu tio, aquele do violão, e provavelmente duraria a noite toda.

O técnico chegou.

“ Esse cara não devia estar dormindo, ou sei lá, quem em sã consciência trabalha no domingo a domicilio ainda?!”

Ele olhou e olhou, desmontou o liquidificador, olhou a fiação e depois disse:

- Foi um curto-circuito, colocarão mais do que a capacidade permitia e ele sobrecarregou.

Dei aquele olhar “Eu não falei” para o meu pai, mas isso não me eximia de toda a culpa.

Ele apensa disse:

- Pode consertar?

- Não! Melhor comprarem outro.

“Valeu cara, ajudou muito...” imaginem uma nuvem negra e tempestuosa e com raios sobre a minha cabeça, mas a culpa não era dele.

O relógio bateu uma hora da tarde, o técnico se despediu.

- Filha – ele parecia ter feito um esforço tremendo para admitir o erro – me desculpe.

- Eu supero... Então não estou mais de castigo?

- Não, mas ainda vai à reunião.

“Nem tudo é perfeito...”

- Dá para viver – murmurei

- Vamos rápido! – minha mãe falou – ou seremos os últimos a chegar!

Obs.: O almoço em Londres é à uma e meia da tarde.

Saímos de carro, chegando lá os homens estavam bebendo, as mulheres estavam fofocando, as crianças estavam brincando, os adolescentes estavam conversando e eu... EU ESTAVA NO VÁCUO!

Incrível e terrivelmente não havia ninguém da minha idade ou que pelo menos pensasse como eu, se bem que quanto ao último quesito eu não estava surpresa.

Sentei e fiquei olhando os garotos, da idade do meu irmão, jogarem videogame, eles estavam jogando, sabe qual? Sabe qual? Nem eu, só sei que depois eles puseram Guitar Hero, daí eu nem entusiasmei em assistir aquilo.

Um moleque veio até mim:

- Quer jogar? Aposto que te dou uma surra que você vai voltar para casa chorando.

- Escolhe o joystick!

Car*&! Dei uma surra no Moleque, e olha que ele é mais velho e meu primo de segundo grau, machão e que pode tudo... E ainda apelou:

- Anda, vamos melhor de três?

- Eu prefiro conservar a minha vitoria no cartão de memória. Além do mais já estou indo. Contente-se.

Minha mãe já tinha me chamado umas três ou quatro vezes, mas jogando em Papercut do Linkin Park quem escuta alguma coisa?

Além disso, meu irmão estava caprichando no: “Já ‘tá’ acabando, mãe, só essa”

Na volta para casa ele até me cumprimentou:

- Olha, pirralha, você mandou bem hoje.

- Obrigada.

- Nem sabia que você jogava.

- Aprendi olhando você.

- Da próxima a gente joga em dupla e vamos ver quem é o melhor da família, mas claro que vai ser eu.

- Só se eu deixar...

Depois disso vim para cá e escrevi, amanha tem aula, acho que me dei bem nas provas de sábado, terça é a pó*& do trabalho e sábado é a feira, estou morrendo de tédio...

Notas finais

Este foi mais um dia que gostaria de não viver, eu sei, é deprimente!