Diário de uma princesa cristã

27 Deixados para trás.


Pov. Eric.

Estava tudo basicamente preparado para nossa volta para casa. Tudo estava arrumado e nós, inclusive eu, estavam prontos e eufóricos para voltar a nossa velha instituição.

–Eric, querido, pode ir buscar as malas que estão no quarto dos fundos? –Pediu uma das organizadoras da nossa viagem e da nossa instituição.

–Sim, senhora.

Dirigi- me imediatamente para o quarto dos fundos, onde me esparavam as lotadas malas para que pudesse leva-las para os carros. Enquanto caminhava em busca, minha atenção estava voltada por todos os lados, porém sem desviar os meus olhos de meu destino, a procura de minha Elise. Mas não consegui acha-la em lugar algum o dia todo. Bom... não que eu passasse o dia inteiro a procura dela, ou de olho em tudo que ela fizesse, Elise não era um vicio para mim, era só alguém que eu gostava muito muito de me dedicar, mesmo não podendo passar cada segundo perto dela, o que era exatamente o que eu queria, mas...

Entrei no quarto, e lá estava Carter, mas alguém que eu não tinha visto o dia todo.

–Oi Eric. Pensei que Elise estivesse perto de você. Ela não está?

–Elise não está com você?

–Definitivamente não, estou à procura dela.

Meu coração pareceu- se agitar dentro de mim com a ideia que talvez Elise estivesse perdida daquele lugar.

Endureci- me rapidamente sem cogitação, pareceu que todo o meu corpo se rebelava contra aquela ideia.

–Vou procura-la também.

–Não. Você precisa arrumar as malas, deixe que eu a procuro.

Relaxei- me por um momento. Eu confiava na minha Elise nas mãos e nos cuidados de Carter. Ele nunca tinha feito nada para prejudicar ou decepcionar quem quer que seja, e nesse ponto eu gostava dele, e ele era exatamente pessoa que eu queria que Elise ficasse se eu não existisse na vida dela. Ele a amava de verdade, e eu sabia que ele cuidaria dela tão bem quanto eu cuidaria se ela fosse minha algum dia, mas ela sendo dele hoje isso apesar de me magoar todos os dias, eu me sentia feliz e confortável pelo fato dela está em boas mãos, e por mais que eu soubesse que as chances de um dia Elise ser minha eram mínimas, ela precisava de alguém que cuidasse dela e eu precisa dormir com a certeza de que esse alguém existisse e que algum dia estaria perto dela, nesse caso, nem precisei ter o trabalho de procurar, Carter estava lá.

Depois que Carter se retirou, joguei as malas no chão e fui revistar uma por uma para ter a certeza de que não estávamos esquecendo nada. Roupa por roupa, dobradas e seguras dentro daquele revestimento, fui nesse ritmo até uma voz suave se arrastar por trás de mim.

–Eric?

Virei- me, mas não precisava, eu conhecia a voz de Elise em todo lugar, a qualquer momento.

–Oi. –Quase sussurrei.

–Quer ajuda?

–Não precisa. Carter está te procurando. Está preocupado.

–Imagino. Bom, depois eu o encontro no carro.

Virei- me de volta para as malas voltando a arrumá-las. Ela se achegou e sentou- se ao meu lado e me ajudando a arrumar coisa por coisa como eu não tinha esperado.

–Quer castanha? –Perguntou- me ela.

Estendi a mão e ela colocou algumas em minha mão e eu coloquei imediatamente em minha boca.

–Estão ótimas. –Falei de boca cheia. Nada atrativo perto da menina que você gosta.

Ela ri. Eu não havia ficado tão confiante se não soubesse o quanto Elise era humilde.

–Nem acredito que verei meu pai hoje ainda! –Disse ela entusiasmada. –Eric. –Disse ela após uma pausa. –Não vi você ansioso em voltar a ver sua família. Por quê?

–Talvez se tivesse passado mais tempo comigo.

–Eric... –Reclamou ela.

–Tudo bem. Tudo bem. –Fiz uma pausa. –Eu não me dou... muito bem, com minha família. Só isso.

–Só isso? Eric isso é importante demais!

–Desculpe. Só disse a verdade.

E era verdade! A única coisa que mais me importavam na vida era Deus (o que não fazia muito tempo), os sobreviventes e Elise. Não conseguia perdoar minha família pela ausência ainda, mesmo sabendo que estava completamente errado.

Ela suspirou.

–Desculpe também. –Disse ela. –Você mudou muito Eric e eu te agradeço muito.

–Pelo que?

–Por não me xingar mais, não brigar comigo...

–Pare, pare! –Falei.

–O que foi?

Deixei o meu olhar perdido entre aquelas roupas, mas longe da situação.

–Não consigo me perdoar pelo que fiz com você Elise. Te amando hoje como te amo, não me perdoou ainda. Me desculpe.

–Eric...

Ela põe a mão no meu ombro e me abraça.

–Eu te perdoou. Não é disso que estou falando. Quero dizer que da mesma forma que perdoou você tem que perdoar a sua família.

–Eu sei. Eu entendo Elise. Mas não consigo. E sabe... não é que eu não os perdoe, porque amo cada um, de certa forma. É que não consigo me achegar a eles e voltar a me comportar como se estivesse em família sabe?

–Sei. –Sussurra ela. –Vou orar por você.

Assenti.

A casa se silencia e nós nem percebemos distraídos em nossas conversas e não quero sair dali. Não quero deixar aquele momento com Elise, mas as malas já estão prontas e tenho que ir.

–Pode ir pedir para alguém vir me ajudar a carrega-las? –Peço a ela.

–Claro. –Diz ela, levanta- se e sai.

Fico pensando em nossas conversas e em seu rosto, isso me arranca um meio sorriso espontâneo. Ela não tinha ideia do quanto era especial. E quando aquelas aulas voltassem eu estava disposto a defende-la na escola, na frente de quem aparece, protege-la de tudo que eu nunca a protegi. Mudar definitivamente.

–Eric, Eric! –Voltou ela gritando.

–O que foi? –Me levantei imediatamente temendo que ela houvesse se machucado.

–Eles já foram!

–Quem?!

–Todos! Todos já foram, estamos sós.

Meus olhos quase pulam para fora do globo ocular. O que ela estava tentando dizer, apesar de eu já ter entendido tudo, não queria aceitar o fato de termos sido deixados para trás.

Sai dos quarto imediatamente, fui para fora da casa a procura de um se quer, mas todas as portas e janelas estavam trancadas, e agora, como ficaríamos sozinhos ali e definitivamente deixados para trás... esquecidos.