Diário de uma Bruxa
3 Muitas dúvidas, nenhuma certeza
Depois de ser selecionada, sentei-me ao lado de Julie e Catarina na mesa da Sonserina. O jantar apareceu com um passe de mágica nas mesas. Conhecia mais algumas pessoas, Catarina me apresentou sua irmã, Jéssica, que me apresentou alguns dos seus amigos. Quando terminamos o jantar fomos ao Salão Comunal da Sonserina, percebi que muitos alunos me olhavam de uma forma estranha quando eu contava minha história, me perguntavam coisas como: “Você é uma sangue ruim?” “O que você está fazendo aqui então?”. E tive que contar minha história novamente até que parassem de me chamar de “sangue ruim”.
- Susana, vamos dormir! – Julie me chamou – Hoje foi um dia cheio!
Acordei logo cedo e me arrumei rápido, não queria me atrasar no primeiro dia de aula, durante a madrugada a irmã de Catarina nos contou que as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas eram bastante puxadas e que não se aceitava brincadeiras e atrasos.
- Bom dia, Susana. – Julie acordou de arrastando para trocar de roupa – Qual é a primeira aula?
- Defesa – Respondi pegando meus materiais – Bom dia Catarina.
- Dia. – Catarina se levantou e correu para trocar de roupa.
Depois de tomar café fomos para a aula, o professor era um gago todo atrapalhado, que usava um tipo de turbante na cabeça, o Prof. Quirrell. Ninguém prestava muita atenção no que ele dizia e de vez em quando se ouvia uma piadinha sobre ele. Quando houve um intervalo fiquei num pátio com Julie e Catarina conversando.
- Ah, — Julie sussurrou animada – Olha quem está ali!
- Draco Malfoy, Julie é apaixonada por ele já faz um tempo. – Catarina me explicou.
Olhei na direção em que elas falavam, não vi muita coisa, era um menino pálido de cabelos loiros, com os cabelos quase que prateados. Vinha acompanhado de dois garotos, um gordo e outro alto, ambos eram retardados e riam de tudo que o loiro falasse.
- Bom dia, Draco! – Catarina e Julie já estavam de pé falando com o garoto.
- Bom dia, garotas. – Quando ele se aproximou eu entendi porque Julie estava daquele jeito, o garoto era realmente muito bonito, mas falava com um ar superior, como se fosse maior e melhor do que todos.
- Você é a garota que veio com o Hagrid? – Um dos “seguidores” de Draco me perguntou, percebendo minha presença.
- Sim, por quê?
- É melhor evitar andar com Hagrid, – Draco falou com ar de sabe-tudo – Hagrid não deveria trabalhar aqui, ele foi expulso do colégio já faz uns 50 anos. Só está aqui porque Dumbledore tem pena dele.
Os dois meninos que o acompanhavam concordaram e se retiraram com Draco. Quando percebi estava sozinha com as meninas, observando os três se distanciando.
- Vamos, acho que já está na hora da aula... – Tentei chamar a atenção delas.
- C-Claro! Vamos, Cat! – Julie falou sem graça puxando a amiga.
- Você fica babando por esse menino, não é? – Falei rindo.
- Não seja ridícula, Susana! – Julie disse corando.
- Desculpe-me, mas você não sabe disfarçar!
- Não vá me dizer que você não achou Draco bonito! – Julie provocou.
- Ele pode até ser bonito, mas não é meu tipo. – Catarina e eu rimos juntas, Julie pareceu não achar graça. Ficamos em silêncio enquanto entrávamos juntas na sala de aula.
Caminhamos depois das aulas por um grande gramado, Catarina não parava de falar na irmã, e Julie suspirava sempre que avistava Draco Malfoy de longe. Ficava chato conversar com Julie, sempre que ela abria a boca falava dele, Draco isso, Draco aquilo... Era insuportável.
Tive uma pequena discussão com Julie, que estava achando que eu olhava demais para o “garoto dela”. Decidi visitar Hagrid para me acalmar, mas quando cheguei perto da casa dele lembrei-me do que Malfoy disse, é melhor ficar longe do gigante.
Sentei numa pedra perto da floresta e fiquei obervando um pássaro alimentar seus filhotes, me bateu uma poção de sentimentos: saudade, raiva, tristeza... Será que ninguém iria me contar nada sobre meus pais? Sobre minha história?
- Posso me sentar aqui? – Meus pensamentos foram interrompidos quando Alvo Dumbledore apareceu ao meu lado.
- Fique a vontade.
- Presumo que a Srta. esteja pensando nos seus pais?
- É difícil pensar em algo quando não se sabe nada sobre o assunto.
- E será que posso ajudar?
- Eu só gostaria de descobrir alguma coisa sobre meus pais, quem sabe, como eles morreram...
- Ah, seus pais eram alunos exemplares, – Dumbledore sorriu para mim — mas acho que não está na hora de saber o que houve, pois você ainda é muito jovem para entender.
Fiquei encarando meus pés, quando virei para falar com o diretor ele já havia sumido. Mas que droga, será possível que ninguém podia me dizer pelo menos os nomes dos meus pais?
Resolvi subir para a sala comunal as Sonserina, abri um livro qualquer sobre a história do mundo bruxo e comecei a ler, com esperança de aprender mais alguma coisa. Estava tudo muito quieto e silencioso, acho que já estava de madrugada, mas estava sem sono. A porta se abriu, e eu vi Catarina entrando com um envelope na mão, disse que tinha recebido ordens para me entregar.
- Quem enviou isso?
- Não faço ideia, ninguém me disse nada. – Me respondeu e subiu para o dormitório.
Abri o envelope, nele havia um papel com um recado de Dumbledore, será possível? Eu estava recebendo um recado do diretor de Hogwarts? Fiquei desesperada, será que eu tinha infringido alguma lei da escola? Quando finalmente resolvi ler o bilhete não se passava de um pedido de desculpas.
“Srta. Scott,
Espero que não tenha ficado magoada comigo. Tive de correr para resolver alguns assuntos importantes, sinto muito.
E sobre o assunto dos seus pais, espero que entenda minha parte. A Srta. deve descobrir sozinha.
Atenciosamente,
Alvo Dumbledore.”
Fiquei olhando para o bilhete, então o guardei no envelope e voltei a ler. Já tinha lido algumas páginas quando percebi que já estava ficando muito tarde. Subi para o dormitório e fui dormir.
Como sempre, me acordei cedo e me arrumei para o café, era sábado, ou seja: Nada de aulas complicadas e de professores no meu pé! Normalmente nesses dias eu, Julie e Catarina íamos sempre fazer compras, mas hoje havia um jogo de quadribol importantíssimo em Hogwarts – Digamos que quadribol é como futebol americano, mas com uns aros para acertar a bola, os jogadores ficam em cima de vassouras voadoras e a equipe que pegasse uma bolinha dourada, chamada de pomo, ganhava o jogo -, Sonserina contra Grifinória.
- Acho isso um absurdo, o Potter ganhou uma Nimbus e ainda é apanhador da Grifinória! Absurdo, absurdo! – Um garoto da Sonserina passou por mim conversando com mais três garotos – Aposto que é graças ao que aconteceu com ele e com você-sabe-quem, esse garoto ganha fama por uma coisa que fez quando nem raciocinava ainda! – Os garotos saíram resmungando.
Continuei andando até que encontrei Julie agarrada no braço de Malfoy, fiquei feliz por ela, desde que a conheci ela mostrou ser completamente apaixonada por ele, e agora estava ficando cada vez mais próxima do garoto. Passei por eles e pisquei rápido para Julie, que retribuiu com um sorrisinho discreto.
Sentei-me na arquibancada para assistir ao jogo, Julie sentou ao lado de Draco, que não dava muita atenção para a garota. Ainda bem que Julie não ligava para o jeito que estava sendo tratada por ele, pois eu não teria que ouvi-la chorando e falando o quanto ela o amava. O jogo começou e as duas torcidas ficaram enlouquecidas, no final a Grifinória havia vencido graças ao novo apanhador, Potter, que havia pego o pomo de ouro.
No dia seguinte só se falava do jogo, a escola estava um verdadeiro inferno, os alunos da Sonserina não aceitavam a derrota e os da Grifinória sempre estavam aprontando alguma coisa. Quando eu consegui fugir de Julie, que não parava de tagarelar e de Catarina, que não parava de falar da irmã, corri para dentro da primeira sala que vi para ficar um pouco sozinha.
Quando olhei ao redor quase gritei, eu estava num quarto lindo, eu nunca tinha ouvido falar daquele lugar, vi um berço e resolvi me aproximar, nele havia uma menina dormindo inquieta, como quem está tendo um pesadelo, tentei toca-la para ajudar ou acalmar ela, mas não conseguia chegar perto. Quando me afastei percebi que o quarto estava todo destruído, tinha um porta retrato no chão, com uma foto de uma mulher e um homem sorrindo com uma criança nos braços. Saí correndo do quarto sem destino, até que esbarrei em alguém e caí no chão.
- Olha por onde anda! – Falei com raiva.
- Não fale nesse tom comigo, quem veio correndo feito uma louca foi você!
Quando levantei o olhar vi Malfoy pegando alguns dos meus livros que caíram no chão, comecei a pegar rápido o resto dos livros. Agradeci e estendi minha mão para receber meus livros.
- Ei, como é que se fala?
- Me dá meus livros, Malfoy.
- Não é educado falar assim, peça por favor. – Ele provocou.
- Por favor. – Falei fazendo careta.
- Ainda não está como eu queria. – disse sorrindo e me entregou os livros.
- Obrigada. – Respondi séria. Quando dei as costas ele me parou segurando meu braço – O que você quer agora?
- Você é sempre tão esquentadinha? Ou você só é assim comigo?
- Trato as pessoas como elas merecem. – Falei dando as costas para o garoto.
Saí em direção à sala comunal, pensando no que tinha acabado de acontecer. Quando chegou a hora de se recolher não conseguia parar de pensar no quarto, na criança no berço, mas de repente me peguei sonhando acordada com Draco. Será que... Não, não pode ser! Eu não posso me apaixonar por Draco Malfoy!
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