Diário De Um Sobrevivente

5 Domingo, 30 de dezembro de 2050


Notas iniciais
Esse capítulo me deu trabalho por ser mais extenso, mas terminei o/. Espero que gostem! Qualquer dúvida, sugestão, ou opinião deixem nos comentários!

Sinto-me leve. E como se tudo girasse ao meu redor. O chão parece se movimentar, contudo sinto que tudo esta melhor ao contorno. Sentir-me-ei assim até certo tempo. Na realidade, eu só gostaria de estar em casa, de abraçar minha irmã, de beijar a garota que gosto e dizer a ela o quanto fiquei arrependido por não ter me declarado antes. Melhor ignorar esse meus desejos inalcançáveis. Antes que comece a ter ilusões, melhor escrever aqui os acontecimentos desse dia. Não foi um dos melhores, posso cogitar ter sido dos piores. E por isso estou aqui, buscando uma forma de esquecer tudo, ao experimentar uma droga. Apesar disso, pode ter certeza de que está me fazendo um pouco mais feliz, ou pelo menos, em condições de escrever. Antes dos efeitos piorarem vou começar a relatar os acontecimentos.

Na madrugada do dia anterior havia começado a tentativa de fuga. Como afirmado a mim mesmo iria escapar desse lugar o quanto antes. Dado uma hora da madrugada olhei para as janelas. A mulher e o loiro não haviam retornado até o momento. Ainda seria a tempo de tentar escapar. Observei as janelas retirando a cortina. Para meu desanimo as janelas eram impossíveis de se abrir, não havia maçaneta ou qualquer suporte digital. Pensei em quebrar o vidro. Funcionaria, mas o problema seria a altura. Deveria estar há uns vinte e cinco metros do chão.

Voltei-me para a porta. Tentaria destrancá-la. Fui próximo a ela. Más notícias. A porta era comandada pela voz. Ou seja, haveria timbres de vozes cadastradas ali qual o sistema obedeceria. Fazer um timbre de voz parecido... Tentei lembrar-me de um tipo de voz já ouvido. A do loiro era a que mais se aproximava da minha obviamente. Testei utilizar o alterador de vozes, um programa instalado no único aparelho tecnológico que possuo. Mas o resultado foi negativo. Observei em silêncio e com calma, o sistema de segurança daquele quarto. O sistema de segurança era controlado por uma espécie de computador central. Tanto a abertura de portas, janelas e demais ações, seriam controladas por isso. Suspirei. Ir contra um computador central seria insano. Na minha casa, havia um desse sistema. O programa faz tudo dentro da casa. Desde a abertura de portas e outros, até avisar os moradores da falta de algum alimento na dispensa.

Ariscaria? Só havia uma chance. E desta, a porcentagem de falhas seria gigantesca. Sorri como um desesperado. Era o único meio. Olhei para os vidros. Seria o único meio de escapar dali. Procurei minha mochila pelos cantos do quarto sem acender as luzes. Se não me falhava a memória haveria uma espécie de paraquedas antigo dentro dela encontrado em uma rua qualquer tempos atrás. Graças à sorte, minha mochila estava ali. Hesitei um pouco, pois senti uma espécie de pânico de altura. Mas o coloquei em minhas costas mesmo com o coração acelerado. Procurei algo que funcionasse para quebrar o vidro.

Não encontrei nada de útil. Usaria meu próprio corpo. Parece ridículo escrever essas atitudes, porém eu estava realmente desesperado, a vontade de sair daquele lugar era muita. Respirei fundo, lembrei-me de meu pai, uma vez, estava sendo ameaçado na escola. Era apenas um garotinho medroso. Até que ele resolveu dar-me dicas de como agir se um deles resolvesse me bater. E nisso, me ensinou a dar um soco. Parecia que nunca mais usaria aquela técnica. O engraçado é que finalmente usaria.

Preparei-me já pronto para saltar do andar logo aos pedaços de vidro se estilhaçar. Respirei fundo. Observei o chão distante através do vidro. Senti-me tonto, era muito alto. Concentrei-me em não olhar para baixo. Afastei. Com toda a força reunida, dei um soco em um dos vidros. Os dedos de minha mão imediatamente começaram a sangrar, nunca a havia visto ensanguentada, não era hora para vê-la também. O barulho fora altíssimo. Segundos antes de saltar ouvi o barulho de o alarme disparar.

Saltei. Meu corpo caia em queda livre. Enquanto caia senti inúmeras emoções. A primeira delas foi medo. Afinal não era muito agradável olhar para o chão e pensar se o paraquedas não funcionasse, eu me tornaria apenas um corpo estilhaçado. A segunda delas foi liberdade. Foi bom sentir o vento batendo em seu corpo sendo guiado por uma força muito maior do que todos. Perguntei-me se o destino não é parecido com a sensação de queda livre. Afinal dizem que não temos controle das ações previstas pelo destino, assim como não temos controle em uma situação desta. Mas, na minha ideia de destino, acho que temos o controle de mudar algumas coisas pré- determinadas, da mesma maneira de poder abrir o paraquedas e impedir minha morte.

De qualquer forma, tudo ocorreu bem ao abrir o paraquedas. O problema foi na hora de chegar ao chão. Desejava ir mais longe possível do prédio em que estava, porém, em volta existiam vários outros edifícios, isso me impediu de ir longe o suficiente, e foi ai que começou a dar errado. Pousei. Soltei as cordas do paraquedas muito rápido, e corri. A noite estava fria. A lua iluminava pouquíssimas as ruas. Eu vestia apenas uma calça jeans, bem fina comparada a temperatura lá fora e uma camiseta preta. Sentia meus braços ficando gelado. Minha mão ardia e doía muito, junto do ferimento do braço, qual abriu a cicatriz e o sangue começou a sair novamente.

Eu tentava me localizar só de observar os prédios, mas todos eram iguais, no fim, corri a esmo procurando apenas me afastar. Vi de perto, os seres perambulantes sem suas inteligências. E pude ver um deles morrendo enquanto se arrastava atrás de mim pedindo por comida. Aquela situação fez com que quisesse correr ainda mais. Não queria morrer daquela maneira, não mesmo. Fiquei com pena deles, quis poder ajuda-los, entretanto precisava me socorrer primeiro.

O alarme ainda tocava, e ouvi um anuncio feito pelo primeiro tenente:

− Um prisioneiro acaba de escapar! Quem o trouxer ao quartel general, consciente ou desmaiado, mas vivo, ganhara dinheiro como recompensa. Trata-se de um rapaz com aparência de dezessete anos.

Meu coração gelou naquele momento. Se todo o clã estivessem acomodados ali e decidisse me atacar eu não teria chance alguma. Corri ainda mais, minha respiração já estava rápido o suficiente para que não conseguisse repirar bem. Sai da zona de prédios e dei em um campo de cimento vazio. Nenhuma construção existia. Foi aí que conheci minha primeira zona livre de guerra. Foi a primeira vez em que pisei em um lugar como aquele. O pior, não fora eu não saber onde estava. Parei e olhei para o céu. Estava cansado demais para prosseguir. Meus ferimentos doíam demais. Meu estômago resmungava a cada segundo. E meu corpo não conseguia mais correr.

Olhei ao redor. Não vi ninguém se aproximando. O alarme ainda tocava, e pude ouvir o barulho de pessoas se reunindo para ir atrás de mim. Ao menos, eu tornei-me importante naquela hora. Fiquei atento a qualquer barulho próximo. Ao ouvir qualquer coisa, sairia correndo novamente até fazer as pessoas esquecerem-se de mim. Infelizmente, minha audição deveria estar ruim também. Já que, em segundos, pude sentir minhas costas bater no chão com brutalidade e minha respiração ser interrompida por duas mãos que seguravam meu pescoço. A mulher de antes estava paralisando meu corpo, sentada em minha barriga. Ela abriu um sorriso maldoso e disse:

̶ Peguei você.

Tentei me remexer e sair da paralisação. Por incrível que possa parecer, ela era muito forte para uma garota, muito mesmo. Então, tive de me render. Resmunguei algumas palavras abafadas pela falta de respiração. A mulher percebeu que eu queria falar e soltou suas mãos de meu pescoço. Tossi em meio à fala.

̶ Eu me rendo... ̶ Afirmei, até agora me sinto envergonhado por ter dito aquilo. Mas percebi que não conseguiria fugir de forma alguma. Senti-me tão fraco, covarde. Talvez seja esse o motivo deu ter aceitado essa droga. Não quero pensar muito nisso.

Ela gargalhou. Não entendia os pensamentos dela, mas eu nada fiz. Não havia nada a se fazer.

̶ Lembra-se de mim? Sou o primeiro tenente. Você até é bonitinho, pena que não sei se seu rosto ficará assim por muito mais tempo. ̶ Ela pronunciou isso de forma séria, não mais ria. ̶ Você me dá trabalho. Tive de acordar a essa hora da madrugada para encontrá-lo. E além do mais... Suas ações foram as piores a ser tomada. Não terei mais piedade como antes.

Engoli a seco. Imaginei não estar vivo dali algumas horas. Em seguida vi apenas aquele homem loiro se aproximando. Depois, acho que fui apagado, ou o efeito da substância usada agora a pouco deve estar fazendo efeito e estou impedido de me lembrar de corretamente dos fatos. Não sei ao certo. Só sei, de depois estar sentado em um banco, no qual estava algemado.

Estávamos em uma sala de reuniões. Havia vários assentos espalhados e um palco a frente de onde permanecia. A minha frente estava Helen, o rapaz loiro e o homem de barba. Todos eles usavam fardas militares desta vez, não mais as capas pretas. Em suas fardas pude ver o símbolo do clã da união estadunidense. Eles conversavam concentrados, e a atenção foi desviada de mim. Resolvi tentar, ainda insistindo, a retirar as algemas e desaparecer dali.

Era impossível, percebi somente de olhar para as algemas. Comecei, irritado, a bater minha mão presa ao ferro contra a perna do banco. Fez muito barulho. Todos se lembraram de minha existência. Teria sido melhor se tivesse ficado em silêncio. Logo uma arma estava apontada para meu peito. Vinha das mãos da garota novamente.

̶ Não se mova! ̶ Exigiu ela. Sua voz era firme, diferente das emoções demonstradas por seu rosto. Observei-a com cuidado naquela hora. Seus olhos estavam vermelhos junto de seu nariz. E lágrimas escorriam como se não tivessem fim. Sua mão tremia.

̶ Helen, melhor se acalmar... Precisamos decidir ainda a respeito desse rapaz, deixe-o em paz... Ele não tem culpa da morte...

̶ Fique quieto, Alphonse! ̶ Era ao loiro a quem ela se referia e em seguida, a mim. ̶ Se não estivéssemos ocupados sobre o que iríamos fazer sobre você, meu irmão não teria sido morto em batalha! Sabe por quê? Porque nós teríamos ido com ele e eu o protegeria... Poderia tê-lo ajudado... ̶ A mulher chorava ainda mais. Eu a entendia de certa forma.

̶ Helen solte essa arma, por favor! ̶ Insistiu Alphonse, contudo foi inútil.

Quis abraça-la e me desculpar. Desejava acabar com sua dor. Imaginei-me em seu lugar... Ficaria da mesma forma. Queria acima de tudo que ela pudesse se controlar para depois poder abraça-la como amigo. Não me pergunte o motivo desses sentimentos de acolhimento.

Ouvi o tiro. Ela não conseguiu controlar sua raiva. Vi a bala vindo a minha direção. Assustado, abaixei-me mais no banco e a bala não me atingiu. Suspirei aliviado. Foi por pouco. Naquele mesmo momento, Alphonse, rápido, a puxou e a abraçou gentilmente, colocando o rosto dela contra seu peito, num sinal de proteção a ela. O homem barbado a desarmou.

Senti estar mais ou menos seguro naquele momento. A mulher se depós a chorar no colo do amigo como uma criança. Apenas os observava apreensivo e recuperando-me do susto. Ficava me perguntando o que seria de mim ali. Gostaria de saber quais seriam as atitudes deles em relação a minha pessoa. E temia ser um resultado negativo. O homem de barba encarou-me por alguns segundos, e sem ao menos falar algo, entendi a mensagem, seu olhar podia ser traduzido como: “Não ouse sair daí.”.

Alphonse dizia algumas palavras de conforto a Helen. Não podia ouvi-las muito bem pela distancia. Enfim, os dois pararam de abraçarem-se após alguns minutos.

− O que faremos com você? Parece-me que não é tão má pessoa assim. E pelo jeito não pertence a nenhuma união, já que ninguém se importou com seu sumiço. ̶ Disse Alphonse o observando com aquele rosto espantado.

Não sabia se deveria estar aliviado pela fala ou decepcionado. Era um incomodo ali. Imaginei duas opções: eles poderiam me libertar ou pegar minha inteligência, ou me executar. O que me surpreendeu, é não ter sido nenhuma das três hipóteses. A mulher enxugou seu rosto com a manga de sua roupa, e disse:

− Tenho uma proposta a você. ̶ Todos olharam apreensivos. – Mas antes preciso de algumas respostas. Por isso, responda-as sem exceções.

Apesar de temer um pouco a proposta, afirmei responder as perguntas balançando a cabeça.

̶ Você pertence a alguma união?

− Não, me viro sozinho.

̶ Faz o que para sobreviver?

Hesitei um pouco, porém se ela desejava a verdade, teria.

− Roubo.

Ouvi um riso baixo vindo dos homens.

− Quantos anos você possui? Qual país pertence?

As perguntas começavam a irritar, pareciam àquelas perguntas de catálogos promocionais onde eles perguntam se deixar, até a cor de sua roupa íntima. Entretanto, continuei respondendo.

̶ Dezessete. Estados Unidos

− Como se chama?

̶ Harry.

− Certo... Harry, eu não gostaria de dizer isso, mas preciso de sua ajuda. Nós precisamos.

Os homens olharam-na confusos. E eu também.

̶ Sei que você é um completo estranho para nós e tentou até nos roubar, mas, tenho de admitir seu Q.I é absolutamente incomparável com o de qualquer um aqui... Pensamos na ideia de comprar sua inteligência, contudo não acho ter capacidade suficiente para usá-la devidamente. Meu irmão, o general das nossas tropas... faleceu essa madrugada. Não temos alguém para substituí-los e talvez em breve sejamos atacados pela união Chinesa. Por isso, declaro por medida provisória, que você torne-se membro do nosso clã, e seja nosso general e estrategista.

− Mas nós não o conhecemos! Ele pode ser um espião e nos trair! − Afirmou o cara de barba.

̶ Olhe para o rosto dele...

Eu olhava para eles incrédulo. Era inacreditável me imaginar liderando tropas inteiras de uma união e saber que todas aquelas vidas estariam em minhas mãos.

̶ Não acho ser este o caso, Michael. – Concordou Alphonse com a medida, ao me encarar.

̶ Esperem... É impossível poder aceitar isso. Sou apenas um adolescente, não terei capacidade de...

− Terá sim. Nenhum de nós, nesse lugar, somos apenas meros adolescentes, lembre-se disso. Só preciso terminar de ditar as regras aqui. Não se esqueça de que você é nosso prisioneiro. Qualquer tentativa de ir contra alguém do nosso clã, iremos executá-lo sem piedade. Precisará atingir as nossas expectativas, senão será retirado do cargo imediatamente. E, caso acontecer, venderá sua inteligência para nós. Avisando, esse acordo é unilateral. Impossibilitado de sua recusa.

Não acreditava, não consigo acreditar até agora. Aquilo estava acontecendo justamente porque não desejava me unir a nenhum dos lados. Se não atendesse as expectativas deles... Serei morto de qualquer forma. Ela terminou sua conversa comigo, logo em seguida o asiático do dia do assalto apareceu na sala apressado. O mesmo usava a farda também.

Ele conversou em baixo tom de voz com Helen, e não pude ouvir a conversa. Após o asiático se retirar da sala, Alphonse dirigiu-se a mim e tirou as algemas. “Venha, deve estar faminto.” Disse ele, acompanhando-me até a cantina do clã.

Saímos da sala localizada no último andar. Existia um pequeno corredor e um elevador ao fim. O segui durante o percurso. Fomos ao segundo andar, lá, havia um espaço enorme que era preenchido com mesas extensas e cadeiras. Algumas pessoas, todas uniformizadas com fardas, estavam no local. A comida era pega em máquinas eletrônicas distribuídas, toda de graça.

“Divirta-se.” Falou Alphonse, sorrindo. Meus olhos brilhavam. Era muito alimento. Finalmente poderia me alimentar de forma digna mais uma vez. Ele sentou-se a mesa aguardando eu retornar com a comida. Senti-me como uma criança indo ao parque de diversões. Peguei das máquinas diversas delicias as quais não tinham comido há quatro meses. Retornei a mesa com várias embalagens, um dos pratos salgados, foi uma lasanha, o outro, carnes diversas. Para sobremesa trouxe um pedaço de Cheesecake, que me lembrava de muito meus passeios com minha irmã e minha mãe, sempre íamos a uma doceria comer Cheesecake. É minha sobremesa predileta. E a outra embalagem, desta menor, havia sorvete. Era uma refeição exagerada para comer durante a madrugada, mas estava faminto.

Alphonse não disse nada enquanto eu “jantava”. Após o termino de minha refeição, ele levantou-se e pediu que o seguisse até os aposentos. Dividiria o quatro com ele a partir daquele dia. Saímos do segundo andar e fomos ao terceiro andar. A partir do terceiro andar localizavam-se os quartos dos integrantes do clã. Ao sair do elevador novamente, reparei um extenso corredor preenchido com inúmeras portas. Cada porta indicava um aposento.

Nós paramos no fim do corredor. Havia uma pequena “caixa de som” colocada na parede ao lado da entrada. Alphonse pediu que a porta se abrisse e ela se abriu de imediato. Era um identificador de voz como tinha onde estava anteriormente. Entramos. O espaço não era muito grande. Existiam duas camas de solteiro, separadas por um criado, que poderiam ser levantadas e guardadas em um espaço deixado na parede atrás. As camas eram parecidas com macas na verdade. Penso que foram criadas com esse sistema de “guardá-las” para sobrar mais espaço. Um banheiro se localizava próximo à entrada, em um pequeno corredor.

̶ O que achou? – Perguntou ele.

̶ Não é muito espaçoso, mas parece ser confortável. – Afirmei.

O rapaz sorriu, e dirigiu-se até o criado. Abriu uma de suas gavetas onde retirou uma farda do clã e disse, colocando a roupa na cama vazia ao lado. “Veja se é o seu tamanho.”

Somente de observar a roupa, reparei que serviria. A farda era composta por uma calça comprida cor azul marinho e a blusa de manga comprida, com o símbolo da união na manga. Encarei o símbolo por uns segundos. Seria um militar quando vestisse aquela roupa. Não estava pronto... Eu não queria lutar. Sinceramente, só gostaria de sobreviver trabalhando sozinho.

− Vista sempre essa roupa para circular pelo clã. Assim, podemos identificar os integrantes com facilidade. Preciso avisa-lo que ela é composta por nanotubos de carbono, ou seja, resiste a qualquer objeto perfurador ao atingi-lo, além de ser um material leve. Se ocorrer um ataque surpresa já estará protegido.

Alphonse deitou-se na cama para repousar. Suspirou aliviado. Deveria estar cansado. Deitei-me logo em seguida, meu corpo pedia descanso, contudo minha mente tentava absorver todas as mudanças. Minha cabeça pesava meus pensamentos não me deixavam dormir, e aquela cama é realmente desconfortável.

Tive pesadelos. Comecei até a suar frio. Despertei varias vezes e não dormi direito. Os sonhos ruins tinham a ver sobre se eu falhasse no comando das estratégias. Durante o dia, o loiro me explicou todas as regras do local e me apresentou a algumas pessoas importantes. O lugar em que estava preso era realmente um hospital. E toda aquela área a qual corri para fugir, todos aqueles prédios, pertencia à união.

À noite, recebi uma visita inesperada de Helen em meu aposento. Eu estava sozinho, pois meu companheiro de quarto resolvia alguns problemas. Ela pediu para entrar e eu autorizei. Reparei que segurava em sua mão um saco plástico.

̶ Fiquei sabendo sobre seus problemas para dormir. – Disse ela sentada em minha cama, enquanto me sentava ao lado. Estava envergonhado, aquela era a primeira vez que ficava sozinho com uma garota em um quarto sem ser minha irmãzinha.

̶ Sim... – Não era realmente o assunto que gostaria de ter, mas eram os fatos, eu não me sentia nem um pouco tranquilo estando ali.

̶ Tome isso. Sei ser algo viciante e prejudicial, contudo, pode te ajudar a superar os acontecimentos por ora.

Eu aceitei o pacote e em seguida ela se despediu a distância. Talvez não devesse ter aceitado, afinal é como se tudo estivesse girando ao redor. Entretanto, ao usar aquilo, me sinto mais tranquilo em partes de meus pensamentos. Eles estão se acalmando aos poucos. Aos poucos.