Diário de uma bugada

7 Capítulo 7 - Começo a entender


Estou caída no chão do carro, o mundo move lentamente e mudo a única coisa que escuto é um zumbido. Todos me olham. Eu tento levantar, logo perco o equilíbrio e caio nos braços de Josh. Sento-me. Já posso escutar.

–Amy! Você está bem? — Vanp segura o meu rosto e me encarra.

–M-Mais ou menos. Não consigo ouvir escutar direito.-Falei um pouco confusa olhando para o teto.

–Consequências de jogar uma granada. -Andrew sentou e cruzou os braços.

–O que foi muito emocionante. Faria de novo, porém mudaria a parte que -Josh faz uma pausa. — Eu jogaria a granada!

–Foi a única saída que encontrei. — Falei ofegante.

–Realmente foi a melhor e mais rápida saída. Só precisa de algumas técnicas se não, vai acabar surda.- Vanp senta e ajeita a roupa.

–Eu não me importo em ensinar o que sei. -O motorista me olhou através do retrovisor.-Sou Adam Lerman, muito prazer!

–O-obrigada! Adoraria aprender coisas do gênero. Eu sou Amy Barker.

Ficamos dentro do carro cerca de três horas, em uma estrada que só vi passar dois carros. Depois de um tempo paramos num posto.

–Boa tarde senhor! No que posso ajudar? — Um sujeito esquisito com sotaque caipira se apoiou no carro.

–Só queremos saber onde é o banheiro. -Adam apoia a mão na arma que está em sua cintura.

–Ali ó! -Ele aponta para uma cabine. -Só tem aquele.

–Obrigado. -Adam acelera o carro e para em frente a cabine.

–Será que tem vaso sanitário? -Josh abre a porta do carro e desce.

–Acho que não. Deve ter só um buraco no chão. -Andrew caminha e para em frente a porta da cabine.

–Eu não vou fazer nada nesse troço! -Sally cruza os braços e encosta a cabeça no banco.

–Vou ficar por aqui mesmo. -Adam apoia os braços cruzados no volante e encosta a cabeça.

–Eu vou! Não estou aguentando, mais um pouco e faço nas calças. -Caminhei com dificuldade ate Andrew e Josh que olhavam lá pra dentro.

–Eu também. Eu acho que ja fiz um pouco. — Vanp ajeita o short e ri.

Quando eu olho pra dentro da cabine, vejo o que já foi uma privada. O lugar fede e está completamente sujo.

–B-Bom, acho que vou ter que me equilibrar. — Vanp entra e fecha a porta.

Encostei na lateral do carro e fiquei observando o céu, pois adorava fazer isso, sempre observava quando acordava, de tarde e principalmente à noite.

–É lindo né!? Sempre me perco olhando pra ele. -Andrew encosta no carro e olha para cima.

–Sim. É perfeito. Não canso de olhar para essa imensidão azul. -Olho disfarçadamente para Andrew que abre um sorriso para o céu.

Ficamos um tempo ali, parados, olhando para a imensidão azul. Acabo caindo nos pensamentos e lembro da época que fazia isso com meu pai. Meus olhos enchem de lágrimas.

–Vanp! Está fazendo o que ai? — Josh bate na porta repetidamente.

–Cara, está muito difícil. É muito nojento. -Vanp grita com raiva.

–Eu quero ir também. -Grito andando em direção a cabine.

–Pronto...- Vanp vê Josh abrindo as calças. -Tá de sacanagem né! — Ela vira o rosto fazendo um careta de nojo.

–Vou tentar agora. -Fecho a porta.

–Boa sorte! Gritou Vanp.

Entramos no carro e viajamos por mais uma hora. Durante todo o percusso Andrew me olhou, quando nossos olhares se encontravam escapava um sorriso tímido.

***

No final da tarde chegamos em outra cidade bem parecida com a que foi atacada, só que menor. As pessoas que vivem aqui são bastante receptivas. Assim que adentramos a cidade vieram saber como estávamos, se precisamos de algo. E nos levaram para o hospital. Sim, tive que passa a noite lá, deixaram-me de repouso por causa do ouvido e por causa da fraqueza nas pernas (não estou nem cinquenta porcento curada).

–Duas pessoas podem passa a noite aqui com ela. -A enfermeira anotava alguma coisa em sua prancheta.

–Eu fico. -Vanp levantou a mão sem hesitar.

–Mas alguém? -Ela parou de escrever, olhou para Andrew e tossiu. Ele se assustou e olhou para o teto um pouco sem jeito.

–E-Eu fico.

–Assinem aqui. -Ela entregou a prancheta e uma caneta. -Os outros só podem ficar mais dez minutos.

–Ta bom. Amanhã eu trago roupas para vocês. -Sally abriu a porta e acenou. -Vamos josh!

–Ate amanhã pessoal. -Josh acena e bate a porta.

A enfermeira entra e me entrega um roupão cinza. Eu tomo banho. Quando saio conectam todos aqueles aparelhos e o soro. Eu acabo caindo no sono.

***

Acordo. Ainda um pouco sonolenta não consigo falar, continuo de olhos fechados e escuto Vanp e Andrew conversando:

–Uma hora ela vai perceber, você não sabe disfarça. — fala Vanelope.

–Vou deixa as coisas acontecerem naturalmente, não quero nada forçado.

Alguém bate na porta e abro os olhos.

–Olha quem resolveu acordar! -Vanp me olha e abre a porta.

–Aqui estão as roupas. Não pude trazer ontem. -Sally coloca as roupas em uma cadeira.

–Como está se sentindo? -Sally senta do meu lado.

–Estou bem. Só essa agulha que me incomoda.

Alguém bate na porta, e uma menina morena, baixa, com um lindo cabelo cacheado e um sorriso delicadamente belo.

–Sally? Esse homem que falar com a Amy. — Ela abre a porta e um senhor alto e velho entra.

–Gente, essa é a Cloe! -Sally passa o abraço no pescoço dela.

–Oi!- Falamos em coro.

–Preciso conversar com Amy Barker. — Ele olha para todos.

–Eu. -Levanto a mão. — Pode falar.

–Sozinhos!

–Ta bom! Já entendemos. -Josh abriu a porta.

–Se precisar estamos aqui no corredor. -Andrew olhou desconfiado para o homem.

–Qualquer coisa é só gritar. -Completou Vanp.

–Vamos! Vamos! -Sally fechou a porta.

–Amy, eu sou Gregory Prior. Eu sei tudo sobre a morte de seu pai.

–Então fala logo!

–Quando ele soube do seu desaparecimento veio aqui para pedir ajuda, e como ele foi um dos melhores que já passou por aqui resolvemos ajudar. Ele viajou meio mundo à sua procura. Só que numa das viagens descobriu o que já estávamos investigando a alguns meses.

–O que? -Interrompi.

–O caso das explosões misteriosas, elas emitem um calor maior que o de bomba comum. Já aconteceram quatro ate agora. Duas na China, uma nos E.U.A e um no Japão. Seu pai foi a vítima no Japão. Mas antes disso acontecer seu pai me contou que quando ele entrou no laboratório, ele viu uns comprimidos bem estranhos de cor alaranjada e forma estrelada. Quem os manuseava usava uma roupa especial.

Quando eu fui nesse lugar, vi uma pessoa ingerir o tal comprimido, o sujeito que ingeriu começou a pegar fogo...

–Pegar fogo?

–Sim. Alguns minutos depois ele explodiu, mas estava numa especie de câmara especial que não evaporava com a explosão. Preciso que vá ate lá e descubra o que estão preparando. -Ele me entregou um caderno. — Você deve tomar muito cuid — Um tiro acertou a cabeça dele. Havia sangue por toda parte. Andrew entro e começou a trocar tiro com alguém que estava no telhado do outro prédio. Escutei Josh e Sally gritando para se abaixarem. Cloe me empurrou para o chão e me abraçou.

–Você está bem?

–Sim. — Cubro os ouvidos, pois ainda estão sensíveis e abaixo a cabeça.