Diário de uma princesa cristã
34 Um dia inteiro sem Eric... que estranho
Pov. Elise
Todos os cuidados naqueles dias pareciam me sufocar. Houve uma série de exames e consultas quando chegamos a cidade. Meu pai e Carter não queriam me deixar sozinha um segundo. Eu estava feliz, podia sentir o cheiro das pessoas. Há muito tempo eu não dava valor de está cercada de gente, a presença do meu pai, o cuidado dos médicos, dos amigos... Era bom ter tudo isso de volta. Confesso que nos primeiros dias eu não estava sentindo falta de nada daquele lugar, também não tinha tanta lembrança do que tinha acontecido naqueles dias. Bom, para não mentir, eu tinha. Mas, pareciam apagadas, deixadas de lado em minha memória.
Sentada naquelas cadeiras daquele hospital, com a cabeça encostada na parede. Um lençol ia da cintura aos ombros me protegendo do frio, me dando um conforto melhor. Estava tudo pronto para sair daquele hospital e ir pra casa, depois de quase dois dias internada. Meu pai estava pegando o resultado dos meus exames.
Haviam muitas pessoas feridas perto da minha ala, senti vontade de fazer algo, como é comum eu sentir, mas nada eu podia fazer. Minha situação nem eu mesma conhecia.
—Vamos, querida? -Disse meu pai aparecendo na porta.
—Vamos. -Falei ajeitando- me para levantar.
—Venha. Eu te ajudo. -Disse meu pai segurando meu braço.
Levantei- me.
—Obrigada, pai.
Caminhamos até o táxi, e fomos em direção a nossa casa. Eu sentia falta daquelas ruas, naquela cidade minuscula, das pessoas sempre molhadas passeando de esquina a esquina. Nunca pensei em sentir tanta falta.
O resto do dia se passou rápido, meu pai fez o almoço e o levou na cama para mim sem minha permissão.
—Oh, pai. Não precisava. Eu estou melhor. -Falei levantando- me da cama.
—Eu insisto, querida.
Ele pôs a bandeja em meu colo, desviou os olhos e viu a pilha de fotografias em cima da minha cama.
—O que estava fazendo? -Perguntou ele.
—Vendo umas fotos antigas... Da minha mãe inclusive.
Ele assentiu pegando algumas para ver.
—Querida, Carter me pediu para dizer que sentia muito não ter te acompanhado do hospital para casa. Ele precisava trabalhar.
—Ah... -Resmunguei.
Carter! Eu estava esquecida de Carter.
—Tudo bem, pai.
—Se sente bem mesmo?
—Claro. Meio fraca ainda, mas estou me recuperando.
—Entendo. -Falou. -Vou sair, te deixar um pouco sozinha. Deixe a bandeja do lado da cama.
—Certo. -Assenti.
Terminei de comer e fiz o que ele havia me pedido. Deitei- me sobre a pilha de fotos, e me perdi naquelas lembranças. Lembranças da minha mãe, da escola... Da instituição! Quanta saudade.
Adormeci durante duas horas na minha cama gostosa. Tomei um banho após o meu sono e vesti uma roupa leve.
Arrumei as fotografias e as guardei numa caixa. Fui até a janela e a fechei pelo vento frio que saia estava me resfriando.
Uma batida na porta me assustou.
—Posso entrar? -Disse Carter colocando a cabeça numa brecha da porta.
—Já entrou... -Falei sorrindo.
Ele riu e veio abraçar- me. Abraçou- me tão forte como se fosse a principal coisa do seu mundo. Então finalmente soltou- me.
—Senti sua falta. -Falou olhando em meus olhos.
Sorri.
—Como você está? -Perguntei.
—Estava preocupado. Agora vejo que está bem, me sinto melhor.
Caminhei de vagar em direção a cama e sentei- me.
—Pensei que ia morrer ali.
—Deve ter sido assustador.
—Muito.
—Fiquei assustado, quando vi todo aquele sangue pensei que tivesse sido com você.
Sangue...?
—Você chorando... Aquela cena toda ainda está na minha cabeça.
Eu estava chorando... Por que eu estava chorando?
—Acho que Eric cuidou direito de você.
ERIC! Ah meu Deus, Eric! Como ele estava? Como eu pude não lembrar?
—Carter!
—O que foi? Está sentindo algo?
—Carter, como está Eric? -Perguntei preocupada.
—Não tenho noticias dele.
—Carter! Como não?! Ele pode está muito mal.
—Calma, Elise. Ele não está muito mal. Eu lembro que falei com a mãe dele. A situação dele não é grave.
—Preciso ir la.
—Hoje não. -Falou ele segurando meu braço. -Você está cansada Elise. Hoje não, por favor.
—Preciso saber como Eric está.
—Amanhã. Por favor.
Foi difícil para Carter me convencer, mas finalmente me convenceu. Fiquei aquela noite e dormir turbulenta em casa. Pedindo a Deus para Eric está bem de verdade.
Depois do tudo aquilo, o que eu queria era agradecer junto com Eric a Deus por ter sido bom e cuidado de nós.
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