Notas iniciais
Desculpa a demora! Espero que gostem do capítulo!

Sam dirigiu para fora do Colégio, com Dean ao seu lado, no banco do carona. Nenhum dos dois sabia o que dizer e, portanto, permaneceram calados. Tudo o que se houvia era a respiração nervosa de ambos.

Quando Sam parou o carro, Dean sentiu como se seu coração fosse sair pela boca. Estavam em um local ermo. Apenas os dois.

– Aqui tem uma vista bonita... — disse Sam, tomando coragem. Tinha levado seu amado para um mirante, com vista privilegiada da praia. Um lugar onde era raro passar carros. — você não quer saltar para ver? — perguntou então.

Dean confirmou com a cabeça. Faria qualquer coisa que Sam sugerisse. O menino abriu a porta do carro, mas antes que pudesse sair o Winchester já estava a sua frente oferecendo ajuda. Segurou o braço do menino até que ele se firmasse de pé, e entregou as muletas para ele.

A vista era mesmo linda. Do alto, podiam ver a imensidão do mar, contrastando seu azul intenso com o tom mais suave do céu. Sam podia avistar também o pedacinho de areia e a gruta que já haviam sido tão especiais para os dois. A praia onde viu Ross morrer em seus braços, onde viu Dean pela última vez, e que, mesmo assim, não conseguia deixar de amar. Afinal, Dean Ross estava ali com ele de novo. Era como se as ondas do mar o tivessem trazido de volta.

Sam engoliu em seco. Estava emocionado por estar ali, e pela expressão que Dean tinha no olhar, pelo jeito sentia o mesmo, mesmo que não pudesse entender porquê.

– A vista daqui á ainda mais bonita do que lá da escola! — suspirou o menino. — Um dia eu ainda quero descer até a praia...

– Um dia a gente vai. — respondeu o moreno, sorrindo. A verdade é que se Dean não estivesse engessado Sam o teria levado naquele dia mesmo. Mas eles haveriam de ter muito tempo ainda para matar as saudades...

Sam olhou para Dean, que, corajosamente, olhou para o professor de volta. O louro manteve o olhar, mesmo sentindo que suas bochechas ficavam vermelhas. Sam chegou mais perto, sentindo seu coração acelerar. Antes que seus gestos pudessem se tornar mais íntimos, entretanto, um carro passou pela estrada, destruindo o clima.

– Que tal a gente andar mais para lá? — sugeriu Sam apontando para uma trilha. Não precisariam andar muito para ficar totalmente fora de visão. Dificilmente algum conhecido passaria por ali, mas todo cuidado era pouco.

Dean concordou, mas a estrada de terra dificultava seus passos. Logo Sam já estava ao seu lado, apoiando o aluno para que ele pudesse se locomover melhor.

– Pronto. Podemos ficar aqui. — Winchester arranjou uma pedra grande e redonda para se sentar e acomodar Dean ao seu lado.

O cenário era pitoresco. Estavam praticamente no meio do mato. O ar era fresco, o céu azul, e ali, ao seu lado, o homem mais lindo do universo inteiro. Dean não conseguia mais desviar o olhar. O vento acariciava os cabelos de Sam, e ele, Dean, queria fazer o mesmo.

Com um gesto suave o menino aproximou suas mãos do rosto do moreno, e arrumou os cabelos do homem com carinho.

– Meu cabelo deve estar uma bagunça! — suspirou Sam. Sorriu em seguida, ao ver que Dean sorria também. Seu menininho, seu bebê, com olhos verdes e brilhantes, o encarava. Não dava para resistir mais. Sam tocou os ombros do louro de leve e aproximou seus lábios dos dele.

Dean fechou os olhos, com o coração batendo a mil. Os lábios de Sam eram quentes e macios, e pela primeira vez Dean podia apreciá-los sem medo. Pela primeira vez não estavam em perigo. Eram só os dois, escondidinhos em um lugarzinho ermo, distante de qualquer pessoa que tivesse interesse em descobrir seu segredo.

Quanto mais se beijavam, mais vinha a vontade de se abraçar. Logo um beijo delicado e um trocar suave de carícias se tornava algo mais quente. As apalpadelas tornaram-se mais fortes e os apertões mais intensos. Os beijos tornaram-se mais ávidos e mais urgentes.

– Eu não estou te machucando, estou? — perguntou Sam ofegante.

– Não... De jeito nenhum...

Sam tinha vontade de ir mais além. Queria sentir o calor de seu amado por debaixo de todas aquelas roupas. Mas não naquele momento... A pior coisa que poderia fazer era ser precipitado. Teria que ir com muita calma com Dean. Contentou-se em beijá-lo e abraça-lo por mais algum tempo até decidir que era hora de ir embora.

Dean conformou-se, afinal precisavam ser discretos. Mas antes que saíssem de seu "esconderijo", tinha algo que precisava esclarecer. Ele estava apaixonado por Sam. Queria ter um relacionamento sério com ele. Eles não podiam estar apenas ficando... Podiam?

– Sam... Você quer namorar comigo? — o louro perguntou solenemente com as bochechas corando, e abaixando o rosto, envergonhado.

Namorar? O mais velho nem havia pensado em dar nome para o que acontecia entre eles, mas a necessidade infantil de Dean era enternecedora. O moreno não pôde conter um sorriso.

– Claro que quero, Dean.

O louro sorriu de volta, satisfeito e um tanto aliviado pela resposta afirmativa do moreno. A sua vontade, agora que andavam em direção ao carro, era criar toda sorte de desenhos, poesias e canções em homenagem a Sam Winchester. E agora não era mais paixão platônica! Estavam namorando, e ele poderia até dar-lhe cartinhas de amor.

– Mas é um namoro escondido... Pelo menos até você fazer dezoito anos. — o Winchester tratou de esclarecer.

Dean concordou. Namoro escondido era ainda mais romântico que um namoro comum... Em seguida se lembrou de Misha, que já sabia de sua paixão pelo Winchester e torcia por eles. Não seria justo mentir para o amigo... E tinha Justin também. Dean consentira que Misha o deixasse a par de tudo.

– Posso contar para meus melhores amigos, Misha e Justin? Só para os dois... Eles são de confiança...

Sam não precisou ser convencido. Gostava dos dois meninos, e confiava que eles guardariam o segredo dos dois.

– Pode. Só para eles. E eu vou contar também para meus dois melhores amigos. Também são de confiança...

Dean assentiu, aliviado.

– Vai contar pra Clara Kentucky? — perguntou então o menino, lembrando-se do travesti que os resgatara após Sam ter sido drogado por Ruby.

– Vou. Clark é um cara legal. O outro você não conhece...

Sam se referia a Garth. Apesar do amigo estar longe, merecia ficar por dentro de tudo também. Clark já havia se incumbido de contar-lhe a história que Sam Winchester lhe confidenciara — a épica e triste história de amor de Tristan e Ross, Dean e Sam. Garth ficara tão chocado quanto Clark, mas assim como ele, torcia por um final feliz para os dois amantes.

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Assim que chegaram ao colégio e saltaram do carro, os dois namorados deram de cara com Brian Scott. De novo... Sam nem pôde acreditar. Não sabia se o outro professor estava de vigilia ou se o encontro era apenas uma infeliz coincidência. De qualquer forma, Brian era igual uma praga, que parecia não largar do pé dos dois.

– Ahh, e então? Encontraram o material que precisavam?

Dean olhou aterrorizado. O material... Ele tinha esquecido completamente. Ele e Sam não tinham comprado nada, absolutamente nada. Estavam perdidos... Sorte que Sam sempre aparecia com a resposta certa na hora certa!

– Quase tudo... — respondeu o moreno. — vão entregar aqui na escola. Era muita coisa...

Brian não perguntou mais nada, nem ousou fazer alguma acusação. Quando se afastaram do professor de educação física, Sam tranquilizou Dean explicando que encomendaria o material pela internet. Não tinham com o que se preocupar.

– Boa noite, Dee. Te vejo amanhã na reunião da peça.

– Boa noite, Sammy. — respondeu o louro. Estava pisando em nuvens.

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Assim que se despediu de Sam, Dean foi procurar seus amigos. Sabia que eles estavam curiosos, e ele, Dean, estava doidinho para contar as novidades. Quantas emoções para um dia só! Passara de nervoso à desapontado, e depois desesperado, triste, para, por fim, sentir-se tão incrivelmente feliz que nada do que sentira antes parecia ter agora a menor importância.

– Nós estamos namorando! — o louro anunciou para os amigos, somente ao se sentir protegido, trancado com os eles no quarto de Misha.

Justin e Misha ficaram surpresos, e Dean então contou-lhes todos os detalhes, desde a conversa que tiveram no gabinete do professor.

Enquanto isso, Sam contava tudinho também para Clark e Garth, conversando com os amigos pela internet. Os homens vibraram com a felicidade do amigo, apesar de não esconderem sua preocupação. Sabiam que os sentimentos de Sam eram puros, porém sabiam também que o Winchester precisava ter muito cuidado para que tudo se mantivesse em sigilo.

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– Boa tarde! — cumprimentou Sam ao chegar para a reunião da peça de teatro, no dia seguinte.

Dean sentiu seu coração acelerar. Cumprimentou o professor, e trocou com ele olhares cúmplices. Justin e Misha também trocaram olhares entre si e em seguida com Dean. O clima àquela tarde estava sem dúvida diferente.

Alheias a tudo o que acontecia ao seu redor, Jo e Ruby comportavam-se como nada de diferente estivesse acontecendo. Mantiveram-se entretidas com o figurino da peça, enquanto Justin e Misha discutiam o roteiro, e Dean e Sam se preocupavam com o cenário.

– Eu encomendei esse material aqui — disse o professor, mostrando uma lista impressa ao louro. — Se precisar de mais alguma coisa, é só avisar...

Dean pegou a listinha, e, parecendo bastante apreensivo, olhou para os lados para se certificar que as meninas não estavam prestando atenção. Então ele enfiou um papelzinho no bolso de Winchester.

Que recado Dean queria lhe dar? Sam ficou apreensivo. Seria alguma mensagem importante? Sua vontade era ir ao banheiro para ler, mas achou melhor esperar. Do jeito que as coisas estavam ele não duvidava que a cabeça de Brian pudesse surgir de dentro do vaso sanitário para espiar o que quer que ele estivesse fazendo.

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Na segurança se seu quarto, com tudo trancado, e com o coração a mil, Sam finalmente sentiu-se seguro para pegar o bilhetinho de Dean e ler. O bilhete dizia o seguinte:

Quando ler este bilhete, saiba que estou pensando em você. A não ser que seja tarde da noite. Aí estarei sonhando contigo... É só o que faço — pensar em você, e sonhar com você. Lembro-se de seus olhos e de seu belo sorriso, premiado com duas covinhas perfeitas. Tão lindo... E então desejo beijar seus lábios, acariciar seus cabelos, sentir o calor do seu corpo outra vez... Mal posso esperar para poder estar contigo de novo, e a sós. Te adoro.

D.

Ahhhh, quanta doçura... Dean era um romântico. Sam sentiu-se como um adolescente de novo, recebendo cartinhas do namorado, e sorriu feito um bobo. Mas será que seu neném não percebia que trocar bilhetinhos podia ser perigoso? Pelo menos ele tivera o cuidado de não assinar seu nome.

Sam tratou de criar uma conta nova de e-mail. Trocar mensagens pela internet podia ser menos romântico, mas era muito mais seguro. No dia seguinte, foi ele quem entregou um bilhetinho escondido para Dean. O bilhete dizia simplesmente:

"Crie um endereço novo de e-mail e escreva para mim. Meu e-mail é just4u@gmail.com. Penso em você o tempo inteirinho também!"

O bilhete estava impresso, e Sam nem mesmo se atreveu a assinar sua inicial, como Dean fizera. Se Brian interceptasse aquele bilhete, por algum azar do destino, estava totalmente protegido.

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– Ele disse que pensa em mim o tempo inteiro também! — Dean beijava o bilhetinho e sorria bobamente.

Misha e Justin riram. Dean parecia um retardado, babando por um pedacinho de papel amassado. Pelo jeito era isso que a paixão fazia com as pessoas... Bem, o que importava é que agora o louro estava feliz...

– E ele fez um endereço de e-mail só pra mim! Just4u! Não é lindo? Preciso pensar em um bonitinho para fazer pra ele também... — o menino falou mais para si mesmo que para os amigos. Em seguida criou o just4u2@gmail.com e escreveu uma mensagem curta para o Winchester. O fim de semana estava chegando e o louro estava feliz com a possibilidade de poder ficar trocando mensagens com seu amado.