Diário 2.0

21 Capítulo XXI - Respirar


Notas iniciais
Ainda com o pé quebrado e mais 3 semanas de repouso. Sobre o livro que Quinn está escrevendo.. é uma história minha que se chama Acrab para quem se interessar, está no Spirit..

Às vezes você está tão cansado e tão oprimido que não tem nada a dizer. Apenas quer ficar em silêncio tentando respirar para não sufocar.

Ela se sentou na frente da mulher que imediatamente lhe serviu a xícara de café. Rachel olhou atentamente para a mulher que estava ocupada em lhe estender a xícara.

— Obrigada. – Murmurou com um pequeno sorriso.

— Como você está? – Ela perguntou olhando para a pequena judia.

— Estou bem. – Rachel deu um pequeno sorriso e viu a mulher arquear as sobrancelhas escuras. – Ainda não consigo mentir para a senhora, não é mesmo?

— Você é uma ótima atriz, mas mente terrivelmente. – Carmen Tibideaux a olhou por cima dos óculos. – E eu ouvi pelo meio que você dispensou algumas peças.

Rachel suspirou e tomou um gole do café.

— Estou… tentando. – Ela respondeu e viu a mulher acenar positivamente com a cabeça. – Acho que preciso de um tempo dos palcos, talvez explorar outras coisas… focar mais em mim.

— Cansou? – A mulher perguntou ainda examinando Rachel atentamente.

— Não… quer dizer… — Rachel suspirou. – Oito shows por semana podem ser cansativos, as entrevistas e fotos… cansa, mas nunca consigo me cansar da sensação de atuar e estar lá. O problema é que eu preciso de um tempo para me curar, eu não sei se essa é a palavra apropriada.

A mulher concordou com a cabeça outra vez como se tivesse gostado da resposta. Rachel sempre se sentia exposta pelo olhar penetrante da mulher.

— Eu imaginei que fosse algo assim, quando ouvi dizer que você havia recusado o papel principal em Waitress. – Ela falou calmamente. – E um papel em Hairspray… — Ela tomou um gole da xícara e suspirou. – Tenho uma proposta.

— Uma proposta? – Rachel arqueou as sobrancelhas.

— Talvez você aceite dar algum curso aqui em NYADA? – Carmen se inclinou colocando a xícara na mesa. – Um curso curto de aperfeiçoamento para as classes avançadas, nada muito extenso, mas algo para te fazer se inspirar.

Rachel arqueou as sobrancelhas e exibiu sua surpresa.

— Aqui? – Perguntou erguendo um pouco a voz, limpou a garganta. – Quer dizer…

— Bem, você fez uma graduação dupla… — Carmen encolheu os ombros. – Você também é uma professora habilitada de atuação, e se quiser pode conseguir habilitação em canto e dança também… se for mais do seu agrado NYADA sempre estará disposta a te receber.

Rachel ficou parada e em silencio olhando para a mulher, não sabia o que responder.

— Pense a respeito. – Carmen falou com o mesmo tom professoral de sempre. – Converse com seus pais, seu agente, sua namorada… apenas pense a respeito antes de negar.

Concordou com a cabeça. Ela pensaria no que fazer… ainda precisava de um salário no final das contas. Carmen se ergueu outra vez.

— Agora que tiramos isso do caminho… — Ela falou enquanto pegava uma pasta. – Eu gostaria de falar com você sobre outro assunto. Com este… infeliz acidente… se criou uma ferida que está sangrando lentamente, todos sentiram. Fomos atingidos, fossem ex-colegas de trabalho, amigos, maquiadores… perdemos pessoas naquele dia. E acredito que precisamos fazer algo para começarmos a… nos curar… — Ela sorriu com o termo. – Sim, você usou a palavra correta. Todos nós precisamos de tempo para nos curarmos e precisamos nos sentirmos uteis em algo, é por isso que NYADA quer fazer uma ação social. E eu gostaria que você estivesse presente.

Rachel ergueu os olhos dos documentos na pasta e olhou para a mulher.

*Diário*

Saiu do táxi e se aproximou do teatro que a produção havia alugado para reunir o elenco. Viu a morena que se aproximava e sentiu a tensão correr em seu corpo ainda mais forte.

— Rachel. – Ellen lhe chamou apressando o passo.

A Berry tentou empurrar as portas, mas sentiu seu braço ser segurado e puxado na direção da outra.

— Rach… — Ellen falou em voz baixa. – Podemos conversar?

Rachel se virou para encarar a mulher, a expressão mais séria que conseguiu colocar em seu rosto.

— Eu não tenho nada para conversar. – Respondeu calmamente. – Acredito que qualquer tipo de relação que possamos ter já foi encerrada.

— Rachel… — Ellen pediu. – Eu… eu gosto de você.

— Me chamando de puta da fama? – Arqueou suas sobrancelhas, inclinou a cabeça para o lado. – Dizendo que eu pulava de cama em cama? Que eu estou procurando por holofotes maiores?

— Eu estava com raiva. – Ellen lambeu os lábios. – Eu… eu não quero perder você. Ok? Nós estávamos bem, você e eu, estávamos caminhando para termos algo mais sólido que uma garrafa de tequila e uma trepada de uma noite. E ai a pessoa que te torturava durante o ensino médio aparece e tudo muda? Como que é isso?

— Você não sabe de nada do que aconteceu no meu ensino médio. – Rachel estreitou os olhos.

— Eu sei sim, sei o que Tina e você já falaram em conversas informais e eu sei o que ela fala em entrevistas. – Endureceu os ombros se aproximando de Rachel. – Eu só quero proteger você de alguém que provavelmente só quer a publicidade.

— Você não conhece Quinn, você não sabe nada sobre ela então não fale sobre ela. – Rachel reagiu rápido. – E se mantenha longe da filha dela.

— É eu sei, ou então ela vai me processar. – Zombou. – Ela ao menos sabe quem é o pai da garota?

— Cale a boca Ellen. – Rachel se aproximou irritada. – Eu estou lhe avisando.

— Ou o que? – A mulher zombou com um sorriso. – Você realmente acha que ela ama você? Que isso é algum tipo de conto de fadas onde a garota malvada torturava a nerdzinha para esconder a sua paixão latente? Não é. Ela não ama você, está apenas te usando e você está caindo como a ingênua que é.

Rachel se afastou sem dizer nenhuma palavra, mas Ellen continuou sorrindo como se tivesse ganhado o dia.

*Diário*

Quinn entrou pelas portas duplas da ampla sala de reunião e viu o homem inclinado sobre alguns manuscritos. Se aproximou deixando o salto bater contra a madeira atraindo a atenção do homem.

— Me chamar aqui antes da reunião que já estava marcada… — Ela começou com um tom de voz leve. – Me diz que algo não está sendo aprovado.

— E você está certa. – O homem grisalho se recostou na cadeira. – Eu li o que você me enviou.

— E então? – Quinn se sentou cruzando as pernas, olhou para ele. – Qual o problema?

— Eu acho que alguns ajustes devem ser necessários. – Ele falou lentamente e deslizou um dos manuscritos de capa azul para ela. – Apenas ajustes pequenos.

Quinn pegou os óculos dentro da bolsa e o colocou no rosto enquanto pegava o manuscrito, permaneceu em silencio enquanto deslizava os olhos pelas palavras conhecidas. Não esboçou reação diante das palavras em vermelho que lhe eram desconhecidas, passou as páginas cuidadosamente até a última. Deixou o manuscrito sobre a mesa e retirou os óculos.

— Então… os seus pequenos ajustes são basicamente alterar todo o meu enredo principal? – Quinn arqueou as sobrancelhas.

— Não, Beth continua indo para Costa Luna e sendo duquesa de Acrab responsável pela segurança de todo o país e da rainha. – Ele comentou calmamente. – Ela e a rainha serão melhores amigas, até confidentes, mas o seu interesse amoroso será Alkaid.

— Resumindo, querem que eu altere o meu enredo principal inteiro. – Quinn sorriu batendo os dedos contra a mesa. – Por quê?

— Não achamos que é um caminho interessante para a história. – Ele encolheu os ombros. – Achamos que… Beth não precisa explorar este lado. Quer dizer… tudo bem ela já beijou algumas mulheres, mas…

— Mas? – Quinn manteve a posição tranquila.

— É uma fase, a maior parte das meninas tem essa fase. – Ele suspirou e se serviu de um copo de água da jarra que estava na mesa. – Elas podem beijar meninas, mas sabemos que elas sempre casam com os homens.

— Eu acho que não. – Quinn soltou uma risada suave.

— Eu entendo que sua vida pessoal se desenvolveu de outra forma, apenas não achamos que seria interessante se basear nela. – Ele tentou uma nova abordagem.

— Em outras palavras, a Editora está censurando o enredo do livro por Beth ter um relacionamento amoroso com a rainha? – Quinn perguntou calmamente, perdendo o sorriso. – Não somos crianças, vamos falar claramente.

O homem se reclinou e a encarou como se estivesse considerando a questão.

— Falando claramente? – Ele perguntou e a viu concordar com a cabeça. – A Editora não vai publicar o livro se você prosseguir com este enredo. Faças as alterações.

— Bem… — Quinn balançou a cabeça levemente. – Temos um impasse então. Porque eu não vou publicar o livro se não for com este enredo.

— Você precisa ser razoável. – Ele sorriu para ela. – Não somos crianças aqui…

— Não, não somos. – Quinn devolveu o sorriso. – E o meu contrato garante que eu tenha controle criativo sobre as obras, assim como também os direitos delas… então…

— Está nos ameaçando? – Ele arqueou as sobrancelhas. – É um jogo perigoso.

— Não estou ameaçando, estou relembrando um fato que aparentemente foi esquecido. – Quinn encolheu os ombros. – Eu gosto daqui, gosto de como lidam com as coisas, mas eu tenho o controle criativo e dos direitos de todos os meus livros.

Quinn se levantou e pegou a bolsa, empurrou o manuscrito para o homem.

— Eu vou avisar a minha agente e aos meus advogados sobre isso. – Ela falou docemente, um sorriso em seus lábios. – Tenha um bom dia John.

— Quinn. – Ele se ergueu a chamando enquanto ela se afastava. – Quinn podemos conversar sobre isso, cedemos um pouco e você cede um pouco e todo mundo fica feliz.

— Eu não vou ceder. – Ela se virou para ele. – Ou o livro sai como eu quero ou o livro não sai.

— Você tem um contrato. – Ele se inclinou contra a mesa. – Como você mesma disse, e o seu contrato diz que você tem que publicar quatro livros conosco. Já te demos um adiantamento pelo próximo livro.

— Eu sei. – Quinn sorriu. – Quatro livros, mas em nenhum lugar está especificado quais livros devem ser.

Ela saiu da sala deixando o homem furioso para trás.

*Diário*

Rachel colocava os pratos na mesa enquanto Leroy estava na cozinha terminando o jantar. Ela concordava com a cabeça enquanto Jeremy treinava a música da apresentação do dia seguinte.

— Alongue dois segundos a mais nas silabas. – Ela aconselhou. – E lembre-se você tem que ser charmoso, mas um pouco exagerado… um pouco canastrão. Você é Link Larkin e todas as meninas de Baltimore morrem por você. Então seduza a plateia e a divertida ao mesmo tempo…

— Ok… — Ele concordou com a cabeça. – É um bom conselho.

A campainha tocou e ela se afastou para atender, podia ver o sorriso do pai pela interação dos dois. Sentiu os braços de Tina lhe envolverem assim que abriu a porta.

— Me desculpa. – A asiática sussurrou. – Me perdoa, a brincadeira foi imbecil… eu…

— Eu exagerei. – Rachel envolveu a mulher em seus braços. – Quinn deixou isso bem claro… e depois pensando eu percebi que realmente exagerei.

— Ela está zangada? – Tina se afastou um pouco para olhar Rachel.

— Não, não está. – A morena sorriu para a amiga. – Está preocupada comigo, mas não está chateada com ninguém mais.

— Estamos todos preocupados. – Kurt estava parado na porta junto com Sam, Artie e Vincent.

— Entrem. – A morena se afastou para que eles entrassem. – Desculpa, eu sei que estou distante.

— Distante? – Vicent arqueou as sobrancelhas enquanto retirava o casaco grosso. – Eu precisei te beliscar hoje mais cedo quando Jordan te perguntou se você queria chá ou café.

— Desculpa. – Ela murmurou sentindo o rosto corar.

— Eu tenho que perguntar. – Sam estava com as sobrancelhas franzidas e o celular na mão.

— Você poderia guardar isso, pelo menos hoje? – Kurt pediu enquanto ia para a cozinha e cumprimentava os dois homens ali.

Rachel seguiu o Hummel enquanto os outros vinham logo atrás, mas Sam ainda estava encarando o celular.

— O que você estava falando com Ellen? – Ele olhou para ela.

Rachel parou no meio do caminho de pegar uma garrafa de vinho e olhou.

— Como você sabe que eu falei com Ellen hoje?

Ele virou a tela do celular. – Tem pelo menos umas três matérias falando disso, publicadas nos últimos 10 minutos. Estão falando em como vocês parecem ter resolvido as diferenças e estavam bem próximas.

Rachel se aproximou e tomou o celular da mão dele lendo a manchete dúbia e a sugestão se Quinn seria ou não ciumenta. Empurrou o celular para ele e saiu em direção ao quarto atrás do próprio celular. O desbloqueou ignorando as mensagens que sabia que não responderia tão cedo e ligou para Quinn.

— Oi. – A voz cansada da mulher lhe saudou.

— Você está bem? – Perguntou esquecendo momentaneamente o que acontecera.

— Uma dor de cabeça desgraçada. – Quinn respondeu ainda com a voz pesada.

— A reunião foi tão ruim assim? – A morena se sentou na beirada da cama.

— Péssima e não ajuda nada o fato de que… — Ela ouviu a mulher se distanciar um pouco do celular para falar. – Alex esteja aqui me enchendo a paciência sobre contratos e termos.

— Já tomou um remédio. – Perguntou com um pequeno sorriso.

— Sim, eu já tomei o remédio. – Ouviu a voz cansada ficar próxima outra vez. – Apenas estou… estressada e irritada. Como foi seu dia?

— Estressante. – Rachel fechou os olhos por um momento. – Tiraram algumas fotos minhas com Ellen hoje…

Ela esperou, mas só ouviu o silêncio do outro lado.

— Ela me segurou na entrada do teatro onde foi a reunião com o elenco e os produtores. – Rachel explicou apressadamente.

— Como foi a reunião? – Ela podia sentir a tensão da mulher.

— Quinn… — Rachel pediu em voz baixa.

— Baby… — Ela ouviu o suspiro. – Estou mais preocupada com a reunião em si do que com Ellen e manchetes de revistas. Como você está? Como foi a reunião?

— Eles apenas nos reuniram para dar satisfações. – Rachel fechou os olhos e abraçou os joelhos contra o peito. – Tentaram mostrar o lado deles e se inocentarem de qualquer culpa que pode vir a ser atribuída a eles. Um verdadeiro… nojo se quer saber. Tiveram a capacidade de lembrar dos contratos de seguro que foram discutidos antes das assinaturas e que a equipe não discordou da decisão da produção de rejeitar um seguro mais caro, ou seja…

— Alguns dos feridos estão tendo mais gastos do que deveriam. – Quinn completou por ela.

— Sim. – Rachel apoiou o queixo no joelho. – O pessoal veio jantar aqui em casa hoje.

— Como estão as coisas com Leroy e Jeremy? – Perguntou atenciosa.

— Jeremy é surpreendentemente alguém gostável. – Ela fechou os olhos momentaneamente. – Leroy tem tentado, mas fica tenso sempre que você é mencionada. Então eu posso te dizer que esses últimos três dias foram meio longos. Como está Beth? E a situação no colégio?

— Beth está bem, mas ainda se recusa a voltar para as aulas que saiu. – Ouviu outra vez o suspiro cansado. – Shelby acha que talvez devêssemos troca-la de escola, mas…

— Mas?

— É a melhor escola da região. – Quinn parou por um momento e Rachel a ouviu engolir. – Eu só quero o melhor para ela.

— Talvez a melhor escola da região não seja o melhor para ela. – Rachel falou lentamente. – Uma escola onde ela se sinta confortável pode fazê-la alcançar níveis melhores do que uma de excelência onde ela está infeliz.

— Eu sei… eu sei. – Quinn suspirou. – Só estou me sentindo impotente. Fomos lá, conversamos com a diretora… eu fiz uma bela doação, mas parece que nada foi feito. – Quinn parou e soltou uma risada amarga. – Deus, acabei de falar exatamente como Russel.

— O que? – Rachel franziu as sobrancelhas.

— Eu acabei de insinuar que o dinheiro resolveria tudo. – Ela respondeu um pouco amarga. – Exatamente como ele faria.

— Quinn… você está sendo apenas uma mãe preocupada. – Rachel falou lentamente.

— Baby… volta para o jantar. – Quinn pediu.

Rachel mordeu o lábio. – Você precisa de espaço?

— É… apenas um pouco… — A loira respondeu. – Eu adoro você…

— E eu adoro você, te mando mensagem antes de dormir. – Rachel falou em voz baixa.

Ouviu a ligação ser encerrada e suspirou apoiando a testa contra o joelho antes de jogar o celular em cima do colchão e sair do quarto. Encontrou os amigos conversando na cozinha e seu olhar encontrou o de Sam.

— Está tudo bem? – Ele deslizou uma taça de vinho para ela.

— Sim, apenas estava falando com Quinn. – Respondeu atraindo a atenção dos outros. – Ela está exausta… Beth está com problemas na escola.

— Genes de Puck se manifestando? – Artie brincou.

— Genes de Puck se misturando a Santana e suas técnicas de defesa pessoal. – Rachel revirou os olhos. – Por sinal… elas estão atrasadas.

— Ela me ligou enquanto você estava no quarto. – Sam falou imediatamente. – Elas não vão conseguir vir, ela disse que vai ter que virar a noite no escritório e Brittany está em um congresso fora do estado.

— Bem… então não teremos Santana e seus comentários espirituosos esta noite. – Rachel brincou.

— Querida… — Leroy a chamou. – Onde está aquela sua molheira?

— Está no armário ao lado da geladeira. – Ela respondeu sem olhar para ele.

Leroy abriu o armário e seus olhos escuros foram atraídos para o frasco de comprimidos que estava encostado perto da lateral do armário. Ele parou enquanto olhava para os comprimidos.

— Rachel. – Sua voz profunda cortou as risadas dos mais novos, um medo misturado a raiva logo preencheu sua voz. – Rachel.

Ele se virou, o frasco apertado em sua mão. Os olhares foram para ele e Rachel deixou de sorrir assim que viu o frasco.

— Por que você está tomando tenofovir e emtricitabina? – Ele perguntou, sua voz controlada, mas sua mão tremia.

— Um reforço para o meu sistema imunológico. – Ela respondeu calmamente.

Kurt, Sam e Vincent lhe olharam com as sobrancelhas franzidas enquanto Tina e Artie pareciam alheios ao problema. Jeremy deu a volta por trás dos amigos de Rachel e se aproximou do namorado.

— Rachel respondeu a sua pergunta. – Ele falou em voz baixa. – Agora guarde isso e vamos jantar.

Leroy não se mexeu. Jeremy apoiou a mão no ombro do homem, mas só o que conseguiu foi que Leroy se afastasse bruscamente.

— Eu vou repetir. – Falou lentamente. — Por que você está tomando tenofovir e emtricitabina?

— E eu já respondi. – Rachel tomou outro gole de vinho. – É um reforço para o meu sistema imunológico.

— O que você está me escondendo? – Leroy parou, apenas a península entre eles. – Eu não posso acreditar que você me esconderia algo assim. Mesmo estando com raiva de mim, você não podia ter me escondido isso.

— Eu não escondi nada. – Rachel respondeu começando a ficar irritada. – Estou tomando como um reforço para a minha imunidade, apenas isso.

— Mas… — Kurt franziu as sobrancelhas e as desanuviou quase imediatamente. – Oh Deus.

Rachel olhou rapidamente para ele, a compreensão brilhando em seus olhos azuis. Leroy olhou de um para o outro até que finalmente compreendeu.

— Ela tem AIDS? – Ele falou com a voz baixa e rouca. – Você enlouqueceu? Você… você está se colocando em risco? Perdeu sua mente?

— Ela não tem AIDS. – Rachel respondeu tranquilamente. – Ela é soropositiva sim, e o remédio é uma precaução receitada por uma médica imunologista. Quinn tem carga viral indetectável, ela não pode me contaminar, estamos usando a PREP apenas como uma precaução extra.

— Precaução extra? – Leroy elevou a voz completamente irritado. – Você só pode estar brincando comigo.

— Não estou e abaixe o tom. – Ela se impôs. – Você está na minha casa.

— Como eu criei uma filha tão ingênua. – Ele cuspiu. – Não consegue entender que ela está te usando? Que você vai sair disso ainda mais machucada do que quando era adolescente? Está brincando com a sua saúde e com a sua carreira.

— Não estou brincando com nada. – Rachel retrucou. – Estou namorando uma mulher incrível. Eu conheço Quinn… — Ele zombou. – Eu conheço Quinn, nós conversamos.

— Ah é? – Ele desdenhou. – Conversaram? E ela te explicou tudo o que fez?

— Explicou. – Rachel aprumou os ombros. – Explicou e eu compreendi.

— E ela te disse quão inspiradora você é, não é? – Ele continuou zombando. – Como você era a fonte de inspiração para os livros dela.

Rachel não respondeu.

— É… ela mente tão bem quanto quando era adolescente e fez Finn acreditar que era o pai do bebê. E você ainda é a mesma criança mimada e desesperada pela atenção da menina popular.

Rachel tirou o frasco de comprimidos da mão dele e saiu indo em direção ao quarto. Leroy fechou os olhos com raiva, Hiram lhe devia explicações.

— Você não deveria ter feito isso. – Jeremy o repreendeu. – Nós conversamos, você disse que iria guardar suas opiniões…

— Quando você tiver filhos vai poder opinar. – Leroy o cortou. – Até lá não se meta na minha relação com a minha filha.

Kurt saiu da sala indo atrás da morena que estava enfiando roupas apressadas em uma pequena mala.

— Para onde você vai? – Ele perguntou franzindo as sobrancelhas, fechou a porta para abafar os gritos de Leroy e Jeremy.

— Sumir. – Ela respondeu pegando mais algumas blusas. – Eu não posso. Não da.

— O que não dá? – Ele se adiantou e segurou as mãos dela com cuidado. – Fala comigo.

— Eu não posso ficar aqui. – Ela murmurou com os olhos fechados. – Não posso. Não consigo respirar. Eu quero distância de New York, quero distância de Ellen e do meu pai.

— Você vai para a Califórnia? – Ele segurou o rosto dela. – Apenas me diga para onde você quer ir e eu vou com você.

— Não. – Ela negou com a cabeça. – Preciso…preciso de espaço.

Ele a olhou aflito.

— Quinn não pode me contaminar. – Ela repetiu e ele concordou com a cabeça.

— Eu acredito. – Ele sussurrou. – Ela não pode te contaminar e ela não está te usando.

— Mas aparentemente ninguém acredita nisso. – Ela choramingou, apertou as mãos em punhos tentando se impedir de tremer. – E eu estou ficando cansada.

— Você tem que acreditar. – Ele falou lentamente para que ela o entendesse. – Quem tem que acreditar nisso é você, e se você acredita e está feliz com ela então foda-se os outros.

Ela concordou com a cabeça e respirou fundo. Ela sabia. Ela acreditava. Mas ela precisava respirar.

— Eu… — Ela lambeu os lábios e o encarou. – Eu vou para Lima.

Ele concordou com a cabeça.

— Não quero que você fale para ninguém. – Ela o viu concordar com a cabeça outra vez. – Apenas… preciso ficar sozinha.

— Ok… — Ele a abraçou. – Eu vou te levar para a estação de trem, posso?

— Pode. – Ela fungou e se apertou a ele. – Pode sim.

Ela precisava estar em um lugar seguro onde pudesse respirar.

Notas finais
@just_someone13