Diário de uma paranormal

1 Coisas que perdemos no fogo


Notas iniciais
Ainda o diário ainda não chegou a mão de Katherine. O titulo será explicado no futuro.

Porque as pessoas insistiam em esquecer os objetos em casa quando eu estou com pressa? Quando mais cedo nós fossemos a padaria comprar o que a minha mãe queria, mais cedo nós íamos nos livrar da tarefa e poder sair logo. Era sexta feira a noite e ninguém merece ficar preso em casa. Me perguntei o motivo de tanta demora.

Entrei em casa procurando por Becky e Amber, minhas melhores amigas, que recentemente haviam se mudado para a minha casa. Eu sei, estranho. Mas acontece que o prédio que elas moravam – que era o mesmo – inexplicavelmente queimou como papel a alguns meses atrás. E meus pais como são ótimas pessoas ofereceram um lugar para eles ficarem, o que foi no mínimo esquisito já que eles mal se conheciam, mas enfim o que importa era aqui em casa era grande o bastante para hospedar dois casais. E as pestes das minhas amigas estão dormindo no meu quarto.

Na sala, os pais das minhas amigas e o meu estavam assistindo algum jogo de futebol que passava na televisão. A mãe de Becky, também presente, fitava o teto descansando a cabeça no ombro do marido. Provavelmente a partida não estava tão interessante, já que estava no segundo tempo e nada de gol para nenhum dos times. Meu pai ficou nervoso como os times jogavam mal, ele disse algo como “ parece que estou vendo um campeonato de bairro” , concordei mesmo só tendo visto alguns lances do jogo, foi o suficiente.

Reparei Becky na porta da cozinha, esperando Amber para sair. Perguntei a garota se iria demorar muito a conversa entre Amber e a minha mãe, com o meu jeito impaciente de ser.

–Acho que não. – ela repondeu alisando seu cabelo escuro, alguns tons mais claro que a de sua pele.

Se conheço bem a minha mãe iria demorar uma eternidade.

–Pensei que tinha fechado a porta. – pensei distraída enquanto a fechava. Não era tão impossível que eu houvesse esquecido.

Segui para a cozinha para beber agua. O verão não dava folga nem a noite, estava tão quente que nem o dia. Pelo menos de dia ainda dava para se refrescar indo na piscina ou ficando no lado de fora de casa. Mas ultimamente a região estava muito violenta, cheias de crimes , e as pessoas se recolhiam mais cedo para os seus lares fazendo que as ruas ficassem desertas quando escurecia. Minha mãe me deixava sair menos.

–Você ainda quer o pão? – perguntei cutucando a minha mãezinha querida.

Ela pareceu lembrar do por quê ainda não havíamos jantado, pediu um minuto, e voltou a falar.

Suspirei, apertei minha barriga dramaticamente e cambaleei tentando encenar uma Katherine morrendo de fome. Becky riu e indagou se eu estava tentando segurar alguma diarreia ou algo assim. Logo depois voltou a digitar em seu celular. Passei por ela e senti uma brisa vindo do lugar onde deveria ser a saída. A bendita passagem estava aberta. De novo. Olhei para Becky que era a única que estava mais “próxima” daqui. Fechei a porta novamente.

–Cara, isso não é legal – falei a ela e a morena me encarou com cara de paisagem.

–Que foi, Katherine?

Rolei os olhos, não vou perder tempo com isso. Eu odiava essa brincadeira. Meu Deus, esse calor me deixava estressada.

Amber terminava a conversa com a minha mãe. Fui buscar um elástico para prender o cabelo, o meu cabelo era longo, chegava quase a cintura e também era volumoso, o que não ajudava a minha situação no momento. Fiquei surpresa por não estar com um — dos meus milhares de elásticos – preso no pulso. Quando cheguei na entrada do corredor da minha casa que levava aos quartos – e escritório – lembrei que havia um no bolso do short que eu usava.

Girei meu corpo, felizinha, para a sala e senti um clima bem pesado.

Amber e Becky recuavam para a escuridão do corredor. Seus rostos estava apavorados, tanto quanto dos nossos pais – quando olhei para eles procurando orientação. Os adultos da casa estavam paralisados. Várias respirações interrompidas pela metade. Também não piscavam e o único som do lugar era o locutor narrando os melhores momentos do jogo assistido. Havia outra coisa. O som de asas batendo. Que vinha na direção de onde todos encaravam.

Não fazia ideia o que fariam os ficar assim. Nunca mostraram esse lado deles e isso que me deixava nervosa sem mesmo seguir a sombra que formava não muito longe da saída. Levantei o olhar me recordando do que fazia quando criança quando tinha medo. Encare, não é tão ruim quanto você imagina.

O cheiro de mofo era notável, ele vinha de um sobretudo antigo e amassado. Quem o vestia era um homem que eu não posso exatamente informar a idade dele, já parecia aquelas pessoas que tem a mesma cara a vida toda. Provavelmente velho já que o seu cabelo loiro-claro se misturava com mechas grisalhas, não era nenhuma ameaça. Eu não conseguia entender o pânico.

Amber tropeçou em mim, voltando a realidade. A loira me arrastou pelo pulso até a escuridão.

–Ele não pode nos ferir agora. Vá, Katherine e se tranque. – ela mandou.

Algo lá fora se quebrou, me fazendo tremer, a Becky também. Fomos apressadas pela garota.

–Mas e os nossos pais? – perguntei relutante.

–Eles vão ficar bem. Vou pedir ajuda. – Amber disse levantando o celular vermelho e cinza de Becky.

Um som metálico da mesa se chocando contra a parede ecoou com um gemido de dor conhecido, fazendo dessa vez Amber tremer. Logo depois mais vidro se quebrando.

Rebecca mergulhou cada vez mais nas sombras, correndo. Amber foi junto, como se tivessem ensaiadas. Fiquei sozinha na meia-luz, os sons horríveis me perseguindo. Então resolvi não pensar, só correr como uma garotinha assustada, como eu sempre fazia.

Me joguei contra a primeira entrada parcialmente aberta, era um banheiro. Me encolhi junto com a bagunça do lugar. Era bem estreito me tentando a escutar o que acontecia no lado de fora. Encostei a orelha junto a....

Passos apressados no lado de fora passaram direto do banheiro. Depois voltaram. E parou na frente do cômodo, arfando um pouco. Longos segundos passaram e percebi que o ruído vinha de mim mesma. Torci para o que estivesse lá fora não tivesse escutado. Senti uma atração a espiar na fechadura que estava sem chave. Um minuto...

A porta abriu rapidamente e só tive tempo de desviar. Era Becky e Amber.

– Querem me matar de susto?

Elas não responderam, tensas. Me puxaram até a sala, se arrastando junto a parede seguindo para a saída dos fundos.

Eu estava enjoada com o cheiro forte de ferro. O sangue dava também a tonalidade dos borrões que conseguia enxergar através das lagrimas. E ele. Os estranho com cabelos brancos. Também conseguia enxerga-lo. Matando cada um dos nossos pais.

As duas que estavam a minha frente estavam de olhos baixos, de Becky escorria agua pelas bochechas e Amber permanecia centrada sem nem mesmo piscar.

–Por aqui. – Becky abriu espaço, limpando a bochecha antes que percebêssemos.

–Vamos voltar! – sussurrei

–É tarde demais. Não temos como ajudar eles. — Amber respondeu controlada até demais, não sei como ela conseguia.

–Acredite no que eles planejaram. Os nossos pais. Rápido, saia. — Amber comandou e começou a me arrastar.

Nesse momento não tinha vontade própria e nem consegui me mexer sozinha. Muito menos raciocinar.

Quem planejaria o pior para nós?

Notas finais
Comentem eu quero saber que alguém lê para eu postar o próximo capitulo