Dezessete.
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O moletom surrado de sempre junto do tênis rasgado não a deixavam melhor, era motivo de piada quando desfilava segurando um bom livro de história, mas ela não se envergonhava por ter gosto ao estudar, ela se envergonhava por um todo irreversível que tinha se tornado.
_Cada dia pior, credo! – Carmem cutucava Denise que ria maldosa junto da amiga.
_Aquela ali, só nascendo de novo, e olha lá! – A ruiva saiu desfilando com sua micro-saia, os meninos coçavam o queixo, comentavam rindo, era atingida por piscadelas de todos os lados, a garota gostava de uma boa atenção. – Oi Mônica. – Em seguida grudou no canudinho do seu guaraná.
_Que é Denise? – Ajeitou os óculos mostrando impaciência.
_Suas amiguinhas fugiram de você, feiosa?
_Estão na fila do lanche. – Em seguida, como se não se importasse voltou a ler.
_Estou falando com você, asa direita do satanás! Olha pra mim! – A ruiva retorceu um bico raivoso entornando sem dó todo seu guaraná sobre o peito da menina, todos vieram assistir, com seus sorrisos maldosos no canto da face. Os olhos tristes de Mô se encheram, mas ela reprimiu com toda sua força engolindo em seco todo mal que isso a causava.
_Denise! Você é ridícula! Deixa a Mô em paz! – Magali surgiu correndo no meio da multidão que ria.
_Vadia de bosta! – Cascuda era esquentada, e ela odiava com todas suas forças o exagero das brincadeiras realizadas com a dentucinha, e detestava ainda mais a ruiva impetuosa que Denise se tornara com o tempo.
_Vem Mô! – Aninha a puxou, com piedade cravada em seu olhar, até o banheiro feminino onde pudesse dar um jeito de secá-la.
_Esta bem? – Marina esfregava ali, ora lá, tentando limpar a mancha na camisa, mas a única coisa que Mônica conseguiu fazer foi chacoalhar a cabeça positivamente.
_Eu ainda quebro a cara dessa garota!
_Calma Cascuda! – Aninha era um ano mais velha que as demais, sempre a ouviam e demonstravam sincera admiração pela garota. – O máximo que vamos conseguir agindo assim é uma suspensão, das boas!
_Vamos conversar com a diretora!
_NÃO! – Mônica respirou fundo. – Não quero isso Maga.
_Mas Mô...
_As coisas só vão piorar amigas, é melhor deixar passar.
Todas sofriam junto de Mônica, mas agora em silencio. Por muito tempo todas tentaram convencer a teimosa que falar pra os responsáveis diminuiria o problema, mas não, ela achou que seria um alarde muito maior, e a garota mais corajosa que um dia todas essas meninas conheceram, se retirava do banheiro como um cão surrado e assustado. Como? Magali se indignava toda vez que via a melhor amiga assim tão pra baixo, e o que fazer para reverter essa situação? Ela faria de tudo para não deixá-la assim, mas era impossível encontrar a resposta nela, ou em suas amigas. Estavam perdendo Mônica.
_Não! – Gritou irritada consigo mesma. – Não estamos perdendo ninguém! Vamos melhorar isso...
_E como Maga?
_Sei lá Marina, levar essa menina dar umas voltas, ver gente nova, aprender a viver! Ela esta se esquecendo!
_E quem vai convencer aquela mula? – Cascuda mordeu a maçã com raiva.
_A aninha. – Todas voltaram seus olhares para a garota mais velha da turma.
_Eu?
_Você. É a única que ela escutaria um pouco mais. – Todas se entreolharam com certeza fazendo justas as palavras de Magali. – Vamos hoje à tarde pra um piquenique (...)
(...)- E não aceito um não como resposta Mônica Souza.
_Pensei que eu fosse falar... – Cochichou aninha, fazendo sua melhor amiga Marina rir de canto.
_Mas Magali...
_Você vai ou eu conto tudo pra diretora, Mônica! – Os olhos se estreitaram seguidos de uma bufada mal humorada.
_Quem vai?
_Nós cinco e os meninos. – Disse jogando a cabeça pro lado onde Cebola e Cascão jogava baralho.
_Eu vou. – A menina pendurou um beiço emburrado, vermelha de ódio.
_Calma Mô, uma tarde de sol mais comida não faz mal a ninguém! – Maga a encheu de beijos, tirando risos da dentucinha.
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