Notas iniciais
Muito obrigada por todos que acompanharam essa trilogia, em especial para aqueles que deixaram seus comentários e não me deixaram desistir da escrita! Finalmente entrego a vocês o capítulo final de "Dezesseis Anos e Meio" e da trilogia que começou com "O Castelo dos Meninos". Espero que gostem. Um grande beijo a todos!

Sam olhou para Dean, que catava conchinhas na areia. O entardecer estava esplendoroso. Céu limpo, temperatura agradável, brisa fresca… Tudo o que ele havia passado para chegar até ali parecia agora diminuto, como um dia ruim em um passado distante. O homem limpou uma lágrima que escorreu sem querer. Era impossível não se emocionar vendo Dean tão lindo e sereno, de volta à sua praia encantada.

Pouco menos de seis meses haviam se passado desde que Sam levara Dean consigo para Nova York. Ele fora louco e inconsequente, mas, impulsivo e emocional como era, dificilmente conseguia ouvir a voz da razão… Sam sorriu, lembrando-se da expressão horrorizada de Tom ao vê-lo chegar com o menino. E que bronca ele levou em seguida, depois que Dean já tinha sido acomodado para dormir. – Você sequestrou um menor de idade e veio se esconder aqui! – Esbravejou o dono da casa. Foi só aí que Sam se tocou da enorme besteira que tinha feito. Mas era tarde demais…

A raiva de Tom não custou a passar. Agora ele precisava era agir para ajudar o amigo a não se encrencar ainda mais. Welling ligou para Mackenzie e avisou que Dean tinha procurado ele, um advogado, e estava se preparando para dar queixa de Saul. Só voltaria para casa quando estivesse seguro.

Sam sorriu mais uma vez lembrando-se da cena. Tom ao telefone com Mackenzie. Ele e Dean nervosos ao lado, roendo as unhas… Ambos imaginavam que a polícia já estava atrás do menino, e que ela exigiria saber mais detalhes. Mackenzie tinha o direito de saber onde e com quem estava seu irmãozinho…

— Deixa eu falar com ele. – pediu a moça.

Tom estendeu o telefone à Dean. O louro já tinha sido instruído sobre o que falar.

—Por favor, não denuncie o Saul! Ele não faz nada por maldade, você sabe disso!

Dean concordou, mas pediu que em troca Mackenzie contasse as autoridades que ele havia sido encontrado. Fugira de casa e havia se refugiado na casa de um tio. E Sam Winchester não tinha absolutamente nada a ver com a história.

Aquele dia, comemoraram muito. Dean ainda pediu que Mackenzie enviasse alguns documentos e coisas das quais ele precisava. A moça não se recusou a colaborar. Logo o menino estava pronto para ir ao colégio.

Winchester suspirou. Dean achava que Mackenzie estava também feliz da vida em ter se livrado dele. Tinha a casa só para ela e Saul, além do controle de todo dinheiro… Pouco menos de um mês a moça avisou que estava grávida. Mas o que eles não sabiam era que com a partida de Dean, Saul andava cada vez mais bêbado e violento. Em um de seus dias de fúria, quase fez com que a esposa perdesse o neném. Mackenzie passou por momentos difíceis.

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— O que você vai fazer com tantas conchinhas? – perguntou Winchester ao ver Dean se aproximar com um baldinho abarrotado delas.

— Você vai ver… — brincou o mais novo, cheio de mistério.

Dean entrou na gruta e pôs-se a enfeitá-la. Estendeu várias cangas bem grandes e foi colocando as conchinhas com cuidado, ao redor.

— Está ficando bonito! – exclamou Winchester.

O louro não respondeu. Chegou por trás do namorado e tapou seus olhos com as mãos. – Não é pra você olhar agora! É surpresa, bobão!

Sam foi conduzido até a outra extremidade da pequena praia, enquanto Dean voltava correndo para terminar a arrumação.

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Winchester voltou então a recordar o passado. Lembrou-se de quando, nervoso e amedrontado, for conversar com o diretor de teatro, amigo de Tom. Ele não tinha muito dinheiro guardado, e se não conseguisse o emprego, logo estaria em situação complicada… Uma semana depois ele já estava ensaiando para uma peça que dois meses mais tarde já estaria em cartaz. As vezes parecia que todo o azar que tivera na vida havia se dissipado por completo!

Com Winchester trabalhando e adorando sua nova atividade, e Dean em um novo colégio, livre das maldades de Mackenzie e Saul, tudo ia as mil maravilhas. É claro que eles ainda não tinham dinheiro para se mudar do apartamento de Tom… Essa era a única coisa que incomodava. Sentiam-se atrapalhando, principalmente quando Kurt ia visitar o namorado.

Foi aí que surgiu a idéia de Dean se emancipar. Ele tinha uma boa herança, e merecia se beneficiar dela. Além disso, emancipado, podia oficializar sua relação com Sam. Tom mais uma vez foi peça fundamental, trabalhando com afinco como advogado do menino.

Com dezesseis anos e meio, Dean se amancipou. Pela primeira vez desde que foram à Nova York, ele e Sam voltaram ao Texas e a casa que pertencia a Dean por direito. Era hora de pegar tudo o que havia sido tirado dele! Eles encontraram Mackenzie recém separada depois que os vizinhos denunciaram Saul à polícia. Com o marido preso, apoiada por psicólogos que trabalhavam com mulheres violentadas, a moça resolveu seguir sua vida.

Dean emocionou-se ao ver o ventre crescido da irmã. Ele logo teria um sobrinho! Foi generoso o suficiente para dividir a herança com a moça. A casa foi posta para vender, e com o dinheiro, ambos os irmãos teriam dinheiro para comprar um apartamento. Dean também emocionou-se ao rever o Impala, último presente que recebera de seu pai. O louro jamais se separaria daquele carro de novo.

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— Vem Sammy! Pode vir! – gritou Dean da gruta, tirando o mais velho de seus pensamentos.

Os olhos de Winchester marejaram ao ver o lindo "ninho" que Dean, com todo capricho, havia feito para eles. De onde o menino havia tirado tantas almofadas? E as velas que iluminavam a gruta fracamente, deixando-a ainda mais aconchegante? Até um perfume suave pairava no ar…

— Vem cá! – chamou o louro mais uma vez, todo dengoso, ao mesmo tempo que se deitava sobre as almofadas.

Winchester deitou-se ao lado do marido.

Marido… Era ainda estranho pensar em Dean dessa forma. Mas sim, já estavam oficialmente casados há uma semana. Assinaram a papelada em Nova York, já que a união de pessoas do mesmo sexo ainda era proibida no Texas. A comemoração, entretanto, havia sido ali mesmo… Há menos de quatro horas estavam ambos no altar improvisado, construído naquela mesma praia, dizendo um "sim" emocionado e se beijando em seguida. Havia sido uma cerimônia simples, de poucos convidados. Os pais e irmã de Sam estavam presentes, assim como seus amigos mais chegados: Tom e Kurt, Garth e a família, que vieram do Japão especialmente para a ocasião, e até Brian Scott e Patrick, recém assumidos como namorados, e que tornaram-se bons amigos do casal. Os amigos de Dean também foram: Misha, que foi acompanhado dos pais, Justin, Ruby, Jo e seu namorado novo, e também Mackenzie e a vovó Francisca Hernandez, com quem Dean fazia questão de manter contato. Ahhh, e como não poderia esquecer, Ben também estava presente. O cachorrinho, agora bastante crescido, se comportou muito bem e adorou ver seus dois pais tão felizes.

Além dos encarnados, sem serem percebidos, Roger e Sarah estavam lá, assim como Seu Romero e outros amigos espirituais que comemoravam aquela união tão merecida.

Brindaram com champanhe e se deliciaram com um lindo bolo, mas nada de mais comilança. Afinal, seria um pecado se sujassem aquela praia tão especial. Logo os convidados foram embora, deixando os dois homens sozinhos para curtir um ao outro.

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Ben agora dormia quietinho no fundo da gruta. Sam aconchegou-se nos braços de Dean e beijou o marido com paixão. O louro afastou o cabelo de Sam da testa. Que homem lindo era o seu… E como era maravilhoso poder ficar aconchegado a ele sem precisar se esconder de ninguém. Ele era um adulto agora, dono de seu próprio nariz.

Dean enfiou suas mãos por baixo da camiseta do mais velho e tateou seus músculos rijos. Ele era delicioso de apertar. Enquanto apalpava o marido, Dean beijava seu pescoço e sua orelha com luxúria. Sam sentiu um calafrio percorrer seu corpo e seu membro endurecer por baixo das calças. O moreno puxou o outro para mais perto de si e começou a acariciá-lo também.

Não custou para que Dean e Sam estivessem despidos. Primeiro, tiraram as camisetas, mas a vontade de tocar cada cantinho do corpo um do outro fez com que também suas calças e cuecas fossem jogados para longe.

— Oh yes, yes… — cantarolou Dean baixinho, enquanto mordiscava os mamilos do moreno.

— Nothing never felt to me like you do right now… — completou Sam, enquanto massageava o membro do marido.

O louro abafou um gritinho de prazer. Em seguida colocou o membro de Winchester na boca e retribuiu o favor, fazendo o mais velho ir à loucura.

Enquanto Sam gemia, Dean se preparava para recebê-lo. Quando o moreno deu por si, o lindo traseiro de seu amado se exibia pra ele, convidativo.

— Dean… Você tem certeza? – perguntou Winchester apreensivo. Casados ou não, emancipado ou não, Dean ainda era um garoto. Não queria que o menino se sentisse forçado a fazer nada para qual ainda não estivesse preparado.

Dean puxou as mãos de Sam para seu traseiro e colocou a camisinha no membro do parceiro.

— Me come logo, Sam, antes que eu tenha um troço! – respondeu o mais jovem, bem humorado. Ele esperara por aquele momento por tanto tempo! Agora não só estava preparado, mas estava desesperadamente desejoso de todas as sensações que estavam por vir.

Sam abraçou o louro por trás e enquanto acariciava-o com ternura, penetrava seu traseiro com cuidado. Dean sentiu seus olhos merejarem. Estava doendo um pouco, mas a emoção era imensa, e o prazer que se seguiu, inigualável.

Logo Sam era cavalgado por seu amado, sentindo como se estivessem no céu. Era como se ambos estivessem fundidos, juntos para sempre, e o prazer dessa união não era apenas carnal, mas podia ser sentida em suas almas. Almas gêmeas que finalmente estavam juntas. Amantes como deveriam ser. Companheiros como deveriam ser. Juntos, como há tanto tempo mereciam estar…

— Eu te amo! — sussurrou o moreno ao pé do ouvido do louro.

Dean segurou o rosto do marido e lhe deu um beijo de tirar o fôlego. Em seguida colou seu corpo suado mais ainda no do amante. — Eu também te amo, Sam. E hoje eu sou o homem mais feliz do mundo!

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Com dezesseis anos e meio Sam viveu seu primeiro e inesquecível amor. Mas Dean desencarnou, e dezesseis anos e meio se passaram até que as duas almas pudessem novamente se reencontrar. Com dezesseis anos e meio Dean Ross se emancipou e se casou com o grande amor da sua vida. Agora, finalmente, estavam juntos de novo. E por muitos e muitos anos, Dean e Sam viveram na terra, inseparáveis.

Alguns anos depois adotaram o primeiro filho: Thomas. Em seguida, vieram Justice e Sheppard. Dean tornou-se ator, assim como o marido, e ambos foram muito bem sussedidos em suas carreiras. Ganharam tanto dinheiro que quando o Saint Peter fechou suas portas, o casal comprou o prédio do colégio, e curtiu imensamente sua praia particular.

Foi naquela mansão que acabaram de criar os filhos. Foi lá que estudaram sobre o espiritismo, aumentaram sua fé, e tiveram certeza absoluta que nada, jamais, os separaria de novo. Foi lá também que passaram seus anos de maturidade e de velhice. Quando Sam desencarnou, com pouco mais de oitenta anos, tanto ele quando Dean sentiram imensamente a separação. Ambos sabiam, entretanto, que a tristeza era passageira.

Dean viveu alguns anos sem seu companheiro, mas sempre recebendo atenção e carinho dos filhos. E, quando finalmente deixou seu corpo velho, cansado, e já desprovido de beleza para trás, sentiu-se leve como um pluma. Ele era jovem de novo… Então Dean viu Sam surgir correndo, sorrindo e chorando, também livre das mazelas da velhice. Ambos se abraçaram e se beijaram emocionados. Eram simplesmente duas almas que se amavam, e nada mais. E se um dia sofreram preconceito por um ser mais velho, ou por serem do mesmo sexo, isso se apagou na imensidão da felicidade que envolveu os dois amantes por toda a eternidade que se seguiu. Resumindo, foram felizes para sempre!

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