O céu acima de nós se quebra como um vitral de uma capela. Essa quebra libera um estrondo tão forte que cria uma onda de choque. Ao nos atingir, faz que a nossa nave balance derrubando a Elipse e eu.

— Capitão! Fomos acertados por um P.E.M! diversos sistemas estão fora do ar. — Alertou Emcy a nossa analista.

Caído no piso, olho para cima e vejo uma mão gigante descendo pela rachadura. Ela é um definho negro e esquelético. ainda sim, colossal. Ela tem o tamanho de um terço da Mother 3. De forma literal, suas unhas rasgam o céu e desses rasgos saem centenas de criaturas que desconheço e que não consigo definir uma forma por causa da distância.

— Todos para seus postos, Agora! — grito para a meia dúzia de tripulantes presentes.

A nave começa a perder estabilidade e enquanto eu me equilibro, ajudo a Elipse ir para cadeira dela.

— Capitão! Alguma ideia do que está acontecendo? — questiona Elipse prendendo o cinto de quatro pontos. Sua voz além da dúvida, carrega um compasso desregulado. A respiração dela está ofegante e seus olhos arregalados.

— Agora não, vamos no preocupar em sair vivos dessa. Tente manter uma respiração constante. — Estou tão nervoso e confuso quanto ela, mas é meu dever manter a calma.

De repente sou chicoteado pela força do meu próprio peso, alguma coisa atingiu a nossa nave. Não fui arremessado apenas por estar segurando firmemente a cadeira da Elipse.

— Droga! — A nave começou a girar mais rápido para o lado do oposto e agora, ela está inclinando para o lado. Aponto o arpão da minha caixa preta para a minha cadeira de piloto e disparo. Uma ponta metálica atinge o estofado onde me sento. Até onde o projetil está se cria uma linha elétrica que me puxa até meu alvo.

Bato meu peito contra a cadeira pela minha falta de controle proporcionada pelo desespero. Ignorando isso me ajeito em meu acento e auxilio o Áurea com o controle da nave.

Os controles não estão nada responsivos e tenho que lutar contra o manche da nave para manter a coisa voando.

Mas então em um giro o tempo para. Quando a Mother entra em nosso campo de visão, vejo a mão que descia do céu atingir a dianteira da nave mãe. Ao redor as pequenas naves explodem apenas por estar perto daquela coisa colossal.

A grande nave que teve seu designer inspirado nos grandes navios desbravadores oceânicos da terra, embica para baixo e atinge o solo levantando uma nuvem de poeira e pedras. A mão esmaga a proa da nave e todas as luzes e turbinas se apagam.

— Não! — digo abismado.

Enquanto isso milhares de criaturas que saíram dos rasgos, atacam as naves pequenas como enxames de vespas. Embriagado pela fúria, ativo o nosso sistema de armas, mas quando aperto o botão não tenho resposta.

— Emcy reinicie o sistema de armas agora!

— Capitão, isso vai demorar alguns minutos.

— Droga! — Bato no painel de controles.

Me sentindo fraco e impotente, tomo a única decisão prudente, viro o manche da nave e acelero para tomarmos distância.

Vejo o olhar de todos da nossa tripulação, olhares de reprovação e medo. A atitude que estou tomando pode e é a de um covarde. Mas nada adianta ir para aquele abatedouro sem armas, seriamos enterrados antes mesmo de salvar alguém.

— Capitão temos um problema — alerta Áurea — Temos companhia!

Busco o radar no painel e dezenas de pontos estão em nossa cola. De repente a nave toma um baque, eles nos alcançaram. Mas para a minha surpresa o manche fica macio.

— Capitão, os sistemas de controle estão cem por cento operantes.

Esse sinal verde consegue colocar um leve sorriso de esperança em meu rosto. Acelero a nave com tudo em direção a floresta de arvores gigantes e faço manobras evasivas contra aquelas criaturas. Isso derruba algumas delas, porém as outras continuam voando em nosso encalço e conseguem nos acompanhar, como?

Começamos a nos aproximar da floresta e eu puxo o manche para a nave subir com tudo. A proa da nossa nave aponta para cima, mas no momento que acelero novamente um barulho muito alto estoura a bombordo. A nave começa a subir, porém girando em seu próprio eixo.

— Como pode essas coisas serem tão rápidas?

Viro a nave para esquerda e desabilito o motor número dois para compensar o que eles destruíram, provavelmente a asa de controle atmosférico.

Mas daí uma outra explosão ocorre na parte traseira da nave, olhando para o painel, perdermos o motor número dois. Um deles se jogou para explodir nossa turbina. Agora estamos em queda livre enquanto mais daquelas criaturas se amotam em nosso entorno.

Começo a suar ao ver o painel ficar cada vez mais vermelho. Preciso pensar em algo rápido, mas o que posso fazer?

A morte parece ser algo inevitável conforme nos aproximamos das arvores. Mas então escuto sons de tiros. com uma rápida fintada no painel noto que o sistema de armas ainda está offline.

Os sons se intensificam a rajadas proferidas por metralhadoras que temos na popa.

— Capitão, é o Morgam. De alguma forma ele está controlando as armas manualmente lá da sala de armas.

— Tinha que ser nosso engenheiro. Preparem-se para o impacto!

Tento manter o controle da nave com ela planando enquanto entramos na camada verdejante. As folhas e galhos batem contra a fuselagem e atingem os monstros que estavam agarrados em nós. Contudo aparece em nossa frente uma das arvores gigantes. Com um tempo de reação digno de um piloto, desvio da arvore e evito uma colisão direta, no entanto a asa esquerda bate na madeira e é arrancada.

Perco o controle total da nave e ela começa a girar sem controle. Como uma última reação eu solto os controles e cubro a cabeça. E então sofremos o impacto contra o solo.

A força de desaceleração é tão forte que minha visão fica enegrecida e perco o controle do meu corpo. Enquanto a minha consciência se esvai, ainda escuto a sirene do barômetro, o barulho de metal se retorcendo como se a nossa nave não passasse de uma latinha de cerveja, a mata mais rasteira e os galhos das arvores estourando com o impacto e o mais importante os gritos da minha tripulação.

Notas finais
O desafio dessa semana foi: Um Problema a ser evitado