Diário da Vida Real
3 Terça-feira, 11 de novembro de 2014
Notas iniciais
Olá, Alfred.
Ontem foi o aniversário de morte de três anos do meu avô materno. Ele era legal. Hoje é o aniversário de 3 anos do enterro dele, se é que isso existe. 11/11/11. É, eu sei, eu também achei meio sinistro na época. O fato é que eu tinha 12 anos, tecnicamente um avô só e agora a minha mãe fica chorando às vezes, o que me deixa um pouco nervosa.
Não conheci minhas avós porque elas morreram antes de eu nascer. Não sinto muita falta delas porque não dá para sentir falta de algo que você não teve, mas acho que deve ser legal ter pelo menos uma avó.
Vou explicar por que eu tecnicamente não tenho mais avô nenhum. Meu avô paterno tem Alzheimer, e ele não sabe quem sou eu, e também não sabe quem é o meu pai. Para o meu pai deve ser pior, porque o pai dele não o reconhece, e isso é bem chato. Um dia, esse meu avô fez xixi em uma mulher na rua.
Certo, vamos deixar as coisas bad de lado. Vou contar sobre o meu dia.
Hoje, durante a aula de Biologia, Law disse que queria muito fazer uma tatuagem, mas a mãe dela não deixava. Se essa garota fizer uma tatuagem, aposto que será algo bem ridículo que está na moda agora.
Ela provavelmente é do tipo que teria tatuado o símbolo do infinito no pulso, uma cruz ou um filtro dos sonhos. Mas eu não falei nada disso. Só virei e disse:
– Arruma um amigo tatuador e já era.
Várias das pessoas que sentam à nossa volta na aula começaram a rir e olhar surpresas para mim. Ultimamente, quando a galera descobre como fiz meu dread e coloquei alargadores (ambos sem autorização/feitos secretamente), eles dizem que sou rebelde.
Às vezes, acho que sou um pouquinho rebelde sem causa sim. Mas nada muito drástico, como colocar fogo nas coisas e jogar bolinhas de papel molhado no teto do banheiro da escola (apesar de que eu acho que essa coisa das bolinhas não é tão ruim, mas eu nunca fiz nada disso). Sou realmente certinha.
AI, MEU DEUS, ESQUECI DE CONTAR!
Não sei se já falei de Colin, um menino extremamente bonito que está no 3º ano que eu não sei o nome real. EU O ENCONTREI NO FACEBOOK! Fiquei bem feliz e pedi amizade a ele, só espero que ele aceite. Não que eu pretenda falar com ele no chat, nem nada do tipo ♥
Eu tive que parar de escrever porque saí para ir ao ensaio. Faço dança contemporânea há dois anos, e a apresentação está chegando.
Assim que cheguei em casa, troquei de roupa e fui para a quadra jogar futebol. É claro que, sendo o condomínio, tinha que rolar alguma coisa para render comentários mais tarde.
Quando cheguei, lá estavam (sem camisa, exibindo seus abdomens definidos) Bush e Nobre. Bush estudou na minha escola até a metade do ano, e então saiu. Acho que ele repetiria novamente o 1º ano se não saísse.
Como que quase nunca falei com ele (raros “oi”), fiquei com vergonha, mas eles são legais. Hazel chegou logo depois porque eu mandara uma mensagem a ela quando saí de casa.
Na quadra, perguntei se alguém estava com o celular para ligarmos à portaria e algum guarda fosse acender as luzes, porque já eram 20h e nós não temos as chaves dos interruptores.
Ninguém tinha um celular, mas, quando o guarda passou de moto na rua, Bush e Nobre correram até lá. As luzes se acenderam e Hazel chegou.
Enquanto nós jogávamos, Kenna chegou. Ela pareceu decepcionada porque:
Tinha meninos sem camisa lá e eles a ignoraram;
Ela estava devidamente vestida sem mostrar as pernas ou os pequenos seios em formação de seus jovens e atirados 13 anos.
Vendo que Bush e Nobre, 16 e 17 anos respectivamente, não davam bola para ela, Kenna foi jogar handebol com Bolt, que namora há 3 anos e essa informação parece completamente inútil para nossa amiga Kenga – O mesmo acontece com Turco, como vocês já sabem.
A marcação no handebol é razoavelmente ousada, e Kenna já utilizou tanto a marcação como Bolt para fazer ciúmes a um garoto (Barb) que nem gosta dela, mas isso logo será contado também. No momento, ela só jogava com Bolt porque Turco e Gil, os garotos populares da quadra, não estavam lá para ela rodear.
Quando chegou, Kenna veio me dar um beijo na bochecha, coisa que ela recentemente começara a fazer e que eu acho um pouco desagradável. Fugi do beijo, fingindo que achava ter visto a minha mãe caminhando e estava indo dizer “oi” a ela.
Eu realmente odeio beijos na bochecha. Gosto de abraços em familiares ou cumprimentos e acenos em pessoas que não tenho tanta intimidade. Beijo na bochecha é esquisito demais.
Nada de mais aconteceu. Pouco depois de Kenna, Anna chegou, e ficamos eu, Hazel e Anna tocando a bola uma para a outra. Kenna não quis saber de jogar conosco, supostamente suas melhores amigas, preferindo ficar com os meninos.
Como amanhã será um dia terrivelmente cheio (Quarta: futebol + contemporâneo + prova de biologia na quinta), provavelmente não poderei escrever. Mas quinta-feira contarei tudo o que rolou no futebol – e sempre rolam coisas no futebol.
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