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10 Capítulo 10 - No hospital...


Notas iniciais
Eu estou pondo como capítulo 10, porque ontem seria o 9, mas infelizmente eu não estava em casa para escrevê-lo... Bem, hoje também não posso dizer que me "orgulho" de ter vivido, mas amanhã...
9º e 10º dia, 9h05min

Caramba, eu tinha uma concepção melhor do que fosse ficar no hospital. Ter de passar o sábado interio lá não é nada agrádavel!


Fazia tempo que eu não entrava em um... Da ultima vez foi por causa de uma crise de sinusite na escola, as professoras entraram em desespero sem saber o que fazer comigo, até que uma teve a “maravilhosa” idéia de me levar a um hospital.


Desta vez o diagnóstico foi melhor do que ter de tomar quatro comprimidos num dia acompanhado de um frasco de xarope, o que não dá uma mistura muito boa... Pelo menos quando eu tinha minhas crises podia faltar à escola...


Tiraram os raios-X da minha perna para ver se havia quebrado, mas não só tinha vários cortes bem profundos, ah, sim, eu me esqueci de falar que alguns “farofeiros” filhos-da-pu*& tinham jogado garrafas de vidro e tampas de cerveja naquele buraco, era como uma lata de lixo para eles...


O fato é que: eu cai bem em cima destes cacos de vidro e tampas de garrafas, por isso quiseram me dar uma vacina antitetânica, eu estava meio apagada na hora, mas deu para ouvir o medico conversando com minha mãe:


- Sua filha não vai precisar de muito tempo aqui.


- Que bom...


- Nós já retiramos todos os pedaços de vidro que estavam na perna dela, me pereci que ela não quebrou nada.


- Que bom...


“Minha mãe gosta mesmo desta marca de sorvete, ein...”


- Então agora só falta remover as farpas de alumínio e vaciná-la com a vacina antitetânica.


Quando o médico falou “vacina” eu não pulei da cama por minha perna estava sedada. ODEIO vacinas! Primeiro pelo fato de alguém me furar, segundo pelo fato de alguém que eu nem conheço me furar!


Dei um sobressalto e comecei a brandir meus braços o que fez uma bandeja de seringas cair no chão do hospital com um estrondo.


- Bom, pelo menos ela já acordou – falou o médico como se fosse a coisa mais natural do mundo uma menina praticamente “assassinar” uma bandeja de seringas quando acorda – preparada para vacina?


“Você fala como se fosse só pra por um band-aid em mim”


- Não!


- Pelo menos ela é sincera... – ele falou para minha mãe


Esse médico estava fazendo pouco caso de mim ou era impressão?!


Depois de precisar de três enfermeiras e minha mãe ajudando para me manter imóvel na cama do hospital me segurando pelos braços e pernas, já que eu quase tinha chutado o rosto do médico quando uma das enfermeiras soltou minha perna “saudável”, após uma serie de escândalos, gritos e de eu quase ter posto o meu quarto abaixo e ter derrubado boa parte de tudo que estava lá, conseguiram me vacinar, com êxito.


Após isso ainda passei um tempo no hospital (a comida de lá é péssima, então não tomei “café” da manhã), vi um pouco de TV, que também não é lá grande coisa num domingo, já que só tinha missas e programas de pesca, decidi apelar para os desenhos animados, mas só tinha os bíblicos (nada contra a Igreja, ok), daí decidi apelar para os canais internacionais, e... Nada!


Bem, pelo menos agora eu sabia por que tinha extinguido a televisão da minha vida.


Até que minha chegou com o medico.


- Cloe você já pode ir – disse o médico


- Cloe anda, vamos!


Estranhamente aquela frase não queria dizer que íamos para casa, na maioria das vezes quando minha mãe dizia “Cloe anda, vamos!” das três uma: ou eu ia levar um sermão de duas horas, ou íamos a psiquiatra (minha mãe queria entender porque eu não falava muito e gostava de músicas que ela considera fúnebres) ou seria para eu arrumar meu quarto, como a ultima estava meio fora de cogitação só poderia ser uma das duas primeiras.


Nem chegamos a sair do hospital, ela me guiou para uma ala de exames clínicos e disse:


- Depois dessa eu não quero saber de mais problemas.


“Hã? Eu não te causo problemas desde que pus cola na maçaneta do carro do vizinho no mês passado”


- Você vai fazer um check-up completo! – ela continuou quando outra equipe de médicos começou a me puxar para dentro da ala. Daí toda aquela minha idéia de hospital como uma lugar que amputar e faz muita gente sangrar se extinguir do nada! Eu ainda tive de por aquela roupa verde ridícula.


- Pelo menos combinou com seus olhos... – minha mãe falou quando a gente estava voltando para casa, mas não ajudou em nada.


Quando eu cheguei em casa recebi mais uma noticia para o meu dia “ficar melhor”. E infelizmente eu não poderia sair de jeito nenhum!


Meu pai se aproximou de mim e falou:


- Que bom que você está bem, nem imagino quanto dinheiro teríamos de gastar se você tivesse quebrado a perna...


“Valeu, pai, agora eu sei o ‘quanto’ você me ama...”


Ainda mancando eu fui pro quarto, “louca” para ir direto para o computador, mas quando eu sentei para ligar o estabilizador.... CADÊ O ESTABILIZADOR?!


- Ah, me esqueci de dizer, Emilly estava tentando ligar para jogar, mas acho que ela não sabia muito bem como fazer isso e o estabilizador... É... Explodiu...


- Explodiu?!


“É bom Emilly não estar em casa, porque daqui a pouco ela estará a sete palmos de terra!”


Peguei o estabilizador com raiva e praticamente forcei o meu vizinho a consertá-lo.


VINTE MINUTOS DEPOIS...


Já com estabilizador consertado, conectei tudo direitinho e vim discorrer do meu dia “emocionante” no hospital.


O médico disse que precisava ficar em observação por pelo menos um dia.


“Acredite, não vai passar de UM dia!”, então minha visita ao cemitério vai ter de esperar mais 24 horas, portanto preciso de uma desculpa, já que não posso sair dizendo para minha mãe:


“- Mãe, vou ao cemitério, tchau.”


Só se minha mãe também fosse gótica ela deixaria, o que é meio “fora de cogitação”


Eu não costumo mentir, então tudo o que eu fizer vou ter de admitir, mas neste caso estamos tratando de algo que realmente me interessa, então deve ser bem planejado.


Então vejamos a minha lista de desculpas:


1ª desculpa: eu podia forjar uma ligação de sabe-se lá quem, urgente o que me forçaria a ir para “lá” imediatamente.
2ª desculpa: eu poderia dizer que o estabilizador precisava ser trocado e sair para levá-lo a loja, mas daí teria que carregar o estabilizador comigo...
3ª desculpa: podia dizer que virei nômade e precisava me libertar da vida material (até parece)
4ª desculpa: preciso ir atrás da minha verdadeira concepção de vida (vai que cola...)
5ª desculpa: podia dizer que ia fazer trabalho escolar (simples, rápido e eficaz, não...?)
6ª desculpa: dizer que vou sair com meus amigos (“sei...”)

Nem idéia de qual eu poderia usar, apesar das número 3, 4 e 5 realmente não darem em lugar nenhum mesmo.


Bem, amanhã penso nisso, e aceito sugestões, alias.


-- Até lá!--

Notas finais
AMANHÃ eu vou no cemitério faço chuva, sol, caia granizo ou os ET's visitem a Terra, estou com um bom pressentimento sobre meu dia de amanhã e tomara que ele se concretize, mas vou ter de esperar para ver...