Diário De Uma Divergente
6 Capitulo 6
Notas iniciais
Estava tudo escuro, a bandeira estava presa em um buraco na parede e eu e Charlie estávamos em um cima de um muro. A maioria dos outros iniciandos tinham ido procurar a outra bandeira e alguns estavam estavam escondidos caso alguém chegasse perto do muro.
– Margo — Disse Charlie quebrando o silêncio — Eu preciso te dizer uma coisa.
– O que?
– O Kevin — Ele dizia como se tivesse vergonha dele mesmo — Lembra aquele dia que ele entrou comigo no dormitório?
– No dia que eu diz minha tatuagem.
– É, ele disse que a vingança tava perto.
– Eu não tenho medo dele.
– É eu sei, é que ele diz que é sua culpa ele estar numa posição baixa e eu... Me preocupo com você.
Eu não disse mais nada. Não tinha medo do Kevin mas por que o Charlie não tinha me dito isso antes se ele se preocupa tanto comigo?
– Acho que ele gosta de você.
– Que — Disse.
– O Kevin gosta de você, daquele jeito.
– Eu odeio ele de todos os jeitos.
Ele sorriu.
– Eu sei.
Passei o braço por trás da cintura dele e ele botou o braço nos meus ombros passando a mão pelo meu cabelo, ficamos assim por um tempo até ele encostar sua testa na minha... Então ei o beijei, ele retribuiu o beijo me abraçando forte e eu enrosquei meus braços no seu pescoço.
Naquele momento não existia mais ninguém no mundo, era só eu e ele. Eu e ele com cinco anos vendo os audáciosos mais velhos no fosso, eu e ele pulando do trem a primeira vez e ele segurando minha mão pra me acalmar, ele é meu a tantos anos e eu também sou dele mas nunca tinha percebido isso. Eu sempre amei o Charlie como um irmão mas agora tudo parece diferente. Ele parou de me beijar quando ouvimos um tiro e um grito, olhei pra baixo e vi Annie caída no chão ensanguentada, corri para ajudar ela e Charlie também.
– Quem fez isso com você? — Ele perguntou — não podemos usar armas de verdade num jogo.
Annie estava pálida com as mãos sobre a barriga onde levou o tiro e a bala caída no chão.
– Leva ela pra enfermaria — Eu disse — Cuido da bandeira sozinha.
– Tem certeza?
Fiz que sim com a cabeça e ele levantou Annie e foi para a enfermaria com ela no colo. Escalei o muro de novo e esperei alguém vir, eu tinha quase certeza de quem tinha atirado nela.
– Cadê namorado princesa? — Kevin se materializou do nada — Foi ajudar a careta?
– Foi você seu filho da...
– Ah ah ah, se você não for boazinha eu vou começar minha vingança mais rápido.
Eu ri.
– Acha engraçado?
Ele deu uma facada na minha perna e correu para a bandeira.Dei Umtiro nele com a arma falsa que fez ele gritar.
– MARGO — Ouvi a voz de Ben — Pegamos a bandeira!
Eu desci do muro e deixei o Kevin mais uma vez se contorcendo de dor.
– Annie achou a bandeira e foi avisar você e Charlie enquanto eu e Alasca pegavamos — Disse Ben — Cadê eles dois?
Eu expliquei o que tinha acontecido.
– Vou avisar a Emma.
– Não — Disse Ben — Vai pra enfermaria cuidar da sua perna que eu aviso ela.
Eu até tinha esquecido da minha perna, quando olhei pra ela eu estava sangrando muito e fui para a enfemaria mesmo não gostando muito de ir pra lá. Quando eu cheguei Annie estava deitada em uma maca, Charlie estava do seu lado e se levantou quando me viu.
– Sua perna.
– Eu sei.
A enfermeira pegou uns curativos e mandou eu me sentar em uma das macas.
– A propósito — Eu disse — Ganhamos.
– Sério? — Ele sorriu — Quem achou?
– Annie... O que vai acontecer com ela.
– Vai sobreviver — disse a enfermeira — Vai passar a noite aqui mas vai estar bem pro dia da visita amanhã.
– ah — disse — que bom.
A enfermeira disse que ia nos deixar sozinhos mas que eramos pra ir embora rápido, ele deitou na maca comigo.
– Melhor a gente voltar para o dormitório — Eu disse depois de umas duas horas.
Charlie riu.
– É.
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