Dez Dias em Nova Iorque
9 "A Fuga"
"Já se passavam das 2:00 da madrugada quando eu acordei, eu tinha dormido umas horas, então eu liguei o computador, e fui para o Skype, ver se todos estavam preparados, a Laura não havia dormido, de tão ansiosa que estava, o Gabriel acordou as 2:30,para se arrumar, organizar as coisas e nos esperar, o Pedro estava dormindo, então eu disse que ligaria para o seu celular, que ficava debaixo do travesseiro, quando eu liguei, ele acordou assustado e disse :
– O que houve?
– Tu não vai ir com nós? — Aé, acho que esqueci de falar, mas as passagens eram para as 5:30 da manhã! — Estamos a caminho da casa do Gabriel e já são 2:10,onde você pode nos encontrar? — Perguntei.
– 2:30 estou na frente daquela parada! — Avisou ele.
– O.k, estaremos lá! — Assegurei.
Desliguei e voltei pro Skype: — Laura,2:30 na frente daquela parada! — Ordenei.
– Entendido! — Disse ela eletrizante.
– Eu espero vocês aqui! — Falou Gabriel.
Feito isso, eu desliguei o computador, peguei todo tipo de roupa de cama e coloquei debaixo do meu cobertor, tentando fazer um boneco em menos de cinco minutos.. Até que não ficou tão ruim!! — pensei depois de terminar, peguei minha mochila com tudo que eu precisa e atirei pela janela do meu quarto, logo depois, pulei por lá também, só para dar mais emoção. Quando caí lá embaixo, a grama tinha amortecido a queda de 6 metros, depois de me levantar, peguei a mochila e fui para a parada. Chegando lá eu avistei o Pedro e a Laura, como o combinado, me aproximei e disse:
– Vamos, não temos tempo a perder!
– O. k — Uníssono de novo.
Sinceramente, eu já estava começando a achar estranho!!! Assim, fomos andando, chegamos lá devia ser umas 3:30 da manhã, o Pedro nos disse que estava cansado, ou seja, andamos igual a uma lesma!
– ATÉ QUE ENFIM!!!! — Exclamou Gabriel, então eu expliquei o cansaço do Pedro e ele entendeu.
– Enfim, vamos juntar todas as nossas coisas e ver o que temos!
– Tudo bem. — Disse eu e virei tudo no chão, tinha roupas, coisas para dormir, coisas para sobrevivência e Coisas para a higiene.
– Essas são as minhas. — Disse Pedro, e virou a sua mochila, tinha praticamente o mesmo, só que ele era mais básico.
– E aqui vão as minhas. — Laura nem terminou direito as frases e já havia virado tudo no chão, ela tinha levado TUDO mesmo, de lápis de olho a Notebook.
– Nossa, eu não vou carregar! — Comentei rindo.
E foi a vez de Gabriel, ele só mostrou uma mala, e disse que ali tinha as mesmas coisas que eu havia levado.
– Tudo certo, vamos buscar a Meili? E Pedro, quem tu vai levar?
– Eu vou com a Vanessa, ela vai estar no aeroporto com dinheiro, roupas e etc.
–Agora vamos buscar ela! — Anuncio ele.
E dito isso, fomos até a casa da Meili. Eu fui à frente, escalei a figueira e a observei, percebi que a menina andava de um lado para o outro, preocupada. Então eu atirei uma frutinha, ela arregalou os olhos, e, quando percebeu que era eu, abriu a janela e me deixou entrar.
– Onde você estava? — Perguntou ela.
– Calma, querida, são 4:02!
Quando terminei de falar, eu notei que havia uma mala duas vezes menor que o tamanho da minha, e perguntei:
– O.k, onde estão suas coisas?
– Ali! — e a pontou para uma outra mala, que era um pouco maior!
– Tudo bem, agora vamos, temos que fazer mais algumas coisas antes de sair!
– Vai dar tudo certo! — Ela falou, mais parecia mais uma mensagem de confiança para si mesmo.
– É!
Quando terminamos de dialogar, joguei as duas malas para o Pedro, que estava lá embaixo junto da Laura e do Gabriel ,depois disse, ajudei ela a descer pela árvore, e fui logo atrás, cuidando para ver se ela ficava bem equilibrada, se ela caísse dali, iria morrer direto e eu nunca iria me perdoar por isso, meu amor por ela era muito grande! Quando terminamos de descer, fomos andando para a ferrovia, para pegar o trem e ir para o aeroporto. Deviam ser umas 4:30 da manhã quando entramos no trem, o horário perfeito, por que nós demoraríamos uns 40 minutos até o aeroporto, e, teríamos 20 de descanso até pegar o avião. Descemos em frente a uma lanchonete, perguntei:
– Alguém está com fome? -Ninguém se manifestou.
–Qualquer coisa eles servem lanche no avião!
O tempo passou rápido, e acho que a Meili já estava ficando irritada com as series de perguntas que a Laura fazia pra saber se ela não ia dar para trás dentro do avião. Quando chegou a hora, notamos algo estranho, não havia guardas no portão de embarque. Mesmo assim, seguimos em frente, quando notei que quanto mais nos aproximávamos, mais guardas “brotavam”. Olhei para a Meili, e notei que seus olhos estavam vermelhos, prontos pra se encherem de lágrimas. Peguei em sua mão e pisquei para ela. Olhei para trás e vi a Laura, foi engraçado porque com uma troca de olhares ela entendeu perfeitamente oque eu queria que ela fizesse. Ela acelerou o passo, e serviu como “cobaia” pra mostrar pra Meili de que nada daria errado. Laura passou tranquilamente e todos nós fomos em seguida. Eu e Meili, ficamos por ultimo. Ela estava apertando minha mão muito forte. Quando embarcamos, ela soltou minha mão, então rindo falei:
–Poxa! De onde você tirou toda essa força?
–Cala a boca! – respondeu ela com um sorriso.
Olhei para trás e vi a Laura toda torta ouvindo musica e tentando dormir. Pensei em sugerir que ela deitasse no ombro do Gabriel que estava ao seu lado, mas lembrei de que seu orgulho não ia deixar. Olhei para o lado, e percebi a preocupação do Pedro e só então lembrei de que Vanessa não havia chegado, e faltavam poucos minutos para o portão de embarque se fechar. Foi quando ouvi o aviso de que já íamos partir, e podia jurar ver uma lágrima rolar no rosto de Pedro, foi quando ouvimos uns gritos: “Eu vou entrar sim!” E Pedro abriu um sorriso que eu nunca havia visto. Quando uma garota surgiu na porta, e que logo foi indo em direção ao Pedro.
–Oi, meu amor! – disse ela dando um beijo no Pedro logo em seguida.
–Oque que aconteceu? Fiquei preocupado... – falou Pedro.
A Vanessa ainda estava de pé, e custou a sentar e isso estava atrasando o voo, então foi quando a Laura se levantou.
–O garota?! Você não está vendo que é pra senta? – disse a Laura irritada por ser acordada com os gritos dela mesmo com os fones de ouvido no máximo.
–Escuta aqui...- começou Vanessa, mas foi interrompida pelo Pedro que a puxou.
Gabriel tentou acalmar Laura que realmente havia ficado nervosa com a Vanessa, enquanto eu e Meili nos segurávamos pra não rir.
O avião partiu, e logo caímos no sono. No meio da viajem, acordei com a aeromoça oferecendo comes e bebes. Foi quando senti um cutucão.
–Nem come. São horríveis. – disse um senhor com os óculos tortos.
Olhei em volta meio sonolento e localizei o banheiro, tentei sair com cuidado para não acordar a Meili que dormira em meu ombro. Feito isso, fui até o banheiro e tive que me conter pra não rir da Laura toda torta na cadeira. Quando voltei do banheiro, pedi um cobertor para mim e para Meili, que mesmo sabendo que faria frio não tínhamos um casaco a mão. Sentei e espiei Pedro e Vanessa, que estavam quase na mesma cadeira de tão abraçados que estavam. Sentei, acomodei a Meili em meu ombro novamente, nos tapei e caí em um sono profundo.
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