Notas iniciais
É possível que agora eu demore um pouco para postar o próximo capítulo! Aproveito para desejar a todos um feliz Natal e um próspero Ano Novo! PS. O capitulo foi revisado, pois estava cheio de erros nos nomes dos personagens.

Sam contou a Clark toda a história do sonho que teve quando era garoto e como descobriu que eram lembranças de uma vida passada. Falou também de seus encontros espirituais e sua mediunidade, que há tempos não se manifestava. Contou inclusive sobre a vida passada do próprio Clark — amenizando um pouco, é claro. Talvez não fosse necessário que o amigo soubesse tudo o que aprontou. Fazia muito tempo...

Então Dean Ross era a reencarnação de Dean, que por sua vez era a reencarnação de Ross? Tom ficou boquiaberto. Era uma linda e triste história de amor. A emoção de Sam ao falar, e seus olhos marejados, lhe davam vontade de chorar.

– Que história linda... — suspirou o homem. — Mas Sam, eu não acredito que você passou por toda essa experiência no colégio e não me contou! – reclamou. — O Garth sabe disso?

Sam riu. Não, claro que Garth não sabia... Ainda bem, ou Tom teria se sentido ainda mais excluído.

– Nem o Dean sabia... Vocês iam me achar um louco! — justificou-se ele.

Clark ponderou. Talvez o amigo tivesse razão... Eles não tinham maturidade naquela época, e nem acreditavam em reencarnação.

– No final, o Dean intuiu que eu e ele éramos Tristan e Ross reencarnados. Mas nunca chegamos a realmente conversar sobre isso... Ele já estava bem doente. — O moreno baixou os olhos. Doía falar de uma época de tanto sofrimento.

Clark colocou a mão no ombro do amigo para confortá-lo e olhou em seus olhos.

–Lindo, essa sua história é incrível! E o melhor de tudo é que o seu amor está de volta, né? É seu aluno! Vocês vão ficar juntos agora, tenho certeza! — Exclamou com entusiasmo.

– Bem, agora, agora, não! — ponderou Sam. — Ele só tem quinze anos...

Clark e Sam então conversaram bastante sobre isso — a enorme diferença de idade, e o fato de Dean ser ainda um garoto. É claro que isso dificultava tudo... Porém não impedia nada. Era mais uma prova pela qual eles dois precisariam passar, e por pior que fosse, parecia bem mais amena que a morte prematura de Dean. Talvez precisassem esperar alguns anos. Quantos, ninguém sabia...

–---------------------------------------------------------------------------

Já era quase manhã de domingo quando Sam finalmente voltou pra cama. Já tinha dormido um pouco, é claro, graças ao remédio de Ruby. Mesmo assim, precisava tentar descansar um pouco mais...

Sam custou a dormir, relembrando tudo o que havia se passado com ele nas últimas horas. Repassou na cabeça a conversa que tivera com Clark, de ponta a ponta, e depois voltou a se lembrar da Smokey Grey. Lembrou-se de Dean, seu bebê, lá, em um ambiente que não combinava com ele.

Riu de si mesmo, e da reação que tivera. Queria tirar o garoto da boate o mais depressa possível... Segurou o menino no colo, por causa da chuva, e carregou-o pro carro. Dean devia ter ficado surpreso. Lindinho...

Sam sorriu novamente pensando no seu amor. Depois ficara com sono, parara o carro e enviara as meninas até a boate para buscar Tom. Imaginou Dean ao seu lado, assustado, o observando dormir. Corou. E então, novamente, aquela sensação que tivera antes, lhe invadiu o peito... Era como se estivesse preenchido por dentro... Preenchido por algo bom, feliz... Como uma nuvem de amor.

Sam fechou os olhos e então se lembrou de estar dentro do carro, no meio da escuridão, beijando e abraçando Dean. Seus corpos colados, ligeiramente molhados por causa da chuva. A respiração quente do garoto, e seus lábios macios passeando por todo o rosto de Sam, deixando beijinhos doces.

Lembrou-se de suas próprias mãos, acariciando o menino de leve. Ahhh, que sonho maravilhoso tivera... Hora de dormir novamente, e, com sorte, beijar seu amor mais uma vez.

–----------------------------------------------------------------------------------

Quando Roger acordou Dean para ir ao colégio na segunda-feira de manhã, o garoto pensou em fingir que estava doente. Sofrera bastante pensando em Mackenzie durante o fim de semana, mas com a perspectiva de ir para a escola, só conseguia se lembrar agora de Sam e dos amassos que deram dentro do carro. E Dean estava apavorado! Será que o professor Winchester tinha esquecido de tudo? Só de pensar nisso sentia uma pontada no peito, e, mesmo assim, ainda considerava essa a melhor das opções. Se o professor se lembrasse apenas vagamente, poderia pensar nele como um gay mau caráter e aproveitador — e o odiaria para sempre. Se lembrasse de tudo, com certeza ficaria sem graça e evitaria qualquer tipo de aproximação. Qualquer pensamento otimista que o garoto tivesse tido anteriormente já havia se dissipado. Afinal, eram aluno e professor... Não podiam ficar juntos...

O menino levantou-se da cama lentamente, ponderando se deveria tossir ou não. Mas o que adiantava adiar o sofrimento? Ele teria que voltar para a escola algum dia...

–-------------------------------------------------------------------------------------

Quando Dean avistou Sam segunda-feira pela manhã, desviou o olhar e correu para longe. Tinha medo que o professor o olhasse torto, ou pior, quisesse ter uma conversa horrível com ele. De longe, observou Ruby e Jo, que sem cerimônia, se aproximaram de Winchester. Viu os três conversando, e sentiu-se trêmulo, dos pés à cabeça. E se estivessem falando dele? Talvez Sam estivesse contando a Jo que o seu namoradinho, o lourinho com cara de inocente, tinha agarrado ele dentro do carro, aproveitando-se do seu estado de torpor.

– Que cara... — exclamou Misha, assim que se aproximou do amigo. — Está tudo bem com você, Dean?

O menino balançou a cabeça afirmativamente

– Me conta o que aconteceu na boate! Nem você, nem Jo, nem Ruby deram notícia! Eu e o Justin ficamos morrendo de curiosidade... Dean estremeceu só de ouvir falar no episódio da boate.

– Bem... O professor Winchester não deixou a gente ficar lá. Assim que nos viu, pegou o carro dele pra levar a gente pra casa. Mas a maluca da Ruby tinha colocado um sonífero na bebida dele... Aí ele acabou dormindo, e as meninas foram chamar uma amiga do professor pra levar a gente. E foi isso...

Dean falou tudo de uma vez, de maneira afobada. Não contou detalhes, deixando Misha ainda mais curioso.

– Vai com calma! Como assim ela colocou um sonífero na bebida do professor?

O louro não estava com a menor vontade de explicar, principalmente porquê precisava ficar atento aos movimentos de Sam, para poder evitá-lo. Para seu azar, Justin chegou em seguida, e estava tão curioso quanto Misha.

– Conta tudo, Dean! — insistiam eles.

– É que antes de nos levar pro carro, o professor Winchester nos deixou sentados na mesa dele por alguns minutos, e foi despedir de uns amigos. Vocês sabem como a Ruby é louca... Quando viu que o professor não queria nada com ela, derramou um vidro de sonífero na bebida dele... Ela queria só que ele ficasse grogue, para ela poder atacar — o menino engoliu em seco, afinal fora ele quem acabara fazendo esse papel.

Os meninos ouviam com atenção, boquiabertos com a história. Enquanto isso Dean reparava que Sam tinha se afastado e que as meninas vinham em sua direção. Pronto... Era agora que Joe Ruby iam gritar com ele, acusando-o de ser gay e de ter agarrado Sam — logo o homem de quem Ruby gostava... O menino se encolheu sem nem mesmo perceber. Para seu alívio, entretanto, as duas pareciam bastante tranquilas.

– Ahhh aí está a maluca da Ruby! — Exclamou Justin, rindo. — Então você colocou sonífero na bebida do Winchester? você é doida...

A menina sorriu sem graça. Logo as duas já estavam contando a história toda, inclusive os detalhes que Dean omitira: era uma boate gay, Clara era travesti, e era amiga de Sam.

– O professor Winchester é gay... — concluiu Jo, sob os protestos de Ruby. Essa afirmação gerou uma discussão sob o tema. Justin e Misha concordavam com Jo, e os três tentavam convencer Ruby também. Dean por sua vez, permaneceu calado, com medo que começassem a discutir sua sexualidade também.

Por fim Ruby contou que tinha pedido desculpas ao professor, minutos mais cedo. Era sobre isso que conversavam... A menina prometeu nunca mais ser tão imprudente, e Winchester a perdoou, prometendo não contar nada à direção do colégio. Tinham colocado um ponto final naquela história.

–------------------------------------------------------------------------------------

Dean estava esquisito. Sim, definitivamente ele estava esquisito... Não olhara para Sam a aula toda. Nos corredores, parecia evitá-lo. Winchester a princípio achara que Dean estava apenas sem graça por causa do episódio na boate... Ele era um garoto tímido, afinal...

Foi na terça-feira que Sam teve certeza que não podia se tratar apenas disso. Quando se reuniram para trabalhar na peça de teatro, o louro continuava sem querer encará-lo. Ruby estava menos atirada do que de costume, o que era ótimo. Jo, Misha e Justin se comportavam normalmente, animados como sempre. E Dean, com o nariz enfiado em enfeites que fazia para o cenário, não desviava o olhar.

– Oi, Dean! — o professor fez questão de dizer.

O menino estremeceu. Era agora! O professor iria chamá-lo para conversar e dar-lhe uma enorme bronca. Ele iria dizer que o que se passou com eles foi um erro, e tudo culpa do louro. O menino olhou para o homem de relance e cumprimentou-o de volta, sem graça. Mas Sam não disse mais nada.

Dean tentava continuar seu desenho, mas estava difícil se concentrar. O menino esperou por muito tempo que Sam o chamasse para a tal conversa, e pensava em milhares de desculpas para o seu comportamento atirado e desrespeitoso. Conforme o tempo passava, entretanto, o louro começava a se questionar. Será que o professor não se lembrava de nada mesmo? Talvez não... Então as coisas voltariam a ser o que eram antes... Como se nada houvesse acontecido. E aquilo era um alívio... Ou não? Dean não sabia mais definir seus sentimentos. Chegara tão perto de seu amor e agora voltara à estaca zero. Sentiu um vazio no peito, e uma enorme vontade de chorar. Correu para o banheiro.

–-----------------------------------------------------------------------------------

– Dean? Está tudo bem?

O louro reconheceu a voz de Misha, que pelo jeito tinha ido ver o que se passava com ele. O menino enxugou os olhos e forçou um sorriso.

– Não foi nada... — mentiu.

– Claro que foi! Você está chorando! Me conta o que foi... — insistiu o moreno.

Dean sentiu-se gelar por dentro. Ele não sabia o que dizer... A verdade é que não haveria de ser!

– É a Jo? — perguntou Misha. O garoto notara que o namoro dos amigos andava diferente.

Dean agarrou-se àquele idéia. Não havia nada melhor a dizer.

– É! Isso mesmo...

– Vocês terminaram?

– Terminamos... — e dizendo isso, Dean desandou a chorar novamente. Por algum motivo "terminar" lembrava a ele que nunca mais beijaria Sam Winchester. Seu romance mal começara e já havia terminado...

–---------------------------------------------------------------------------------

Agora ele precisava esconder que estivera mentindo, ou poderia levantar suspeitas... Tinha que terminar com Jo, e o mais depressa possível! Melhor assim... Afinal ele não gostava dela, e pensava em Winchester o tempo todo. Logo que as aulas terminaram, Dean mandou uma mensagem de texto para a menina, dizendo que queria dar um fim ao namoro dos dois.

Em menos de cinco minutos a garota estava na porta de seu quarto, chorando. Dean e Jo conversaram por um tempo. O louro afirmou que era muito novo para se prender, e que gostava dela como amiga. Jo saiu chateada, mas não com ódio. E logo Dean esqueceu-se dela, e lembrou-se que Sam correspondera seus beijos, e que talvez sentisse algo por ele também. Mas nada haveria de se concretizar... E isso o fez chorar a noite inteira.

–-------------------------------------------------------------------------------

No dia seguinte, todos comentaram o fim do namoro entre Dean e Jo. Ambos estavam com rostos vermelhos e pareciam ter dormido mal. De certa forma, isso deixou a ruiva menos chateada. O término do namoro mexera com o menino também... Quem sabe não poderiam voltar em um futuro próximo?

A notícia chegou aos ouvidos de Sam, e o moreno comemorou a princípio. Depois, ao ver o quanto seu bebê parecia arrasado, sentiu foi raiva de Jo, por tê-lo magoado. Então vai ver era por isso que o menino andava estranho... Vai ver o seu comportamento não tinha nada a ver com ele, Sam. O professor Winchester acreditou nisso por algum tempo, e sentiu-se um tanto enciumado por Dean ter se deixado envolver dessa maneira por Jo, a ponto de ficar tão triste com o término do namoro.

Foi apenas mais tarde, enquanto dava aula para os garotos, que Sam mudou de opinião. Dean estava triste, isso era óbvio, mas parecia não evitar seus amigos. O menino não parecia nem mesmo evitar a ex-namorada.. Mas, em um momento raro em que seu olhar cruzou com o de Dean, o moreno enxergou toda a dor que o louro sentia. Parecia evidente que o garoto estava magoado era com ele! Mas por quê?

Por quê? Por quê? Por quê? Sam não conseguia encontrar uma explicação. Sorte que a matéria daquela aula já estava no automático, porquê seus pensamentos divagavam. Relembrou tudo o que aconteceu no sábado a noite, com todos os detalhes. E então, de repente, ele se tocou. Sentiu seu coração acelerar bruscamente e o ar lhe faltar de repente. Os beijos dentro do carro... Aquilo não havia sido um sonho...

–---------------------------------------------------------------------------------

– Dean...

O menino estremeceu. Era o professor Winchester, e parecia sério.

– Você pode passar na minha sala depois das aulas? Precisamos conversar... — disse Sam, assim que a aula de teatro terminou.

Dean olhou para o professor, sentindo que o chão abria-se por baixo dele. Desespero!