Diário de Anna
21 Segredos
Notas iniciais
_O que você ta fazendo aqui? — ele me perguntou mas o ignorei, me arrumei na cadeira e o mais seria possivel perguntei.
_O que a Mel tem? — ele ficou sem expressão — Olha eu posso te ajudar a passar por isso, se ela tiver leucemia eu posso ver se dôo medula.
_POR DEUS NÃAO ! — ele agora ria — A Melanie não tem leucemia, graças a Deus, ela tem crises de asma, meus pais fumavam muito ai afetou ela, e agora ela pegou uma gripe então todo cuidado é pouco. Ai ela tem que vir aqui quase todos os dias para tomar o medicamento certo, e como hoje é domingo eu vim com meu pai.
_Por que não me disse logo? E e aqui pensando besteira.
Ele riu, mas eu não, me lembrei que tinha passado a noite fora de casa, o que será que eles estaríam fazendo a respeito.
_Mas o que você estava fazendo aqui? — Thomas me analisava.
_Minha mãe. — travei, não conseguia falar mais essa palavra, ela me bloqueava.
_O que aconteceu? Ela está nesse hospital não é? Ela piorou? — ele parecia preocupado, quase no mesmo tom que o meu em relação a Mel.
_Não. Ela melhorou e está em casa.
_E o que você está fazendo aqui?
_Não é obvio? Eu não conseguiria ficar no mesmo lugar que aquela mulher.
_Entendi, vamos te pago um café.
_O do hopital não, é caro e nem é tão bom.
_Vish, tá exigente ein?
_Ah cala a boca!!
Saimos do hospital e fomos para uma lanchonete proxima, estava vazia e os funcionários de mau humor, provavelmente por terem que trabalhar em um domingo, podia jurar que uma das garçonetes estava com a maquiagem dos olhos borrada da noite anterior.
_Hey — chamei o Thomas baixinho
_Por que ta sussurrando ?
_Shiii ! Olha — apontei para a moça no limpando a mesa da frente.- ela está praticamente te comendo com os olhos.
_Mas é claro, sou super lindo e gostoso.
_É claro.
Nós dois rimos e ficamos falando besteiras por um bom tempo, já eram quase 10:30 da manhã.
_Preciso voltar, mas não pra minha casa.
_Faz assim, aviso meu pai que vou com você até Phrinlet e ele fica com a Mel hoje.
_Você não precisa.
_Você tem dinheiro pra passagem ?
_É não, mas...
_Viu? Você precisa de mim.
Entramos novamente no hospital e fomos até a ala das crianças, seria bom ver eles de novo, Thomas queria que esperasse ele la de fora, não mesmo.
_Oi Anna!! – quase todos juntos me cumprimentaram, e Thomas se surpreendeu acho que não sabia que eu curtia crianças.
_Oiee ! Voltei.
A Mel estava na ultima cama, ela não tinha lugar fixo, pois ficava em casa, vinha só quando precisava. Thomas conversou com seu pai e eu com a Mel.
_Oi linda.
_Oie, você veio me ver hoje?
_Claro – não era bem isso mas ta valendo.
_Anna vamos?
_Mas já Tommy? Ela acabou de chegar.
_É Tommy – dei ênfase no Tommy, mas me lembrei que ela não gostava, olhei pra ela e dei uma piscadinha e ela entendeu, eu só estava implicando com ele.
_Mel, depois a Anna volta, ou ela vai la em casa te ver, agora precisamos ir.
_Ta bom então.
_Anna é seu namorado? – Lucas me pergunta quando nós estávamos saindo.
_Não. – Sim. – nós dois respondemos ao mesmo tempo, eu disse não e ele sim, o que foi bem confuso, para ele nós estávamos namorando? Eu não chamaria isso de namoro.
Ele riu e eu sem graça fiz o mesmo.
_Lucas não conta pra ele mais eu gosto mais de você. – falei baixo perto dele mas Thomas acabou ouvindo.
_Então você gosta mais dele do que de mim? – nós já tínhamos saído da sala.
_É claro, você da muito trabalho, tirando que me irrita muito mais que qualquer um.
_Então eu te irrito? – não devia ter falado isso, ele me olhou com um olhar de criança que vai aprontar, e começou a fazer cocegas em mim, ele cutucava minha cintura e eu quase morria de rir.
_HEY VOCÊS DOIS! Silêncio ! – um médico que passava ali deu uma bronca em nós dois.
Ele parou mas começou a rir disfarçadamente. Nós saímos do hospital e fomos para a rodoviária. Ele inteirou comigo o que faltava pra minha passagem e comprou a dele. O ônibus demorou mais dessa vez quase 20 minutos, enquanto isso ele me contava que era muito difícil quando a Mel era menor e eles achavam que era só uma gripe, mas era a asma, falou de alguns acontecimentos engraçados dele e seu pai. Os dois juntos formam uma dupla de comediantes, só não dei sorte de encontrar os dois em bons momentos.
Entramos no ônibus e fomos para casa, chegando lá não sabíamos o o que fazer, já passava das 11:30 e o sol estava quente pra ficarmos andando por ai. Sentamos um pouco na praça.
_O que você vai fazer agora?
_Não sei, acho que só preciso aguentar mais um pouco, daqui uns 3 meses faço 18 e posso me mudar.
_Mas eles precisam assinar seus papeis.
_E quem disse que não vão? – mostrei minha mão, significando que eu mesma assinaria, já treinei muito a assinatura do Joe, não queria que ele ficasse indo na escola toda vez.
_Você vai pra sua casa?
_Ainda não. – meu estômago roncou.
_Isso foi você? – ele ria e apontava para minha barriga.
_Aquele café não me sustentara o resto do dia. – e o pior é que agora estava sem dinheiro, e já tinha abusado demais da boa vontade do Thomas.
_Come miojo?
_Ein?
_La em casa tem miojo.
_Você não sabe cozinhar? – eu ri
_Ué, pra que que eu vou cozinhar? Minha mulher vai fazer tudo na minha casa.
_Sabe acho que você ainda não ta sabendo mais as mulheres, já estão até votando.
_Se você quiser você cozinha outra coisa, não vou deixar você passando fome.
Não tinha outra saída. Tive que ir.
Chegando la Thomas, abriu o armário e tirou uns 5 miojos de sabores diferentes.
_Bon Apetite – ele tentou um sotaque francês mas não deu muito certo.
Coloquei a agua pra ferver, teria que cozinhar dois miojos, 1 pra cada. Enquanto cozinhava Thomas foi ouvir os recados na caixa eletrônica.
PIIII _Thomas é a Sara, você tem noticias da Anna? Fiquei sabendo de uma coisa que aconteceu, o Joe me ligou procurando por ela e me contou. Se você souber dela me avisa, e fala que ta todo mundo preocupado na casa dela – e ela repetiu – todo mundo
PIIII _Você já tem o novo Shake turbo 3000.... – Thomas apagou e passou pra próxima e me olhou rindo, porque a voz do anunciante era bem digamos, afeminada.
PIII _ Eai mano? É o Nate, você já devia saber né, então você ficou ou não com a orfãzinha? Seu prazo tá acabando e é bom você juntar o dinheiro para me pagar, porque tenho quase certeza que você é mole demais para ela.
Perai o que que eu ouvi?
_Anna, espera não é o que você ta pensando.
_E o que eu estou pensando? Ou melhor a orfãzinha aqui ? – deixei o garfo cair na pia e sai da cozinha.
_Anna me deixa explicar!
_Explicar o que? Que fui mais uma parte dos joguinhos idiotas do Nate? E você? Você vai me explicar o que? Me diz, o Nate te forçou a alguma coisa?
Ele não respondeu e foi o suficiente para explodir em ódio e sair dali.
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