Diário Do Semideus Romano

3 Capítulo 3 - Revolta.


Não sabia quem era aquela garota, mas levei ela pro templo pra pedir ajuda, ela tinha cabelos vermelhos como fogo, e olhos parecendo dourados. Chegando no templo Lupa lançou um olhar de " Vou te matar depois, mas primeiro me explique isso ".

— O que é isso Cayo ? — Lupa olhou para a menina — O que esse cheiro faz aqui ?

— Achei ela no caminho de volta, ela desmaiou e eu a trouxe aqui pra vocês cuidarem dela. — Deitei a menina no chão. — Façam algo, ela ta muito fraca.

— TIRE ESSE CHEIRO DAQUI ! — Lupa se virou, não sei o que era esse cheiro do que estava falando.

— Não estou entendendo.

— GREGA, ela é uma grega ! Não sabia da existencia de gregos... é impossivel, algo está errado, ela deveria ter morrido...

- Morrido ?

- Não interessa, livra desse verme.

- Não podem..

- LIVRA AGORA !- Ok, se você não cuidar dela eu mesmo vou.- Cayo, você não esta sendo um bom roma...

— E desde quando ser romano é deixar alguem morrendo nos meus braços e não fazer nada ? — Lupa se calou, caminhou e sumiu de minhas vistas.

— Ok Netuno, eu posso curar ela com sua agua, algo assim ? Responde ai ... pai.

Levei a garota para fora, os lobos quando sentia seu perfume rosnavam e tentavam atacar, fui até uma fonte de agua no templo, coloquei um pouco em sua boca, seus olhos começaram a se mexer lentamente.

— Quem.. é .. você ? On.. onde.. es..tou ? — Ela estava muito fraca, tentou ficar de pé mas logo colocou a mão em sua barriga, quando ela levantou a camiseta, havia um corte imenso e profundo.

— Eu sou o Cayo, aqui é o templo da loba Lupa .. enfim — Não ia começar a contar tudo isso pra ela, outra vitima não.

— Vou te ajudar, espere. Involuntariamente puxei a agua e coloquei sobre seu ferimento, ela gritou de dor mas logo foi cicatrizando, como fiz aquilo ? Pff nem eu sei.

— Como.. você, fez isso ? — Ela ja estava pelo menos, visualmente bem.

— Nem eu sei, agora vem, vou procurar comida pra você.

Nunca tinha ido no refeitório do templo, na verdade nem sabia que existia um, nesse tempo todo que adormeci dentro do rio nem reparei que tinha passado um dia e que eu tinha que comer.

— Nada mal. — falei maravilhado. Era um salão enorme, com uma mesa central cheia de coisas de comer, frutas, doces, comidas normais, logo me sentei e a garota foi pegando nas comidas com a mão, ela não devia comer a um bom tempo.

— Então, como se chama ?

— Caroline. — Ela falava com a boca cheia, nem ligando pra nada.

— Como veio parar por aqui ? — coloquei comida no prato de ouro que tinha sobre a mesa, e logo fui matando aquela fome desgraçada.

— Não sei, eu tava seguindo por umas coisas estranhas, parecia mulheres com cabelo de serpente.

Engasguei.

— Quer.. quer dizer, igual aquelas da mitologia ?- Sim.

— Então você tambem consegue ver atraves da névoa — parei de comer.. fazia todo o sentido, grega, ver atraves da nevoa.. essa garota era uma semideusa igual a mim.

— Névoa ? — Ela fazia expressão de curiosidade

.- Sim, névoa.. uma coisa que separa a gente do mundo mortal, algo assim. — An... legal.

— Você é uma semideusa.

— Semi o que ?

— deusa.

— Pera... — Caroline parou de comer — Ta tudo muito estranho, esses lobos me fuzilando com olhos, você com esse negocio louco me curando, e agora esse papo de semideusa?

— Sim.. mas tudo vai chegar na hora certa, pode ter certeza. Fomos dormir, tive que dormir ao seu lado pra ter certeza que nenhum lobo a atacaria de noite.

Assim que adormeci vi a imagem dum homem meio bode e meio humano, ja tinha visto sobre isso na escola... Sátiros, esse era o nome... ele dizia algo como." — Uma semideusa no meio da floresta, consigo sentir sua presença, vamos ! ".... e varios sátiros começaram a correr pela floresta, eles estavam perto.

Acordei sobresaltado, a garota ao meu lado acordou na mesma hora.

— Tive um sonho estranho. — ela disse

— Eu tambem.

— Sonhei com sátiros — Nós dois falamos ao mesmo tempo

.- Então é real... venha, o que quer que seja, acho que vieram te buscar pra levar pro seu lugar, ouvi a Lupa falando sobre você ser grega e tal, deve ser isso.

— Sim, mas vamos com calma porque se esses lobos acordarem vão comer a gente vivo.

— O se vão.

Saimos de fininho, passo por passo, algumas folhas secas no caminho estralaram no silencio do templo, orelhas dos lobos mexiam, como se sabiam que a gente estivesse acordados e só esperando para bocanhar.

A noite estava fria, vento soprando as arvores em nossa volta, a lua brilhava com mais intensidade, ouvimos passos vindo da floresta, acho que esses sátiros estavam se aproximando.

— São eles — Ela dizia, acho que sentia a presença deles etc.. eu não. — Do meio das árvores, sairam figuras com pelos nas pernas, cascos em lugares de pé, pequenos chifres e flautas na mão.

— Sou o sátiro Paul, vim buscar você para vim conosco.

— Ele dizia olhando pra ela, o outro sátiro atras lançava uma expressão de desprezo para mim.

— Paul... aquele ali é um romano.

— Nada Jack, deve ser um mortal que nem consegue ver através da névoa.

— Eu sou um semideus romano sim, filho de Netuno.

Todos os sátiros se calaram, o unico som era do farfalhar das folhas.

— Impossivel, vamos Caroline, temos um caminho longo... Esse garoto está pirado.

— Ele não está mentindo, ele me curou com agua — Caroline disse se aproximando do sátiro — Eu vi.

— Ok, não temos tempo pra brincadeiras, vamos logo porque tem monstros se aproximando.

— Tchau Cayo, obrigado por tudo ok ? — Ela me abraçou, eu fiquei imovel.

— De... nada.

Assim que Caroline entrou na escuridão da floresta, ouvi um ruido atras de mim.

— O ... que... foi.... isso ? — Lupa estava cinco vezes mais alta. — Como você deixou aqueles seres irem embora, isso é imperdoavel.

— Não tenho medo de você Lupa, você tinha razão, ela era uma grega, e esse é o caminho dela, alem de lobos atras dela vieram sátiros.

— Entre, seu julgamento será agora.

— Não tenho medo de você.

O julgamento era todos os lobos do meu lado, e Lupa no altar.

— Nesse dia que você ficou aqui, percebi força, percebi coragem, percebi atitude.. mas você não se enquadra para continuar sua missão... Alguma defesa ?

— Sim, ser romano não é só ser grosso, nesse tempo que fiquei aqui vocês só me trataram com ignorancia, ser romano é amar o proximo independente se ele for grego, egipcio, tanto faz, eles fazem parte da mesma nação que nós, e outra, o tempo de guerra entre gregos e romanos ja foi há muito tempo, hoje tentamos viver num mundo de paz, parem de corroer o passado.

Silencio ecoava no grande salão.

— Se eu não sou aceito, obrigado pelo teatrinho, vou voltar para minha casa. — comecei a andar de volta, estava perto da porta quando Lupa gritou.

— ESPERE... você tem ótimo coração, acho que seria legal ensinar isso aos outros romanos, e vai ser legal ver você apanhar la tambem. — Risadas altas invadiam meus ouvidos. — Cayo, eu loba Lupa declaro você possivelmente qualificado para seguir seu caminho... amanhã enviaremos você ao Acampamento Jupiter !