Diário de mármore: Maravilhoso novo mundo
9 Alphabeto
Antes de nós
Após a gárgula quadrupede atravessar o portal, temos uma oportunidade de nós movermos. Saltamos e atrás de uma grande pedra retangular que está caída no chão.
— Droga — sussurro. — De todos os lugares desse planeta para cairmos tivemos que aparecer logo no ninho dessas coisas. — Cubro o nariz, pois o ambiente fede a enxofre, além de ser tomado por um ruido absurdo que faz minha cabeça doer.
Sinto algo me cutucar, é a Elipse com meu chapéu, seria ruim perde algo tão importante.
O pego e o coloco em minha cabeça, em seguida faço o sinal com os dedos indicando que é para a Elipse me seguir. Abaixados, rastejamos até as paredes da caverna. Se fosse para chutar, diríamos que estamos dentro do oco de um vulcão adormecido. Ainda bem que estou com alguém com um doutorado para confirmar essa informação.
Até porquê noto algo anormal, o chão dessa caverna é plano demais para ser algo natural. E aquela pedra retangular que usamos como cobertura não possuía imperfeições.
Ao chegarmos na beirada da parede, esperamos mais uma gárgula passar. Essa que também uma quadrupede, possui uma mandíbula grande e pesada que lembra uma escavadeira. Um portal se abre para ela.
— Capitão, é uma oportunidade para fugirmos daqui.
Olho para Elipse e apenas balanço a cabeça negativamente. Ela entende o recado e acena em concordância. Afinal é uma questão bem simples, não podemos sair daqui sem ao menos explanar essa localização. E como esse lugar vai possuir uma interferência eletromagnética absurda, teremos que sair e depois lançar um sinalizador.
A luz do portal revela o que parece ser um túnel. Indo até ele, noto que a entrada é bem quadrangular, apesar de ter algumas marcas de garras. Dele sinto uma leve brisa fresca contrastando com o ar fedorento e estagnado desse lugar.
Elipse se levanta para ver alguma coisa, mas logo seguro seu braço. A última coisa que quero é ser visto.
— Capitão, há escrituras na parede — comenta enquanto encosta em um pequeno relevo com gravuras. Está muito escuro para dizer se realmente tem alguma coisa escrita de fato.
Mas se for o caso isso significa que existiu vida inteligente antes de nós aqui nesse mundo, isso muda tudo. A nossa teoria de isolamento inteligente cai e isso é incrível. Ou ao menos seria em qualquer outra oportunidade. E com a nova descoberta noto que a Elipse está tremendo de animação, não a julgo, por de baixo da minha postura como capitão, está um desbravador que mal consegue se conter.
Sem as luzes dos portais se abrindo o túnel se torna escuro e quase inavegável, forçando que eu caminhe com a mão na parede.
Após alguns dobramentos de esquinas noto que uma fraca iluminação surge, uma luz ao fim do túnel, uma possível saída.
Não, a luz está inconsistente demais para ser uma saída, além disso ouço passos se aproximando, Elipse também percebe e engata um silenciador em sua submetralhadora. Com muito esforço, saco minha espada do coldre magnético.
— Elipse, não quero causar nenhuma perturbação elétrica aqui, te darei uma brecha para que você ataque.
Encostamos na esquina e esperamos. A fonte de luz também parece se aproximar e então no momento oportuno, saio do ponto cego e ataco com minha espada.
Um barulho de metal colidindo ecoa pelo corredor. Quando percebo o que fiz levanto a minha mão para impedir que a Elipse atire.
Meu golpe foi parado pela lâmina de um cerramachado.
— Calma aí! Ninguém te ensinou a confirmar um alvo antes de atirar? — Reclama um outro capitão.
Notando meu erro, recolho a minha espada.
Ele veste o mesmo uniforme que eu, porém em seu peito ele exibe três medalhas e a arma que ele empunha é um machado de duas lâminas.
— Identifiquem-se — cobra o outro capitão.
— Gamma, capitão do Lei Áurea da vigésima sexta frota. E essa é minha cientista de pesquisa de campo e tecnológica, doutora Elipse.
— Sou o Delta, capitão do transcosmatico Bhasra. Gamma? Acho que sei quem você é. Serviu no primeiro esquadrão da estação espacial M.O.C?
“Essa merda de novo” penso comigo mesmo.
— Sim.
— Como eu temia você é o infame ignavus — comenta o capitão Delta.
— Ignavus!? — Questiona Elipse franzindo as sobrancelhas e dando um passo à frente.
Suspiro fundo e levanto minha mão direita com dois dedos erguidos, um sinal de silencio para ambos.
— Aqueles foram dias de cão que não me orgulho. No entanto para variar, estamos em guerra. A nossa prioridade é acabar com as gárgulas e salvar a Mother. — Ligo minha caixa preta e estendo minha mão.
Delta copia o gesto e ambos fazemos a transferência de dados de bordo.
— Você está certo, vamos acabar com essas coisas primeiro. Então, quer começar atualizando seu lado da missão?
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