Diário Branco
1 Bem vindo, novo diário!
Querido diário,
Quando eu tinha doze anos ganhei um diário. A partir disso, senti necessidade de registrar tudo o que eu julgava ser importante ou interessante:
“15 de fevereiro de 2010:
8:21 — Hoje é meu aniversário de 12 anos. Estou na escola, adoro escrever nos minutos livres durante as aulas. Por causa disso minha mãe me deu de presente esse diário hoje pouco antes de eu ir pra escola. Ela me disse para eu guardar, mas eu preferi trazer para escrever as primeiras palavras.
12:45 — Faz 10 minutos que a aula terminou, mamãe veio me buscar e estamos indo para a aula de natação.
Não sei se vou continuar dizendo a hora em que escrevo, mas acho interessante fazer isso. Não sei por que, eu tenho a sensação que nem sempre vou colocar a hora em que escrevo. Bom, desde que eu escreva vai ser bom. Eu diria que também gostaria de fazer como se fosse um livro, não sei... Melhor não.
21:14 — Vou daqui a pouco dormir, hoje foi um dia cheio. Depois que cheguei da natação teve uma festinha aqui em casa com meus amigos, a mãe e o vovô. Para completar ganhei um skate muito legal, ele é bem pesado, é preto com um desenho embaixo que eu ainda não descobri o que é. Com certeza foi um dia cheio. Boa noite! (se é que se dá boa noite para um diário... bom, então boa noite para quem esteja lendo, se alguém ler).”
Essas foram minhas primeiras palavras em um diário. Até as folhas daquele diário acabarem, eu escrevi fielmente quase todos os dias. Foi um ano bem interessante, para um garoto de doze anos. Desde esse aniversário eu estive escrevendo diário atrás de diário, eu diria que funcionava como uma necessidade de falar, mas sem contar para alguém, uma necessidade de compartilhar meus pensamentos, mas sem ser com outra pessoa. Os diários dos meus treze e quatorze anos ficaram um tanto confusos, pois foi aquela transição da infância para a adolescência. Eu fui para uma escola diferente para fazer o 9° ano e o ensino médio. Conheci dois caras, um deles também novato, Abel, mas ele saiu no final do ano do colégio, voltou para onde ele morava. O outro continuou lá e acabamos virando amigos, o nome dele é Lorenzo. A maior parte do pessoal era simpático, mas eu preferia ficar sozinho, pra falar a verdade até um tempo atrás eu preferia ficar sozinho.
Esse é o meu segundo diário aos quinze anos. O primeiro foi o dos 14 anos que ainda tinham bastantes folhas sobrando, pois acabei comprando um diário maior do que o de costume.
Resumindo o que aconteceu, no 1° ano do ensino médio minha vida começou a dar uma virada: o aluno exemplar começou a ter dificuldades, mas nada que não pudesse ser resolvido, eu acho. No 1° ano também, eu conheci alguém que fez o meu coração bater novamente. Isso foi no dia das mães. No colégio, os alunos tiveram que ir à missa para comemorar, mas quem não fosse católico ficava. Eu sou batizado na igreja católica apesar de não seguir ela fielmente como minha bisavó. Eu fiquei lá em cima com o pessoal que não foi para a missa, Lorenzo e a irmã dele, que na verdade é minha namorada. Estávamos todos na sala do 1° A. Do outro lado da sala estava uma garota, Clara, que vinha me encarando há alguns dias atrás, depois que tentar pegar uma mordida do meu pão de queijo. Eu fui falar com ela. Junto com ela estava outra garota, Rafaela, na verdade as duas estavam sempre juntas. Para provocar Clara, eu fiquei dizendo que a amiga dela era mais legal que ela. A partir desse dia eu estava sempre falando com as duas.
No final das contas, descobri que Rafaela estava gostando de mim. Mas eu estava namorando Cecília e não pretendia simplesmente trocar ela por Rafaela.
Mas, por que será que me senti tão apegado àquela garota? Eu gosto da Cecília, não posso gostar de outra garota.
Bom, já está de noite e tenho que dormir.
Essa é a introdução do meu segundo diário aos quinze anos.
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