Notas iniciais
A última história da trilogia que começou com "O Castelo dos Meninos" e seguiu com "Uma Nova Chance". Espero que gostem e se consolem um pouco depois do final da última história!

Sam contemplava o céu estrelado da praia. Uma beleza inegável, mais que para ele, nunca mais fora a mesma. Nada, aliás, jamais fora o mesmo desde que perdera seu grande amor. Por mais que fosse uma pessoa feliz, existia uma certa melancolia que nunca o abandonava. Fazia tanto tempo... Mas Sam lembrava-se daquele sorriso lindo vividamente ainda. Bastava olhar as estrelas e parecia que via Dean estampado, no céu, brincando com elas.

O homem limpou uma lágrima que insistiu em escapar de seus olhos. Com dezesseis anos e meio havia vivido uma linda história de amor. Lembrar-se dela o emocionava ainda... O seu primeiro e único amor... Depois dele, conheceu outros homens. Namorou, experimentou, e até se divertiu com eles. Mas amar? Nunca mais...

Faziam dezesseis anos e meio que vira Dean pela última vez, naquele mesmo lugar. Sam suspirou. Talvez fosse melhor ir para o colégio. Já estava ficando tarde... O homem recolheu a toalha que estendera para sentar na areia e caminhou até o Jipe vermelho que havia estacionado ali perto.

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Sam acordou animado, mais cedo que de costume. Era bom voltar à rotina. Talvez fosse uma das poucas pessoas no mundo que não gostava de férias. Morava sozinho, e se entediava facilmente. No colégio, onde lecionava há alguns anos, estava sempre cercado de gente.

O colégio Saint Peter era o mesmo... Pouca coisa tinha mudado em sua aparência desde que Sam estudara lá. Em outros aspectos, entretanto, estava bastante diferente. O regime de aulas era agora semi-interno. Isso significava que os meninos passavam a semana na escola e os fins de semana em casa. Os professores faziam a mesma coisa. Outra mudança importante foi a recente admissão de meninas. As turmas agora eram mistas, com alunos de ambos os sexos.

Sam era muito querido pelos estudantes. Era um cara engraçado, e, em geral muito bem humorado. Além de tudo, gostava de estar perto dos jovens. Era sempre paciente com eles, e por vezes, ouvia seus problemas e os ajudava como podia. Não era raro ver meninas suspirando seu nome pelos corredores. No alto de seus 33 anos, era um homem lindo e muito charmoso.

O moreno penteou os cabelos ainda molhados. Estavam bem compridos e rebeldes. Talvez fosse hora de cortá-los... Ou talvez fosse hora de enfiar uma touca para que os fios não lhe incomodassem. Foi isso que fez.

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- Bom dia! Eu sou Sam, professor de teatro de vocês! – o moreno se apresentou sorridente.

A turma toda se virou para ele. Pareciam assustados, arregalados demais... O rapaz riu. Era sempre assim nas turmas do primeiro ano. Ainda não se conheciam, nem conheciam o colégio... Não gostavam nem um pouco da ideia de só poderem voltar para casa no final da semana... E, além disso, a maioria se perguntava porque Teatro era obrigatório no Saint Peter. Nem Sam sabia ao certo, mais era agradecido por isso. Só assim tinha seu emprego garantido...

- Que tal vocês se apresentarem para mim? – sugeriu o professor. Queria descontrair os jovens um pouco. – Vamos lá... Ainda não tenho a pauta aqui comigo. Vou pegar mais tarde na secretaria. Mas gostaria de saber os nomes de vocês...

Sam apontou para a primeira aluna, sentada logo na ponta da primeira fileira. Parecia nervosa, puxando mexas de seus cabelos ruivos e enrolando nos dedos.

- Joanna – Respondeu a menina. – Mas todos me chamam de Jo.

Sam sorriu para ela. Apontou para o menino que estava ao seu lado, e este também disse seu nome. E assim, sucessivamente.

- E você? – Sam perguntou para um garoto bonito, de cabelos louros.

O garoto não respondeu. Não estava prestando atenção... Ao invés disso, cochichava com o colega de cabelos escuros sentado ao seu lado. Sam ficou surpreso em ver como os dois já pareciam entrosados, logo no primeiro dia de aulas. Talvez tivessem vindo do mesmo colégio...

- Hey, você aí, lourinho... – insistiu o professor. – Qual é o seu nome?

O menino olhou para Sam assustado, arregalando seus olhos castanhos.

- Justin – respondeu ele.

Justin lhe parecia tão familiar... E o menino ao seu lado então... Misha... Sam tinha a sensação de conhecê-lo de algum lugar também. Simpatizou com os dois logo de cara.

Os alunos continuaram com as apresentações. Sam examinava os alunos, descontraído, até que alguém chamou sua atenção. Estava sentado no fundo da sala e olhava para o baixo. Sam arregalou-se quando o garoto finalmente desviou o olhar, encarando-o de frente.

Não... Como assim? Quem era ele? O professor coçou os olhos e voltou a fitar o menino de cabelos louro escuros. Estaria vendo coisas? Aquele garoto era... Era idêntico ao... Dean... O mesmo rostinho, os mesmos lábios, o mesmo cabelo... Era simplesmente idêntico.

O homem sentiu seu coração acelerar e quase fugir pela boca. Sentiu que seu rosto pegava fogo. Se os alunos continuaram a dizer seus nomes, ele nem ouviu... Seguiu apontando o dedo automaticamente, sem conseguir desviar os olhos do garoto.

- V... Você? – ele perguntou então, gaguejante, quando chegou na vez do louro.

- Dean. – ele respondeu em voz baixa.

Sam sentiu seu queixo cair. Será que estava vendo fantasmas de novo? Desde que sonhara com a reunião ao redor da mesa branca, nunca mais havia visto espírito nenhum. Nunca mais soubera notícias de Castiel... O homem olhou ao redor, tentando prestar atenção, mas não conseguiu ter certeza se os alunos enxergavam Dean também. O garoto estava sentado, quieto na carteira, e parecia pouco a vontade.

- Errrr... Eu já volto! – Ele anunciou para a turma antes de sair correndo da sala.

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- Eu preciso da pauta com o nome dos alunos do primeiro ano! – pediu Sam, ofegante e esbaforido.

A secretária nem reparou no desespero do homem. Estava ocupada demais...

- Nossa... Parece que viu fantasma...

Sam virou-se para o lado. Era azar que justo em um momento como aqueles aparecesse o chato do Brian...

Brian estudou na mesma faculdade que Sam. Estavam sempre se esbarrando pelos corredores, e, apesar de se cumprimentarem com educação, nunca realmente simpatizaram um com o outro. Brian era um pouco mais velho. Se formou em Educação Física antes de Sam terminar o curso de Artes Cênicas. Alguns anos mais tarde, voltaram novamente a se encontrar. Sam foi contratado pelo Saint Peter, onde Brian já estava lecionando.

Sam limitou-se a dar bom dia ao professor de Educação Física, mas sua expressão era mesmo bastante assustada. Assim que a secretária imprimiu o papel e lhe entregou, o moreno saiu correndo de lá. Andando apressado pelo pátio do Castelo em direção à sala de aula, escaneava a lista de nomes com ansiedade.

- Gabriel Peter O’Lawren... Ruby Nicole Cortese... Jane Anne Medina...

Sam sentiu suas pernas bambearam e seus joelhos se curvarem desastradamente, quase levando-o de encontro ao chão.

- Dean... Ross... Campbell...

Como assim? Dean Ross Campbell? Quem era aquele garoto? Com certeza não era fantasma, ou seu nome não estaria na pauta... Sam estava tão nervoso que sua vontade era de sair correndo dali... Mas não podia... Era um adulto afinal. Tinha responsabilidades. Precisava voltar para a sala e continuar sua aula, mesmo que um dos alunos fosse um clone do amor da sua vida e tivesse o mesmo nome dele – com o adicional de um “Ross” para deixá-lo ainda mais desesperado.

O moreno cambaleou até a sala de aulas e respirou fundo. Os alunos conversavam baixinho, mas sem fazer muita bagunça.

- Muito bem... – Disse o professor, depois de limpar a garganta. – Vamos começar a aula de hoje com uma atividade para vocês se conhecerem melhor... Quero que todos se levantem, caminhem pela sala, e façam perguntas criativas para os colegas. Podem escolher qualquer colega que quiserem.

Sam, sentado em sua cadeira, ainda sentia seu coração aos pulos, enquanto olhava os alunos. Pelo menos podia ficar quieto, apenas observando. É claro que não conseguia desviar seus olhos de Dean.

O louro tinha o mesmo jeitinho tímido de seu amado. Aliás, quanto mais Sam reparava no menino, mais se arrepiava. Era igualzinho ao seu Dean... Até no modo de andar. Poderia ser ele a reencarnação do seu amor? Era possível, até provável... Ele só não sabia explicar como podia tanta semelhança física. Bem, deviam ser parentes, afinal ambos eram Campbell... Talvez o nome Dean fosse até uma homenagem ao garoto que morreu. E Ross? Coincidência?

Jo, a garota ruiva, foi logo se aproximando de Dean. Começou a fazer perguntas e mais perguntas a ele. Sam observava de longe.

- Não fiquem conversando apenas com a mesma pessoa! – ralhou o professor. – Façam uma pergunta só por pessoa, e continuem a se misturar.

Ai meu Deus... Ele já estava com ciúmes? E se se apaixonasse por aquele menino? Ele devia ter o quê? Quinze anos? Como podia se apaixonar por um garotinho, que além de tudo era seu aluno? Ao mesmo tempo, como haveria ele de não se apaixonar? Era Dean, e ele estava de volta... Sam suava frio. Estava ferrado... Não sabia se sorria ou se chorava.

Notas finais
Gostaram do primeiro capítulo? Por favor, comentem!