Diário da Vida Real
11 Segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Notas iniciais
Querido Diário,
A cobra fumou.
Na verdade, a cobra fumou um monte. Pra caramba. Estou impressionada com a quantidade de merda que pode acontecer em um fim de semana.
Primeiro, quinta-feira uma garota veio falar comigo. Ela disse que o pessoal da PA de Química (Programação Avançada – Aulas de química e laboratório avançadas à tarde na escola) iria a uma pastelaria local para uma confraternização de final de ano e etc. Eu disse que iria e achei legal.
Depois eu me arrependi porque pensei que Limão (o garoto do 3º ano de quem eu gostava mas parei de gostar e agora fingimos ignorar a existência um do outro – A história da Desilusão Amorosa e coisa e tal) poderia ir porque ele era da PA de Química também, e entrei em pânico. Entrei em um pânico danado.
Mais tarde, hoje, na hora de ir, eu estava suando frio. Então descobri que ele não ia, suspirei aliviada e fui tranquila. Foi divertido.
Da pastelaria, eu e Magda fomos para a dança e pintamos o cenário da apresentação junto com outras colegas de turma.
A segunda merda foi agora. Minha mãe olhou para mim e disse:
– Você aumentou esse buraco do alargador?
Puxa vida. Ferrou. Eu tinha aumentado três milímetros. Fiz que não com a cabeça e meu pai começou a gritar.
– TIRA ISSO! TIRA ISSO AGORA!
Às vezes ele me dá medo, porque sua voz é grossa e ele fica muito bravo do nada e começa a gritar pra caramba.
Eu disse que eles são preconceituosos e intolerantes, porque meu pai disse que alargador “não é coisa de gente”. Aí minha mãe resolveu avacalhar.
– Você não vai usar isso na orelha! Vai usar brinquinho bonitinho!
Confesso que dei risada, mas ela não percebeu. Ainda começaram a me ameaçar dizendo que eu não ia ao Anime Fest.
Minha mãe fica mandando eu ir dormir, e meu pai também. São 23h e hoje foi meu último dia de aula!
Estou de férias, não tenho mais que acordar cedo e a única coisa que estou fazendo é escrever. Não estou na internet falando com meninos, estou escrevendo no meu diário! O estardalhaço é ainda maior quando estou lendo um livro, acredite.
E vamos à terceira e maior merda.
Bem, lembra-se de quando eu disse que Barb ficou com Chita? Pois bem, eu contei a um amigo (Gil) e ele contou a Kenna. O problema é que ele contou o real motivo do beijo: Vingar-se de Kenna porque ela deu em cima do garoto de quem Hazel gostava.
Quando olhei bem para tudo isso, pensei: Que merda eu tenho na minha cabeça?
Eu fui até Kenna (pelo celular, porque estava chovendo e eu não podia sair de casa porque já era noite) para pedir desculpas por ter concordado com essa história, e admiti que estava errada, e gostaria que ela admitisse que estava errada também ao dar em cima do garoto que Hazel gostava.
Mas ela não admitiu, então começamos a brigar.
Sabe, eu nunca brigo com ninguém. Acredito que eu seja 80% paz e amor (os outros 20% destinados ao meu irmão e à minha mãe). Mas, cara, eu arrasei com ela.
Rebati todos os argumentos e tudo o mais, e tudo isso porque, em vez de aceitar as desculpas e calar a boca, ela ainda tentava me humilhar.
“Você tem noção do quanto isso foi infantil e cruel?”;”Por que você veio pedir desculpas, afinal? Ainda está brigando comigo”. Estou orgulhosa de dizer que acabei com ela e fiz ela enfiar todos esses argumentos falsos no rabo.
Desculpe a minha linguagem suja.
A melhor parte é que ela se fez de coitada, então boa parte dos meninos falou mal de mim e de Hazel. De quem deveriam estar falando mal – Chita, já que ela foi o cérebro da operação e tudo o que nós fizemos foi concordar com o plano dela –, ninguém falou, então vou ficar na minha. Acho que Barb me odeia agora, mas tudo bem. Eu o odeio há muito tempo.
Estou com sono. Amanhã conto mais sobre o garoto da maconha e Fred.
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