Diário de 83

8 Não Somos Diferentes


Notas iniciais
Ooi, gente ♥ Aos poucos Morten vai percebendo que essa parceria pode se tornar uma amizade, mas o que virá depois disso? Vamos descobrir! Boa leitura! o/

Encino, Califórnia – 10:38 hrs

20 de fevereiro, 1983

Com poucos minutos de conversa, Branca já estava convencido em me deixar em Encino.

E, como se não bastasse isso, ainda havia marcado uma apresentação para mim. Se eu estava feliz? Mas é claro! Parece que, desde que o Michael grudou em mim, as portas têm se aberto mais depressa (e depois dizem que dinheiro não traz felicidade). Eu já tinha sido avisado que o Michael era um cara esquisito e solitário, mas não sabia que o caso era tão grave assim — e que ele preferia ter um estranho morando na casa dele, com os pais dele por lá, a ficar apenas com os próprios pensamentos. Ele realmente não me via mais como um desconhecido, e sim como um amigo. Talvez um melhor amigo…

Eu confesso, ele é um cara legal, mas os negócios vêm primeiro, baby. Se isso não me trouxesse nenhum benefício, dificilmente eu teria saído do meu canto.

“Acredite em mim…

Ta na nanana… na TV”

Eu estava ensaiando no mini estúdio dele. Já faziam alguns dias que eu havia me mudado pra lá e não era tão estranho e constrangedor quanto eu achei que seria. Michael me deu praticamente um pedaço da casa! Era um casarão tão grande que eu quase sentia que vivia sozinho! Eu quase nunca me deparava com os pais ou os irmãos dele (os que moravam lá), eu apenas falava com as tias legais que limpavam a casa e eu podia usar o telefone à vontade!

— Paul, Paul… preciso falar contigo…

Fui até o telefone mais próximo e disquei o número dos caras. Aguardei e torci para que eles não tenham sido despejados (pensar sobre isso me deixava cada vez mais desesperado).

— Alô?

— Ei, Paul… é o Morten.

— Daqui a duas horas a gente vai dormir, cara, não esquece o fuso-horário.

— Foi mal. Tem como me mandar as suas anotações com os acordes e tudo mais da música do solzinho?

— Já disse que eu odeio que você a chame assim. Essa música é “dark”, pesada, cheia de melancolia e com uma mensagem subliminar, atemporal e moral…

Revirei os olhos.

— Tá, tem como você me mandar?

— Me envia uma grana pra eu pagar o selo, ou você acha que a gente realmente tem algum dinheiro aqui?

— Eu falei pra minha mãe te enviar a grana que ela ia mandar pra mim. Aonde eu tô, não vou precisar.

— Você tá na casa do playboy, não é?

— E como é aí? — Magne invadiu a ligação novamente.

— Ele não é playboy, é mauricinho. Ele não é nada como os famosos daquelas revistas de garota.

— Espera aí, você lê essas revistas?

— Ahm… ah, vai se foder.

Ouvi as risadas deles ao fundo. Paul tomou o telefone do Mags e voltou a falar.

— Tá tranquilo pegar o endereço do super astro?

— Claro! A não ser que o Branca te dê asas pra vir voando…

Depois daquela conversa merda, eu passei o endereço a ele e pedi pra que ele enviasse um expresso, eu precisava dessa música o quanto antes, o show seria daqui a alguns meses. Com tudo certo, desliguei e voltei a ensaiar.

Mas aí fui interrompido novamente pela…

— Oi, Mort…

— L-La Toya…

Eu quase engasguei.

Eu jurava que era a baixinha invocada, mas aí, da porta, surgiu aquela morena de vestido de seda.

— Você vai… sair pra algum lugar legal, pelo visto…

— Eu não vou a lugar algum, coloquei esse vestido pra você.

Ai, meu pai…

Okay, esse é um dos malefícios de ser galanteador. A garota até que é bonita, mas nem pensar que eu vou traçar a irmã do cara que tá bancando esse casarão pra mim. Eu vou ser expulso antes de realizar meu sonho.

— Então, lindinha, eu realmente tô bem ocupado agora…

— Onw… está tímido? Você é uns três, quatro anos mais novo que eu, não é? Que bebezinho…

Ela sentou no meu colo de propósito, que menina mais safadinha. Eu suspirei e segurei minha empolgação, neguei tudo o que ela falou no mais absoluto silêncio.

— Eu não… eu não entender o que você falar… Jeg er norsk, jeg snakker dårlig engelsk.

Tentei jogar a conversa, mas ela era mais esperta do que eu esperava. Senti quando as duas mãos dela se enroscaram no meu pescoço e puxaram o colarinho da minha camisa. Eu senti aquelas unhas tocarem suavemente na minha pele, aguardando um sinal pra dilacerar cada pedaço do meu corpo escandinavo — cara… eu tenho olhos pequenos, pequenos demais, mas naquele momento quase os senti saltarem das órbitas.

— Sabia… que o meu irmão gosta muito de você?

Engoli seco.

— Bom saber, mas ele não faz muito o meu tipo…

Ela revirou os olhos.

— Você sabe o que eu quis dizer. Ele tá impressionado porque nunca viu outro homem da idade dele que não fosse da família. Um homem que o trata como um garoto normal… que não dá a ele o status de deus. Você é esse homem, Mort…

Ela deslizou o indicador pelo meu tórax até chegar no centro do meu peitoral. Lá, senti o seu dedo girar suavemente em círculos.

— O que é que você quer?? Diz logo!

— Se você pedisse pra participar de algum dos trabalhos dele, você sabe que ele aceitaria sem pensar duas vezes, não sabe? Ele não para de falar de você… ele te acha muito talentoso.

— E daí?

— Eu quero… que você o convença a me deixar participar dos trabalhos dele. Só isso.

Depois de fazer aquele pedido, deu um sorriso fechado, de canto a canto, como se estivesse prestes a esfaquear um adversário. Eu franzi o cenho, confuso com aquela conversa.

— Você é a irmã dele… Não é mais fácil simplesmente pedir a ele?

— Mesmo com todos os problemas, Michael gosta da fama, ele gosta de estar em primeiro lugar. Ele normalmente insere a gente nos trabalhos dele por piedade, mas ele já está começando a ser mais seletivo, a brigar mais pelo pódio. Michael é competitivo e ele odeia perder.

— Ele acha que vocês podem tomar o lugar dele?

— Não tomar… mas atrapalhar. Ele não fala isso na nossa cara porque nos ama muito, mas você devia ver as discussões sobre negócios com a família… em como ele está relutante para pôr os The Jacksons na Victory Tour dele…

Uau, ele vai fazer uma turnê e eu estou sabendo disso em primeira mão… Isso vai ser interessante.

— Okay, você quer que eu converse com ele pra te pôr em algum trabalho, não é? Tá certo…

— E eu realmente espero que você saia vitorioso dessa, ou você não vai gostar de estar na sua pele…

Dito isso, ela lentamente selou os lábios no canto da minha boca. Eu não fiz nada, fiquei adormecido, não tinha sequer forças pra levantar da cadeira. Depois do beijo, aquela maluca se levantou e me deu um “tchauzinho”, enquanto deixava a sala.

Eu suspirei e passei a mão no cabelo. Como se não bastasse os meus próprios problemas, ainda teria que aturá-la. E eu não fazia ideia de como começar…

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Sala de jantar – 19:41 hrs

Esse foi o jantar mais tenso da minha vida (ainda pior que o dia em que eu fui conhecer os pais da minha primeira namorada).

O patriarca Jackson estava nele. Já fazia uns 4 dias que eu estava lá, e só agora ele deu as caras. Velho, ranzinza, aquelas sobrancelhas arqueadas o fazia parecer que estava sempre com raiva (que bizarro). Agora eu havia entendido as palavras da tampinha Janet.

À mesa só haviam eu, a senhora Jackson, o senhor Jackson e a Janet. Nem mesmo o Michael estava lá e os outros irmãos dele não moravam naquela casa. Enfim… que merda.

— Seu nome é Morten.

— Sim… sim… senhor — acho que só ele e o Michael pronunciavam “Morten” direito. Os outros puxavam o “r” ou inventavam um nome novo. — Eu sou… da… Noruega…

—Sim, Katherine me disse. Você veio fazer o quê na América?

— Tentar a vida na indústria da música. Eu… bom, eu sou cantor…

— E é por isso que você é amigo do meu filho? — o homem deu uma garfada na ervilha, e eu senti aquelas pontas de inox como se ele estivesse perfurando meu coração. — Porque se sim, você está começando bem. Com os contatos certos e as amizades certas, você consegue tudo o que quiser.

Eu aquiesci sem retrucar. Ele basicamente me disse pra usar o filho dele, esse cara é louco. Mas ele não está errado, eu estava ali pelo meu sonho e o dos caras. Porém… falar daquele jeito deixava as coisas ainda mais frias e mesquinhas. Eu me sentia sujo.

— Eu tive um pouco de sorte, senhor.

— E o que você canta?

— Ahm… — ia dizer "synth pop", mas me perguntei por um segundo se ele e o Michael partilhavam da mesma opinião. Depois disso, tinha o "new wave", que ainda estava se disseminando. O que me restava era apenas o… — pop.

Vi o seu olhar acentuar.

— Pop? Que nem o Michael? — ele sorriu, ver esse homem sorrindo era de arrepiar — Então quer dizer que o Michael está treinando um concorrente?

Eu fiquei sem ter o que falar. Olhei pra Janet por um segundo, e notei ela fazer um movimento sutil de negação, como se me pedisse pra calar a porra da boca.

— Eu não… levaria assim…

— Não, isso não é ruim. Vamos ver se o Michael é melhor como mestre ou aprendiz, mas eu garanto a você que não irá conseguir ultrapassá-lo. Michael foi treinado para ser o número um — ele deu outra garfada na comida e eu juro que senti uma dor aguda do lado (deve ser psicológico).

Depois daquela conversa desconfortável, eu me despedi dos Jacksons e fui pro lado norte da casa. No meio do caminho, Janet esbarrou em mim de propósito.

— Ei…!

— Shh, cala a boca. Você quase caiu na do papai…

— Caí no quê? Foi só um papo de gente velha… — suspirei, eu precisava aliviar a rigidez dos meus ombros — eu não queria ser o genro dele nem por um milhão.

— O papai tentou jogar você pra cima do Michael. Ele adora competições porque ele confia no trabalho dele, e você quase caiu nessa, seu otário.

— Olha a boca, garota…

— Vocês meninos falam coisas piores, acha que eu não sei?

Eu dei ombros, no fim das contas ela tinha razão.

— E o que é que você quer que eu faça? Como se já não bastasse a sua irmã…

— De qual delas você tá falando? Espera aí, o que tem elas?

Ela franziu o cenho, e eu apenas mordi os lábios, tentando falar o mínimo possível (aah, eu e minha grande boca).

— Não te interessa, tampinha… Você quer que eu fique longe do seu pai? É isso?

Ela revirou os olhos.

— Fica de olho. Todo mundo vai tentar te influenciar… Eu sei disso porque meu pai tá assessorando minha carreira… e início de carreira é sempre assim.

Cacete, até a Janet tá mais adiantada do que eu. Tô me sentindo humilhado…

— É muito difícil?

— Michael sempre me disse que a música dele é a forma como ele se expressa no mundo. A minha música ainda não é assim… a minha música é somente o meu pai se expressando por mim.

Eu assenti em silêncio. Não sabia o que dizer, mas, andando com esse pessoal, minha vontade era de pagar terapeutas pra todo mundo. Pensei em alguma coisa, porém nada realmente interessante saiu da minha mente. Chegamos no lado norte da casa e a Janet parou de me acompanhar.

— Boa noite, palmitão.

Eu franzi o cenho e a encarei, surpreendido. Vi quando ela segurou um riso e deu alguns passos pra trás.

— É assim, não é? Tampinha de garrafa…

— Vela do sétimo dia.

— Stuart Little.

— Escada de bombeiro.

— Putz, quanto de altura você acha que eu tenho? Eu te garanto que eu só pareço alto porque você é pequenininha assim…

Ela gargalhou com o meu comentário (até que ela tem um bom senso de humor).

— Ei, como é que se diz “boa noite” em norueguês?

God natt.

“Gu nó”, Mortun… Au revoir.

— Tchau, tchau.

Ela seguiu por um corredor diferente e eu fui direto pro meu quarto. Não vi o Michael o dia todo, mas, se essa noite for igual às outras, ele não vai dormir fora. Ultimamente ele tem saído bastante, e eu nem quero me meter nesses compromissos dele, porém, se for algo relacionado ao ambiente musical, sinto que eu deveria estar presente.

Hum… tá aí. Eu vou falar com ele ainda hoje.

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Quarto do Morten – 22:13 hrs

Eu estava prestes a dormir quando senti a luz do corredor passar pelos meus cobertores até o feixe luminoso alcançar meu rosto e me despertar completamente.

Meu sono era leve naquele momento. Abri os olhos com pouca dificuldade, notei o quarto ainda escuro e percebi que não havia trancado a porta (na verdade eu fiz de propósito, eu sabia que ele viria atrás de mim).

— Morten…? Você… tá dormindo?

Eu lentamente me inclinei e passei os dedos pelos meus fios.

— Eu quero falar com você.

— Eu também, mas… acho que não é tão importante quanto o que você tem pra me dizer.

— Talvez… Vou jogar uma água no rosto. Posso ir lá no teu quarto?

— Okay, te espero lá.

Ele saiu e eu fui me arrumar. Coloquei um moletom, lavei o rosto e me enxuguei. Depois disso, peguei minha Canon e saí. Já estava bem tarde e os corredores estavam pouco iluminados, mas felizmente alguns cômodos ficavam acesos (e eles tinham umas luzes presas nas paredes que deixavam o ambiente menos sinistro). Segui até o quarto do Michael e fechei a porta assim que ele me pediu.

— Por que veio com essa câmera?

— Hum… Ah, porque você tem uma visão bem interessante da janela. Posso tirar uma foto do céu?

— Claro.

Ele mesmo se levantou pra abrir a janela, e eu apenas o acompanhei e fiz as fotos que eu queria. Minha intenção era registrar tudo o que eu pudesse, do mais importante pro mais simples, tudo isso ia me trazer boas lembranças.

— Você pode fazer uma cópia dessas fotos pra mim?

Sorri de canto.

— Gosta dessas fotos de natureza?

— Ah, são maravilhosas, principalmente do céu. Você não acha o céu uma obra mágica?

Ele estampou um sorriso natural e eu tentei segurar o meu, Michael era muito engraçado com toda essa conversa viajada.

— Não sabia que você gostava dessas coisas. Os caras não são muito interessados nisso, o Paul prefere o ambiente urbano.

— Eles não sabem o que estão perdendo, dá pra se aprender muitas coisas com a natureza… e dá pra tirar muitas inspirações dela também.

Ouvindo aquela conversa, olhei pra minha câmera e pensei por alguns instantes. Ele tinha os mesmos gostos que eu, eu não podia jogar aquilo fora, pelo menos é algo mais a se fazer em um lugar onde eu não conheço ninguém.

— Você… quer tirar algumas fotos amanhã? Ou… não sei, quando você puder. Eu bem que ia pedir pra fotografar as flores do teu jardim mesmo…

Ele me olhou meio surpreendido, e eu me questionei sobre o que eu havia dito de tão impressionante.

— É claro! Vai ser divertido… Eu não esperava que você gostasse dessas coisas a esse ponto.

— O quê, da natureza? Eu tenho uma coleção de flores, cara — eu ri, mas, depois de um tempo, percebi como aquilo parecia constrangedor, não era lá algo que eu saía falando por aí. Pigarreei. — Bom… não que seja algo muito grandioso, é uma coisa simples…

Ele sorriu.

— Do que você tem medo, Morten? De que eu ache ridículo? Justo eu? — ao dizer essas palavras, ele voltou a se sentar na beira do colchão. — Eu também gosto de flores, está bem? De flores… de animais… das coisas de Deus. Acho que o errado é não gostar dessas coisas.

Ele deixou um riso baixo e curto escapar, e eu sorri em resposta (até enfim me lembrar do porquê de estar ali).

— Sim... então, eu queria te fazer um pedido. Você tem saído ultimamente e eu sei que não é da minha conta, mas, se for algo relacionado ao seu trabalho, você poderia me mostrar esses “bastidores”? Eu quero trabalhar o quanto antes e eu sinto que você é o único que realmente tem valorizado isso em mim.

O sorriso dele se acentuou.

— Você leu minha mente, sabia? Preciso que vá a um evento da ET comigo…

— A revista de celebridades. Sei…

Ele arqueou a sobrancelha.

— Você… conhece esse tipo de revista?

Eu segurei um suspiro de frustração. Puta merda, hoje deu de todo mundo me encher o saco com isso.

— Algumas vezes eu leio, tá? Mas não é por causa do horóscopo, eu gosto da parte de música.

Michael gargalhou e eu tentei disfarçar minha expressão emburrada (eu sinceramente não estou achando graça nenhuma).

— Bom, acho que a gente já conversou demais, daqui a pouco são onze horas… Dia vinte e cinco é o evento, hein? Coloca na sua agenda.

Ele se acomodou na “cama” dele e eu me levantei pra ir embora.

— Boa noite.

Fui pensando para o meu quarto. Cada vez que eu conversava com esse cara, cada vez que eu conhecia uma coisa nova nele, ele me fazia perceber como no fim das contas nós não éramos tão diferentes. O lance das flores era algo meio zoado da minha adolescência, mas, pela primeira vez, alguém não havia ridicularizado isso; uma celebridade, um cara que não precisa ser “bonzinho” comigo se ele não quiser.

Ou ele tinha algum problema, ou eu tô muito mal acostumado.

Notas finais
Curiosidades: — Um dos motivos para os irmãos do Michael terem o acompanhado na Victory Tour foi realmente influência da sua família, mais especificamente de sua mãe, Katherine. — Joe realmente acompanhou o início da carreira da Janet. — Uma curiosidade aleatória: Morten chama Janet de Stuart Little. O filme do ratinho não tinha sido lançado na época, mas o seu livro existia desde a década de 40. — Paul realmente prefere o ambiente urbano. No seu Instagram oficial, ele sempre está postando fotos conceituais das cidades por onde viaja. — Morten realmente é um amante de flores. Quando ele veio ao Brasil pela primeira vez, foi presenteado pelas fãs com orquídeas brasileiras. x ----- x Próximo capítulo: Eu estava em uma daquelas limusines clássicas e majestosas. Michael estava do meu lado, um pouco mais afastado, e eu resolvi pegar uma revista para folhear. Era o dia do evento da ET, Michael iria conceder uma entrevista a eles antes da premiação, ele me contou que eles estavam comemorando as 2 milhões de vendas do Thriller. [...] Eu estaria nervoso a essas horas, mas Michael soava como se a gente fosse dar uma volta na Disneyland, ele sorria com naturalidade e olhava a paisagem despreocupadamente. — Como você consegue…? — Como eu consigo o quê? Putz, era pra eu ter pensado nisso calado. — Nada… Ele não pareceu satisfeito, pois seu sorriso lentamente se desfez. Eu já havia percebido que o Michael não usava mais os óculos escuros quando falava comigo, e os colocava quando falava com pessoas que não tinha muito contato. Ele os colocou novamente e eu percebi naquele momento que alguma coisa estava errada. Eu passei tanto tempo cogitando sobre os planos do Branca que fiquei bom em criar teorias da conspiração (sim, talvez eu esteja ficando maluco. Socorro!), mas o meu palpite era que a minha forma introvertida incomodava ele a certo ponto. Michael me tratava como um melhor amigo, eu ainda não. Eu não controlo muito isso… Mas fiz um esforço.