Diário de uma Descontente Crônica
2 Mais brigas, mais mistério
Lily voltou bem tarde naquela noite.
Caminhava vagarosamente até seu salão comunal, ignorando a bronca que a Mulher Gorda lhe direcionava enquanto passava pelo buraco do retrato.
— Não vire as costas pra mim, mocinha! A professora McGonagall saberá de seu atra- ...
— Ufa! – suspirou a ruiva, ao largar-se em uma das poltronas em frente à lareira.
— “Ufa!”, nada! – exclamou uma voz masculina ao fundo da sala, obrigando-a olhar para trás – Você tem muito que explicar para nós...
Olhando através das sombras, via-se Dorcas Meadowes e Alice Fortescue com o rosto de porcelana inchado de tanto chorar, Marlene Mckinnon sentada a uma cadeira segurando palidamente as mãos, um Remus Lupin suado e descabelado, Frank Longbottom com alívio presente no rosto, Sirius Black de braços cruzados junto ao corpo, – com uma cara mais que irritada, diga-se de passagem – e finalmente, o autor da resposta: James Potter, com cara de poucos amigos.
A cena teria sido cômica, se não se encontrasse naquela situação.
— Não devo respostas a você, Potter! — respondeu, mais corajosa e indiferente do que aparentava estar. Não tinha a intenção de magoar ou preocupar seus amigos.
— Claro que deve Evans! – James passou as mãos pelos cabelos em sinal de nervosismo – Nós passamos o dia todo procurando por você! Pelas barbas trançadas de Merlim! Você quase nos matou de preocupação!
As garotas e os marotos que até então não haviam se pronunciado, tomaram ciência do rumo da conversa.
— O importante é que agora ela está aqui, James! – Marlene se intrometeu, quando a amiga ameaçou responder ao garoto – E todos estão felizes com isso, certo pessoal?
— Claro! – responderam em uníssono.
— Graças a Merlim você está sã e salva, ruivinha esquentada! – Dorcas a abraçou em meio a um fraco riso – Ficamos muito preocupados quando não apareceu após o toque de recolher!
— É! Não some mais assim, baixinha! Nós podemos nunca mais te achar com essa altura, em um castelo tão grande, pintorazinha de rodapé!
— Cale a boca, Frank! Como se você fosse lá muito alto... – a ruiva, aliviada, ganhou risadas de Alice e Remus, que concordaram prontamente com os argumentos da amiga – Ei, Black! Porque está tão pra baixo? Não queria que eu voltasse, é?!
— Não é isso, Evans! É que o corno do James – Sirius apontou acusadoramente para o amigo – me fez desmarcar todos os meus encontros pra vir te procurar! – a cara do maroto era tão idiota que ninguém, exceto James — que franziu a testa -, conteve o riso. – Depois dessa, pelo menos um beijinho na bochecha o veadinho merecia...
— É cer-
— Shiiiii! Não estraga a magia! – “O que esse cachorro anda fumando?!”, pensaram Lily e James, mesmo que não sabendo.
Lílian permaneceu calada por alguns segundos, como se estivesse considerando a sugestão.
— No dia que porcos aprenderem a voar até casar com ele eu caso... – respondeu seguindo para o dormitório feminino.
— Tava demorando... – Alice disse revirando os olhos e parando-os em Lily – O que é isso dentro da sua capa?
A ruiva gelou. Não que não confiasse nas amigas, mas queria guardar aquele segredo — e seu risco — para si.
— Isso? – tentou esconder o diário entre as vestes – Isso o quê?
Frank puxou o presente das mãos de Lily e passou a analisá-lo.
— Isso que você escondia dentro da capa! – exclamou Remus franzindo a testa. A amiga não era de segredos – Tem algo que não possamos saber?
Os outros ainda não tinham visto o presente, mas com uma rápida olhada James e Sirius se entreolharam assustados. De repente o clima do salão tornou-se pesado.
— Não é nada, Remus! – Lílian tomou o diário das mãos de Frank tentando desviar o rumo da conversa – Como foi o dia de vocês?
— Não mude de assunto! – Lene meteu-se na conversa, já bem irritada e magoada. Porque a amiga esconderia algo? – Porque está tão nervosa?
Os dois marotos aguçaram seus ouvidos para a resposta, movimento que não passou despercebido para os rápidos olhos de Alice, mas falaria com eles mais tarde.
— Não vem ao caso! – a ruiva, já vermelha de raiva, juntou suas coisas e passou pelo portal que levava aos dormitórios – Vocês são tão dramáticos! Fazem escândalo até por um presente bobo! Eu não sou criança! – berrou, enquanto subia as escadas.
Todos ficaram em silêncio imediatamente, e Dorcas voltava a chorar.
— A gente sempre acaba assim! – dizia a loira ao ser consolada por Remus – Parece até novela mexicana!
A garota fez uma pausa para limpar as lágrimas e se recompor e, levantando-se, continuou:
— Mas esse drama dá tanto IBOP que resolveram transformar em série e abrir uma 2ª temporada... Boa noite, pessoal! – disse ao iniciar a corrida pelas escadas.
Os amigos despediram-se da garota, e mergulharam no silêncio por alguns instantes.
— Aquele diário não era normal. – iniciou Lene – Eu não teria brigado com ela se não tivesse sentido algo estranho nele. Tem magia naquilo.
— A Lene está certa! – Remo precipitou-se – Exalava chocolate-quente. Toda magia cheira a chocolate-quente.
Todos os presentes encararam o amigo, divertidos. Os sentidos dos lobisomens eram muito esquisitos, de fato.
— Bom... Isso é papo para outra hora. – disse Alice bocejando – Eu vou dormir. Tchau, pessoal! Boa noite! – disse beijando o namorado, e acenando para os amigos.
Logo, todos foram para a cama, até restar apenas dois marotos no salão comunal. Em silêncio. Fitando um ao outro.
— Cara... O que nós vamos fazer?
— Eu não sei, Sirius... – James respondia em um fio de voz – Eu não sei...
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