Diário de memórias
4 Amigo, você precisa me ajudar. Parte 1
Notas iniciais
O pai e a mãe da garota estão ao lado da cama, a garota parecia ter tido um pesadelo, mas mesmo depois de acordar parecia que ela não havia voltado à realidade.
O telefone toca e a mulher pula de leve com o susto, desce rapidamente para atender ao telefone.
—Olá, quem gostaria?
—Hm.. Olá senhora Pritchard. Sou amigo da sua filha, estou preocupado. Você se lembra de mim?
—Sim, claro. Por falar na minha menina querida, ela acordou tão assustada e não se mexe, você poderia vir aqui? Ela vai ficar feliz vendo você.
O telefone fica mudo durante longos segundos.
—Logo estou aí, só vou me arrumar, tchau. – Fala o garoto preocupado e desliga.
O marido a observa e pergunta quem era, fica feliz com a notícia que o menino viria ajudar. Então voltam para o quarto e aguardam lá.
*quinze minutos, a campainha toca, é o garoto*
—Boa tarde senhor Pritchard.
—Entre garoto, está frio – O homem que já está sem o uniforme do trabalho dá espaço para um buquê azul passar pela porta. E ri, o que deixa o garoto um pouco desconfortável. – Ana está no quarto com a mãe pode subir.
Quando ele entra no quarto da amiga se depara com um enorme azul. Sua chegada parece ter tirado Ana do transe. Um adolescente tão bonito com óculos e sorriso de covinha olha pra ela, ele está com roupas típicas, calça jeans escura, jaqueta preta de couro e o cachecol cinza (sua marca registrada), duas coisas chamam atenção tanto da mãe quanto da filha, primeiro, ele está com uma blusa claramente azul que elas não conheciam e, segundo, suas mãos estavam atrás das costas.
Como se nada tivesse acontecido o estado de zumbi desaparece e dá lugar para um sorriso sarcástico.
—Ei! Você veio, garoto de cinza- diz com tom de deboche- Adorei a blusa. – logo se levanta e de pijama mesmo vai até o garoto para cumprimentá-lo com um abraço.
Quando fica na ponta do pé pra abraçar ele, foi um bom momento pra ver o que estava escondido. Olhos curiosos e mãos ligeiras puxam o garoto e descobrem orquídeas azuis, a tentativa de conter a risada e pulinhos de alegria não funcionou.
—É pra mim? É pra mim? É pra mim?
—Calma garotinha, é sua sim – entrega as flores e descabela-a, mais aliviado do susto de imaginar ela mal, consegue respirar de novo.
— Ei só sou um ano mais nova que você, e só porque você já dirige não é melhor que eu! Para tudo, onde conseguiu as flores? É caro e essa hora já estão fechadas as floriculturas.
O garoto faz cara de suspeito e fala – Dei uma passada no jardim da minha vó- os dois riem.
— Quando ela descobrir vai te matar seu louco.
Eles param e lembram-se da mulher no quarto que não está entendendo nada.
— Perdão senhora, só quis agradar.
Com um tom despreocupado e muito aliviado a senhora diz que está tudo bem, e que poderia ficar para a janta.
— Te amo mãe, a gente pode assistir um filme?
— Claro – e vira para a porta onde o garoto ainda está- Confio em você, sei que só faz bem para a Ana.
— Mãe! Já falei que não gosto... Me chama de Emma!
— Filha seu nome pra mim sempre vai ser Ana Clara Pritchard, antes de retrucar lembre que seu amigo está aqui. Bom filme, estarei na sala. Entre moço.
Assim que sai os dois se olham e vão escolher o filme. O escolhido foi “UP-altas aventuras”.
*fim do filme*
— Emma? Porque você tá chorando?
— Nada – enxuga algumas lágrimas rápido- a gente pode conversar no jardim?
— Sim, o que aconteceu?
Séria ela responde – Você, cobertas, eu, biscoitos, jardim em cinco minutos!
*jardim, cinco minutos depois*
A garota coloca biscoitos de chocolate em uma bandeja e o garoto estica algumas cobertas na grama, também acompanhados de almofadas e café quente, a conversa começa.
Ela conta todo o sonho, mas está certa que era um aviso. Uma folha cai ao lado do amigo, e ela se assusta mais que o normal.
—Emmy, estou preocupado com você... Você acha mesmo que esses demônios existem? Como era mesmo a aparência deles?
—Bom, todos eram diferentes e assustadores – Cruza as pernas, olha para o chão enquanto inconscientemente enrola uma mecha de cabelo nos dedos. Toma coragem para continuar – A que mais me assustou foi uma que parecia uma bailarina, ela era enorme, como se tocasse no teto da sala, e rodopiava ao meu redor, o vestido estava rasgado e su... Sujo de sangue – Começa a soluçar e tenta enxugar as lágrimas.
—Não se obrigue a lembrar se te assusta tanto! – As mãos do garoto tremiam, mas mesmo assim ele chegou mais perto e a abraçou para fazer cafuné – Por favor, eu não consigo te ver assim sem poder fazer nada.
— Tudo bem, eu sempre fui chorona você me conhece.
Ela se estica um pouco pra chegar à bochecha do garoto pra dar um beijo, mas só alcança o pescoço, o que deixa ele arrepiado, fazendo os dois sorrirem.
Fale com o autor