Diário da Vida Real
12 Terça-feira, 25 de novembro de 2014
Notas iniciais
Querido Diário,
Já que hoje não fiz muita coisa, vou contar sobre o meu dia e depois sobre Fred e o garoto da maconha.
Hoje eu acordei às 11h, e isso me chocou porque fui dormir às 23h. É a primeira vez que dormi por 12 horas.
Almocei e fui para o contemporâneo. Terminamos de pintar as caixas, minha mãe foi me buscar e comprei um chinelo bem bonito da França.
Minha mãe não queria me deixar comprá-lo porque é masculino, mas acredite: Não há muita variedade de chinelos femininos de numeração 39/40.
Em cara, terminei de ler o livro que estava comigo há muito tempo (O Fio da Vida). Realmente, incrivelmente, surpreendentemente bom. Adoro usar advérbios de modo.
Depois fui para a quadra. Minha chuteira tinha sido deixada na chuva ontem, então não tinha o que usar. Perambulei pela casa procurando as chuteiras de Mogli. Uma molhada, a outra na caixa (chegou hoje) e uma ele estava usando.
Meu pai me deixou subir no telhado (é logo abaixo da janela do quarto de Mogli). Ele está construindo uma nova área no nosso quintal. Surpreendentemente, os barulhos não me incomodam. Adorei subir no telhado.
Mogli, que estava na quadra, voltou para casa e colocou a chuteira nova. Coloquei a que ele estava usando. Jogamos bola na quadra.
Pat estava lá. Ele é o amor platônico de todas as meninas que frequentam a quadra, porque é tremendamente bonito, simpático, atlético, joga super bem, é novo no condomínio…
Hazel e eu costumamos chamar esse tipo de menino de pacote completo, ou combo, que é bonito e legal. Bolt também entra aí. O – grande – problema é que Pat – e Bolt também – tem namorada. Hum, é o fim. E nem tinha começado.
Vamos falar do garoto da maconha. Ele é da outra sala. Meu amigo (David) disse que ele chega chapado todos os dias. David sabe reconhecer alguém chapado porque já ficou chapado, mas eu sou uma das únicas – talvez a única – pessoa da escola que sabe disso. Enfim.
O cara – da maconha, não David – posta fotos nas redes sociais de suas plantas de maconha e dá nome para elas. Também posta fotos dos baseados que ele mesmo faz. Que engraçado.
Consigo ouvir o sangue sendo bombeado nos meus ouvidos. Acho legal porque não achava que isso fosse possível.
Agora Fred. Ele é feio, chato, extremamente burro. Mora no meu condomínio e estuda na minha sala há cinco anos.
Ele gosta de mim desde que estamos no sexto ano. Acho que no oitavo ano ele parou, mas isso virou meu estigma. Vão me zoar para sempre porque eu sou a menina de quem Fred gostava.
Quando eu estava no 7º ano, o pesadelo começou. Meus pais tiveram a brilhante ideia de combinar com os pais dele para revezarmos a carona para a escola. Eu o odeio há muito tempo.
Mas, depois de cinco longos anos, meu sonho finalmente se realizou. FRED REPETIU O ANO! Ele vai sair da escola! A espera foi longa, mas aconteceu. Não vou mais precisar convidá-lo para meus aniversários, não vou mais vê-lo todos os dias!
A energia acabou e está bem difícil de escrever com a luz do celular. Também estou sentindo cólicas. Já tomei remédio.
Boa noite!
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