Diário

6 Capítulo V - Ethan


O programa retornou do comercial, a mulher já de idade com o rosto repuxado de tantas plásticas, o sorriso falso nos lábios e a pele muito queimada de sol.

- Bom dia! – O sorriso que não poderia desfazer nem se quisesse. – Estamos aqui hoje com a autora da saga best-seller Stern, vamos receber Quinn Fabray.

Quinn entrou no estúdio com um sorriso educado, cumprimentou a apresentadora e tomou assento no sofá.

- Bem, a pergunta que não quer calar é… — Se ajeitou na poltrona como um tigre que vai atacar a caça. –Como você teve a ideia de fazer uma adolescente de 16 anos, moradora do Bronx se tornar uma agente secreta de uma organização não governamental?

- Eu não tive uma ideia já formada. – Quinn respondeu as mãos juntas sobre as pernas cruzadas. – Eu apenas fui me deixando levar pelas palavras, em algumas noites eu acordava com trechos inteiros prontos na minha cabeça e assim foi.

- É verdade que você prefere escrever no papel?

- Sim, é verdade eu prefiro o papel.

- Quantos livros a série vai ter?

- Não posso falar sobre isso. – Respondeu com um sorriso.

- A história não tem apenas um vilão, são vários personagens que contribuem para uma organização do mal, mas o chefe nunca foi revelado. – Ela parou fazendo suspense. – Você poderia nos dar uma dica? E o que ele quer?

- Bem… — Passou a língua pelos lábios. – Não, eu não posso falar.

Rachel desligou a televisão, já tinha visto essa entrevista antes, saiu da esteira secando a nuca com uma toalha felpuda. Olhou no relógio ainda tinha meia hora antes de Quinn aparecer para o café, sorriu pensando na noite anterior.

Santana estava apoiada na mesa de madeira olhando para o quadro branco onde a foto de Ethan estava colada no meio do quadro e outras ao redor, eram fotos de contusões e lesões que o garoto tinha por todo o corpo.

- Detetive Davis. – Chamou por cima do ombro.

A mulher de cabelos castanhos lisos até a metade e depois eles iam enrolando em cachos espaçados, os olhos verdes bem marcados pelo lápis de olho o rosto maduro e sexy.

- Sim capitã. – Parou ao lado de Santana.

- O que temos até agora? – Os braços cruzados.

- O sobrenome do garoto nos levou até a periferia do Queens. – Olhava o bloco de anotações. –Eu estava indo para lá.

- Vou com você. – Se afastou da mesa, pegou o casaco.

- Tem certeza? – Olhou para Santana um pouco surpresa. – Não é comum a capitã sair da delegacia para ir atrás dos pais de um garoto abandonado.

- Você vai mesmo discutir comigo? – Começou a se afastar para as portas. – Eu quero esses dois atrás das minhas grades e eu quero fazer isso.

Quinn e Rachel andavam pelas ruas cada uma com um copo de café quente nas mãos e por mais incrível que pareça não tinham sido incomodadas ainda.

- Sabe… — Quinn se aproximou sutilmente. – Você ainda não me perguntou sobre o meu noivado e nem se eu continuo em Lima ou se me mudei.

- Então… você se mudou?

- São Francisco. – Sentiu Rachel deslizar a mão por dentro de seu braço. – Logo depois que me graduei na faculdade.

- E agora vem a parte que eu estava tentando evitar. – Sorriu olhando para o lado. – Quem era ela? O que ela faz da vida? Vocês ainda se falam? Como ela é fisicamente? Como vocês se conheceram?

- Agora é a Rachel Berry que eu conheço. – Quinn soltou uma risada, apertou a mão de Rachel e com um pouco de dificuldade pelas luvas que usavam entrelaçou os dedos. – Ela se chama Andrea Phillips, é uma arquiteta que possui o próprio escritório em São Francisco. Nos conhecemos através do irmão dela, Isaac fomos colegas na faculdade, sim nós ainda nos falamos, mas não é nada muito intimo é mais por que a família dela realmente se tornou a minha família.

- E como ela é? Fisicamente?

- Da minha altura, loira dos olhos azuis, ela não é exatamente a pessoa mais amigável do mundo. É reservada e até fria com quem ela não gosta, é profissional e quando você a conhece de verdade percebe que é uma ótima pessoa que apenas tem medo de se envolver de mais.

- Preciso ter ciúmes? – Sorriu tentando esconder o desconforto pelo jeito carinhoso que Quinn falou dela.

- Engraçadinha. – Começou a levar o copo de café aos lábios.

Rachel a puxou pela rua quase que fazendo a loira derrubar o café quente.

- Opa… calma ai diva. – Soltou uma risada. – Onde vamos?

- Livraria. – Sorriu. – Quero ver as criticas do seu novo livro.

Continuaram correndo até uma livraria de dois andares que ocupava boa parte do quarteirão.

- Aqui. – Receberam a lufada de ar quente do interior da loja, o cheiro de livros novos inflando seus pulmões. – Vamos procurar a grande autora.

- Rach. – Suspirou desconfortável. – Não podemos fazer outra coisa?

- Não acredito. – Se virou para a loira. – Você está insegura? A grande Quinn Fabray está insegura?

- Não gosto de ler as criticas. – Puxou as luvas para fora das mãos as guardando no bolso do casaco.

- Eu vou ler as criticas. – Se aproximou sorrindo levemente, levantou a mão afagando os cabelos curtos da nuca deixando as unhas arranharem a pele. – E eu tenho certeza que são ótimas criticas.

Deslizou a mão pelo pescoço, correndo o ombro e o braço até poder entrelaçar os dedos mais uma vez a puxando por entre as estantes. A livraria estava quase vazia naquela manhã a maior parte dos ocupantes eram os próprios empregados que arrumavam as prateleiras.

- Aqui. – Rachel apanhou um dos exemplares.

Quinn respirou fundo olhando para o chão.

- Intenso e bem trabalhado esse novo romance de Quinn Fabray prende do inicio ao fim não só os adolescentes como também aos adultos que se aventuram por suas páginas. – Rachel sorriu antes de passar para outra critica. – Sexy pode ser uma das qualidades para este livro, o mais maduro de toda a série até agora leva a nossa querida Beth ao cerne de uma batalha familiar pelo poder de um pequeno país, claramente a autora demonstra a evolução da personagem de uma adolescente a uma mulher adulta.

- Claro quem diria que ela iria se envolver com o vilão do livro. – Resmungou olhando para o lado.

- Eu gosto do Ferdinand. – Rachel guardou o livro. – E eles estão certos, o livro é intenso e sexy como a autora.

Rachel a abraçou pelo pescoço. – Você é incrível e às vezes quando eu leio o que você escreve eu devo me lembrar de como respirar.

- E eu tenho que me lembrar de respirar toda vez que te vejo cantar. – A abraçou pela cintura. – E agora vai uma confissão sempre que eu estou na cidade eu vou ver você se apresentar.

- Hn… — Sorriu deslizou um dedo pelo pescoço pálido. – E agora vai uma confissão minha, eu quero muito te beijar neste instante.

- Acho que podemos manter isso em segredo. – Sussurrou inclinando a cabeça para ela com um pequeno sorriso.

Santana desceu da patrulha, o bairro era pobre, havia lixo empilhado na rua e os prédios imundos ladeavam a rua.

- Qual o nome dos pais do garoto? – Se aproximou da Detetive Davis.

- A mãe se chama Cindy e o pai é desconhecido. – Se aproximaram de um dos prédios.

- Ficha criminal?

- Usuária de drogas. – Bateu na porta. – Está aberta.

Santana empurrou a porta com um pouco de violência, liberou a trava do coldre, avançou para a escada.

- Apartamento?

- 13D.

Ouviram os choros de crianças, as brigas, cheiros doces de mais até que finalmente chegaram ao apartamento. Santana conectou seu punho a madeira.

- Senhora Kuster. – Chamou.

Ouviu a corrente sair da porta e a chave ser girada. Um homem apareceu, tomando um gole de cerveja, a barba cerrada com o bigode em evidencia, a camisa aberta exibindo o peito magro e peludo.

- O que? – Sua voz carregada no sotaque mexicano.

- Quem é você? – Santana arqueou uma sobrancelha.

- Hector. – Mirou a latina de cima a baixo. – E você?

- Onde está Cindy? – Continuou ignorando a pergunta esticou o pescoço tentando ver por cima do ombro dele.

- Ela está ocupada. – Rosnou. – Agora belezinha ou falar o que quer ou some da minha casa.

- Sua casa? – Santana apoiou a mão na porta.

- Sim, minha casa. – Hector sorriu.

Santana afastou o casaco para o lado amostrando o distintivo, o homem perdeu o bom humor.

- Talvez ela se desocupe para falar do filho. – A detetive Davis também amostrou o distintivo enquanto falava.

- Ela não tem filho. – Começou a fechar a porta, mas Santana jogou o peso contra a madeira.

- Senhor perdão não sei o seu sobrenome. – Santana arqueou as sobrancelhas.

- E não vai saber.

- Mais uma vez, eu gostaria de falar com a Senhora Cindy Kuster. – Santana impôs a voz, seus olhos negros se estreitaram enquanto endireitava o corpo.

- Quem quer falar comigo? – A mulher alta e extremamente magra apareceu no corredor, as olheiras sob os olhos os cabelos loiros ralos e sem brilho.

- Senhora Kuster? – Santana perguntou ainda olhando o homem, fez um mínimo aceno para a detetive ao seu lado.

Davis puxou a arma do coldre e se manteve em alerta.

- Sim. – A mulher andou até a porta com os olhos semicerrados. – Sou eu.

- Gostaríamos de ter uma palavra sobre o seu filho Ethan.

A mulher olhou para o homem parecendo ter medo.

- Eu… eu não tenho filho. – Balbuciou nervosa. – Não sei do que estão falando.

Santana olhou para dentro do apartamento mais uma vez, viu um carrinho de policia quebrado.

- Entendo. – Olhou para Hector. – Bem, se vocês souberem de alguém que tenha perdido um garotinho de aproximadamente dois anos, loiro, olhos azuis infelizmente ele foi cegado do olho esquerdo. Podem nos procurar.

- Não sabemos. – Hector fez força com a porta, Santana se afastou permitindo a madeira bater contra a soleira.

Começaram a se afastar da porta, pararam na escada.

- É óbvio que o garoto é deles. – Davis travou a arma e a guardou no coldre. – Você viu o jeito que ela olhou para aquele homem nojento?

- Eu sei. – Apoiou-se na parede. – Eu sei…

Quinn puxou Rachel pelas portas da clinica onde Brittany trabalhava.

- Você vai adorar esse lugar. – Murmurou, acenou para a secretaria. – Eu faço uma contribuição mensal para cá.

- Eu nunca imaginei a Brit trabalhando em um lugar assim. – Rachel murmurou analisando as cores vivas e algumas crianças que andavam de um lado para outro na sala comum.

- Brittany ama crianças você sabe disso. – Sorriu vendo um garotinho jogando com uma montanha russa de contas e arrame colorido. – Ela queria ajudar e acabou se apaixonando pelas especiais. Ela estava dando aulas de balé e viu essa menininha que tinha Síndrome de Down se esforçando para fazer os passos.

- Ai ela decidiu que queria ajudar essas crianças?

- Sim. – Acenou com a cabeça, entrou por um corredor. – Ontem eu não te atendi por que eu estava aqui com um dos pacientes.

- Sabia que você estava fazendo algo importante. – Sorriu apertando o braço que segurava.

- Eu não sei, mas eu realmente me afeiçoei ao garoto sabe foi amor a primeira vista. – Parou no meio do corredor. –Ele tem dois anos e é lindo, ele está num abrigo por que foi abandonado pela família depois de ter sido muito mal tratado.

Rachel franziu o rosto esfregou o braço de Quinn sentindo a tensão da loira.

- Ontem ele confiou em mim e eu me senti muito bem com isso. – Sentiu Rachel enxugar uma lágrima de seu rosto, espera quando começara a chorar?

- Eu quero muito conhece-lo. – Sussurrou com um pequeno sorriso. – Qual o nome dele?

- Ethan.

- Já amei o nome dele. – A abraçou pela cintura. – E tenho certeza que vou adora-lo.

Brittany estava segurando uma bola pequena na mão, a sacudiu para que Ethan percebesse o guiso que havia dentro. O garoto estava encostado mais uma vez no canto da sala, mas não chorava.

- Vamos Ethan vamos jogar um pouco. – Sua voz era feliz. – Vai ser divertido.

Quinn abriu a porta e entrou com Rachel, observou o rosto franzido do garoto. Brittany rolou a bola na direção dele acertando a parede do lado esquerdo, observou o garoto virar o rosto na direção do som.

- Bom, agora por que você não joga na minha direção? – Incentivou. – É só seguir o som da minha voz, vamos Ethan vai ser legal.

Soltou uma das mãos do ursinho sujo e começou a explorar atrás da bola, encontrou a superfície porosa e macia, um pequeno sorriso nos lábios rosados.

- Aqui Ethan aqui. – Brittany deu suaves batidinhas no chão. – É só achar o som e jogar na direção dele.

Ethan se entreteve com a bola ignorando os apelos de Brittany, apertava a bolinha entre as mãos as sacudindo para ouvir o guiso.

- Tudo bem fica com a bolinha. – Brittany soltou um risinho, se levantou andando até ele e se sentando contra a parede finalmente percebendo as duas mulheres. – Olha Ethan temos visitas.

O garoto parou os movimentos.

- Quinn? – A voz infantil e insegura.

A autora sorriu se soltou de Rachel e começou a andar na direção do garoto.

- Aqui pequeno príncipe. – Sua voz suave e carinhosa. – Estava com saudades de você.

O garoto soltou a bola que correu para longe, seu rosto estava mais relaxado e num súbito impulso ergueu os braços. As duas loiras se entreolharam antes de Quinn pegar o corpinho leve nos braços o suspendendo. Trocaram um abraço apertado, Quinn apertou os lábios contra a têmpora do menino.

- Você já comeu? – Perguntou sentindo ele se aninhar ao seu pescoço.

- Eu estava pensando aqui em ir buscar um lanche para nós. – Brittany se levantou, com cuidado acariciou os cabelos do menino.

Ethan parecia mais inclinado a deixar ser tocado quando a autora estava por perto, e eles só se conheciam há dois dias. Brittany olhou para os dois, era uma espécie de conexão especial que ela viu poucas vezes em crianças que tinham sofrido um grau de trauma tão grave. Eles se comportavam dessa maneira principalmente com as mães, era o porto seguro onde tudo era normal e certo. Ela deveria ter uma conversa séria com a Fabray.

Rachel se aproximou, ganhou um sorriso e uma piscadela da terapeuta antes dela sair. Subiu e desceu uma mão pelo ombro de Quinn.

- Hey carinha eu tenho uma pessoa aqui que quer conhecer você. – Sussurrou para ele. – Ela é uma boa amiga minha e tem uma linda voz.

Ethan não se mexeu.

- Ethan? – Rachel o chamou carinhosamente. – Eu me chamo Rachel.

O garoto acenou com a cabeça, mas não retirou o rosto do pescoço de Quinn.

- Eu sou uma atriz. – Continuou, Quinn sorriu para ela. – E uma cantora.

- Vo-cê can-ta? – Gaguejou finalmente falando.

- Sim. – Passou para frente de Quinn, deslizou o braço para a cintura também escondendo o rosto no pescoço da loira. – Eu canto também, mas sabe eu fico nervosa com muitas pessoas.

- Mesmo?

- Claro. – Apertou seu corpo levemente no dela sentindo o garoto ir relaxando com isso. – Eu tenho um truque para isso sabia?

- Mesmo? – O garoto se moveu um pouquinho e assim fez Rachel.

- É. – Esfregou o nariz contra a pele de Quinn. – Eu penso na pessoa que me deixa mais protegida e eu sei que nada vai me machucar por que essa pessoa não vai deixar.

- Funciona? – Ele puxou a cabeça para longe do pescoço de Quinn e virou o rosto para Rachel.

A morena se afastou da loira e cutucou o menino no nariz.

- Todo o tempo. – Sussurrou. – Quem te protege?

Ele escondeu de novo o rosto no pescoço de Quinn, murmurando o nome da loira abafado.

Rachel e a autora trocaram um olhar antes da diva sorrir e sussurrar para ele.

- Olha que engraçado eu também penso nela. – Acariciou os cabelos do menino.

Brittany enviou a foto que havia retirado com o celular para a namorada.

Santana esfregava as têmporas, estava trancada em sua sala tentando se concentrar. Seu celular vibrou sobre a mesa e o apito de mensagem soou muito alto na sala silenciosa junto com uma batida na porta.

- Entra. – Mandou enquanto abria a mensagem, um pequeno sorriso foi esboçado.

A foto eram das duas mulheres abraçadas ao menininho e na legenda Brittany havia escrito: Está pensando o mesmo que eu?

- Capitã? – A voz do homem chamou sua atenção.

Levantou o rosto encontrando o homem hispânico, cabelos negros aparados bem curtos e olhos da mesma cor sempre em alerta.

- Temos um problema. – Ele tencionou o maxilar. – Sobre o garoto.

- Alguma novidade? – Se levantou fechando a mensagem.

Ouviram os gritos histéricos que Santana reconheceu serem de Cindy.

- Que baderna é essa na minha delegacia? – Deu a volta na mesa rumando até a porta.

Cindy estava no meio da delegacia gritando e se debatendo, dois policiais tentavam conte-la.

- Minha senhora se acalme. – A detetive Davis olhava em volta. – Se acalme e nos fale o que aconteceu.

- EU QUERO MEU FILHO. – Berrou a plenos pulmões. – MEU MENINO.

Santana pegou uma cadeira enquanto ia na direção da mulher, sutilmente tirou Davis do lugar e se sentou na frente da mulher caída no chão.

- Pare de gritar na minha delegacia. – Sua voz era baixa e cheia de ameaça. – Agora me diga por que mentiu quando fomos na sua casa.

Os dois oficiais soltaram a mulher no chão, ela começou a se balançar para frente e para trás. O rosto muito vermelho, os cabelos em uma confusão, os braços marcados de tantos picos que já tinha tomado.

- Hector. – Sua voz era baixa. – Ele nunca gostou do Ethan achava que ele era muito barulhento.

- Por isso ele espancava o seu filho? – Santana apoiou os braços sobre as pernas entrelaçando os dedos entre os joelhos, o corpo encurvado para frente. – Onde você estava enquanto o Ethan chorava?

- Eu… eu…

- Estava alta. – As palavras saíram com desgosto. – E você ainda quer falar que ele é seu filho?

- Eu vou procurar tratamento. – Murmurou levantando os olhos lunáticos. – Eu posso procurar tratamento eu só quero o meu bebê de volta.

-Seu bebê?–Sentiu a vontade de encher aquela mulher de bordoadas até que ela coloca-se o cérebro para fora através das narinas. –Perdão, mas a criança que foi analisada por um psicólogo não é um bebê minha senhora. Ele não gosta de pessoas, barulhos altos o assustam, ele não brinca e o menino tem dois anos, ainda usa fraldas e não anda.

- Eu sei. – Agarrou os cabelos. – Eu posso mudar, posso cuidar dele.

- Qual foi a ultima vez que a senhora pegou o seu filho no colo? – Pegou o celular abrindo a ultima mensagem. – Qual foi a ultima vez que fez um carinho nele?

- Eu… eu… não lembro.

Santana se levantou agachando na frente da mulher, amostrou a foto para ela.

- Seu filho esta sendo cuidado e amado por pessoas que nunca o virão. – Sussurrou. – Ele recebe carinho dessas pessoas e se sente seguro com elas. Vai mesmo retira-lo delas?

- Quem…?

- A senhora quer ser a mãe dele? Quer fazer algo além de ter dado a vida a esse garoto? – Fechou a mensagem. – Então me diga tudo o que o Hector fez e onde ele está.

- Ethan… — Chorou em silencio por alguns minutos.

Santana esperou, só tinha uma chance de arrancar tudo daquela mulher antes que ela corresse pela cidade atrás do garoto.

- Eu conto.

Notas finais
Primeiro um feliz ano novo a todos, espero que tenham um romper de ano bom.
Meu ultimo post do ano, na verdade ainda tenho a outra fic "Viver" essa vai ser uma fic curta que começa na noite de ano novo e vai ter passagens de tempo entre os capítulos, mas eu acho que ela ta boa.
Fiquem em paz neste ultimo dia e não se esqueçam que vocês podem fazer o ano valer a pena até o ultimo segundo de 2011.