Notas iniciais
~^ _ ^~ ~Capítulo atualizado 21/01/2016~

Era uma noite linda na cidade de Fortaleza.

As luzes acesas causando um efeito "Nova York" e as pessoas passeando felizes com a família, afinal era um dia especial

— Chegamos crianças — Disse Ana Paula — Cidade de Fortaleza.

— É mesmo muito lindo — Disse Marina encantada olhando pela janela do carro.

— Vou procurar um lugar bom pra estacionar — disse Rubens — Vamos ficar um pouco na festa e depois vamos pra casa.

Carmem abandonava seus pensamentos olhando pela janela do carro, tendo uma visão que demoraria pra ser vista de novo.

Seus pais não a deixavam sair de casa sozinha só ia da escola pra casa e da casa pra escola, ainda assim acompanhada da observação da irmã mais velha.

— Podemos deixar ali querido?

— Pode ser, vai ser difícil acharmos outra com tanta gente.

Ele estaciona, e a família sai do carro.

— Aqui é mesmo muito lindo — Diz Carmem admirada.

— É mesmo — Diz Marina.

— Marina, leve sua irmã pra dar uma volta pela festa, eu e seu pai estaremos na lanchonete.

— Ok mãe. Vamos Carmem?

— Sim Marina.

Rubens e Ana Paula foram comer enquanto as meninas passeavam.

Era sempre assim Marina tinha que "cuidar" de Carmem apesar do fato de ela ter 15 anos.

— Aonde você quer ir primeiro? — Perguntou Marina.

— Quero comer um cachorro quente — Diz Carmen.

Marina leva Carmem até uma barraca de cachorro quente(que está lotada por sinal) e ficam esperando na fila.

— Tem certeza que quer comer isso? A fila tá enorme.

— Perguntou o que eu queria e eu disse.

— Ok, então vamos ficar aqui.

Marina estava tão distraída vendo os cartazes de outros lanches que tinham no local que nem ouvia mais o que Carmen dizia, ela aproveitou a situação para andar um pouco sozinha.

— Aqui tudo é tão lindo — Disse Carmem admirada olhando tudo em volta.

— É realmente muito bonito.

Ela se virá assustada e dá de cara com um rapaz

— Te conheço? — Pergunta ela.

— Bom,acho que não. Meu nome é Cebolácio, mas pode me chamar de Cebola.

— Oi...

— É nova aqui?

— Por quê quer saber?

— Oras quero fazer amizade com você

— E quem disse que eu quero ser sua amiga? Uma DiLaurents como eu, amiga de um fracassado como você? ATÉ PARECE

O que é Dilurentes? É uma banda de samba? Que legal posso participar?

Nesse momento Carmem gelou,ficou vermelha e respirou fundo, como alguém não iria conhecer tal família rica e poderosa como os DiLaurents?

— Como ousa falar assim de minha família? — Perguntou Carmem indignada.

— A, foi mal não sabia que era o sobrenome da sua família — disse Cebola.

— Espera, vai me dizer que nunca ouviu falar dos DiLaurents?

— Não.

—Não ouse falar como se não fossemos ninguém. Minha mãe é dona de uma das maiores lojas de jóias preciosas do Brasil, casada com o dono das maiores lojas de roupas de grife do continente.

— Hm, e dái?

— E daí? E DAÍ? Olha é melhor sumir antes que eu perca ainda mais minha paciência com você.

— Tá bom estressadinha eu me mando, o ditado é mesmo como dizem, não julgue um livro pela capa.

— O que quer dizer?

— Quero dizer que pra uma garota tão linda você não parecia ter esse comportamento infantil.

Carmem sentiu seu rosto ruborizar,ela queria sim ser amiga dele,falar com ele mas seus pais que escolhiam as regras.

Carmem voltou pra barraca de cachorro quente onde viu sua irmã com a pior cara possível

— Onde se meteu Carmem? Te procurei por toda a parte — Disse ela agarrando Carmem.

— Eu tive que ir ao banheiro — Mentiu Carmem.

— Me pedisse que eu iria com você! Não é pra você andar por aí sozinha é perigoso. Você vai ver, vou contar tudo pra mamãe.

Carmem suou frio se tinha uma coisa que ela tinha medo de verdade essa coisa era sua mãe.

Ela era educada e gentil na frente de visitas ou de desconhecidos. Mas só com a família era um verdadeiro monstro exigindo disciplina e comportamento aceitável.

— Eu comprei seu cachorro quente, pega e vamos encontrar nossos pais -Disse Marina entregando o lanche á Carmem.

Ela pega o cachorro quente e vai comendo mastigando cada pedaço com força pensando no que iria acontecer depois de Marina contar a sua mãe o que ela havia feito.

— Chegamos mamãe — Disse Marina sentando-se junto á eles.

Carmem se senta também

— Carmem, já não te disse pra não ficar comendo tanta porcaria? — Disse Ana Paula — vai ficar uma gorda e ninguém vai te querer.

— Ana Paula hoje não — Disse Rubens tentando acalmar a situação.

—Tenho certeza que com só um cachorro quente não vou ficar obesa "mamãe" — disse Carmem já nervosa — E mesmo se me deixasse, eu comeria mesmo assim, quero que um homem me aceite pelo meu coração, não pela minha barriga.

— Você me respeite Carmem — Disse Ana Paula — Se me responder assim de novo vai se ver comigo mocinha! Onde já se viu tratar a mãe dessa maneira? Esses foram os modos que eu te ensinei?

— Deixa a menina em paz Paula.

— Quieto Rubens, pode deixar que eu resolvo sozinha.

— Mamãe ficou sabendo do que a Carmem fez?

— O que ela fez dessa vez?

Carmem sentiu uma lágrima escorrer de seu rosto.

— Eu estava comprando esse cachorro quente cheio de gordura que essa daí pediu, quando ela saiu de perto de mim e foi no banheiro sem eu nem ver.

— Qual é o problema disso? Sua irmã tem 15 anos, pra quê prender ela desse jeito?

— Eu e a Marina não prendemos ela, querido. Eu como mãe, quero apenas o melhor pra minha filha, estou tentando apenas protegê-la. Você fez isso Carmem?

— S-sim — Disse Carmem se segurando para não soltar um choro de criança.

— Rubens leve a Marina para comprar uvas — Disse Ana Paula — Não podemos dizer que fomos a festa da uva se não levarmos bastante uva pra casa.

— Ok amor — Disse Rubens dando um beijo na bochecha de Ana Paula e levantando-se da mesa.

— Tá bom mãe — Disse Marina levantando também.

— Você Carmem, vem comigo — Disse Ana.

— N-não — Negou Carmem com um fiosinho de voz.

—O quê você disse? — indagou Ana Paula de cara feia.

— Carmem, obedeça sua mãe, filha. Ela quer apenas que você compre as uvas com ela — Disse Rubens.

Carmem se levanta olhando pro chão e não consegue segurar o choro, mas ninguém pode ver pois seus longos cabelos loiros cobrem seu rosto.

Marina e Rubens se retiram e vão comprar as uvas como foram mandados.

Quando Ana Paula vê que os dois somem de vista, leva Carmem puxando-a pelo braço até um beco vazio e cheio de lixo.

Ela joga Carmem na parede que bate o cotovelo e sente aquela espécie de "choque"

— Argh — Diz ela ajoelhando e colocando a mão no braço.

— Por que está assim? Não está confortável? Devia estar, pois está no seu local ideal sua IMUNDA — Disse ela entre os dentes fazendo Carmem ficar furiosa.

— Por que faz isso comigo? Porque minha irmã nunca tem culpa de nada, só eu?

— Cala a boca — Grita Ana Paula enquanto pega um pedaço de cinto que tinha no lixo e bate nas pernas de Carmem — Sua irmã não é uma nada igual você, ela tem caráter.

— Aah socorro — Carmem grita assustada — Me ajudem.

— Em todo esse tempo nunca se acostumou filha? Você não obedece é surra na hora.

— Me tirem daqui — Ela berrava em desespero.

Até que alguém houve o grito de Carmem e tenta descobrir de onde é.

— Cala essa boca sua imunda — Ana Paula rasga um pedaço da roupa da Carmem e tampa a boca dela.

— Urgh,urgh.

— Sua vadia miserável. Olha aqui pra mim, olha.

Carmem olha pra ela

— Eu nunca queria que você tivesse nascido, ouviu? Sua vadia. Eu queria ter só sua irmã, queria que nunca estivesse existido, praga.

Carmem se levanta e da um murro na cara de Ana Luísa que faz ela cair no chão.

Ela se levanta rapidamente.

— Quer brincar? Pois o jogo é meu — Ela empurra Carmem que cai no chão e começa a chorar desolada.

—Chora mesmo, grite, eu não ligo pra você. EU-NÃO-LIGO, tomara que você morra.

Carmem faz um esforço e consegue tirar o pano da boca

— Sua vagabunda! Eu vou contar tudo pro meu pai e ele vai mandar te prenderem, vadia! Você vai apodrecer naquela cadeia, e ninguém nunca mais vai saber que você existe. Você que vai morrer, e vai morrer sozinha, sua desgraçada.

— Você não vai contar porra nenhuma pro seu pai — Ana Paula bate com tanto força na perna de Carmem, que a sua canela corta e começa a sangrar.

Carmem urra de dor.

— Miserável — Grita com a mão na ferida.

— Mais disso vai acontecer se você der um pio pro seu pai, está ouvindo praga?

Carmem fez sim com a cabeça e Ana saiu de lá as gargalhadas deixando pra trás o cinto.

Carmem ajoelha no chão e chora até soluçar.

— Vida horrível, por quê isso acontece comigo? Por quê tenho que aguentar essa praga da minha mãe? Por quê?

Ela deita no chão em meio a lágrimas, lamentando ter nascido naquela família.

— O que aconteceu? — pergunta um rapaz de pele clara e cabelos bagunçados.

Carmem logo percebe que se trata do garoto com que ela esbarrou mais cedo.

— O que você está fazendo aqui? — Perguntou ela.

— Vim ajudar oras.

— Sai daqui.

— Não vou sair, faça o que quiser: Me bata, me xingue, mas não vou te deixar aqui sozinha.

Carmem ficou surpresa. Ninguém nunca tinha sido tão legal com ela ainda mais depois de ela mostrar toda a sua modéstia sobre as riquezas de sua família

— O que houve com você?

— Eu? Hã... Eu estava passando pela festa quando dois caras me assaltaram e... E-e me agrediram — Mentiu Carmem.

— Nossa e você tá bem? — Ele ajoelhou ao lado dela preocupado.

— Não — Carmem deixou escapar mais lágrimas de seu rosto.

— Calma eu vou te ajudar — Cebola pega Carmem no colo e a leva pra sua casa que fica bem atrás da festa da uva.

— Seus pais não vão ficar bravos? — Perguntou Carmem preocupada

— Eles não estão em casa — disse Cebola deitando Carmem no sofá.

Ele pega curativos e remédios e vai passando em Carmem

Depois dela estar bem ele percebe que ela está dormindo

Carmem? — Pergunta ele.

Em vão. Ele não recebe nenhum resposta então sentá ali ao lado dela e fica olhando pra ela

Depois de olhar pra ela por um tempo ele percebe que ela é realmente muito linda, e fica encantando com seus cabelos loiros e olhos azuis, que davam pra ser vistos por uma pequena abertura que ela deixava nos olhos.

Ele sem perceber, vai chegando cada vez mais perto de seu rosto.

Até que ela acorda

— C-cebola? — Pergunta Carmem assustada — O que estava fazendo?

Cebola suou frio. O que ele ia dizer pra Carmem? Com certeza a resposta não seria que ele estava encantando com sua aparência, mesmo sendo essa a verdade.

— Eu? Eu estavaa... Estava... Estava vendo se tinha algum ferimento no seu rosto.

— A tá. Tem?

— Não.

— Ufa, que sorte, seria péssimo ficar com uma cicatriz bem no meio da cara.

Os dois riem.

— Bom, obrigada Cebola.

— De nada, amigo é pra essas coisas.

Carmem levanta e vai até a porta.

— Eu já vou.

— Quer que eu te acompanhe? Tá escurecendo, pode ser perigoso.

Carmem deu um sorriso pela gentileza do rapaz.

— Não precisa, meus pais não devem estar muito longe. E você sabe como são pais de garotas, se me pegam com algum menino..

— Aah, saquei — Ele deu uma risada tímida.

— Bom, já vou — Sorriu e se virou já indo embora.

— Calma — Cebola levanta e pega nas mãos de Carmem — Qual é seu nome?

— DiLaurents, Carmem DiLaurents.

— Te vejo por aí então, Carmem.

Carmem segue o caminho feliz da vida, com um sorriso de orelha a orelha. Que rapaz mais gentil e cavalheiro era aquele.

Vagando pela festa ela acha a família.

— Filhinha, meu Deus, até que em fim você apareceu — Ana Luísa abraça a filha — Estava tão preocupada.

— Onde você se meteu filha? — Perguntou Rubens abraçando as duas.

— Bandidos te pegaram? — Ana olhou seriamente pra ela que entendeu o recado.

— Sim ma-mamãe eu fui comprar o suco que a senhora pediu e eles me roubaram — Disse Carmem querendo dar um soco na mãe dela.

— Poxa Ana Paula, você briga com a Carmem por ter saído com a Marina e ter saído sozinha apenas pra ir no banheiro, mas quando ela sai com você a menina é assaltada?

— Ah querido, eu devo ter me distraído, eu estava pegando mais sucos enquanto a Carmem estava indo pagar e quando eu fui levar os sucos pra ela, ela havia sumido.

— Foi nessa hora que os.. Hã.. Bandidos me pegaram.

— Eu nem me importei mais com os sucos, larguei tudo na loja e fui correndo avisar vocês que a Carmem havia sumido — Ana Paula se virou pra Carmem e começou a apertar suas bochechas — Mas que bom que você está bem, não tem ideia do quanto a gente ficou preocupado querida. Nunca mais saia de perto de mim.

— Sim senhora..

— Vamos pra casa mamãe acho que a Carmem precisa descansar — sugeriu Marina.

— É verdade filha — diz Rubens — Vamos, a festa dura 3 dias, quem sabe compramos suco depois.

De longe alguém observava eles e olhava tristemente pra Carmem

—Bando de miseráveis.

Notas finais
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