Diário de uma Judia
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Notas iniciais
1940
21, Januar
Incrível como o instinto emocional de querer ajudar o próximo fala mais alto do que qualquer ato racional. Sim, eu sei, ele era um desconhecido que encontrei amordaçado no meio da floresta. O que eu pensava que estava fazendo?! Mas tudo tem seu preço e você não vai acreditar em quanta dor de cabeça esse indivíduo anda me trazendo.
Na noite em que o salvei, ocorreu tudo bem... Para ele, é claro. Perguntei se ele não queria que eu o ajudasse com os seus ferimentos, mas ele – orgulhoso – falou que estava tudo bem e que só queria descansar um pouco. Coloquei alguns panos no chão, perto da lareira quentinha e ele se deitou neles.
– Vou logo avisando que meus reflexos são muito bons e qualquer ato...
– Fica tranquila, garota judia. – me interrompeu – Você já viu meu estado? Provavelmente eu nunca vá conseguir levantar daqui. – e fechou os olhos.
Claro que eu não fiquei tranquila. Não preguei os olhos nem por um segundo, eu nunca falo com estranhos e ainda mais agora que eu não posso vacilar dessa maneira. Idiota. Não me conformo com meu momento de fraqueza.
A noite arrastou-se lenta e torturantemente: olhei para o teto, sentei na cama, andei de um lado para o outro, sentei na cadeira e fiquei observando-o por horas. Não consegui manter a calma. Já ele dormia feito uma pedra inútil e imóvel, e isso me dava nos nervos.
O ponto alto dessa madrugada fora quando eu olhei para a mesa, logo a minha esquerda, e vi meu rádio, majestoso e silencioso. Resolvi coloca-lo ao meu lado, na cama, ligando-o baixinho. Foi o calmante que eu precisava. Depois de algumas músicas, manter meus olhos abertos parecia uma tarefa impossível e os deixei relaxarem.
Não sei quanto tempo dormi, mas acordei assustada e frustrada por ter deixado o cansaço vencer.
Olhei para o lado imediatamente e lá estava ele, ainda dormindo como uma pedra inútil. Revirei os olhos. Depois de recuperar a consciência, sentei-me à beira da cama e percebi que algo estava diferente.
Muito diferente...
Levantei rapidamente e fui em direção à soleira. Quando abri a porta, um vento frio adentrou a casa sorrateiramente, fazendo com que meu corpo estremecesse.
Saí ansiosamente e quando já estava fora da cabana, ajoelhei-me, pegando um pouco da grossa camada de neve na minha mão.
– E ele finalmente chegou. – sibilei nervosamente.
Tudo estava exageradamente branco – inclusive o céu – não sei a que horas ocorreu essa tempestade, porém, foi intensa, pois a neve cobria tudo o que eu conseguia ver.
Sorri temerosa.
A partir daquele momento, o futuro se tornaria mais perigoso e instável. Eu estava com um desconhecido na minha casa e fora dela havia outro desconhecido que começava a se apresentar gentilmente, entretanto, ambos eram capazes de provocar a desordem no que já não está tão ordenado assim.
Quando entrei, resolvi preparar uma sopa com alguns legumes que ainda tinha. Eu descobri que horas eram quando liguei o rádio e o locutor informou que já eram 2:00 da tarde.
Arregalei os olhos.
– Duas da tarde?! – exclamei surpresa.
Olhei para o lado e ele ainda continuava ressonando. Quer dizer, eu acho que ele continuava dormindo...
Me aproximei para observá-lo melhor.
E só aí fui perceber algo que sempre esteve diante dos meus olhos e eu ignorei esse tempo todo.
Como eu pude ignorar?
Ele reclamava de dores quando andava e agora sei o porquê. Minha boca foi formando um O de surpresa quando avistei que a perna direita encharcara a calça de sangue.
Eu precisava acorda-lo.
– Ei – cutuquei seu braço – Garoto.
– Ei! – gritei.
Dei um fraco soco em seu braço.
Gritei, gritei e gritei e nada adiantou. Olhei para o seu rosto, parecia vermelho demais, tinha pequenos arranhões nas suas bochechas e perto da boca. Estiquei minha mão lentamente até sua testa.
– Merda.
Estava febril. Um segundo depois que o toquei, ele acordou com o uma respiração brusca, fazendo com que eu caísse para trás assustada.
Engraçado, só falto esmurra-lo e ele não acorda, agora só faço tocá-lo e ele simplesmente abre os olhos.
A respiração dele começou a ganhar ritmo acelerado, parecia confuso.
– Ond... Onde estou? – perguntou, olhando de um lado para o outro tentando se situar.
– Na Alemanha – respondi.
Ele sorriu — Garota judia.
Continuei fitando-o séria. Acho que isso o assustou, pois seu sorriso foi morrendo aos poucos.
– Por que está me olhando assim?
– Sua perna. – apontei.
Ele imediatamente levou a mãe até a perna direita, sentindo o sangue que lá se situava. Gemeu de dor.
– Oh, isso não parece algo bom. – comentou com uma careta.
– Não mesmo. Você precisa limpar seus ferimentos, porque se eles infeccionarem...
– Eu sei.
– Bem, eu não posso andar agora, mas eu vi um imenso lago a frente da cabana, tem muita água lá. – sibilou com um sorriso de canto.
– Tudo bem, — entendi a sugestão – eu pego a água. E sobre sua perna?
Ele fez menção de se levantar, grunhiu de dor até conseguir se sentar e foi só o que conseguiu.
– Eu rasgo um pedaço da minha calça para ver como está minha coxa, mas eu meio que vou ficar sem calça.
Balancei negativamente a cabeça – Talvez você não precise tanto da sua perna assim.
Ele soltou um riso – ótimo senso de humor. Hmm... Dói.
Respirei fundo nervosa. Por que tinha que ser logo a perna?
– Você vai ter que me ajudar, eu mal consigo mexer a perna – arqueei as sobrancelhas — Quero que pegue faca afiada que me ameaçou de morte e corte minha calça para que eu possa ver como está minha coxa. Mas, por favor, resista à vontade de me matar.
Não consegui evitar um sorriso maligno.
Eu relutantemente cortei um pedaço da calça dele e quando vimos o ferimento, meu estômago embrulhou, já o dele, não aguentou e acabou vomitando.
– Ei, eu lavei esse chão ontem. – reclamei.
– Desculpa. – ele ficou um pouco pálido depois de vomitar.
O corte era grande e estava bem feio, me deu calafrios só de olhar. Porém, tentei me concentrar, eu já havia abatido animais grandes e visto sangue o suficiente para ter estômago com cenas como está. Puxei um pouco de ar para os pulmões, acalmando meus sentidos.
Aproveitei para ir até o lago, peguei água e depois com um pano comecei a limpar ao redor do corte. Controlando o asco dentro de mim. Ele não conseguia olhar para o ferimento, estava olhando para o outro lado reclamando da dor. Depois que limpei rapidamente, passei um pano ao redor do ferimento para tentar estancar o sangue e outro por cima para evitar a infecção.
– Como faz isso com tanta calma? – questionou, ainda olhando para o lado oposto, um pouco agoniado.
– Já vi coisas piores.
– Uma mulher dinâmica. Muito atraente.
Revirei os olhos. – Idiota – depois de um tempo, perguntei – De 1 a 10, quanto está doendo?
– 7?
– Parece muito calmo para um 7.
– Já ouviu o ditado: homens não choram? – respondeu virando-se para me olhar assim que percebeu que terminei de enrolar o pano.
– Eu preferia se o ditado fosse: Homens não vomitam. – Ele riu – O que acha de sopa? — sugeri.
– Parece ótimo.
Enquanto eu terminava de esquentar a sopa, ele estava deitado de barriga pra cima, em silêncio.
– Aaron. – o ouvi murmurar.
Logo tratei de responder – O meu é...
– Rachel. – completou antes de mim – Eu sei. Você é famosa por aqui.
Suspirei sem surpresa — De onde você veio?
– Eu moro aqui, sempre morei. Só que, devido a alguns acontecimentos, tive que me afastar da cidade. Entretanto, estou de volta.
– Má ideia – murmurei.
– Má ideia – repetiu com um pequeno sorriso acompanhado de um gemido. – essa coisa tá doendo.
– Você parecia febril quando toquei sua testa.
Ele se sentou com dificuldade novamente – Sério? – nesse instante ele fez uma expressão estranha – Você me tocou?
– Idiota.
Ele riu.
Porém, alguma coisa fez seu sorriso desaparecer.
Não demorou muito e, repentinamente, ele caiu de costas no chão. Seus olhos pareciam querer fechar. Ele parecia zonzo e estava ficando vermelho outra vez.
– Ei, o que está havendo? O que você está sentindo? – perguntei me aproximando.
Pus a mão em sua testa novamente e vi que estava realmente quente. Ele com certeza estava mal. Começou a se debater e respirar fortemente com dificuldade.
– Ei, tenta ficar calmo.
– Elza – sussurrou, sua respiração começava a ficar mais irregular – Elza.
– Elza? – indaguei, confusa.
Ele começou a se mexer desorientado e com a respiração pesada. Senti meu coração bater fortemente contra o peito, ele parecia estar em colapso. E eu precisava fazer algo para ajuda-lo antes que o pânico tomasse conta de mim. Levantei e olhei de um lado para o outro procurando alguma ideia.
Eu não sou médica, não sei o que fazer...
– Elza, – era tudo o que saia da boca dele. – meu corpo queima.
– Seu corpo que... – não terminei a frase...
Queima...
Isso!
Queima!
Uma ideia repentinamente surgiu. Água. Uma vez fiquei muito doente e febril, meu corpo parecia pegar fogo, queimar. Minha mãe pôs alguns panos úmidos em meu corpo e eu melhorei. Foi o que eu fiz. Peguei panos e os molhei. Ele continuava sofrendo e chamando por uma Elza.
Ah, tinha um problema com meu plano de salvar a vida dele: Eu teria de tirar sua camisa.
Faz anos que não falo com um garoto da minha idade e agora mal falei com um e já tenho que despi-lo.
Outro grito soou pela sua gargante.
Droga, não tinha jeito, eu tinha de fazê-lo.
Arranquei sua camisa como pude. Ele tinha ferimentos pelo peito também. Tive que perder anos de timidez naquela cena.
Apertei os olhos, respirei fundo e peguei os panos, passando-os pelo seu corpo enquanto ele reclamava das dores.
Não sei quanto tempo fiquei tentando diminuir a temperatura de seu corpo, mas, no final das contas, consegui fazer com que a temperatura do corpo dele diminuísse gradativamente. Respirei aliviada quando ele finalmente se acalmou e pareceu dormir.
Ele precisava de medicamentos — urgentemente — senão poderia morrer a qualquer momento. Essa crise provavelmente fora um aviso de que os ferimentos precisavam de cuidados reais.
Passei o restante do dia em alerta, pronta para qualquer coisa. Todavia, nada ocorreu, ele pareceu dormir o restante da tarde, estava bem fraco e eu sou a pior cuidadora que ele poderia pedir. Mal consigo cuidar de mim mesma.
A noite estava se aproximando e o frio aumentava proporcionalmente. Coloquei algumas lenhas e acendi a lareira. Depois, fui sentar na varanda, com roupas grossas. Enquanto bebia um chocolate quente, meu rádio estava ligado ao meu lado.
Logo, uma canção soou chamando minha atenção. Eu reconheci a música no instante que a primeira nota soou.
– Quando penso no meu lar
Penso num lugar onde o amor brota
Queria estar em casa
Queria voltar para lá com as coisa que tenho aprendido
Minha mãe cantava essa canção para mim toda vez que eu acordava no meio da noite com pesadelos.
E as lágrimas escorrem pelo seu rosto
Quando você perde algo que não pode substituir
Quando você ama alguém, mas isso se desperdiça
Poderia ser pior?
Sorri comigo ao me lembrar das noites ruins que se transformavam em noites de belas canções.
O vento que faz as árvores mais altas se curvarem a ele
De repente os flocos de neve que caem tem significado
Se espalhando pelo cenário deixando tudo limpo
Sempre sento na varanda quando quero me lembrar de casa e de como as coisas costumavam ser fáceis. Eu adorava o meu jardim, por exemplo. Sim, eu tinha um jardim. Ganhei de presente de aniversário. Ficava ao lado do jardim principal. Só que com uma diferença: nele, só tinha o que eu queria que tivesse.
Talvez haja uma chance de voltar
Agora que tenho uma direção
Seria muito bom voltar pra casa
Onde há amor e afeição
As rosas, orquídeas e margaridas coloriam delicadamente o local, e as árvores eram meticulosamente perfeitas, o caminho de pedras e o pequeno lago com peixes ornamentais. Tudo escolhido por mim.
E talvez eu convença o tempo a ir mais devagar
Dando-me tempo suficiente para amadurecer
Tempo, seja meu amigo
Fechei os olhos e me imaginei lá, no meu jardim, na minha pequena paz. Cantei delicadamente cada palavra da canção.
De repente meu mundo está se transformando
Mas ainda sei para onde vou
A minha mente está confusa
E isso já foi pior
Ela me acalmava sempre que tocava.
Se estiver me ouvindo, Deus
Por favor, não torne difícil
Para sabermos se devemos acreditar no que vemos
Diga-nos se devemos fugir
Ficar e tentar
Ou seria melhor deixar as coisas acontecerem
Um gemido vindo lá de dentro interrompeu minha meditação. Levantei um pouco sobressaltada.
Espero que não seja outra crise.
– Preciso de água. – pediu quase sem voz.
– Você consegue sentar?
O ajudei a sentar-se no chão e ele bebeu água desesperadamente. Sentei ao seu lado.
– Como se sente?
Ele descobriu a perna e vi o pano já totalmente ensanguentado. Ele virou o rosto, como sempre.
– Com um pouco de dor e tonto. Como está isso?
– Tá melhor do que eu imaginava – menti.
Ele cobriu novamente a perna.
– Quase acreditei – sibilou com um meio sorriso
Ficamos parados olhando para lugares distantes, sem dizer nada. Só que não contive minha curiosidade.
– Quem é Elza? – virei meu rosto para olhá-lo.
Ele levantou uma sobrancelha – Esse nome saiu da minha boca?
– Várias vezes.
Ele sorriu tristonho – Ela é minha amig... – ele não terminou a frase, pois pareceu lembrar-se de algo repentinamente.
– O que foi?
– A Elza! – e deu uma gargalhada – Ela pode ajudar!
– Espero que você não esteja tendo outra crise alucinógena.
Ele riu mais ainda.
– To ficando com medo de você. – me afastei.
– Rachel, — era estranho vê-lo falar meu nome – eu falo sério. A Elza pode ajudar, você só precisa falar com el...
– Eu não vou falar com ninguém – o interrompi séria.
Seu sorriso morreu – Mas você tem que falar, assim ela pod...
– Não! – nem o deixei terminar a frase novamente – Isso não vai acontecer! – e saí.
O que ele pensa? Que eu vou sair por aí falando com as pessoas como se isso fosse a coisa mais natural do mundo? Idiota.
– Tudo bem, garota judia. Melhor eu ficar aqui e morrer lentamente no chão da sua cabana.
Ah, mas não vai mesmo. O Klaus poderia me ajudar... Droga, ele foi para Berlim e só volta na próxima semana.
Entrei na cabana novamente e comecei a andar de um lado para o outro. Ele descobriu a perna só para que eu olhasse o ferimento de novo.
Arfei – seu idiota.
– Quando voltei para a cidade, foi a primeira pessoa que procurei – tentei ignorar o que ele dizia – sabia que ela poderia me denunciar, mesmo assim tentei. Não me decepcionei, ela não hesitou em estender a mão para mim.
– Muito romântico – disse ironicamente.
Ele passou a mão pelos cabelos, tentando se acalmar – Eu estou há um mês no galpão abandonado perto da ferrovia. Ela vai me ver todos os di...
– Ah, poupe-me dos detalhes sórdidos.
– Todos os dias – ignorou meu comentário – Ou melhor, todas as noites. – e olhou para fora, onde a escuridão preenchia tudo.
Soltei um riso sem humor, imaginando o que ele pretendia – Onde você quer chegar?
– Se você for lá e falar com ela, tenho certeza de que daria um jeito de ajudar.
Grunhi impaciente — Acho que você esqueceu que eu sou a judia imunda – olhei-o nos olhos.
– Acho que você esqueceu que eu sou o comunista verme – retrucou firme.
Senti um arrepio estranho com aquela firmeza.
– O senhor Gal está atrás de mim fervorosamente. — murmurei vacilante.
– Você é mais esperta que ele.
– E se ela me entregar?
– Não irá. Só precisa dizer meu nome e ela ajudará.
– Você tá colocando minha vida em risco.
– Eu não faria isso se não tivesse certeza absoluta sobre Elza. Devo minha vida a você, Rachel.
Depois dessa última frase, desviei o olhar e fiquei calada. Ele parecia bem convincente. Se eu não fosse, ele morreria no chão da cabana e isso não seria legal. Não o carreguei por horas, quase deslocando meu ombro, para deixa-lo morrer tão facilmente.
– Ela com certeza vai estar lá hoje à noite.
Entretanto, o que me assusta é o fato de ter que me mostrar para outra pessoa. Ando falando com gente de mais. E essa garota desconhecida podia me entregar.
Passei alguns minutos no meu dilema interno.
Voltei meu rosto em direção a ele, estava sério, porém via certo medo em sua expressão.
– Eu não posso morrer ainda. – retornou a falar – Tem alguém que preciso salvar primeiro. Alguém que vale a pena. Não é por mim e sim por esse alguém. – ficamos em silencio nos olhando – Você deve ter alguma pessoa que queira salvar antes de morrer, não tem?
Respirei fundo esfregando os olhos. – Seus motivos são insuficientes.
Olhou diretamente em meus olhos – Se eu sobreviver, posso te ajudar a salvar quem você quer salvar.
Ri incrédula.
– Você não sabe do que estar falando.
– Eu sei exatamente onde o senhor e a senhora Stern estão. Sei como encontra-los.
Nesse instante, senti meu corpo vacilar. Como ele...
– Rachel... Você não tem outra opção. Nós não temos outra opção.
O choque de suas palavras me pegou de jeito. Como ele pode saber sobre os meus pais? Pelo visto, ele me conhece mais do que eu o conheço.
– Te ajudo com seus pais, se me ajudar a salvar minha vida.
Puxei uma grande quantidade de ar para tentar raciocinar melhor.
Ele tem razão. Depois do que ouvi, não podia deixa-lo morrer sem saber o que ele sabia.
– Espero que valha a pena, – afiancei fixando meu olhar no dele — pois sempre há uma faca na minha cintura.
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