Notas iniciais
Ooi, gente ♥ Mais um capítulo pra hoje! Esse é bem curtinho, mas na segunda vai ter um mais interessante. Sobre minha próxima história... They Don't Care About Us (nome provisório) já foi finalizada e está apenas sendo revisada! Acredito que semana que vem já lanço ela aqui, não se esqueçam de dar uma passadinha lá ♥ Aproveitem u3u

Los Angeles, Califórnia – 09:30 hrs

2 de janeiro, 1983

“Ela mais parecia uma linda rainha de uma cena de filme

Eu disse: Não importa, mas o que você quer dizer com: eu sou o cara…

Que vai dançar… com você… na pista de dança?

Ela disse que eu sou o cara…

Com quem ela… vai dançar… na pista de dança

Ela me disse que seu nome era Billie Jean, enquanto causava uma cena

Então todas as cabeças viraram com olhares que sonhavam em ser o cara

Que vai dançar… com ela… na pista de dança”

O toque do meu despertador era sintonizado com o que tava tocando na rádio naquele momento, assim eu me mantinha informado nos lançamentos, e foi por causa dessa configuração que, naquela manhã, eu acordei com a voz daquele cara.

— Eu vou dia oito, eu juro!!

Despertei num pulo e então percebi que estava no hotel. Olhei pros lados, vi apenas o meu relógio marcando 9 da manhã. Logo meu corpo relaxou novamente e eu cedi ao cansaço.

— Aaah… fy faen…

Enfiei o rosto no travesseiro e murmurei para aquilo ser um sonho.

A minha noite foi um inferno. Eu liguei pro Branca incontáveis vezes pra tentar acessar o Michael, eu precisava remarcar aquela data, mas não consegui de jeito nenhum. Desisti quando o relógio marcou 23 horas. Eu percebi, no fim das contas, que eu não podia me desviar da minha primeira missão, que era preparar o terreno pros caras. Michael era mais importante, o conhecimento dele é mais importante.

Mas eu confesso que enfrentar uma garota frustrada é bem pior do que dizer “não” pra um superstar.

Desliguei o relógio na má vontade e me arrastei até o banheiro (eu vou cortar essa parte porque ninguém quer saber o que um cara faz no banheiro). Assim que coloquei o casaco, fui olhar na minha agenda quais seriam os meus afazeres hoje.

E adivinha? Ah, que legal… não tem nada!! Já é o segundo dia do ano e o Branca me negligencia de novo! Ainda estou furioso por ele não ter atendido minhas ligações na noite anterior, mas isso é uma coisa pra se conversar mais tarde. Catei minha Canon, meu bloco de notas, minha touca de frio e saí.

— Bom dia, Morten. Não vai tomar café?

— Ei, Judy… — ahr, uma hora eu vou ter que dizer a ela — não, eu… não estou com fome agora. Tem alguma mensagem do Branca pra mim?

Estávamos no salão de refeições, onde serviam o café da manhã grátis. Eu só me sentei pra calibrar a câmera quando a vi passar para o balcão e ligar o rádio na primeira estação que apareceu.

“A Billie Jean não é minha amante

É só uma garota que diz que sou o cara

Mas o filho não é meu

Ela diz que sou o cara, mas o filho não é meu”

— Ele disse que se ocuparia nos próximos dias e perguntou se o que você queria falar era importante. Pelo visto, você andou ligando muitas vezes pra ele…

Eu suspirei, num misto de raiva e vergonha. Sério, ele precisava falar esse detalhe pra ela?

— Posso te pedir um conselho?

Vi o sorriso dela acentuar quando fiz a pergunta.

— Claro — ela puxou a cadeira e se sentou de frente pra mim. — Aproveita que a dona Lucy não tá vendo.

Eu sorri com o comentário, mas não podia esconder que estava meio desanimado.

— Eu vim da Noruega, você sabe… Eu tava em Londres com uns amigos quando o conhecido do Branca abordou a gente.

— Ele vai fazer sua carreira, não é?

— Isso. Ele te contou?

— Não, mas geralmente é isso que acontece por aqui. Você não é o primeiro que se hospeda aqui com essa intenção.

Suspirei.

— Ele disse que iria iniciar minha carreira no início deste ano, e eu disse que ia esperar pelos meus amigos, mas ele quer começar comigo. Então estou aqui… esperando… ocioso… Me acha muito ansioso?

— Demais — ela manteve o sorriso no rosto enquanto me servia o café, embora eu não tenha pedido nada. — É dia dois, Morten. O ano praticamente começou. É normal ele não iniciar o seu projeto agora, deve estar ocupado com os restos de pendências do ano passado. Isso sem falar no lançamento, já ouviu?

Arqueei a sobrancelha.

— O quê?

— A música. Billie Jean, lançou hoje nas rádios. Tá pipocando — era a primeira vez que ela usava um termo tão informal comigo, e eu fiquei olhando com cara de confusão. — Quer dizer que tá bombando. E o Branca trabalha pro Jackson, não é?

— Hum… isso explica no que ele tá tão ocupado.

— Fica tranquilo, ele não vai te esquecer. Ele com certeza não vai, ele tá pagando suas despesas — ela riu, e confesso que o jeito leve com que ela lidava com o assunto tirou um fardo enorme das minhas costas. Eu a acompanhei na risada.

— Valeu, Judy… eu vou ficar de boa.

— Isso, fica de boa. Vai curtir, só não faz nenhuma besteira.

Eu comecei a brincar com o foco da minha Canon, enquanto ouvia as palavras dela. Não consegui segurar um sorriso.

— Eu tenho que tá inteiro até o nosso encontro, né? — brinquei, mas era a deixa perfeita — Falando nele…

— Eu estou louca pra te levar numa danceteria que abriu aqui na cidade. As coisas em Los Angeles custam o olho da cara! Mas, como é inauguração, vamos pagar metade do preço.

— Uau… er… tentador… — a menina conseguiu até promoção, não posso simplesmente dispensá-la assim! — então… às oito mesmo?

— Perfeito. É a melhor hora — ela deu uma piscadela — O que é que você ia me dizer?

Paralisei por uns instantes, completamente sem palavras. Precisava responder alguma coisa pra ela, então apenas balancei a cabeça negativamente.

— Às oito então.

— Judy!

Era impossível não ouvir a voz carrancuda da chefe dela, a senhora Lucy (eu sei que essa velha só me trata o melhor que consegue porque sou hóspede). Resolvi sair logo da sala pra não dar motivos pra ela gritar com a Judy, ela me acha uma distração pras funcionárias dela (não sei se quero achar isso ofensivo).

— Ha det, Juju.

Saí antes que a dona Lucy entrasse na sala, e fui pensando pelo resto do caminho. Levei as mãos aos bolsos e pus os miolos pra funcionar; eu precisava ir naqueles compromissos de qualquer forma, nos dois! E eu ia dar o meu jeito como eu sempre fiz.

— “E essa foi Billie Jean! Os ouvintes não param de pedir o que mal gerou horas de lançamento e já é considerado, pelo público e pela crítica, como o hino da música pop!”

Era o que eu ouvia pelo caminho. Eu sei que a Judy havia me pedido pra ficar calmo, mas tudo que me rodeava lembrava o motivo para eu estar ali. A música tocava em todas as rádios, em todas as lojas de eletrônicos, e alguém sempre estava acompanhado de algum toca-fitas. Como eu teria certeza que estaria à altura daquele sucesso?

Eu ainda não estava acostumado com aquela realidade, e eu enfim entendi porque Branca tanto me dizia para não rivalizar. Como ter como inimigo o cara que escreveu o hino do pop?

Bom, o resto do meu dia foi uma merda. Eu espero que as coisas fiquem melhores dia 8.

Notas finais
Próximo capítulo: — Er… Morten tem razão, Quincy, ele chegou há um tempo e ainda não viu nada. Estou ansioso pra mostrar a ele o nosso estúdio, o lugar onde gravamos a maioria das músicas de Thriller. — Mas agora, Michael? Você está cheio de compromissos… Ouvi ele sussurrar em resposta, e Branca parecia concordar com aquelas coisas. Segurei um suspiro irritado e levei uma mão ao ombro do Michael, ele que me perdoe depois. — Michael disse que ia me mostrar essas coisas hoje, eu acho que vocês conseguem um espaço na agenda dele. [...] — Então… o Quincy… ele faz o quê? — Ele é o produtor de Thriller e nós ainda vamos trabalhar juntos em outros projetos. — Hum… não me leve a mal, mas ele parecia ser seu secretário com aquela neura de mandar nos seus horários. Ele riu com o comentário. — É que eu realmente estou cheio de compromissos, e muitos são com ele. Quincy sabe que eu não faltaria, às vezes parece que ele não confia em mim. — Então quer dizer que você vai ficar ocupado pelo resto do dia? — Por quê? Quer me convidar pra sair de novo? Quando ele disse aquilo, eu finalmente entendi pra onde essa conversa tava caminhando. Mordi os lábios, sem saber o que responder; tudo o que eu via era o sorriso de canto dele, tomando suas próprias conclusões.