Diário de uma bugada

8 Capítulo 8 - Sou surpreendida


–O que ele queria com você? Ele te machucou? –Pergunta Andrew que me levanta.

–Não, ele só me ajudou. –Vejo o ombro de Andrew sangrando. –Seu ombro...

–Ainda bem. Não se preocupe com meu ombro, vai ficar bem. –Ele me ajuda a sair do quarto.

–Cloe? Cadê a Cloe? –Olho para trás.

–Cloe e Sally estão ajudando Josh e Vanp. Eles se machucaram um pouco. –Explica Andrew.

–Foi grave?

–Não, só uns arranhões, eles já aguentaram coisa pior.

Eu fui para outro quarto, um que não tinha sangue e nem cadáver sem cabeça. Fiquei nesse quarto por três semanas. Só podia levantar para ir à fisioterapia e ao banheiro. Já estava me sentindo muito melhor, conseguia ficar em pé sem que minhas pernas tremessem.

Alguém abre a porta. Era a Cloe e a Vanp.

–Tenho uma boa. –Fala Cloe. –E uma talvez má noticia. –Completa Vanp.

–Fala a “talvez má” primeiro.

–Você já pode começar o treinamento. –Fala Vanp.

–Isso é bom! –Sorrio

–Bom ate começar. –Cloe ri. –A boa noticia é que esta de alta.

–Ainda bem! A comida daqui é horrível. –Faço cara de nojo.

–Hoje depois do almoço vamos iniciar o treinamento. –Fala Vanp que estende a mão para me ajudar a levantar.

–Então vai tomar banho e tirar esse cheiro de hospital. –Cloe me entrega uma mochila com roupas e produtos de higiene pessoal.

–Ta bom! –Corro para o banheiro.

***

Chego ao refeitório. Pego uma bandeja com um prato de macarrão, pudim e suco. Todos estão conversando, olho em volta, Sally e Josh acenam vou em direção a eles. Tem um garoto que não conheço sentado ao lado de Sally, ele é alto, em forma, um pouco forte, cabelo curto e negro... Ele a beija!

–Oi! –Olho para Andrew.

–Ate que enfim saiu daquele lugar. –Josh fala com a boca cheia de comida.

–Ate que enfim vou comer algo bom. –Solto uma risada.

–Amy esse é o Ryan Gracie, meu amigo. –Sally ri.

–Muito prazer! –Aperto a mão de Ryan e me sento.

–Esta preparada? –Pergunta Andrew olhando para a comida.

–Sempre estou!

– Serei seu instrutor.

–Serio? Vai me ensinar a usar o que? –Solto o garfo e encaro-o.

–A usar uma arma! –Ele me encara.

–Ah! Que bom!

–Eu vou te ensinar a lutar. Você parece ser bem frágil. –Comenta Josh.

–E vocês Vanp, Cloe e Sally o que vão me ensinar? –Olha uma por uma.

–Computadores! – Vanp bate na mesa com empolgação.

–Que maneiro!

–Eu vou te ensinar a usar armas brancas: facas, canivetes, adagas, arco e flecha. E também a se defender dessas armas. –Explica Sally.

–Eu vou te ensinar os primeiros socorros. Sei que parece chato, mas é muito útil. –Cloe sorri.

Todos se calam e continuam comendo. Depois de um tempo Sally e Ryan terminam e se levantam.

–Amy, vamos correr depois do almoço? –Pergunta Josh.

–Pode ser!

–Eu também vou. Tem um tempo que não corro. –Fala Vanp.

–Agora você quer ir? Sempre me deixa sozinho, mas tudo bem. –Comenta Josh.

–Eu adoraria ir, só que preciso resolver umas coisas. –Fala Cloe. –Amanhã começamos cedo, te encontro às oito horas no hospital.

–Oito horas? –Me jogo na mesa.

–Sim! Depois você terá muito que fazer. – Fala Cloe.

–Tá!

***

Vou ate o dormitório e pego uma roupa de ginástica. Vanp colocou um short e fez um coque. Josh bate na porta.

–Estão vestidas? –Josh entra de olho fechados.

–Sim! –Respondemos juntas.

–Vamos logo!

Passamos pela praça, pelo Ponto (o maior edifício de todos, ele fica no meio da cidade), por uma feira, por um parque e por final por um bosque.

–Como conseguiu essa cicatriz no ombro? –Pergunto ao Josh.

–Bom, antes de vir morar aqui, morava em no Brooklyn e brigava sempre na rua. Em uma dessas brigas o cara estava armado com uma faca, quando me distrai ele enfiou a faca aqui. — Explica Josh passando a mão sobre a cicatriz. –E essa aqui... –Ele aponta para uma marca embaixo da sobrancelha direita. – foi um soco.

–Que maneiro cara! –Falo com empolgação. –E você Vanp, onde coseguiu essa? –Aponto para o nariz de Vanp.

–No treinamento. No meu primeiro treinamento.–Ela ri. –Uma garota alta e forte me deu um soco.

–Agora estou bem mais confiante. –Olho para o chão e paro

Josh e Vanp começam a ri.

–Vamos, temos que treinar alguns golpes. –Josh fala ofegante.

Andamos ate a praça.

–Bom, não poderei ir com vocês. –Fala Vanp acenado.

–Ta bom! Ate mais tarde. –Josh acena para Vanp.

–Tchau! –Também aceno.

Entramos no prédio que estava a nossa esquerda e logo pegamos o elevador. Fomos para o ultimo andar. Nele tinha alguns sacos de areia, barras, pesos e um chão macio.

–Me de suas mãos. –Ele as envolveu com atadura. –Agora dê um soco aqui. –Ele segura o saco de areia.

Dou um soco, sinto uma dor que começa em meu punho e vai ate o ombro. Mas não paro de socar.

–Pare! Agora chute.

Não sinto tanta dor. E mais confortável.

–Você tem que usar os cotovelos e os joelhos. –Ele me posiciona. –Tente agora.

Não sinto tanta dor.

–E bem melhor assim. –Comento. –Dói menos!

–Só esta doendo por que seu corpo ainda é fraco. –Explica Josh.

–Eu sei. – Faço uma careta.

Treinamos por uma hora e meia sem parar. Minhas mãos doíam muito e estavam vermelhas. E, eu estava muito cansada.

–Você está bem melhor do que eu quando cheguei aqui. –Cloe entra batendo palma. Josh fica olhando para ela e para mim com cara de pensativo.

–O que você está pensando? –Pergunto para Josh.

–Uma disputa. –Ele coça o queixo. –Para eu ver como você esta.

–Comigo? –Cloe ri e prende o cabelo.

–Exatamente. Para o centro. –Josh aponta para um circulo vermelho.

–Seja boazinha Cloe.

–Não, ela vai lutar como sabe. –Josh cruza os braços.

Nós duas olhamos para ele.

–Posso mata-la. –Comenta Cloe.

–Eu sei. Que ver como ela reage. Ela não é tão fraca quanto parece. –Josh ri.

–Está rindo por que você não vai levar uma surra. –Caminho para o circulo.

–Desculpa Amy. Se eu te machucar é para o seu bem. –Cloe fecha as mãos e as coloca em frente ao rosto.

–Não se preocupe. –Faço o mesmo que ela.

–Estão preparadas? –Grita Josh

–Sim! –Responde Cloe.

–Não. –Grito.

–Comecem!

Eu acerto o primeiro golpe, um chute na lateral do corpo. Mas Cloe logo revida com um soco que acerta meu queixo e caio. Tudo começa a rodar, levanto rapidamente. Acerto outro chute, dessa vez no meio de seu peito. Cloe quase cai, ela é bem forte. Continuamos trocando chutes e socos. Ate que ela acerta o cotovelo no lado direito da minha cabeça e vou ao chão. Minha cabeça dói muito não consigo levantar. Meus olhos estão pesado, minha visão esta escurecendo, só vejo Cloe se ajoelhando ao meu lado e Josh em pé me olhando. Então eu desmaio.

Quando acordo, vejo Andrew, Vanp e Cloe. Meu corpo está muito dolorido.

–Desculpe Amy. Não foi minha intenção. –Cloe me abraça e solto um gemido de dor.

–Está tudo bem. Estou ótima. –Sento na cama.

–Amy, você esta roxa. –Comenta Andrew.

–Faz parte. Como vou aprender a lutar sem me machucar. –Faço uma pausa. –Alias eu devia estar aprendendo a usar uma arma. –Olho para Andrew.

–Hoje não. Você está fraca e machucada. –Andrew apoia sua mão em meu ombro.

Sally entra com uma bolsa de gelo e um copo de água.

–Coloca isso na cabeça. –Me entra a bolsa. –Tome isso. –Ela pega um frasco com comprimidos e me dá o copo. –Isso vai aliviar a dor. Você deverá tomar um a cada três horas.

–Obrigada. –Coloco os comprimidos na boca e engulo. –Ainda acho que alguém deve me ensinar alguma coisa. –Olho para Andrew com um enorme sorriso.

–Vamos antes que eu mude de ideia. –Ele abr a porta.

Abraço ele e dou um beijo em sua bochecha.

***

–Vamos começar com uma pistola. –Ele me entrega a arma. –É a mais leve.

–Ok.

–Antes coloque os óculos e o colete. Não quero acidentes. –Ele colocou o colete em mim.

–Muito menos eu. –Ponho os óculos

–E bem simples você só vai segurar bem afastado do rosto. –Ele demonstra. –E deixe o braço rígido. –Ele atira. –O impacto e bastante forte. Na primeira vez você pode cair ou só se desequilibrar, mas com o tempo pega jeito. –Ele sorri.

–Parece bem fácil. –Ele me posiciona e coloca o protetor auricular em mim. –Pode? –Ele faz que sim. Então respiro fundo, miro bem no meio do alvo e puxo o gatilho. Realmente o impacto é forte, mas consegui segurar.

–Bem no alvo. Você já pegou em uma arma antes?

–Não. Foi sorte de principiante.

–Quer tentar de novo?

–Claro. –Respondo com um grande sorri.

–Pode escolher. –Ele aponta para uma parede com várias armas.

Pego a que está mais embaixo. Ela não é tão pesada;

–Uma G36. Nada mal.

Apoio ela no ombro, respiro fundo e puxo o gatilho. O impacte é mais forte que o da outra, me desequilibro e quase caio. Andrew é rápido e me segura.

–Obrigada! –O rosto dele está tão perto que poderia beija-lo

–De nada. –Ele chega mais perto.

Os olhos dele são tão lindos. Ele me olha por uns segundos. Eu chego mais perto. Nossos narizes se encostam e depois nossas bocas.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.