Diário da Vida Real

23 A Épica Sexta-feira, 12 de dezembro de 2014


Notas iniciais
caso você tenha acabado de encontrar minha história nesse site e o nome desse capítulo chamou a sua atenção, não leia antes só porque está escrito que é épico. Vai ter um spoilerzão logo na segunda linha. Um spoilerzão da história toda. Mas que foi épico, foi.

Querido Diário,
EU BEIJEI PAT!

Cara, eu não sei o que fazer da vida. Esse dia é histórico. Eu estou mucho loca.

Vou descrever um monte de coisas em detalhes porque estou eufórica. Parece que a categoria “Romance” foi bem escolhida para essa história.

Duas noites atrás, eu expliquei a ele o que significava ser “combo” (lanche, batata e coca – legal, bonito e gente boa), e depois ele disse o seguinte:

− As meninas são muito complicadas. Por isso eu sou gay.

Eu dei risada e disse que sabia que era mentira. Eu disse que tinha a namorada dele no Facebook. Eu sei, muito esperto da minha parte. E então:

− Nem sei mais como definir esse relacionamento. Na verdade, nem sei se estamos namorando ainda. Brigamos muito. Não sei o que restou de sentimento.

E eu perguntei por que eles não abriam o jogo, e ele disse que era o certo mas faltava coragem.

Ontem à noite nós estávamos conversando pelo celular e ele disse que nós podíamos assistir ao sol nascer porque era legal e ele nunca tinha feito isso. Eu concordei, e nós nos encontramos na quadra às 6h da manhã.

Nós nos sentamos na arquibancada de baixo, de onde não dá para ver a rua, e nós não sabíamos de onde o sol nascia. Foi engraçado. Eu e Pat conversamos normalmente por bastante tempo.

Em vários momentos ele ficou me encarando sem dizer nada, e uma hora nós estávamos próximos, tipo sentados perto um do outro. E ele disse:

− Vem cá.

− Por quê? – perguntei.

− É segredo.

E aí eu entendi que ele queria me beijar porque nossos narizes praticamente estavam encostados e ele sussurrou a frase “é segredo”.

Pat colocou a mão na minha bochecha e puxou muito de leve meu rosto, e eu comecei a inclinar a cabeça também. Ele estava olhando para os meus lábios.

E então nós nos beijamos, e os lábios se tocaram daquele jeito que encaixa. E ele se afastou um pouco, sorriu e me beijou de novo. E começou o terror.

Pat enfiou a língua na minha boca e eu não sabia o que fazer, então fiquei parada. Ele fez isso de novo, e não foi nojento como e achei que seria. Mas eu estava travada. Eu só não sabia que tinha que enfiar a língua na boca dele, e ele se afastou de novo.

− Você não gostou? – perguntou. – Desculpa, você não queria.

− Se eu deixei era porque eu queria.

Pat sorriu e nós continuamos conversando normalmente, rindo, brincando. Logo depois do diálogo acima, ele insistiu:

­− Você está com vergonha?

− Sim.

− Vergonha a ponto de voltar para casa e dormir?

− Não.

− Vergonha a ponto de chorar?

− Vergonha a ponto de a minha barriga estar gelada e as minhas mãos estarem tremendo.

Ele riu e eu me inclinei de novo.

− Eu tenho que te contar um segredo.

− Fala.

Isso foi um pouco cruel porque ele deve ter pensado que eu iria beijá-lo de novo, mas não.

− Você é combo.

Ele começou a rir e não me lembro o que aconteceu depois. O clima ficou menos tenso. Os pedreiros do condomínio chegaram e Pat ficou meio incomodado, então sugeri que fôssemos beber água e os pedreiros foram embora. Nesse momento, Pat – que estava indo na frente – parou e ergueu o braço, tipo para cumprimentar alguém.

Chita estava lá.

Nós fingimos que tínhamos chegado pouco tempo antes e estávamos esperando as outras pessoas chegarem. Depois, mais gente chegou e nós fomos jogar um jogo meio idiota de basquete, e Pat parou atrás de mim e ficou com as mãos nos meus ombros.

Estou sentindo o cheiro dele até agora.

Contei a Hazel e Chita sobre meu primeiro beijo. Hazel começou a chorar.

Foi engraçado.

Comecei a sentir uma coisa muito esquisita na barriga e no peito, e não aguentei guardar o segredo. Eu tinha que contar para as meninas. Agora, Anna, Hazel e Chita sabem e confio plenamente nelas. Elas ficaram felizes.

Quando cheguei em casa, mandei mensagem para Pat e acho que fiz burrice. Eu pedi desculpa por não ter correspondido o beijo dele. VOCÊ NÃO SABE O QUE ELE ME FALOU.

− Relaxa, haverá outras oportunidades.

O QUÊ?

HAVERÁ OUTRAS OPORTUNIDADES.

HAVERÁ.

OUTRAS

OPORTUNIDADES.

AAAAAAAAAAAAAAAHHH

Ele ainda sabia que eu nunca tinha beijado ninguém porque me escutou dizendo alguma coisa do tipo a Mary. Não vou falar aqui o que eu disse a Mary porque foi idiota. Mas Pat também disse que não tinha problema.

Ah, Diário. Foi o melhor primeiro beijo de todos. Ele foi tão fofo comigo. Mas só tem um problema. Ele pediu para guardar segredo. Sabe por quê?

EU uso a Letra Escarlate. É, quem diria? Ele não terminou com a namorada dele e me beijou e estou me sentindo mal agora.

Quero beijá-lo de novo.

Será que eu sou uma vadia?

Notas finais
olhe, não me olhe assim. eu não sou uma vaca. e hoje 01/04/15, acaba de acontecer algo que me deixou na bad. mas pat é um cara legal. e outra, ele não me contou que queria que eu guardasse segredo porque ele tem uma namorada. eu obviamente deduzi. mas enfim. beijos, espero que tenham gostado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.