Diário de uma Zumbi ainda viva.
1 Prólogo
Notas iniciais
Se existe uma coisa que eu odeio, essa coisa é chorar. Quando uma pessoa chora ela demonstra fraqueza, e eu odeio parecer fraca.
Me lembro quando fiz o Mini TLC, e não aguentei segurar as minhas lágrimas. Fiquei com tanto ódio de mim que a noite, na hora de dormir, eu me alto-mutilei. Ninguém viu, mas em algumas partes meus braços ficaram em carne viva.
Desde pequena segurei as lágrimas ao assistir filmes tristes, ao ir a funerais, ao apanhar de meu pai.
Pessoas fracas não resistem ao terrível mundo em que vivemos. A fraqueza pode ser demonstrada de vários modos, mas chorar sempre vai ser o principal.
Pessoas fracas são desprezíveis, e eu as odeio.
Eu me odeio.
Não importa quanto imponente eu pareço ser por fora. Por dentro eu não passo de uma garotinha indefesa, depressiva, fraca. Durante o dia eu faço de tudo para parecer forte, construo paredões invisíveis dentro de mim para conter as minhas fraquezas, mas a noite, quando estou sozinha em meu quarto, tudo desaba e as minhas fraquezas transparecem, as lágrimas são inevitáveis e muitas vezes a automultilação é minha "salvação". E quando amanhece, lá estou eu novamente, tentando parecer forte, imponente, e até agora sempre deu certo.
No colégio, eu sou a nerd mais popular. Todos ne conhecem, por minha beleza e pela minha inteligência. Pessoas populares não podem ser fracas, e esse é um dos motivos para eu não chorar. Não importa o quanto eu sofra, nunca vou chorar em frente a outras pessoas, sempre vou conter as lágrimas, e a noite vou libera-las junto a minha dor.
Outra coisa que eu odeio são hospitais. Eu já tive muitas doenças, mas nunca falei a ninguém, pois a única certeza que eu tinha era de que me levariam a um hospital. Hospitais são lugares depressivos, onde pessoas morrem todos os dias.
As vezes a morte parece ser a solução para meus problemas, mas eu sei que não é. Suicídio é apenas mais um modo de mostrar fraqueza.
Se algum dia alguém me ver chorar, ou eu confio nessa pessoa mais do que em mim mesma, ou algo muito grave está acontecendo.
Meus métodos de esconder a fraqueza sempre deram certo. Todos me admiram por aguentar tudo o que ocorre no dia a dia, ser uma ótima aluna e ser popular. E é isso que me mantém nessa rotina de construção e desmoronamento de muros invisíveis, essa admiração que as pessoas tem por mim.
Mas é isso também que está causando minha morte.
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