Diário de uma Jovem Louca
5 Capítulo quatro- Cale sua boca!
Notas iniciais
Chegamos no cinema. Meus Deuses Gregos, esse lugar está lotado. Quase que não da para se mexer. Credo, eu realmente odeio multidões. São tão desagradáveis, pessoas passam a mão em você, aquele cheiro de todos os perfumes do mundo misturados, pessoas feias olhando para você, pessoas bonitas também, mas falando bem a verdade, você não consegue ver o rosto de ninguém.
Peter e Megan, vão na frente, para comprar os ingressos. Eu pedi para que eles fossem na frente só para não enfrentar a fila da bilheteria. Quando eles voltam, eu, Ju e Yale estamos na fila da pipoca, enquanto Ancy, Luke e Kiki estão esperando na fila da entrada. Que esta cheia, só para variar um pouco.
Entramos a tempo, a sessão não começou ainda então escolhemos a dedo nossos lugares. Sentamos um do lado do outro, mas tem duas cadeiras vazias do meu lado. Provavelmente vai sentar um casalzinho e eu vou segurar vela para quem eu não conheço.
Os trailers começam, e eu pergunto- Que filme vocês escolheram?
–Livrai-nos do mal- diz Ancy, toda empolgada, ela AMA filmes de terror. Eu também confesso que tenho uma quedinha por esse tipo de filme. Quem não pareceu ficar feliz foi Julia, que morre de medo. Peter e Meggy, não vou nem falar nada. E Kiki, estava quase que abraçada com Luke na hora que o filme começou. Já vi tudo!
Alguns minutos depois do filme ter começado, entram quatro garotos. Dois na minha frente e dois do meu lado. Que ótimo! Está tão escuro que não consigo ver se conheço ou não.
Para eu reclamar de conversa, basta eu estar no cinema, e olha a sorte que eu tive, tem uma garota esmagando meu braço de um lado, e quatro garotos rindo sem parar, do outro.
–Que idiota! Nem sabe o que está fazendo! Não é ai seu estupido- diz um deles e solta uma risada ameaçadora. Mas que saco!
–Você poderia ficar quieto, estou tentando assistir o filme.- sussurro alto, muito irritada.
–Ah docinho. Você quer assistir filme? Vá para outra cadeira, pois eu não vou me calar- estupido, quem é ele para me chamar de docinho?
–Eu até iria, se tivesse mais alguma vazia, mas não. Alias, você não vai ficar quieto, por que é filme de terror, se fosse romance ou desenho animado, você ficaria quietinho ai no seu lugar, não é? – peguei pesado? Não. E tem mais- E tem mais, se você não se calar vou chamar o guarda, para te tirar daqui! Olha o respeito! – Ai, essa doeu.
Ele se vira para o filme e fica quieto no seu canto, os outros imitam.
–Muito bem- diz Ju, ainda agarrada, ao meu braço. Acho que ele esta ficando roxo. Não esta mais passando sangue pelas minhas veias.
Eu me viro para o filme, que já esta na metade e assisto como se nada tivesse acontecido.
O filme acaba o pessoal decide sair pelo lado contrario, mas eu não quero dar a volta. Então me levanto e viro para sair da cadeira. Tem uma anta sentada, esparramada na cadeira, acho até que esta dormindo, mas não dá para ver porque não acenderam as luzes ainda. Quando estou passando na frente dessa pessoa folgada. Ow! Tem uma perna minha frente, e eu vou cair de boca no chão se eu não tomar alguma providencia, mas não dá para eu fazer nada. Ai! Ai! Estou bem perto do chão, quando sinto uma mão no meu braço direito, que me puxa e me livra de cair no chão. Quando me viro para ver quem é, as luzes se acendem do nada, quase fiquei cega, e também pela beleza da pessoa que me salvou de perder os dentes. Meu Deus! É o garoto do outro lado da rua!
–Tudo bem?- diz ele. Essa voz não é estranha. Claro que não. Eu o mandei calar a boca, não faz muito tempo. Hahaha. Credo o que há comigo. Ele é um arrogante.
–Tudo! Obrigada- falo grossa, tirando brutalmente meu braço de suas mãos.- Pode deixar. Eu sei andar.
–Nossa! Acho que errei na hora de escolher seu apelido- diz ele, com um sorriso fantasticamente bonito e mortalmente perigoso.
–Você errou quando resolveu vir para o cinema. Então, um erro a mais ou um erro a menos, para você não faz diferença- Falo grosseiramente, me virando de cotas e andando em direção aos meus amigos que já estavam lá em baixo. Meu Deus. Ele além de lindo deve ser galinha. É sempre assim.
–Eu vi, em! Safadinha! — diz Luke, me cutucando e fazendo uma careta. Eu o ignoro.
Eu saio dali olhando para trás toda hora. Com esperança de vê-lo de novo. “Largue de ser ridícula. Ele só te ajudou. E outra, ele é galinha. Você sentiu isso”. Perdi a conta de quantas vezes eu disse isso a mim mesma só hoje. Depois do cine, fomos para uma lanchonete, para uma sorveteria e depois para a praça observar as pessoas. Mas eu ainda estava procurando o garoto. Credo. Como eu sou burra. Ele não vai aparecer por aqui, claro que não. E eu não quero ver esse idiota, metido a galinha. Para que? Para ele jogar cantadas baratas para cima de mim? Fala sério eu prefiro ficar em casa comendo jiló. E olha, eu odeio jiló.
Volto para casa, Peter e Megan foram a pé, queriam “aproveitar o momento”. Que momento? Me diz. Esta bem. Que se dane. Fui abandonada pela minha amiga e pelo meu amigo. Tomo um banho, me arrumo para ir dormir. Ates dou um beijo em minha mãe, e falo um tchau, seco até demais para Ronald, mas como ele achou que eu estava brincando, respondeu na mesma moeda. Vou para meu quarto, pego meu celular com os fone, me deito já ouvindo musica, e começo a pensar no dia de hoje. Em como aquele garoto é lindo, cabelos castanhos, olhos âmbar, um porte até que atlético, um piercing no canto do lábio, pele macia feito pêssego e a cor também é parecida. Nossa realmente um de se tirar o folego. Mas ele é um idiota, e eu não vou me deixar levar por nada. Ou vou?
Fale com o autor