Diário de uma Estranha
2 Dores de cabeça.
Eu ainda sou a estranha de sempre, e parece que Clyde, é o nome do meu mais silencioso alter, o que está comigo a mais tempo, está começando a acordar novamente. Eu achei que precisasse de um psiquiatra, mas parece que médicos não podem ser malucos.
Eu nunca me senti tão humilhada, e nunca esqueci algo assim tão fácil. Desculpe não ter escrito antes, eu realmente não vou escrever sempre, mas dessa vez eu não tive tempo 'pra escrever e essa é a primeira vez que eu encosto nesse diário. Eu fiquei essa semana de carnaval, ah carnaval, sou como a metade do Brasil que não odeia, mas como a outra parte que não ama, contanto que não me arrastem 'pra rua eu nem vou ligar. Voltando, eu fiquei longe da cidade essa semana, eu fui com a minha avó 'pra um resto de mundo que eu simplesmente adorei, é incrível não ter que se preocupar com nada, apenas em arrancar mato/erva-daninha e terra do chão e pegar o máximo possível de acerolas nas árvores. Eu devia ir mais vezes lá aquilo me acalmou muito, mas você sabe eu só escrevo aqui quando algo estranho acontece. Primeiro, as pessoas do MD agora acham que eu sou lésbica, eu realmente não ligo 'pra isso e talvez nunca vá muito, não tenho nada contra gays, lésbicas, bis e etc. Mas eu ainda não sei nem ao menos o que vestir, muito menos o que eu gosto, então não faço a mínima ideia do que me atraí direito.
Enfim, hoje eu acabei envergonhada, não, não envergonhada eu acho que já me humilhei tanto que acabei perdendo o senso de ridículo. Aprendi isso com um amigo meu, acabei perdendo a vergonha de muitas coisas. Eu corri até um garoto com uma blusa laranja, acontece que minha amiga que tem o mesmo nome que eu, mas não sou eu, viu essa criatura e mostrou ele. Por que?! Na minha concepção ela queria que eu fosse falar com ele, e eu retardada, sem vergonha e moldável como sou, fui lá, mas eu estava de patins e isso foi ridículo. Acho que se ele estivesse sozinho teria sido menos vergonhoso, mas eu tinha que pagar de sinistra e acelerei as rodas, quando eu cheguei nele, segurei os braços do garoto e bam! A roda da frente, justo a roda da frente me fez escorregar e bater de cara no chão bem nos pés dele! A falta de vergonha não me fez sentir nada, mas os amigos dele saíram rindo de mim. Sem nem mesmo esconder, eu sou uma pessoa rancorosa e quis matar todos eles. Pelo menos o garoto foi educado, tentou me ajudar a levantar e segurou o riso. Foi rídiculo... Mas eu não me machuquei, na verdade nem doeu, de verdade.
Mentira, acontece que isso doeu um pouco, só um arranhão no cotovelo, minha vergonha deve estar embaixo do meu pé agora. Mas eu sou uma pessoa moldável e descobri isso quando fui ao cinema com uma amiga minha, vou repassar tudo o que aconteceu nesses dias. Acontece que na quarta-feira, eu e minha mesma amiga que me fez pagar esse mico hoje, junto com uma outra amiga nossa... Amigos... Fomos ver um filme, depois de irmos no BK, eu não acho graça comer antes de ver o filme então pedimos 'pra viagem, eu fui na frente 'pra comprar os ingressos e elas ficaram esperando os lanches. Na fila eu acabei conhecendo uma garota bem legal, Bianca, ela é uma pessoa moldável assim como eu, vai ser uma amiga perfeita enquanto você quiser que ela seja, por que esse tipo de pessoa presta atenção em tudo, até mesmo nos mínimos detalhes da sua calça jeans desbotada que você adorava usar no ano passado. Enfim, ela foi engraçada e falou comigo até que as garotas chegassem e me tirassem da fila, ela foi "dispensada" automaticamente e logo se sentindo sozinha de novo e voltando ao celular. Pessoas moldáveis não são falsas só pra esclarecer, elas na verdade geralmente são sinceras, mas sempre fazem isso com cuidado para não ofenderem ninguém. É realmente triste ser uma pessoa moldável, por que você quer prender seus amigos pra sempre com você e acaba sendo fiel demais ou voluntária demais. É claro que amigos moldáveis também querem ficar sós de vez em quando, sinceramente eu me senti triste pela Bianca, nós nem mesmo íamos ver o mesmo filme, mas ela tinha um bom gosto por filmes cult's, ou ela simplesmente analisou minhas roupas e a minha cara e viu que aquilo deveria ser eu. Se ela fez isso ela deve ser uma mold perfeita.
Agora o acidente do MC, aquilo foi engraçado, eu ri interiormente e sinceramente eu quis provocar aquelas pessoas. Eu estava com outra amiga minha, pode parecer estranho, mas eu até tenho muitos amigos. Deve ser por causa do moldável. Desculpe se eu fujo muito dos assuntos.
Eu estava com fome, e com vontade de beber refrigerante. Acho que não preciso esconder o nome dessa minha amiga, Luana. O MC fica bem perto da casa da Luana, então foi nossa primeira opção, nós estávamos com mais um garoto amigo nosso, bem mais dela que meu, mas ele é bem simpático. Acontece que a Luana estava com muito sono, e eu só fome, ótimo dois pecados. Ela devia estar ainda meio dormindo por que me agarrou o caminho todo, eu sou baixinha, é triste ficar no meio de pessoas mais altas que você. No MC ela acabou me usando de apoio, ou melhor, cama e me abraçou do nada, havia uma mulher do nosso lado na fila. Ela me olhou, não sei, com uma cara de quem achou graça, mas ao mesmo tempo repulsa, parecia que eu estava me atracando com a Luana bem ali. De início eu me senti um tanto nervosa, mas depois eu tava pouco me fodendo! Nós não estávamos explicitamente sensualizando ali, em meio a um milhão de coisas para ela ter nojo, como por exemplo o hambúrguer que ela iria pedir, ela estava justamente com nojo de mim. Sinceramente eu gosto dos abraços da Luana então não iria me soltar só por causa daquela mulher, eu me senti irritar e acabamos por sair dali e ir no BBS. Meu amigo disse que o caixa era gay só por causa da voz fanha. Pelo menos ali ninguém me encarava estranho, eu prefiro mil vezes aquele BBS a aquele MC.
Sinceramente essas pessoas me deixam na dúvida da minha própria sexualidade, que mundo é esse em que eu vivo, deveria começar a me trancar entre as personalidades perdidas da minha mente. "Diário", espero que em alguns anos eu saiba o que realmente sou.
09(05 e 07)/03/2014 — Fim do dia.
Fale com o autor