Diário da Vida Real
18 Quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Notas iniciais
Querido Diário,
Quero confessar algumas coisas.
Primeiro, estou com raiva sem motivo.
Segundo, quando começo a gostar de um menino e mantenho uma conversa regular com ele, eu conto as coisas que aconteceram no meu dia e tal, de certa forma que eu sempre acabo indo parar na friendzone. Com Pat isso não vai acontecer. Afinal, é para isso que servem os diários! Para contar as coisas sobre o meu dia e as conclusões que tirei delas.
Acordei às 6:45h, e segui com a minha rotina de exercícios. Algumas horas mais tarde Pat passou por nós e disse um “oi” breve. À noite ele me contou que fora à academia de manhã e à tarde.
Quando fomos ao contemporâneo, minha mãe falou o caminho inteiro. Eu nem me dava ao trabalho de olhar para ela porque ela fala sem esperar uma resposta. Isso me deixa irritada.
Durante essa semana, estou tentando não responder ou ser malcriada para poder ir ao Anime Fest domingo. Meus pais não gostam que eu vá porque tem muita gente esquisita – e cosplayers, que eles acham ainda mais esquisito.
Geralmente, meu pai entende que eu gosto e me deixa ir, mesmo que de má vontade. Minha mãe tem uns ataques.
Estou tentando não ficar de castigo para ela não ter motivo nenhum para impedir minha presença nesse evento nerd.
Ela está me rodeando para saber o que estou fazendo – escrevendo no diário.
Sabe, minha mãe passa o dia todo reclamando. Se fizer três abdominais, ela passará a semana toda reclamando de dor na barriga. Se alguém liga o rádio, ela automaticamente diz que está com dor de cabeça.
Hoje ela fez um exame que diz que ela está com falta de algo que a deixa indisposta. Agora ela tem motivo para reclamar e tudo virou um caos tremendo:
– Puxa, está explicado! Eu acordo cansada e vou dormir cansada! O médico disse que não sabe como eu aguento ficar em pé!
E tudo isso sem esperar uma resposta minha.
Quando entramos no condomínio, ela viu uma mulher de costas, caminhando, e achou que era uma amiga dela. Então cogitou das uma carona. Ao passarmos pela mulher, ela viu que não era quem ela pensava.
– Ainda bem – falou, aliviada. – Minha bolsa está lá atrás.
– E daí que a sua bolsa está lá atrás? – perguntei.
Ela explicou que a mulher era cleptomaníaca. Perguntei-lhe como ela sabia disso.
– Ela já roubou todo mundo – minha mãe contou. – Minha amiga foi ao shopping com ela e ela roubou um casaco infantil.
Eu esperei ela continuar.
– Essa mulher tem um problema sério.
Minha mãe disse isso, e é mesmo um problema sério. Mas ela falou em tom pejorativo, como se dissesse que a mulher era louca.
Não contestei, porque minha mãe odeia ser contestada. Ela iniciaria uma discussão e finalmente conseguiria me botar de castigo.
Infelizmente não pude defender a clepto. Calei a boca porque seria melhor.
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