Diário de Julienly - RUNESCAPE
1 Destino #1
DESTINO
Meu nome é Julienly e nasci em uma vila chamada Relekka , a considerada capital Fremennik e amo viver aqui, mas visto por outros reinos nós nunca fomos considerados um povo muito amigavel, o que de certa forma é verdade. Mas quem mora aqui sabe que não é bem assim. Na verdade, em qualquer outro lugar as pessoas geralmente ficam com medo de enfrentar fremenniks e nos chamam de frios, bêbados e selvagens que pescam com as próprias mãos. O que de certa forma também é verdade. Ahm... pensando bem, esqueça o que eu disse. Somos mesmo bárbaros.
Relekka fica a norte da Vila dos Videntes no Reino de Kandarin, depois de andar bastante... Ande mais um pouco e saberá que está chegando quando começar a sentir frio. A província é cercada por estacas de madeira e uma entrada principal. Ao seus redores, bosques com lobos ,raposas (mais persistentes que lobos) , ursos e outros animais carinhosos. Ao norte está o mar, e dentro da vila há o cais que dá passagem para nossas Ilhas. Todas as construções são feitas com pregos e madeira e abrigam comerciantes, sapateiros, pescadores, trovadores, guerreiros, caçadores e até mesmo aventureiros, por ser um ótimo lugar para treinar. Como eu disse é um lugar maravilhoso e cheio de historias para contar, mas a de hoje é a minha. E como toda história boa, esta começa em uma Taverna.
Já estava bem tarde quando entrei. Como de costume, Manni estava tonto e virando um barril inteiro, alguns homens cantavam e tocavam felizes sob o palanque da taverna, outros brigando, contando vantagem e falando alto.
Pedi a Thora, a taberneira, um copo de sua melhor garapa e sentei-me na cadeira mais próxima. Enquanto bebia , fitava o nada pensando em tudo que aconteceu nos últimos anos. De um tempo para cá estava muito focada em treinar evocação. Isso mesmo, posso evocar diferentes animais e criaturas para este mundo. Além de eles me protegerem, eram basicamente meus únicos amigos. E isso me mantinha entretida desde o desaparecimento dos meus pais e a partida de meu mestre, mas essa história fica para depois.
A música interagia com todos ali, cantavam e dançavam de alegria. Todos pareciam felizes ao redor, exceto eu. Aquela altura , tudo que havia acontecido na minha vida me deixava desacreditada do futuro, e esperava que algumas garapas a mais pudessem mudar isso, mesmo que por algumas horas.
O ambiente estava escuro e barulhento mas pude sentir a presença de alguém se aproximando, me virei e era o Chefe Brundt.
Ele era chefe de Relekka, foi um grande aventureiro no passado e talvez isso explique o tapa olho. Está sempre de armadura , usa um martelo como arma no qual também sempre mantem por perto, é loiro assim como a maioria de nós e tem uma barba longa. Apesar de ter uma expressão séria, no fundo é um bom homem, muito respeitado por todos os fremenniks. Coisa que não é muito fácil de se conseguir, acredite.
" — JULIENLY ! Como anda nossa querida Evocadora? Não parece muito bem! " disse ele , já puxando a cadeira para sentar-se do meu lado.
Sim, Chefe Brundt era sério, mas aquela altura já deveria estar bem alterado.
Sorri de leve para ele e respondi:
"- Ja estive melhor, senhor. Ando só um pouco pensativa... O senhor ja se sentiu como se tudo que vai fazer no futuro não valesse a pena? "
"- Não . E por isso hoje sou o chefe de Relekka." e riu bem alto.
" — Obrigado senhor. Motivador. " disse eu.
" -O que quero dizer Julienly, é que sou um líder... hehehe"
" — Acho que vou te pagar outra bebida, você parece estar voltando ao seu ser orgulhoso normal. " Já ia levantar-me da cadeira quando ele continuou:
"- E ser líder não significa administrar um negocio ou uma região, mas sim ter sonhos difíceis e fazer o que for possível para cumpri-los; é resistir a cada dor, física ou psicológica e seguir em frente; É honrar aqueles que acreditaram em você e acreditar em alguém um dia; é ver de tudo onde não há nada. Ser líder está em seu coração.
" Uau , como ele pode dizer coisas tão motivadoras quando bêbado? " Pensei. Brundt viu eu crescer nesta vila, então sabe tudo o que passei, pelo visto ele sempre se importou com cada cidadão daqui. Mesmo sem parecer, Já que quando sóbrio é um homem de poucas palavras. Olhei para o seu rosto com algumas cicatrizes, tudo o que ele me disse tinha convicção, como se não tivesse falando por falar , mas sim como alguém que já teve experiências parecidas ou até piores. E eu realmente estava entendendo que ele queria me dizer, mas permaneci quieta.
" -Sabe Julienly, se você sente que não tem nada agora , você tem duas opções...
Continuar aqui sentada mergulhando suas lágrimas em bebida, ouvindo aqueles idiotas tocando essa música horrível... " Nessa hora Chefe Brundt levantou-se e jogou um barril cheio nos pobres trovadores e por pouco não os atingiu mas agora havia garapa por todos os lados. Todos da taverna calaram-se e olharam em nossa direção
" ... — Ou buscar o que você perdeu. E de sua forma, reconstruir tudo o que teve um dia. Mas a unica que pode fazer isso é você" Completou Chefe Brundt , com sua voz ecoando por todo o salão em silêncio.
Logo, todos voltaram a comemorar, porém em um tom diferente. Pareciam concordar com o que ele disse.
Parei para pensar por uns segundos. E ele tinha razão. Tudo depende de mim agora e sou uma Fremmenik, não posso desistir. Apesar da minha dor, eu precisava fazer algo a respeito, eu tinha que encontrar meu mestre e saber o paradeiro de meus pais. Se não tentasse nunca iria saber.
Tudo o que ele havia me dito e toda aquela situação me fez sentir como eu nunca me senti antes: com um verdadeiro objetivo. Sorri e me levantei, abracei o Chefe Brundt (Abraços não são muito comuns por aqui e espero que no dia seguinte ele não tenha se lembrado disso)
" — Obrigada! O senhor deveria beber assim sempre!" Disse eu, sorrindo.
" — Disponha Julienly. Agora vá! Quem sabe algum dia você não seja como eu hieheihie." Disse ele tomando mais um gole.
Caminhei até a porta e sai, deixando todo aquele barulho para trás.
Sim, o melhor conselho da minha vida foi dado por um homem bêbado mas foi este momento que decidi sair por Guillenor seguindo minha meta. Meus amigos eram espíritos e minha bússola era o destino.
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