Diário (In)Acabado de Um Amor Não Correspondido

1 Vivências positivas, guardo no coração


A primeira vez que o vi, não sabia quem era. Sabia apenas que estudaria comigo. Não dei a menor atenção.

Recebi o pedido de amizade na rede social e demorei a perceber que era meu colega de classe, já que usava seu apelido e não seu nome. E bem… Naquela época eu nem sabia seu apelido e nem seu nome.

Depois de um ou dois meses, uma amiga me marcou em um vídeo, disse que era de um cara da nossa sala e que a banda dele era bem legal. Cliquei, assisti, gostei, mas achei o clipe desconfortável, cheio de flashes. Porém, a música era bem legal, se encaixava nos estilos que eu mais curtia.

Talvez mais algumas semanas se passaram e eu só sabia quem era ele pela rede social, não dava atenção, nem mesmo dentro da sala de aula.

Uma noite dessas do início do ano letivo na faculdade, a aula acabou e, como sempre, fiquei brisando, sem foco no que estava acontecendo ao meu redor. Foi então que tivemos o primeiro “contato”. Ele acenou com a lista em mãos e me perguntou se eu já havia assinado. Eu, ainda saindo daquela moscada bem legal, consegui dizer:

– Ah! Já assinei sim! — e dei um sorriso.

Logo depois fui capaz de pensar: Então esse é ele, o… Prefiro não citar o nome dele. Sabe-se lá quem vai ler isso aqui. Só posso dizer que seu nome vem logo após o meu na chamada. Mais uma coisa para infernizar meus pensamentos, até durante as aulas.

Depois disso, não sei bem o que aconteceu. Não me lembro da ordem exata. Sei que eu estava em um “relacionamento”, que até hoje não sei por que estava. Me dá coisa até de lembrar. Sou uma idiota! Mas, graças a Deus, aos anjos, ao universo ou seja o que for me livrei dessa.

Fiquei sabendo que haveria um show de uma banda bem conhecida, aqui na minha cidade. Como em uma época eu gostei muito dessa banda, fiquei feliz em saber que seria um show gratuito (vida de universitária não é fácil, como devem saber).

Alguns dias mais tarde, o celular mostra uma notificação. Uma mensagem dele no grupo da sala. Sua banda abriria o show. Naquele momento eu já senti algo diferente, porém, nada que me alarmasse. Achei interessante e logo disse que estaria lá para prestigiar. Ele ficou muito feliz e eu, de uma maneira estranha, me senti muito bem com isso.

Com o passar dos dias, comecei a perceber que de alguma forma, nossos olhares sempre se encontravam em meio às pessoas. Durante algumas aulas, na saída da faculdade e o dia que me lembro mais perfeitamente: na cantina. Foi esse o dia o qual percebi que eu estava bem ferrada. Um olhar é capaz de te desestruturar completamente, vai por mim.

Mas, como nem tudo é perfeito (ou quase nada, para mim, como sempre), alguns dias antes eu percebi que ele andava sempre com uma garota, de um curso de nossa área. Eram namorados.

Minha mente, já confusa, desandou de vez. Por que ele, tendo uma namorada, me olhava tanto?! Mas na verdade, parecia algo inconsciente nosso. Eu não o olhava por querer olhar (não conscientemente), e ele, creio que agia da mesma forma.

Parecia o universo conspirando. E eu adotei uma frase de uma série (Sherlock, cough) para minha vida. “O universo é raramente tão preguiçoso”. Não sei se foi a melhor, ou pior coisa que já fiz na vida. Só sei que uma coisa era certa, só nós sabíamos.

Os dias se passaram e chegou o dia do show! Eu não havia contado nada para nenhuma amiga sobre a confusão dos meus sentimentos, até porque nem eu mesma estava entendendo. Não que hoje eu entenda muito bem, mas… Vamos continuar.

Eu não tinha nenhuma música da banda, sabia muito pouco. Minha amiga já estava com todas as letras na ponta da língua e eu: nada. Pedi por uma semana para que ela me passasse as músicas ou o link para que eu pudesse ouvir/baixar. A filha da mãe só me passou na manhã do show. Decorei duas ou três músicas, que eles não tocaram. Olha a sorte grande da pessoa!

Durante o show ele nos achou em meio ao público e acenou. Minha amiga só faltou soltar gritinhos. Na verdade, ela soltou gritinhos: “VIU?! Ele acenou pra mim! Todo mundo viu! AH!”. Só me limitei a balançar a cabeça e rir.

Sei que nessa noite, ganhei um adesivo e um CD da banda. E ao término do show, ele veio falar com a gente. Quando ele se aproximou, lembro que congelei um pouco. Ele me abraçou e agradeceu por eu estar lá. Nosso primeiro contato físico (primeiro e penúltimo). Conversamos um pouco e só me lembro de pensar: “Que voz linda. E que perfume!”.

Entraríamos de férias em poucas semanas e os olhares continuaram. Eu já não estava mais me sentindo bem com aquela situação, só queria esquecer. E pensei que as férias me ajudariam nisso.

Eis que no meio das férias, chegam mensagens no grupo da sala. “Gravação do clipe, tal dia, tal local”. Era em outra cidade e era fim de mês. Eu queria ir, mas não ia conseguir. “Deve ser o universo conspirando pra eu deixar esse papel de trouxa de lado”, pensei. Até aí, tudo bem. Alguns dias mais tarde, a gravação foi adiada e eu já fiquei em alerta. MASOQ? Universo, o que tu tá aprontando? A resposta não demorou muito.

Outra mensagem, depois de uns dias, com outro local de gravação. Na minha cidade, em um local menos de 20 minutos a pé da minha casa. Ê universo! O que você está querendo dizer?

Stalkeei, porque sim, todo mundo faz isso. E percebi que o status de relacionamento havia sido alterado. Pensei “OPA! Aí tem!”. E tinha mesmo, meu papel de trouxa mais uma vez. Mas antes de eu saber disso, comentei com uma amiga e deixei no ar meu interesse por ele.

Chegou o dia da gravação. Cheguei ao local e já encontrei, de cara, minha amiga que chegou trocentas horas antes e um amigo que eu nem imaginava que conhecesse o vocalista. (Esqueci de mencionar, né?! Ele é o vocalista!).

Logo que cheguei, ele apareceu. Veio com um sorriso de tirar o fôlego e me abraçou, agradecendo mais uma vez por eu estar lá. Tentei esconder, mas tremia. Não sabia o que estava acontecendo comigo. Claro que já havia me apaixonado antes, mas nunca, NUNCA me senti daquele jeito. Mas a bomba veio logo em seguida. Minha amiga me alertou:

– Olha… Melhor esquecer. A namorada dele tá aí.

Eu sorri (e acenei).

– Tá tudo bem. Era só um interessezinho. Nada demais. – Aham, senta lá, Claudia.

A gravação foi super cansativa, mas muito divertida. E além de estar lá pra curtir, estava também para ajudar. Eu e minha amiga fizemos uma gravação dos bastidores.

Nesse mês, minha mente já era. Só tinha ele, a música dele, qualquer coisa relacionada a ele.

As aulas voltaram e aquele sorriso só me atraía mais e mais. Fiz planos que jamais tinha feito com ninguém. Na minha mente, claro. Toda tentativa de esquecê-lo, era em vão.

O vídeo de bastidores ficou pronto, enviei para ele. Ele adorou e divulgou. Foi a nossa primeira conversa decente, via rede social, mas tudo bem.

Eu tinha a consciência de que eu devia esquecer, deixar de lado. Mas sentimentos são coisas complicadas. Não é só querer e pronto. Estava complicado. E eu percebi que não conseguia parar de falar dele para minhas amigas, mesmo não dizendo que eu estava apaixonada por ele. Tentei me conter um pouco, mas já era, elas sacaram.

Pouquíssimo tempo depois, mais uma jogada do universo ou sei lá o que. Faltei a uma aula e no dia seguinte fiquei sabendo que estava em um grupo de trabalho. E bem, no grupo dele. Não bastando, nós dividimos o grupo em subgrupos, pois era um grupo enorme, umas 20 pessoas. E adivinha quais pessoas ficaram no mesmo grupo?! Rá! Isso aí meu povo.

Como isso aconteceu, passamos a nos falar regularmente, sobre o trabalho. Mas parece que a zica não é só meu forte. Precisava da parte dele para colocar no trabalho, mas o e-mail dele não ia de jeito algum. Ele deve ter tentado enviar pelo menos umas três vezes e nada. E então, ele me enviou pelo facebook. Depois disso, passamos a compartilhar as zicas do dia. E não eram poucas. Conversamos por horas e fui dormir com um sorriso bobo, mesmo não tendo sido nada demais. Nada mesmo.

Nosso assunto mais frequente era o lançamento do clipe. Até que ele me disse que eu tenho uma cena lá. Fiquei até com pena de estragar um clipe que parece que vai ser tão legal. Cheguei a encontrar uma foto minha no palco, com ele (e mais algumas pessoas, que consegui retirar recortando a foto). Nós dois não estamos em nossas melhores poses, de jeito algum. Mas foi nossa primeira foto juntos.

Enfim, passaram-se uns dias e chegou a hora da apresentação. Tivemos que fazer um teatro. Não foi o melhor teatro ever, mas deu certo. Mas algumas modificações de ultima hora me fizeram lembrar novamente da frase sobre o universo. Não era possível. Tinha que ter alguma relação.

Minha amiga devia fazer par com ele e eu iria ficar em outra parte do teatro, longe dele. Na última hora, trocaram os papéis e minha amiga “atuou” com o rapaz de quem ela estava gostando. Eu não aguentava de vontade de rir, porque ela ficou toda boba, feliz.

E eu, na minha. Até a hora da apresentação, quando percebo de assalto que ele ficaria do meu lado.

Nos posicionamos todos na frente do auditório. Eu, dando umas dicas para o pessoal do fundo e quando me virei dei de cara com um crucifixo. Na hora pensei “quem pegou meu colar?” e só então percebi que era outra pessoa, alta e usando preto, que estava a minha frente.

Deixa eu contar uma coisa bem rápida… Não sou a pessoa mais alta do mundo, sabe. E bem, ele é alto. Então quando me virei, fiquei de frente para o peito dele e percebi que ele usa um colar com um crucifixo muito parecido com o que uso. A cena deve ter sido bem ridícula. Fui olhando devagar para cima até perceber que era ele. Olhando pra mim e sorrindo. Damn it! Concentração já era naquele momento.

A atuação foi… Fazer parte do cenário. Basicamente isso, grazadeus. Aproveitei pra conversar baixinho com ele. Acabou a apresentação, saímos da sala. E ele ficou bem perto da minha van. E eu aproveitei pra olhar o máximo que pudesse, apesar da visão estar um pouco comprometida pela presença da namorada dele. Mas tudo bem, a gente supera.

Na semana seguinte foi meu aniversário. Passei o dia esperando por algum sinal de vida, alguma mensagem dele. Mas nada. Fiquei me sentindo meio incompleta, sei lá. Bobeira, mas é isso aí. Mas de madrugada, chegou a mensagem que eu tanto esperei. Uma mensagem simples, mas que me deu um up.

No dia seguinte, a sala iria fazer um “paredão”, que não deu muito certo porque o povo é bem desunido às vezes. Mas estava aí um pretexto pra gente conversar mais. E acabei encomendando uma camiseta da banda.

Nossas conversas começaram a ser mais leves, amigos conversando. E ele me dizia algumas coisas que me deixavam em dúvida se era mesmo só amizade que ele queria. Mas eu ainda vivia o dilema do “quero, quero muito, mas não posso”. Ele tinha namorada! Era o que eu ainda achava.

Naquelas semanas, fiquei sabendo por uma amiga que estava na mesma sala da até então namorada dele, que eles haviam terminado. Mas precisava de confirmação, não era só falar que era isso e não ter prova. Mas enfim, era verdade. Ele estava solteiro, era minha chance. Não naquele mesmo momento, porque iria ser ridículo da minha parte. Mas resolvi ir fortalecendo a amizade.

O aniversário dele chegou, e eu mandei uma mensagem. E na brincadeira, prometi que faria brigadeiro para ele. Ele adorou a ideia e disse que iria cobrar. Era tudo que eu mais queria. As mensagens começaram a me parecer um pouco mais intimistas.

Ele, que tinha perdido o celular, me passou o número do novo e começamos a conversar por lá. Ainda lembro do primeiro áudio que ele me mandou. Escuto até hoje, sim. Que voz, cara, que voz! Foi sobre a faculdade? Foi! Mas quem liga! Com ajuda de algumas amigas, comecei a evoluir as conversas para mais que apenas “quero amizade”.

Os dias passaram e o dia que finalmente conseguimos nos encontrar para eu pegar minha camiseta, mereceu até música. Minha amiga começou a cantar “We are the champions” e caímos no riso. Depois de tantos desencontros, consegui a camiseta, consegui falar com ele pessoalmente e ainda fiquei com a missão de entregar uns textos dele para o professor, já que ele não conseguiria assistir aula naquele dia.

Para tristeza ou felicidade, a camiseta não me serviu. Sou magra e pequena, mas a camiseta era para uma criança, não é possível. Combinamos de trocar, mas ele teria que fazer o pedido, que demorou. Espero a camiseta até hoje.

Conversamos mais vezes e percebia algumas atitudes dele, então decidi tentar. Certo dia ele me mandou a mensagem:

“Hey! E o meu doce?”

Pensei: “Agora ou eu tento ou eu fracasso sem tentar!”

Tentei. Marquei um dia para nos encontrarmos, mas não marcamos a hora ou local. Ia deixar para marcar mais próximo da data. Ele parecia empolgado e eu, estava feliz.

Mas meu erro foi dizer para as amigas. Felicidade dura mais quando você só a divide com quem faz parte dela.

Na sexta-feira, antes do feriado o qual combinamos de sair, despretensiosamente, a gente conversou na sala. Primeira vez que conversamos de verdade, sobre coisas que não eram faculdade ou matéria. Até tive a chance de dar uma olhadinha no clipe, que ainda está sendo produzido.

Mas as coisas começaram a desandar. O dia marcado foi desmarcado e por um dia eu perdi minhas chances. Ele postou uma foto com uma garota, na praia. Me sexto sentido já gritou. Mas Stalkeei e, bom, eram amigos. Devia estar tudo certo.

Mas ele foi ficando distante, então eu também não quis mais insistir. O que não quer dizer que não sentisse mais nada. Pelo contrário, aquilo estava me matando por dentro, mas eu fingia que estava tudo bem. Deixei as coisas fluírem, tentei me distrair. Percebi uma relevante “fila” de rapazes querendo sair comigo. Decidi dar a chance para um. Um amigo de longa data, pelo qual eu até sentia uma certa atração física. No dia seguinte, mais uma bomba básica.

Uma colega de classe me contou que ele estava namorando. Nem chorei, só fiquei tremendo. Mentira. Para dizer a verdade, naquele momento achei que tudo que eu já havia sentido por ele, tinha passado e que nunca fora nada demais. Recebi a notícia super bem e já desconfiava que era a putiane da foto. Não tinha certeza de nada, então deixei de lado. Tentei não pensar mais em nada. Achei que tinha funcionado até a hora que entrei na van para ir para casa. Primeira música do aleatório que foi tocar… Sim! Música dele.

A partir desse dia, mantive só conversas estritamente sobre a faculdade. Não sei se já disse, mas o universo pode ser raramente tão preguiçoso, mas comigo, ele é zoeiro.

Estava tudo bem, até o professor de fotografia passar um trabalho em grupo. Pensamos logo em pegar alguém que já soubesse alguma coisa sobre fotografia. Eu e minha amiga encontramos nosso grupo. Porém, os rapazes sempre fazem trabalhos com ele, então, ele foi automaticamente adicionado ao grupo.

Suspiro.

Devíamos escolher uma música e fazer um ensaio fotográfico usando ela como base. E um dia, abri minha boca linda e comentei com um amigo do grupo que minha mãe tinha brincado de usarmos uma música da banda dele. Ele aceitou a ideia e enfim, o grupo todo aceitou. Obrigada, mãe.

Chegou o dia do ensaio. Ele e eu conversamos pelo whatsapp o dia todo, falando sobre o trabalho. Ele jogou uma indireta para que eu fosse a modelo do ensaio, mas eu também queria tirar fotos.

E assim foi. Cheguei à faculdade e fui para o estúdio. Só eu e uma amiga havíamos chegado até o momento. Chegaram mais dois integrantes, e começamos a arrumar os equipamentos. Recebi uma mensagem e era dele, perguntando se já estávamos no estúdio e que já estava chegando.

Respondi que estávamos lá, e mais uma vez, ele disse que estava chegando. Mas demorou um bom tempo até realmente chegar.

Agora… O universo é raramente tão preguiçoso, mas frequentemente zoeiro com a minha pessoa. O professor apagou as luzes do estúdio, para utilizarmos somente as luzes de efeito. Coloquei meu celular plugado à uma caixa de som (extremamente grande, pra falar a verdade) com a música escolhida tocando.

Então, ele chegou. Lindo, como sempre. Filho da mãe. Com aquele sorriso e jeito descontraído. Me deu oi. Ficamos observando a sessão de fotos, lado a lado, enquanto os outros faziam poses ou tiravam as fotos, até chegar nossa vez.

Para falar a verdade, aquela foi uma experiência que sinceramente… Ferrou meu psicológico.

Imagine estar numa sala escura, ao lado da pessoa que desperta sentimentos que você simplesmente não entende e não consegue conter, enquanto esta mesma pessoa conversa com você e a música dela está tocando em loop ao fundo. Imaginou? Então, não chegou nem perto da sensação de viver isso.

Tudo que eu achei que não existia mais, voltou dez vezes mais forte. A vontade de esquecer qualquer regra social, qualquer coisa naquele momento era maior que tudo. Mas consegui me conter e não beijá-lo, mesmo que a força se tivesse de ser. Mas seria bem feio pra mim, não é?! Que bom que resisti. Ou não. Droga!

Tirei fotos dele. Tirei fotos com ele. E saí feia em todas. Para “melhorar” a situação, percebi que um colega do grupo parecia estar dando em cima de mim.

Sempre assim. Todos querem algo, menos quem eu quero que queira.

Já não sei mais o que fazer ou pensar. Isso é mais um desabafo e um registro de momentos, que por mais que não seja útil eu guardar, eu quero lembrar. Na verdade, quero somente os bons momentos.

Universo, posso te fazer um pedido? Por favor… Esteja a nosso favor.

Notas finais
Escrever para aliviar o coração...