Diário de Uma Garota Quase Perfeita
12 Morre que dói menos
Notas iniciais
"Querido diário,
A minha mãe tentou me matar,
A minha própria mãe, tentou me matar
Sempre achei ela uma louca desgovernada, mas hoje ela provou ser pior do que todos temem
Por que essa vida? É o que eu me pergunto o tempo todo
Todas as minhas esperanças já foram embora, não sobrou ninguém que possa me ajudar
Ninguém, estou sozinha nessa luta
Nem toda a sorte que do mundo que me desejar vai me fazer bem diário"
— E essa jaqueta querida? Nova? — Perguntou Ana Paula.
— Hãn.. — Diz Carmem — Sim é nova.
— Está comprando roupas de homem agora, querida?
—Quê? Eu disse nova? Hahahaha não é nova não, é uma jaqueta que eu peguei com o Toni enquanto vinha da casa dele, sabe como é, tá um friozinho hoje.
— Da casa do Toni? Fazendo o que lá? Conversando com a mãe dele? Porque ele não estava em casa.
— Não..estava?
— Você tem um namorado não é? E vem se encontrando com ele todos os dias não é?
— Mãe, eu...
— Não adianta mais fingir Carmem, olha essa foto.
Ana Paula pega o celular e mostra uma foto que Carmem estava beijando o Cebola, no dia que ela deu o primeiro beijo atrás da quadra.
— Ma-mas isso é...
— Você vai sofrer na minha mão, se eu não conseguir te pegar, vai ser trancada pra sempre sem comer nem beber e nem fazer nada. Então morra... Que vai doer menos.
— Socorro — Grita Carmem correndo pela casa.
— Volte aqui sua praga — gritava Ana Paula correndo atrás de Carmem com uma faca na mão.
Carmem desesperada corria como louca pelos cantos da casa, até que ela consegue sair pela porta dos fundos.
Ana Paula não vai atrás dela, Carmem iria gritar socorro e isso atrairia atenção dos vizinhos que poderiam chamar a polícia.
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21:00h
Avião
— O que meu pai tinha de tão perigoso? — Perguntou Luca.
— Ele era muito "mimante" pra você — Diz dona Luísa.
— Como assim?
— Quando eu fiquei grávida de você, ele ficava o tempo todo na minha barriga conversando brincando, não me deixava em paz.
— Isso não é bom? Ter um pai coruja?
— Sim, mas não exageradamente, depois que você nasceu ele não te deixava em paz, pegava no colo, chacoalhava, dava mamadeira, contava histórias..
— Isso ainda é bom.
— Não entende Luca? Ele é doente por você. Quando eu pegava você do colo dele pra dar de mamar ou até pra trocar a fralda, ele me batia.
— Te batia?
— Sim, ele queria que o filho dele fosse só dele, ninguém podia chegar perto.
— Que maluco.
— Então eu pedi divórcio, e escondi você dele.
— E eu não te dando ouvidos dos perigos que eu corria, fui atrás dele e eu causei tudo isso.
— Não fala assim Luca, eu sei como é difícil pra você ter vivido durante 15 anos sem seu pai.
— É..
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21:02
Casa dos Menezes
Cebola estava deitado em sua cama lendo um gibi tranquilamente, enquanto sua irmã e seus pais estavam fora
Apesar de ter feito aquela festa, no fim, as meninas decidiram dormir na casa da Amanda.
Era uma noite fresquinha, não estava tão calor mas o vento batia e ficava um ar fresco e agradável.
Até acontecer uma coisa estranha.
A janela de Cebola começou a bater,no começo ele pensou ser o vento, mas as batidas aumentaram cada vez mais.
— Socorro — Gritava alguém atrás da janela.
Cebola suava frio, mas decidiu ajudar quem estava pedindo ajuda
— Calma, eu vou abrir a janela — Cebola abriu levemente a janela e alguém pulou em seus braços — Quem é você? — Ele não conseguia ver a pessoa, pois ela estava com um casaco com touca.
A pessoa tira a touca e ele pode ver quem é.
— Carmem? — Pergunta Cebola.
— Cebola, precisa me ajudar, não sabia mais pra onde correr — Carmem diz ofegante.
— O que aconteceu?
— Minha mãe, ela... Ela tentou me matar.
— Te matar? Como assim?
— Ela pegou uma.. Uma faca e me.. Perseguiu pela casa toda.
— Meu Deus, e você tá bem?
— Sim, antes dela..me..pegar eu vim correndo pra cá, desculpa ta vindo essa hora mas...eu...
— Calma Carmem, passa á noite aqui, passa a semana aqui, quanto tempo quiser mas não volte pra aquela bruxa.
— Não..vou voltar.
Cebola deita Carmem na cama dele
— Eu vou fazer uma sopa pra você.
—Tá bom.
Ele desce as escadas e vai pra cozinha onde pega uma lata de sopa pronta e coloca pra cozinhar.
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21:08h
Casa dos Colleman
— Filhinha, você saiu mais cedo do hospital? — Perguntou Maria Cassandra.
— Sim mãe, o médico disse que minha úlcera melhorou um pouco — Diz Maria Mello entrando em casa.
— Ela ligou pra eu ir buscar ela no hospital e eu não disse nada pra fazer uma surpresa — Diz Toni.
— Que ótima surpresa — Diz Maria Cassandra levantando e abraçando Maria Mello — Que bom ter a família toda aqui.
— Quase — Diz Maria Mello — Cadê o papai?
— Está no banho, quando ele sair vamos nos juntar e assistir um filme.
— Nada melhor do quê uma noite em família assim que eu saio do hospital.
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21:10
Cidade de Ilha Comprida
— Vamos pra casa, Irene — Diz Xaveco — Tá muito tarde.
— Mas ainda não compramos nenhuma lembrancinha — Diz Irene.
— Vai ter outras noites pra comprarmos lembrancinhas tá? Vamos, por favor.
— Ai, pedindo assim quem é que aguenta? Vamos sim fofo.
Ela pega na mão de Xaveco e vão indo pra casa
Xaveco estava com medo, ele achava que conhecia bem a Irene mas de repente...
— Xaveco, namora comigo?
— Quê?
— Você é tão lindo, eu quero te namorar — Diz Irene dando um beijo em Xaveco.
Xaveco empurra Irene.
— Irene, tá louca? — Diz ele limpando a boca.
— Me desculpa Xaveco, eu agi por impulso, é que não consigo me controlar perto de um cara assim como você.
— Irene, acho que eu vou pra casa.
— Você já disse isso, vamos.
— Não, eu vou pra minha casa.
— Vai..embora?
— Vou.
— Você não pode ir.
Irene lança um olhar tenebroso para Xaveco.
— Irene? — Pergunta ele assustado.
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21:12
Cada dos Menezes
Cebola tirou a sopa do fogo e colocou em uma tigela, colocou uma colher junto e estava levando até Carmem.
— Aaaa — Grita Carmem lá de cima.
Cebola se assusta com o grito de Carmem.
—Carmem? — Grita ele sem resposta.
Ele coloca a sopa sobre a mesa,e sobe as escadas desesperadamente.
— Carmem? — Diz ele abrindo a porta.
A mãe dela estava no quarto com ela no colo.
— Você.. O que você está fazendo aqui?
— Estou levando minha filha — Diz Ana Paula — Ela vai ficar trancada no meu porão até os fins de seus dias.
— Você não pode fazer isso
— Claro que posso.
Cebola chega perto dela e quando vai lhe dar um soco ela diz.
—Isso me bata, me soque. Depois vamos ver quem vai ser preso primeiro. Eu vou dizer que estava apenas protegendo minha filha de um maluco como você, e você me bateu.
Cebola ficou parado, aquela mulher pensava em tudo.
— Mas você não vai levar ela.
— Claro que vou.
— Só se passar por cima de mim.
— Claro rapazinho.
Ana Paula joga alguma coisa no chão que solta uma forte fumaça fazendo Cebola tossir enquanto ela ganha tempo e foge pela janela.
Cebola olha pela janela e vê aquela cena horrível: Ana Paula levando a própria filha, pra ser trancada no porão e morrer lá mesmo.
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